Associação Ateísta Portuguesa
Por Ricardo Silvestre • 30 Mai, 2008 • Categoria: Informação Jurídica, Nacionais, NotíciasCaros visitantes do Portal Ateu.
Foi constituída hoje a Associação Ateísta Portuguesa, da qual sou sócio fundador (juntamente com o Ludwig Krippahl e o Rui Janeiro aqui do Portal).
Tive a iniciativa de me associar a este processo porque acredito que precisamos de uma organização onde (a maior parte) dos ateus, agnósticos e cépticos Portugueses possa conjugar esforços para a divulgação, promoção e defesa destas filosofias de vida.
Mas principalmente, para ter uma organização que nos represente num país onde qualquer senhor de batina tem “direito de antena” assegurado na TV, qualquer religioso pode ter uma coluna num jornal, ou qualquer crente a sua voz na rádio.
O ateísmo sofre de um défice enorme de aceitação na nossa sociedade, o que perpetua alguns dos estereótipos que não ajudam a um debate sério entre as correntes defensoras do laicismo e as correntes… menos defensoras desse laicismo.
Portanto, existe agora uma organização que pode ajudar a colmatar essa lacuna, e que espero que seja capaz de o fazer.
A Assembleia-Geral constituinte será marcada para breve, e faremos a divulgação da data aqui no Portal no caso dos nossos visitantes se quiserem também associar.
Para já, fiquem com o Manifesto da Associação Ateísta Portuguesa
“Na sequência da legalização da «Associação Ateísta Portuguesa», os outorgantes da respectiva escritura saúdam todos os livres-pensadores: ateus, agnósticos e cépticos, que dispensam qualquer deus para viverem e promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz.
Os ateus e ateias que integram a «Associação Ateísta Portuguesa», ou a vierem a integrar, aceitam os princípios enunciados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e respeitam a Constituição da República Portuguesa.
O objectivo da «Associação Ateísta Portuguesa» é mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida. Porque o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e porque todas as evidências indicam que nenhum deus é real.
A «Associação Ateísta Portuguesa» defende também os interesses comuns a todos os que escolhem viver sem religião, defendendo o direito a essa escolha e a laicidade do Estado, e combatendo a discriminação e os preconceitos pessoais e sociais que possam desencorajar quem quiser libertar-se da religião que a sua tradição lhe impôs.
A criação da «Associação Ateísta Portuguesa» coincide com uma generalizada ofensiva clerical a que Portugal não ficou imune.
Apesar de o ateísmo não se definir pela mera oposição à religião e ao dogmatismo, em nome da liberdade, da igualdade e da defesa dos direitos individuais a «Associação Ateísta Portuguesa» denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.
O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte.
A «Associação Ateísta Portuguesa» representa todos os que optem por esta forma de viver e defende a sua liberdade de o fazer.”
Fica público.
Parabéns a todos os dinamizadores da iniciativa.
Não convidaram D. Policarpo para abençoar o acto de constituição? Das queimas das fitas até ao Cartório é só um pulinho…
Foi um prazer conhecer a malta e, confesso, sinto uma ponta de orgulho em ter sido outorgante da escritura. Vamos ao trabalhinho agora, há muito a fazer!
Aqui fica o meu exercício em jeito de celebração!
http://o-salgadordapatria.net/portugal-dos-pequeninos/parabens-aap/
Boa noite.
Fico feliz por mais esta iniciativa, penso ser muito válido, já que vivemos novamente em um processo no qual, os mecãnismos de poder estão cada vez mais se deixando levar por idéias ou mesmo ideologias retrógadas onde é possível vislumbrar uma tentativa de obscuridade.
Assim se torna mais que desejável que nós espiritos-livres, nos tornemos organizados para poder assim fazer valer nossas certezas e mesmo dúvidas acima de tudo, liberdade de se expressar sem o medo de uma neo-inquisição. Assim meus parabéns.
Caríssimos fundadores da Associação Ateísta Portuguesa,
O Manifesto da vossa associação inclui algumas afirmações que gostaria de ver esclarecidas, de possível.
A primeira tem a ver com a afirmação de que ‘todas as evidências indicam que nenhum deus é real.” Poderiam indicar-me algumas dessas evidências?
A segunda refere-se a uma “generalizada ofensiva clerical”. A que ofensiva se referem?
Quanto a outras duas declarações:
1. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.
2. O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte.
devo dizer que, como crente, as subscrevo.
Deixei um comentário ao vosso Manifesto no blog http://companhiadosfilosofos.blogspot.com, que por ser um pouco extenso não repito aqui.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
[...] Na passada 6ª feira, 30 de Maio, foi criada a AAP - Associação Ateísta Portuguesa, conforme anunciámos aqui no Portal Ateu. [...]
Melhor noticia dos ultimos tempos. Quero participar activamente. Como? Um abraço
Um bem haja a todos os que criaram esta associação, algo que me deixa imensamente feliz e orgulhoso de tal. Como ateu por experiencia de vida e convicção, so me resta agradecer e dar os meu sinceros parabéns pelo “nascimento” de algo que faz muita falta a sociedade portuguesa em geral, ateus, agnósticos e livres pensadores e a todos os outros al qual a “duvida” faz parte da vida.
Os meus sinceros cumprimentos a todos e mais uma vez OBRIGADO.
[...] Na passada 6ª feira, 30 de Maio, foi criada a AAP - Associação Ateísta Portuguesa, conforme anunciámos aqui no Portal Ateu. [...]
Caro Vitor.
Obrigado pelas suas palavras generosas.
Continue a comentar no Portal, estaremos atentos ao futuro da AAP
Parabéns!
Contem comigo.
Sugiro Deus seja convidado para sócio número zero.
parabéns, faz falta, é uma corrente de pensamento que não tinha representação “instituicionalizada”, ficando asssim os ateus, agnósticos etc., com essa lacuna suprida e ganham um veículo que lhes dá capacidade de intervenção e de lobying na sociedade, sem pudores, porque é o que todos nós fazemos, e não devemos ter vergonha de divulgar ideias que são idealistas e não visam retirar outros benefícios das mesmas que não o progresso da humanidade.
O Sr. Alfredo Diniz, pergunta onde está a ofensiva clerical, eu respondo, em quase toda a parte, comunicação social, órgãos do estado, etc. E não só, que tal as crónicas do Sr. Espada, que até é conselheiro do presidente da república ou do Sr. Carreira das Neves, como uma recente que deu brado em que ele afirmou que o ateísmo é uma crença como outra qualquer, comparando a evidência científica, à crença veiculada pelas regiões? proselitismo maior do que isto, a oeste de riade não há. cumprimentos a todos.
Paulo Mendes, o ateísmo é científico? Você diz que Deus não existe com base empírica? Não! então pare de fazer essa associação.
Haverá melhor exemplo para ilustrar a “generalizada ofensiva clerical” do que relativamente recente afirmação do cardeal patriarca de lisboa de que “o ateísmo é o maior drama da humanidade”?
Melhor notícia não podia ter saído.
A genuína pureza da poesia vive e anda por aí em tudo o que é vida, mas não é fácil captar a sua complexa simplicidade. Como não é fácil - ou não se quer - entender a complexa simplicidade da evidência que também anda por aí, em quase tudo. O medo da evidência apavora as mentes que, de uma forma ou de outra, perderam a liberdade ou rejeitam a liberdade, sobretudo a liberdade de pensar. Interiorizam mecanismos fortemente redutores que são aceites acriticamente, porque não existe ou foi tacticamente anulada a capacidade crítica, ou são impostos por uma espécie de fé ou crença consuetudinária, impiedosamente dogmática, que cristaliza toda a forma de pensar, mesmo de pessoas habituadas e traquejadas numa moderna cultura científica da evidência. Estas as pessoas, ainda assim, de boa fé. Porque as há, e não são poucas, que fazem da má fé o antídoto da evidência que não conseguem negar.
João Ribeiro, o ateísmo está em linha com o melhor conhecimento e informação produzida e validada por qualquer ciência, experimental ou não, e é issso que legitima intelectual e socialmente as bases do ateísmo, ao contrario da fé religiosa que não tem apoio em informação digna desse nome mas em crenças que se oferecem para resolver os receios normais de todos nós, de morrer, etc., e que são empobrecedoras para o ser humano. conduzir uma experiência que tenha como resultado provar que deus não existe, só estará ao alcance de cientistas crentes… este deus de que se fala é o deus antropomórfico, claro, porque se falarmos em deus nos termos do panteísmo por exemplo, já será diferente, agora o deus que criou o homem à sua semelhança, etc., e que mandou a mãe do seu filho, planar sobre umas árvores em fátima, atende as preces das pessoas, faz milagres e assim, é que não me parece, é legítimo crer nele e nela, mas é pouco convincente. é só isto o que pode afirmar um não crente perante esses factos.. cumprimentos.
Caros,
É com agrado que assisto à criação da AAP. Como provavelmente todos nós, desde cedo me introduziram a fé cristã. Entre momentos de aceitação e de rejeição sempre me questionei da veracidade da minha fé. Hoje sinto e penso que Deus não existe.
Acreditar em Deus parece-me o caminho mais fácil. Ter medo de não existir nada depois da morte, de toda a vida ser em “vão”, de nenhum consolo haver durante a eterna inconsciência, acreditar em Deus é um consolo mas não é verdade.
Prefiro acreditar na verdade do que viver falsamente confortado.
Mas também lembro que existem muitas maneiras de ser ateu. De interpretar a criação de Deus. Espero assitir aqui a boas discussões.
Cumprimentos.