Contestações à lei da IVG na Nicarágua

Dezenas de mulheres manifestaram-se esta semana na capital da Nicarágua exigindo a revogação da actual lei do aborto e a demissão do presidente Daniel Ortega, que “liderou a revolução sandinista que derrubou o ditador Somoza, em 1979, e que durante quase toda a sua vida foi ateu e a favor do aborto”.

A Nicarágua é um dos países da América onde a ICAR tem mais influência. A lei foi modificada há cerca de dois anos, impedindo o chamado “aborto terapêutico”.

Na mesma notícia aparece referência ao relatório da Amnistia Internacional para a Nicarágua, do qual passo a mostrar alguns excertos (traduzidos por mim). Não esqueçamos ainda o motivo pelo qual a AI e a Santa Sé se incompatibilizaram…

Em Abril de 2007 uma mulher de 24 anos morreu devido a complicações relacionadas com uma gravidez ectópica. Um dos factos que contribuiu para a sua morte foi a demora na prestação de cuidados pelos médicos devido à sua preocupação em serem processados por recorrerem ao aborto.

Aproximadamente 50 requerimentos classificando a lei (proibidora do “aborto terapêutico”, correspondente a situações onde a vida ou a integridade psicológica ou física da mulher pode estar em risco) como anticonstitucional chegaram ao Supremo Tribunal de Justiça no fim do ano. Apesar de haver processos a decorrer, a Assembleia Nacional aprovou o novo código penal onde a lei se inseria.

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12 Comentários

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  1. Então? Esta notícia não teve comentários em Maio de 2008?! Gostava muito de ouvir a reacção de alguns crentes que andam por estas paragens…

  2. Ok como crente aqui vai a minha reacção:

    A gravidez ectópica é uma emergência médica , o feto ao desenvolver-se fora da cavidade uterina é inviável pode provocar a esterilidade na mulher e nos casos mais graves se não for tratada a morte.

    É muito diferente esta situação ou a da menina de 9 anos violada da de uma mulher que aborta apenas porque não quer ter trabalho quando a sua irresponsabilidade é a unica responsável pela sua gravidez,

    Claro aposto que vais rebater-me com a ideia de solas gastas “A Igreja condena o preservativo!” mas isso são incorências da Igreja ao qual sou totalmente alheio e eu nem concordo com elas e nisto não estou sozinho…

    Cumprimentos

  3. Caro José, incoerência é usar a Igreja como um supermercado, onde se vão buscar umas ideias, mas as outras ficam na prateleira, porque não gostamos. Ao menos os ateus são coerentes, acham que está tudo errado. Não percebo os católicos meios-certos.

  4. Caro Pedro nesta situação um crente paga sempre (por ter cão ou por não ter…) a verdade é que se um crente moderado diz que certas passagens biblicas não são literais mas metafóricas e tendo em atenção à epoca em que foram escritas e que certas ideias da igreja devem ser revistas é logo chamado de incorente…

    A religião e a fé tambêm evolui (se bem que de um modo mais lento…) e se não fossem os questionamentos de outros crentes ainda hoje achavamos por exemplo que sacrificios de animais era algo perfeitamente normal….

    Eu não necessito de uma coerência absoluta na forma como conduzo a minha fé nem quero, isto porque eu não pertendo nenhuma estabilidade e/ou estagnação dos meus sentimentos religiosos ao passo que um ateu nega tudo e mantêm-se sempre no ponto de partida ou pretendo que a minha fé amadureça e se torne mais forte a minha crença na religião embora assente nalguns dogmas não é totalmente estanque pelo menos para mim não.

    cumprimentos

  5. O máximo que um católico que se diga “pela vida” pode admitir é nos casos em que a vida da mãe está em perigo. Tudo o que estiver para além disso não pode ser aceite. É incoerente para quem é “pela vida” aceitar que uma mulher violada e com uma consequente gravidez “normal” possa recorrer à IVG.

  6. Pedro Silva,

    Dizes que: “incoerência é usar a Igreja como um supermercado, onde se vão buscar umas ideias, mas as outras ficam na prateleira, porque não gostamos. Ao menos os ateus são coerentes, acham que está tudo errado. Não percebo os católicos meios-certos.”
    Mais uma vez a cometer a falácia da generalização? Será que na religião tudo, mas mesmo tudo, é errado? Como tens assim tantas evidências?
    Os católicos devem ter espírito crítico de modo a eliminar todas as caricaturas daquilo que é efectivamente cristianismo. Portanto, é absurdo dizer que se vai ao supermecado. Porque é que um cristão não pode ter espírito crítico de modo a criticar e eliminar aquilo que é caricatura? Ou será que os cristão para serem coerentes têm que ser totalmente ignorantes e estúpidos?

    Digo, antes, que os ateus são incoerentes, pois, não sabem ver algo de bom na religião… uma vez que comentem quase sempre a falácia da generalização, então, dizem que é tudo mau, é tudo vírus, etc… Mas, na realidade será bem assim?

    ;-)

  7. Caros José e Zé, é no mínimo estranho que o Rui Janeiro, um ateu, tenha percebido o que é um católico coerente, e vocês ainda não tenham percebido.

    Quer dizer, estou a presumir que se consideram católicos, porque se não for esse o caso, isto não se aplica.

    Mas se conseguirem expliquem-me, porque é que eu devo seguir as vossas ideias “inovadoras”, ou até mesmo as que me aparecerem na cabeça, num dia de mais desanimo ou mau-humor, em vez de seguir a vida de 2000 anos de santos. E por favor poupem-me explicações teórias sobre “a minha fé” e “eu sinto que”, falem-me de coisas concretas, em que saibam melhor o que Deus quer, do que a Igreja, criada pelo próprio Deus.

    Desde já, obrigado. Cumprimentos quaresmais

  8. Caro pedro silva,

    Não se trata de ideias inovadoras; mas em saber usar o espírito crítico para eliminar caricaturas, bem como para desconstantinizar a Igreja.
    Ou também se pode (se quiseres) seguir determinados fundamentalistas, sem qualquer espírito crítico; mas isso já não será religião, mas apenas fundamentalismo.
    Então, diz-me o que “sabes” de Deus? (”Saber” implica necessariamente uma CVJ).
    Portanto, eu sei mt pouca coisa sobre Deus… mas creio n’Ele e uso espírito critico de modo a purificar a imagem (mtas vezes antropomórfica) que temos d’Ele.
    Ou será que tens uma visão totalmente coerente, sem qualquer margem para dúvidas, com todas as certezas e mais algumas?

  9. O que sei sobre Deus é o que Ele próprio revelou, ao povo judeu, e definitivamente na pessoa de Jesus Cristo. É daí que eu parto, dos ensinamentos de Cristo, que me falam como nunca ninguém me falou, e pela tradição de 2000 anos de santos, que me mostram exemplos de vida que quero seguir.

    Se sei tudo sobre Deus? Não, estou muito longe disso. Mas ao menos sei o que Ele revelou à Igreja, e faço um caminho em comunhão com os meus irmãos. Não vou orgulhosamente só, a tentar descobrir Deus, exaltando um suposto espírito crítico, mas passando por cima do método que o próprio Deus criou. Infelizmente, esse parece ser o seu caso. Isso é tudo menos católico.

  10. Só faltava dizer isto:
    «…mesmo que me mandem fazer coisas absurdas eu vou atrás deles, pois, (como não tenho espirito crítico para distinguir o absurdo do não-absurdo [ou noutros termos, como não sei distinguir a "palavra do homem" da "palavra de Deus"]) então, seguirei mesmo as suas absurdidades que afinal não são mais que meras “palavras do homem” (e não de Deus)».
    —————
    Pois, mas uma coisa é a “palavra de Deus”; e outra coisa bem diferente é a “palavra de homens” que dizem que Deus disse.

    Que queres dizer com isto: “Mas ao menos sei o que Ele revelou à Igreja”???
    Mas, o que Ele revelou à Igreja não é produto directo d’Ele; implica já uma hermenêutica finita e limitada de homens finitos e limitados, logo nunca total ou absoluta. Foi parecido o que aconteceu com Sócrates e Platão (Sócrates não escreveu nada, mas Platão escreveu hermeneuticamente o que Sócrates disse. É impossível fazer um relato totalmente neutral).

    Não te preocupes que não estou orgulhosamente só…
    Mas para mim católico não é igual a estar ausente de todo o espírito crítico!
    Mas, ausência de espírito crítico = fundamentalismo!

  11. Então explique-me uma coisa, porque é que não acredita que Cristo deu o poder à Igreja de ligar e desligar o que há entre o Céu e a Terra, e acredita que Cristo ressuscitou? Cristo era um mentiroso, ou os apóstolos e primeiros padres da Igreja eram mentirosos? Se mentiram em tanta coisa, porque é que hão-de ter dito a verdade no facto mais extraordinario: que Cristo ressuscitou?

    Tem espirito critico em relação à ressurreição, ou aceita passivamente o que lhe dizem? Cuidado com o fundamentlismo, bbuuuuhhhhhhhh. Para si só usa espírito crítico quem discorda da Igreja, chamaria a isso um preconceito (irracional).

    Devo acreditar que o Zé sabe melhor quem é Deus e quem é o Homem, do que João Paulo II? Faça-me acreditar, por favor dê-me motivos para eu acreditar em si, e não nos santos todos. E no meio disto tudo diz-se católico. Incoerência? Nah

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