Associação Ateísta Portuguesa

Caros visitantes do Portal Ateu.

Foi constituída hoje a Associação Ateísta Portuguesa, da qual sou sócio fundador (juntamente com o Ludwig Krippahl e o Rui Janeiro aqui do Portal).

Tive a iniciativa de me associar a este processo porque acredito que precisamos de uma organização onde (a maior parte) dos ateus, agnósticos e cépticos Portugueses possa conjugar esforços para a divulgação, promoção e defesa destas filosofias de vida.

Mas principalmente, para ter uma organização que nos represente num país onde qualquer senhor de batina tem “direito de antena” assegurado na TV, qualquer religioso pode ter uma coluna num jornal, ou qualquer crente a sua voz na rádio.

O ateísmo sofre de um défice enorme de aceitação na nossa sociedade, o que perpetua alguns dos estereótipos que não ajudam a um debate sério entre as correntes defensoras do laicismo e as correntes… menos defensoras desse laicismo.

Portanto, existe agora uma organização que pode ajudar a colmatar essa lacuna, e que espero que seja capaz de o fazer.

A Assembleia-Geral constituinte será marcada para breve, e faremos a divulgação da data aqui no Portal no caso dos nossos visitantes se quiserem também associar.

Para já, fiquem com o Manifesto da Associação Ateísta Portuguesa

“Na sequência da legalização da «Associação Ateísta Portuguesa», os outorgantes da respectiva escritura saúdam todos os livres-pensadores: ateus, agnósticos e cépticos, que dispensam qualquer deus para viverem e promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz.

Os ateus e ateias que integram a «Associação Ateísta Portuguesa», ou a vierem a integrar, aceitam os princípios enunciados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e respeitam a Constituição da República Portuguesa.

O objectivo da «Associação Ateísta Portuguesa» é mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida. Porque o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e porque todas as evidências indicam que nenhum deus é real.

A «Associação Ateísta Portuguesa» defende também os interesses comuns a todos os que escolhem viver sem religião, defendendo o direito a essa escolha e a laicidade do Estado, e combatendo a discriminação e os preconceitos pessoais e sociais que possam desencorajar quem quiser libertar-se da religião que a sua tradição lhe impôs.

A criação da «Associação Ateísta Portuguesa» coincide com uma generalizada ofensiva clerical a que Portugal não ficou imune.

Apesar de o ateísmo não se definir pela mera oposição à religião e ao dogmatismo, em nome da liberdade, da igualdade e da defesa dos direitos individuais a «Associação Ateísta Portuguesa» denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.

O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte.

A «Associação Ateísta Portuguesa» representa todos os que optem por esta forma de viver e defende a sua liberdade de o fazer.”

Fica público.

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