Leituras: Epicuro – Carta sobre a felicidade

Por Bruno Miguel Resende • 28 Mai, 2008 • Categoria: Cultura, Opinião, Psicologia & Sociologia

Em 341 a.C. nasceu Epicuro, na ilha grega de Samos, e mais tarde nasce consigo a filosofia Epicurista, em causas e consequências de crises culturais dessa época.

Durante séculos duradouros tais filosofias se tornariam numa besta do cristianismo, e as difamações rapidamente se espalharam em cantos e recantos niilistas obcecados com dores e sofrimentos, com mortes e expurgações de males, necessária assim foi a criação de males divinos a combater, a própria Natureza Humana, inexistindo tais afrontas intelectuais e físicas rapidamente os deuses se prostrariam aos pés Humanos. Os “porcos de Epicuro”, assim se construiu um rótulo de importante referência cristã às filosofias libertárias, aos pensamentos humanistas, e seus seguidores e mentores, o Epicurismo serviu então de balde do lixo ao cristianismo, cómodo e facilmente demonizado em climas obscurantistas e de excelsa ignorância divina, do poço profundo onde residiu o Epicurismo se eleva a filosofia às luzes, e se descobrem hedonismos sublimes anteriores às catástrofes cristãs.

Construções de ateísmo moral e comportamentos de ateísmo prático, a elevação dos prazeres e das felicidades, a fuga aos sofrimentos e às tristezas, eis as mais simples bases de uma filosofia do Homem para o Homem.

Epicuro não nega os deuses, afirma-os, “os deuses existem e não se ocupam com os Homens“, deuses que não criaram o Universo, que não intervêm na vida dos Homens, que não lhes fornecem imortalidades, então deuses formais, despreocupados com as vidas terrenas e construtores dos seus próprios prazeres e felicidades.

Sem recompensas ou castigos, de nada servem ao Homem as bajulações divinas, as rezas, as buscas pelo sofrimento, de tudo quanto é perceptível em vidas se reveste a busca de prazer no Epicurismo pela busca de felicidade através da racionalidade, a vivência nos verdadeiros prazeres terrenos que apenas o conhecimento consegue conferir.

A salvação do Homem das garras da religião, assim resume Lucrécio a filosofia epicurista:

Enquanto aos olhos de todos a Humanidade arrastava na terra uma vida abjecta, esmagada sob o peso de uma religião cujo aspecto, mostrando-se do alto das regiões celestes, ameaçava os mortais de forma horrível, houve um primeiro Homem na Grécia que ousou erguer os seus olhos mortais contra ela e contra ela se levantar. Longe de o deterem, as histórias divinas, o raio, os estrondos ameaçadores do céu, não fizeram mais do que excitar o ardor da sua coragem e o seu desejo de ser o primeiro a forçar as portas pesadamente fechadas da Natureza. [...] E por aí a religião foi por sua vez substituída e esmagada aos pés e nós com essa vitória nos elevamos até aos céus.

Em “Carta da Felicidade”, ou a conduta Humana para a saúde do espírito, Epicuro promove a felicidade do Homem, durante todo o percurso da sua existência. A morte é o maior e mais aterrador dos males, e eis as filosofias de vida vencem tais medos, é a mais importante a qualidade de vida que a sua duração, vida e morte não coexistem, não se cruzam sequer, quando uma existe não existe a outra. De tudo aquilo que realmente importa e conduz os Homens no caminho da felicidade, se identificam tão somente as vontades e liberdades Humanas. E são estes e outros conselhos sábios de um génio, de um Homem que merece inteiramente tal definição. E se regozijam os Homens livres e felizes com tais filosofias com mais de dois mil anos de idade.

A morte não deve ser motivo de temor. Quando ela está presente, nós não estamos, quando estamos presentes, ela não está.

É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho.

O sábio, assim como não procura os alimentos mais abundantes e sim os melhores para o seu corpo, também em relação ao tempo aprecia não o mais longo, mas o mais doce.

A propósito de cada desejo deve-se colocar a questão: Que vantagem resultará se eu não o satisfizer?

Artigos relacionados

Deixe uma Resposta