Videocast: Conversa a quatro - 1
Por Helder Sanches • 28 Mai, 2008 • Categoria: MultimediaEstreamos aqui a produção de videocasts. Após a considerável aceitação que os nossos podcasts têm tido, quisemos ir mais longe, produzindo conteúdos de vídeo para o Portal.
Conscientes das limitações técnicas de que dispomos, fazemos da conversa propriamente dita a mais-valia desta iniciativa que nos dá imenso gozo realizar.
Esperemos que seja do vosso agrado e pedimos que nos deixem as vossas sugestões, considerando a escassez de meios com que nos debatemos.
Divirtam-se.

Impagável o tom de voz do Carlos Moura aos 27min e 29sec!!
Será que o Carlos encontrou a sua vocação??!
Ahahahaha!
Os 4 cavaleiros versão portuguesa :).
Apanhou-nos. João. Admito
Mas para o próximo teremos uma “cavaleira”.
Para não ser sempre as mesmas “cavalgaduras” ; )
Os meus parabéns!
Já tinha feito, há dias, download de todos os PodCast que achei muito interessantes e o som espectacular.
Esse VideCast é bom para se conhecer as pessoas, mas o áudio tem menos qualidade, com ruído de fundo, é pena!
Talvez possam melhorar, usando microfones individuais, mais próximos da boca.
Continuem!
Falta atribuir os papeis a cada um deles. Uma coisa é certa quando se trata de parodiar a religião o RIcardo é certamente o the Hitch. Um dos pontos mais interessantes é a questão do combate à religião levantada pelo Helder, o mais ponderado dos apocalipticos. Neste ponto quem é mais penalizado é o Ricardo. Confesso ter ficado surpreendido com o seu artigo sobre o incenso nas igrejas e as implicações que sugeria, nomeadamente que as experiências transcendentes poderiam ser atribuidas a efeitos psicotrópicos. Embora não compreendamos essa situação não a devemos negar. Mesmo sendo ateu admito as igrejas como lugares que se prestam à contemplação, nem que seja pela sua comovente estética. Da mesma maneira que ficaria incomodado se questionasse o sentimento metafisico que experienciei no Palácio da Paz em Haia, atribuindo-o a substâncias psicotrópicas - que de resto abundam naquele país.
Cuidado com as caricaturas. Penso que causam repulsa, em vez de atrair, aqueles que desejamos persuadir - não os ateus convictos, esses não necessitam ser convencidos, mas os individuos que sendo crentes identificam a fraqueza dos argumentos da sua denominação religiosa.
Porém parabéns pela iniciativa. Foi muito interssante.
Caro Luís
Está a exagerar no seu comentário: o artigo sobre o incenso era só, e simplesmente, sobre esse ritual (quando é feito, claro). Não era um tratado sobre as experiências de transcendência em Igrejas por parte dos crentes que as visitam. E para além disso, aquelas nem sequer são as minhas palavras, mas sim a do grupo que investigou os efeitos da mirra sobre os ratinhos, e que fizeram uma extrapolação para uma realidade religiosa que, acharam os autores, era justificada de ser feita.
Quanto a me ter atribuido o “papel” do Cristopher Hitchens, vou considerar essa sua opinião como um elogio.
Quanto a ser “penalizado”, agradeço a preocupação, mas como diria Hitch “I”ve gor a broad back and a thick skin”.
Devo dizer que para o 1ºvideocast não esteve nada mal! Serviu também de apresentação das faces por de trás do portal para quem o acompanha. Realmente o ruído de fundo por vezes perturba um pouco, (os objectos em cima da mesa a arrastar, cadeiras,etc) mas não é relevante, tendo em conta que foi o primeiro. E tenham isto em conta como uma crítica positiva.
E aproveitava também por felicitar o Carlos Moura por se ter aderido á iniciativa do podcast. Já tinha visto que pertencia á equipa do portal, mas de qualquer forma é sempre bom ver rostos conhecidos ligados a esta forma de pensar que é o ateísmo.
Parabéns e venham mais!
Caro Ricardo,
Não negará que é o que mais caricatura os rituais e crenças religiosas, pelo menos dos habituais. Não negará também que algum critério de concordância houve quando decidiu em difundir aquele artigo.
Quanto à comparação ao Christopher Hitchens, deve levá-la como um rasgado elogio, não só porque ambos o consideramos uma voz de extrema pertinência, como também por ser de longe o mais retóricamente dotado dos cavaleiros, apesar de algumas inconsistências habilmente escondidas no seu eloquente discurso. Aproveito para lhe perguntar: como é que concilia o respeito que tem por ele em questões religiosas com a sua posição em relação à guerra do Iraque?
Caríssimos,
O videocast é certamente uma boa iniciativa no sentido de dar rosto e voz às pessoas que intervêm no portal do lado do ateísmo. Como crente. continuo à espera que critiquem o cristianismo e o Deus em quem acredito, indo além da caricatura que apresentam e que ainda bem que criticam. O deus de que falam, a religião de que falam, que é aquela com que de facto muitas pessoas se identificam, são algo de realmente inacreditável. Neste aspecto só posso felicitar-vos pelo vosso ateísmo. Creio que não me sentiria mal na futura Associação dos Ateus de Portugal!
Só mais uma coisa: informem-se melhor sobre a real natureza do conflito na Irlanda do Norte. Se era entre católicos e protestantes, e, por isso mesmo, uma guerra religiosa, não parece estranho que tenha acabado? Afinal de contas os católicos e os protestantes ainda lá continuam. Houve algum acordo teológico entre as duas comunidades?
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Olá a todos
Tenho que dar os parabéns pelo videocasts, porque está muito bem conseguido.
Sem dúvida que o Hélder e o Carlos Moura, foram os mais esclarecidos, sobre o que é ser ateu, porque o ateísmo não é só não acreditar num Deus, mas é não acreditar em nenhum Deus, seja ele o Deus católico, mulçumano ou budista. Quanto ao Manul acho que ele falou pouco, mas o que disse foi bem, mas não só acho como tenho a certeza, que ele tem muito mais para dar, talvez no próximo. O Ricardo e desculpa lá Ricardo, mas caíste no mesmo erro que no programa da Júlia, era que levaste a conversa muito para o catolicismo.
No geral acho que foi uma iniciativa muitissimo boa, e fico à espera do próximo.
P.S. - Só para dizer ao Alfredo Dinis, que o conflito na Irlanda não acabou, actualmente existe é um cessar fogo, mas os ódios esses continuam lá.
Um abraço a todos.
Antes de mais, obrigado pelas palavras simpáticas que os nossos visitantes nos têm deixado, agradecemos a vossa atenção. Agradecemos também as criticas (construtivas e outras) que nos têm feito, e que são sempre bem recebidas, pelo menos por mim.
Caro Luís, já uma vez deixei aqui a minha opinião (numa troca de comentários com o Lucas Samuel) que este sítio não é um lugar para debates de geopolítica, ou de política nacional. Somos um site apolítico. Mas desta vez faço uma excepção (Lucas vai me desculpar por não o ter feito consigo).
Reconcilio muito facilmente as convicções do Hitchens, porque as partilho. E acredito nisso por mim próprio, não por imitação.
A intervenção dos Aliados foi totalmente justificada pelo facto do Iraque ter violado múltiplas vezes leis internacionais que se relacionam com “não invadir um estado soberano vizinho” (o que aconteceu com o Kuwait), “não albergar terroristas procurados pelos tribunais internacionais” (como acontecia com Al-Zarqawi e com o ramo da Al-Qaeda, Ansar Al-Islam, entre outros exemplos), não respeitar um tratado de não–proliferação nuclear (o que Saddam fez repetidamente) e genocídio (o que Saddam fez também repetidamente, especialmente com os Curdos no norte do país - estimativas “optimistas” apontam entre 200 a 500.00 pessoas mortas pelo regime só nesse grupo étnico com… armas de destruição maciça, neste caso agentes químicos).
Saddam era também um promotor de atentados terroristas na Palestina (oferecendo recompensas para as famílias dos bombistas). Conduziu o povo do Iraque à miséria e ao caos, ao mesmo tempo que construía palácios com sanitas de ouro. Os filhos de Saddam corriam certos Ministérios Iraquianos como se fossem hobbies particulares (lembrem-se do que fazia Uday Hussein que torturava atletas olímpicos que tinham maus resultados).
Por fim, Saddam nunca relegou a sua faceta religiosa, sendo um sunita, e estando em minoria, reprimiu violentamente a maioria xiita, as minorias sunitas Curdas que pertencem à escola Shafi’i, e os xiitas Curdos.
Agora, se o Luís quiser falar do desastre que foi o planeamento pós-guerra, então vamos seguramente estar de acordo: os Aliados não preparam o Iraque para a transição para um regime democrático, subestimaram as diferenças religiosas no país, subestimaram a capacidade do povo iraquiano se mobilizar para reconstruir o seu pais, e subestimaram (e continuam a não fazer nada para impedir) a influência devastador do Irão, da Síria, e da Arábia Saudita.
Para terminar, se o Luís me falar de outros países que fazem exactamente o mesmo e que a Comunidade Internacional nada faz para impedir (em África, no Médio-Oriente, na Ásia) enquanto o Iraque parecia ser um escolha “obvia” devido ao petróleo que tem, concordarei com a primeira parte, mas não com a segunda. Um dos compromissos dos Aliados era dar a exploração dessa riqueza natural ao povo do Iraque. Mas nem isso se conseguiu, o que daria jeito agora, para não termos de pagar a gasolina tão cara, uma vez que a Árabia Saudita continua a manipular o preço dos barris de petróleo.
Caro Alfredo Garcia
Como disse o Hélder, o catolicismo é um “tema preferencial” mas nem é por vontade nossa (minha), mas porque é sempre o exemplo mais imediato de apresentar e que a maior parte dos nossos ouvintes irá reconhecer imediatamente.
Repare que falei também sobre cristianismo (o ramo protestante) e do Islão. Assim como escrevo sobre Judaismo e Hinduismo.
E obrigado por ter feito o reparo que as diferenças religiosas na Irlanda do Norte não estarão de certeza sanadas. Continuará a haver (infelizmente) escolas para “crianças católicas” e escolas para “crianças protestantes”.
Caro Ricardo,
Os ‘terroristas’ da Irlanda do norte eram/são marxistas que pretendiam/pretendem instalar em toda a Irlanda uma República Popular. Por acaso estão do lado dos católicos. Os protestantes, emigrados da Escócia, prtendiam e pretendem manter a sua identidade inglesa. Trata-se de uma questão política e ideológica. Como se afirma no videocast, os conflitos que tocam as religiões nunca são simplesmente religiosos. Há sempre interesses políticos, ideológicos, económicos, etc., envolvidos. Convinha não esquecer este facto.
Cordisis saudações,
Alfredo Dinis
Caro Alfredo
Eu pessoalmente, não esqueço. É bem verdade que há condicionantes políticas, económicas, territoriais, sociais, educacionais, etc
Mas lá porque a religião não é o único problema, isso não significa que não é um problema.
Obrigado pela cordialidade das suas respostas.
RS
É com grande satisfação que leio os comentários dos nossos leitores em relação ao videocast. Para nós é importante que o formato escolhido (conversa informal, vários elementos, tipo mesa de café) seja do agrado de quem nos visita.
Contudo, mais do que qualquer mérito que a iniciativa possa ter, para mim seria ideal que conseguíssemos com estes videocasts atingir alguns objectivos concretos:
- Provar que somos todos normais, desmistificando, assim, a imagem ainda padrão do ateu como sendo alguém algo desviante da norma social
- Demonstrar que para se ser ateu não precisa de fazer mais nada do que não acreditar em deuses; tudo o resto acaba em segundo plano, podendo haver divergências a todos os níveis e, demonstrando na forma com que lidamos com a diferença de opiniões, que somos muito mais tolerantes e respeitadores do direito à diferença do que o são muitas vezes os crentes
- Estimular novas discussões, abrir novos tópicos, promover a troca de ideias
- Finalmente, aprender de uma vez por todas a editar vídeo no PC
Já agora, gostaria de lançar uma questão para o ar uma vez que entre nós existem opiniões diferentes: Qual seria, na vossa opinião, o tempo máximo desejável para cada videocast? (se na resposta também colocarem o vosso formato de video preferido, ainda melhor
mp4, divx, xvid, flv, etc… )
Obrigado a todos por nos aturarem.
o tempo máximo desejável? Depende sempre de quantas garrafas levarem…
formato de video preferido? Obviamente, wmv…
Caro Helder
Em relação ao tempo do videocast, acho que dependerá dos temas em discução. Para este 1º videocast penso que tenha sido pouco tempo, tendo em conta os conteúdos que tentaram abordar. Formato de video…mpeg ou wmv parece-me bem.
Não sei se o que vou dizer tem muita lógica, mas o formato “mesa de café” parece-me apropriado, uma vez que este ainda é um tema tabu para algumas pessoas, e não é assunto que consigamos desenvolver por muito tempo, quando do outro lado da mesa está um amigo que seja um crente, ou simplesmente alguém com as tradições demasiado vincadas (e falo por experiência própria).