A religião e as estórias da carochinha

Por Rui Janeiro • 29 Mai, 2008 • Categoria: Opinião

Há coisas que sempre me fizeram confusão. A religião é uma delas.

O meu ateísmo provém de uma série de reflexões que tenho feito desde pequeno. Posso-me considerar um sortudo por nunca me terem imposto nada, ao contrário de muitas pessoas que conheço. Também conheço gente na minha situação que se resolveu baptizar perto dos dezoito anos. Era assim que devia ser (não o baptismo tardio mas o direito de escolha).

Achava estranho ser dos poucos que não ia à catequese e à igreja quando era mais novo. Também achava estranho e ridículo as figuras bizarras que via nas homilias na televisão ou na rádio, pois quando entro numa igreja é como turista ou convidado de casamento ou baptizado.

As romarias para Fátima foram outra coisa que me prendeu a atenção e me indignou, assim como o negócio à volta de instituições aparentemente religiosas. Pior ainda só as injustiças um pouco por todo o mundo originadas pela irracionalidade e cegueira associada à religião e superstição. Atrocidades condenáveis em qualquer país minimamente civilizado passam impunes em sociedades muito influenciadas por clérigos fanáticos.

Não acho que a irracionalidade ligada à superstição e religião seja a causa de todos os males, mas certamente que é causa de muitos e é usada como instrumento de controlo nas sociedades ao serviço de meia dúzia de indivíduos sem escrúpulos.

Em nome de uma sociedade mais justa a religião deve ser do foro privado.

Não posso dizer a ninguém no que se deve ou não acreditar. Apenas lhes posso pedir que usem a cabecinha. A não crença em Deus pode ser equiparada à não crença em Trolls das Cavernas, em Sauron ou em Odin. Tudo estórias da carochinha escritas por gente com muita imaginação e talento. A única barreira filosófica é relativa ao facto de não se poder provar a não existência de Deus, factor que, estendido a todas as estórias da carochinha existentes até hoje e às que ainda podem surgir, torna o processo bastante confuso e demonstra o que os textos da bíblia e essas estórias da carochinha verdadeiramente são.

Produtos da imaginação humana.

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12 Respostas »

  1. És a primeira pessoa que conheço que não foi obrigada a ser lavada cerebralmente em catequeses! Muito sortudo. Eu tenho a segunda comunhão e já li a bíblia para centenas de pessoas. Fantástico! Excelentes experiências de vida para ficar ateu, muito ateu mesmo.

    Cumprimentos.

  2. Obrigado Bruno (e posso-te apresentar mais gente na minha situação).

    Ficava meio confuso quando via muita gente da minha turma a ir para a catequese em horário pós-aulas (outros ao fim de semana em cima do horário de lazer), enquanto eu era encaminhado para casa ou para outras actividades.

    Tenho amigos que também ficaram “vacinados” por culpa da insistência dos pais e hoje estão-se bem a marimbar para as questões religiosas. Se fosse assim com mais…

  3. També´m és a primeira pessoa que eu conheço que escreve “estórias” em vez de “histórias”. Lol.

  4. Rui,

    Bem vindo ao Portal Ateu. Eu também faço parte desse clube dos que nunca tiveram que se sujeitar a sermões não merecidos. Ma vais ver que ainda te vão dizer que o tempo passado dessa forma é uma mais valia para a construção do adulto em cada um de nós! Enfim, quem serão, afinal, os fracos de espírito? Os que têm que recorrer a essas bengalas para ser gente bem formada ou os “outros” que o são por natureza?

    Bons posts.

  5. Não não…. o ateísmo é que é uma “estória” da carochinha…. realmente isto é uma frase cheia de conteúdo.

  6. Space_aye,

    Tem razão. É curioso pois uso a palavra há muito tempo e nem sabia…
    Mas fui confirmar ao Dicionário e não a encontrei. Pelo que vi pela net é um termo que já não se usa em Portugal.

    http://corrector.blogs.sapo.pt/arquivo/049452.html

    Obrigado Hélder (é pena sermos poucos nesse clube). Nas próximas gerações serão mais.

  7. Eu tb nunca fui obrigado a ir à catequese, nem fui baptizado qd não podia escolher, nem tive religião e moral na escola! Desde pequeno que essa história de deus e da nossa senhora me cheirava a história mal contada. Eu bem que perguntava à minha avó( a religiosa da familia), mas as respostas às mil e uma perguntas de um miúdo não eram nada satisfatórias, eram mesmo dignas de quem tb não sabia, mas que tentava enrolar! E os miúdos na sua inocência desmontam estas teorias de divindades em cinco perguntas!

  8. Conheço casos de gente que foi expulsa da R&M ou da catequese por fazer demasiadas perguntas. Aos catequistas não lhes interessa ter lá indivíduos que pensem. Têm é de assimilar tudo e não piar….

  9. Quem já leu ‘Deus, um delírio’, obra de Richard Dawkins, não dispõe de dúvidas a respeito da história medíocre do Jesus. Aquele que ousa se dizer culto e esclarecido, deveria ter vergonha por acreditar nesse tipo de conversa fajuta e sem o mínimo fundamento. Mas na realidade, é bem mais cômodo dizer que se acredita nela, mesmo que deus seja, “assim como é”, uma farsa. Esperar que, os que dizem crer nessa balela fermentada pela ignorância parem de roubar, enganar, abusar de crianças, enfim, é muito otimismo. De tal maneira, posso acrescentar que, estudar um pouco mais faz sempre bem ao nosso ego. E quem estiver disposto a trocar informações ou fazer criticas, meu e-mail é lenek_op@hotmail.com. Abraço para todos os “Brilhantes”…

  10. “Brilhantes”… a humildade ateísta, isto é completamente ridículo. Depois olhe o Dawkins é um cientista e tem algumas lacunas graves em termos de história…

  11. Penso que Leenneker se referia ao termobrights, com uma tradução do mesmo; apenas um termo para denominar todos os que têm uma visão naturalista do mundo.

  12. Hélder eu estou muito familiarizado com esse termo…. não o acho de todo inocente.

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