Como a religião pode ser uma faca de dois gumes

Por Rui Janeiro • 1 Jun, 2008 • Categoria: Internacionais, Notícias

Na altura em que Hillary Clinton está quase de fora da corrida às presidenciais americanas, o senador Barak Obama anunciou a sua saída da ”Trinity United Church of Christ” de Chicago.

Conta o New York Times que Obama e a mulher fizeram chegar à igreja uma carta onde apontavam a controvérsia à volta do Reverendo Jeremiah A. Wright Jr.,  antigo ”líder espiritual” do candidato democrata, como motivo para o seu afastamento.

O Reverendo casou Obama, batizou os seus filhos e teve a honra de ser o primeiro na lista de agradecimentos no seu discurso de tomada de posse em 2004, quando foi eleito senador. A demarcação de Obama da sua igreja começou na altura em que queria anunciar a sua candidatura à presidência. Tendo convidado Wright para fazer um discurso, acabou por cancelar o convite no seguimento da crescente má fama dos seus sermões (onde o ódio e o racismo anti-branco estão presentes).

Não há dúvidas que para se ser candidatável à presidência da América é necessário ser-se religioso (cristão, de preferência nem católico nem mórmon). Mas este caso prova que as ligações religiosas nem sempre são uma vantagem, nomeadamente quando envolvem fanáticos.

Não sei se Al Gore perdia as eleições de 2000 se o caso Ted Haggard se tivesse dado na altura em que Bush andava em campanha.

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3 Respostas »

  1. Pois. É o que dá ter de montar o “circo” necessário para agradar ao eleitorado religioso, e depois ter os “animais” à solta a morder os pés dos “mestres de cerimónias”.

    E isto tanto se vê nos Democratas como nos Republicanos. Tal é a ansia de ser considerado “uma pessoa de fé” que aceitam o apoio, ou a associação com alguns “líderes espirituais”, mesmo que estes sejam completamente desequilibrados, positivamente fanáticos, ou simplesmente charlatães em grande escala .

  2. Penso que este distanciamento atesta contra o carácter de Obama. A sua aproximação à igreja começa por ser um gesto com significado político e marcadamente calculista. O seu afastamento, quando garante a sua candidatura, é tardio e parece manchado pelas mesmas motivações. Não há maneira de sair bem na fotografia.

  3. A política é assim…
    Obama está numa fase em que vale tudo e cada voto conta. Na altura a ligação à igreja deu para angariar alguns votos e afastou-se progressivamente à medida que a fama dos discursos do reverendo crescia. O feitiço virou-se contra o feiticeiro.

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