A EMRC e a “formação integral”

Por Rui Janeiro • 3 Jun, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Opinião

Em tempo de fim de aulas, o bispo de Leiria Fátima, D. António Marto, vem relembrar os pais/encarregados de educação que é importante inscrever os seus filhos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica no próximo ano lectivo.

Afirma mesmo que os progenitores deste país “não devem nunca abdicar desta sua responsabilidade educativa e de escolha dos seus filhos”, que são as aulas de EMRC. Para o senhor bispo a única maneira de um jovem crescer com valores e conduta moral é frequentando estas aulas, pois os pais e as outras cadeiras não parecem ser suficientes para que um jovem atinja uma “formação integral”, que segundo as suas palavras, é importante ser recebida por ”todas as crianças, adolescentes e jovens”.

As aulas de EMRC são uma herança salazarista que vem sugando algum dinheiro ao erário público nas últimas décadas. Uma cadeira que não serve para grande coisa, pois provavelmente debita a mesma matéria que as crianças filhas de pais católicos que já têm de andar na catequese são obrigadas a ouvir aos Domingos de manhã, altura em que preferiam estar a ver desenhos animados ou a jogar à bola.

A extinção desta disciplina atirará alguns professores para o desemprego. Mas se os pais católicos efectivamente querem que a sua criança tenha essa “formação integral” têm todo o direito a fazê-lo no sector privado. Como o Estado deixará de disponibilizar esses serviços, aparecerá um nicho de mercado. Consecutivamente serão gerados empregos que apenas estarão disponíveis a quem possua um curriculum vitae em conformidade com os padrões exigidos, onde se inserem os antigos professores de EMRC, os clérigos e alguns leigos.

Proliferam por todo o país centros de explicações. E que tal a ICAR juntar uns tostões, arrendar ou comprar um espaço e disponibilizar por conta própria essa lacuna na “formação integral” que são as aulas de EMRC? Nessa altura os pais que efectivamente quisessem que os seus filhos frequentassem essas aulas poderiam exercer esse seu direito, sem custo para os contribuintes.

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13 Respostas »

  1. “A extinção desta disciplina atirará alguns professores para o desemprego.”
    Penso que não!
    Esses professores, geralmente, são padres e têm emprego garantido até porque, segundo a ICAR, há falta de padres. E, se alguns não são, acumulam com outro emprego.

  2. Mais uma razão para se acabar com a EMRC nas escolas públicas…

  3. [...] em Sociedade Em primeiro lugar, dizer que estou em completo acordo com uma das premissas deste artigo: a EMRC deve saír das escolas públicas. Para mim, é algo que não merece discussão. Pelo [...]

  4. Em resposta ao comentário anterior, do Blogue “Razões Ateias”,

    Quando refiro os centros de explicações apenas aponto um exemplo dentro do sector privado, que neste caso é um complemento ao sector educativo e para onde acho que deve ir a EMRC. No meio disto tudo, estou certo que a ICAR possuirá infraestruturas e recursos humanos para garantir essa formação, mas fora do erário público. Quando me refiro a “nicho de mercado” é referente às famílias que pretendam que os seus educandos recebam uma formação moral e religiosa que deixam de poder aceder a isso nas escolas públicas e prentendam aceder a uma entidade que lhes facilite essa formação.

    Não deixo de concordar com algumas coisas que diz, nomeadamente quando fala na disciplina de “Religiões comparadas”. Não sei se se devia dedicar uma cadeira apenas para isso, podendo estar incorporada na de História ou numa cadeira de cultura geral e cidadania. As religiões fazem parte da cultura da humanidade e devem ser ensinadas numa perspectiva neutra e integrada, tal como expõe muito bem no seu artigo.

  5. Sendo que os pais pagam (tal como todos nós) impostos, tem direito a que os filhos sejam ensinados como eles querem.

    Se querem q os católicos vão para o privado,então deduzam nos nossos impostos o custo da escola pública ou comecem com o cheque ensino…

  6. Não se esqueça que uma coisa chamada “concordata” é anticonstitucional.

    Se cada um quisesse obrigar o estado a pagar pela educação que quisesse para o seu filho estávamos numa encruzilhada. Um pai escolhia EMRC, outro pai satanismo, outro EMR segundo os jeovás, etc…

  7. Deviam tirar esses padres de lá, e substituir EMRC por uma discisplina de caracter civico e social totalmente fora do contexto religioso.

  8. A inserir uma disciplina de substituição, esta deve ter no programa assuntos como a cidadania e a saúde. Muita gente sai da escola apenas a saber das matérias abordadas, com lacunas a nível de educação sexual e de como funciona o país (leis, deveres e direitos, etc). A ética também pode ser um dos assuntos a inserir, não se limitando às cadeiras de filosofia.

  9. Salvo erro, existe uma disciplina chamada educação cívica. No meu antigo liceu, haviam estas duas opções… EMRC para os religiosos e educação cívica, para quem não queria moral.

  10. No meu tempo havia a R&M e o DPS (Desenvolvimento Pessoal e Social), cadeira em que toda a gente se inscrevia para ter mais uma hora livre pois não havia professores para dá-la.

  11. A disciplina de EMRC é de carácter facultativo e é Educação Moral Religiosa de várias confissões. Se a Católica está lá os outros também poderiam estar. A Educação Moral Religiosa Católica não é catequese nem a substitui. Esta é uma disciplina virada para os valores que pretende dar ao aluno uma formação humana, cívica, social e religiosa que ele,como cidadão livre, poderá, ou não, seguir.
    Parece-me que só se pode falar de determinados assuntos quando se tem um real conhecimento acerca dos mesmos.
    Os professores de EMRC não são, na sua maioria, padres; são contribuintes, pais e acima de tudo educadores!

  12. E que tal uma cadeira de ética e deontologia em vez da EMRC? Creio que seria suficiente para “dar ao aluno uma formação humana, cívica (e) social” (sendo livres para ter a formação religiosa mas fora do ensino público).

    E o problema nem é o carácter facultativo. É sair dos nossos bolsos o ensino de uma cadeira que vai contra a laicidade do estado e que devia estar fora das escolas públicas.

  13. Lamento a ignorância do autor do artigo. Mais lamento quando não se quer ver o contributo que estes professores dão para a formação do aluno enquanto pessoa. Ás vezes fico com a sensação que aquilo que se quer priviligiar é unicamente o aspecto do conhecimento ( pobres dos nossos adolescentes que ficam sem formação integral e destinados apenas a sber matéria(s) para os testes). A pensar desta forma , pergunto quem é o salazarista, meu caro amigo. Eu também sou contribuinte, e por favor, não confundam as coisas, fale-se delas quando se tem apenas conhecimento.
    Um abraço, e antes de escrever o que quer que seja, não seja como os sofistas.

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