Fundamentalismos evangélicos

Por Ricardo Silvestre • 2 Jun, 2008 • Categoria: Juventude, Nacionais, Notícias, Psicologia & Sociologia

Acabou ontem em Lisboa uma reunião com os responsáveis europeus de catequeses como tema  «A conversão missionária da catequese - Debates e práticas sobre a relação entre a fé e o primeiro anúncio na Europa», organizada pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã da Conferência Episcopal Portuguesa e pelo Secretariado da Catequese do Patriarcado de Lisboa.

Cristina Sá Carvalho, uma das participantes Portuguesas disse à Agência ECCLESIA que o debate tinha sido “extremamente rico (…) Nesta Europa multicultural e multireligiosa, os cristãos “têm o dever de tornar o Evangelho presente” e que “precisamos de catequistas que dêem testemunho”.

Depois de conhecida a realidade, Cristina Sá Carvalho sublinha que “estamos a fazer muitas experiências e com esforços organizados”, mas “é importante pensar nos países de Leste”. Depois dos problemas sentidos nestes países é “fundamental a recristianização”.

Ver aqui o resto da notícia.

Fico francamente incomodado com este estilo de linguagem, que sabendo que é sincera por parte dos crentes, me continua a fazer sentir uma enorme preocupação, pois não há qualquer indício de uma “contenção religiosa” na questão da evangelização de crianças. Este estilo de ”missão de evangelização” é explicada de uma forma directa e clara, quase gritante, neste estilo de declarações para o exterior da igreja, por parte deste secretariado nacional da “Educação Cristã”.

E não contentes com a evangelização de crianças portuguesas, é “fundamental”, [fundamental (!)] “a recristianização dos países de Leste. “

De fazer roer-se de inveja qualquer fanatico muçulmano que sonha ver criado um califado.

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4 Respostas »

  1. O proselitismo é um dever de cada bom católico catequista. Já estou a ver a ICAR a pagar cursos de russo, húngaro e romeno e enviar o seu rebanho para evangelizar os europeus de leste. Pegando numa expressão interessante do texto da ecclesia, a “criatividade catequética” (para não dizer “caquética”) está na ordem do dia.

    Não me oponho muito a cerimónias de iniciação religiosa que não envolvam mutilação de partes do corpo, mas oponho-me fortemente a estas coisas. Felizmente que muita criança desenvolve anticorpos e fica vacinada para o resto da vida em relação a estas tretas impingidas por gente que nunca aprendeu a pensar.

  2. Viva,

    Penso que é exactamente a este nível que o Portal Ateu e a recém-criada Associação Ateísta deviam ter uma intervenção prioritária. Se o desejo é despertar consciências para o ateísmo como alternativa válida de vida, então deviamos começar a divulgar essa alternativa junto dos mais novos. Como, não é fácil, mas aqui ficam duas ideias:
    - Promover a inclusão nos programas do ensino secundário, de tópicos sobre os principais sistemas de crenças (cristão, muculmano, hindu…). Sim, porque para se rejeitar é preciso conhecer.
    - Promover a publicação de livros juvenis sobre a evolução, à semelhança de obras como “Our Family Tree: An Evolution Story” de Lisa Westberg Peters.

    cumprimentos.

  3. Só para que conste, o post anterior é meu… :-)

  4. “Cristina Sá Carvalho, uma das participantes Portuguesas disse à Agência ECCLESIA que o debate tinha sido “extremamente rico (…) Nesta Europa multicultural e multireligiosa, os cristãos “têm o dever de tornar o Evangelho presente” e que “precisamos de catequistas que dêem testemunho”

    Não, o que nós precisamos é de gente que trabalhe honestamente e que deixe a malandrice de lado.

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