Efeitos psicotrópicos

Por Ricardo Silvestre • 27 Mai, 2008 • Categoria: Ciência, Ciência & Educação

Uma equipa internacional de neurocientistas publicou recentemente um estudo que mostra que um dos componentes do incenso que se utiliza nas igrejas católicas é proveniente das árvores Boswellia, sendo que esse componente é vulgarmente conhecido por…mirra. Sim, a mesma mirra que foi “oferecida ao bebe” Jesus Cristo.

Qual a importância desta observação? Este composto foi demonstrado como sendo um potente calmante e anti-ansiolítico em ratinhos.

O estudo foi publicado no jornal electrónico da FASEB (Federation of American Societies for Experimental Biology) e sugere que ritos religiosos podem ser ajudados através de efeitos psicotrópicos de uma droga que ajuda a sentir calma e paz.

Ratinhos colocados numa tina com água, se forem expostos a incenso, mantêm-se calmos e sem sentir ansiedade, ao contrário de ratinhos no grupo de controlo, que não sendo expostos ao incenso ficam assustados e em pânico por se encontrarem numa situação aflitiva.

O estudo propõe que os crentes que se encontrem em ritos religiosos, e que sejam expostos ao cheiro do incenso sintam uma sensação de paz e conforto.

Sociologistas, filósofos e antropólogos têm procurado ao longo dos tempos as razões que expliquem o sucesso das religiões, e porque são ainda hoje importantes.

Religião é, principalmente, um fenómeno comunitário: ao contrário de organizações que encontram um ponto comum em questões biológicas, religião sempre conseguiu juntar pessoas diferentes para um objectivo comum.

A religião é capaz igualmente de acalmar ansiedades resultantes de perguntas para as quais não se têm resposta: morte, vida depois da morte, significado de viver, injustiças sociais. Religião pode ser também um local de tranquilidade e de auxílio durante períodos de grande fragilidade e stress. Em suma, religião é muitas vezes considerada como um bálsamo mental e emocional, que ajuda os crentes a sentirem mais qualidade de vida.

No entanto, pode ser que muitas dessas experiencias “espirituais” possam ser resultado de uma alteração do estado neuronal devido ao efeito do incenso. É comum ver em cerimónias religiosas os padres a balancearem o queimador de incenso em direcção à congregação. Este ritual pode promover uma alteração mental dos crentes (que já se encontram receptivos a sentirem alterações dessa natureza) que “aproximam” os presentes a um estado de transcendência e comunhão com um deus que só sente “em espírito”.

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 Artigo inspirado neste post.

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4 Respostas »

  1. E já agora já alguém analisou a hóstia, será que é só farinha e água? lol
    Por aquilo que me contaram, sim aqui o vosso amigo embora tenha ido a várias missas, nunca se confessou ou comungou, a hóstia tem uma tendência desgraçada de se colar ao céu da boca, por que será? LOL :)
    Terá efeitos secundários, viciará os fiéis?

  2. Caro Paulo. Boa pergunta!

    Pode-se sugerir à ASAE que investigue esse caso.

  3. Queremos o Manu Chao a animar as missas.

  4. Detesto o cheiro de incenso. Até podemos denominá-lo de insensocticida, pois expulsa gente como eu de muito sítio.

    Ricardo,

    Qualquer dia a ASAE obriga as igrejas a ter sistemas de extracção de ar e dísticos azuis para que a missa se possa celebrar em conformidade com os requisitos da legislação vigente…

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