O ateísmo e as religiões são uma fraude.

Por Ricardo Silvestre • 26 Mai, 2008 • Categoria: Direito de Resposta

De Edgar

“Desde pequeno estou consciente que estou sujeito a mensagens e pressões provenientes de agentes alheios à minha pessoa, como a publicidade, a política, a religião, o futebol… Mensagens estas que esbarram no meu conhecimento e na minha bagagem cultural e resvalam em sentimentos negativos, positivos ou neutros. No fundo a religião não é nem mais nem menos do que uma entidade que tem um produto e que o quer vender. Mas que produto é este?

Por mais que os ateístas barafustem há um dado concreto e irrefutável, o Homem tem enorme necessidade de acreditar no divino. Olhando para a história, é perceptível que é um dado comum no tempo e no espaço. É um comportamento manifestamente inato, e considero que censurá-lo é desviante dos padrões normais sociais e individuais. Mas o facto de ser inato em nós, não significa que seja o correcto.

Se fosse pela simples questão das crenças, eu seria provavelmente um ateísta. As crenças religiosas são as maiores mentiras da Humanidade. Manuscritos elaborados por homens banais, dentro de uma tenda cheia de areia em pleno deserto!? Não me parecem autoridades, pelo menos o suficiente para me guiarem ao longo da vida, ainda por cima quando a minha existência dista uns milénios de diferença… Mas eu não sou arrogante ao ponto de “crucificar” estes profetas, eu compreendo o tempo e o espaço onde estes manuscritos foram concebidos. Vou tentar compreender a realidade socio-cultural daquela época. Um monte de bárbaros que se guiavam pela lei da espada, e eu, que por acaso sei ler e escrever, como é que eu posso regular a enorme propensão do ser humano para agir com violência? Convence-los que um Ser Supremo estava de olho neles. Que os iria castigar caso continuassem a esquartejar-se uns aos outros, e para azar deles este Ser é tão poderoso que a espada que traziam à cintura nada podia contra Ele. Acho que enquanto homem que sabia ler e escrever e que não sabia usar uma espada, a minha esperança média de vida iria triplicar. No fundo era uma técnica que eu usava na escola para defender-me dos brutamontes.

Todavia a religião deu-nos coisas boas, aprender com o legado de um tipo porreiro chamado Jesus Cristo parece-me boa ideia. Um carpinteiro que no meio da adversidade, abriu uma brecha numa sociedade agressiva, regulada pelo medo, um tipo como nós tentou cultivar valores como o amor ao próximo, ser uma boa pessoa, no mínimo merece o respeito de quem acredita nestas lamechices. E se ainda hoje falamos do JC é porque aquele bacano tinha alguma coisa de especial.

Mas porque é que o ateísmo é uma fraude. Em primeiro lugar os ateístas pregam o conceito mais nervoso, titubeante e inconstante que “Deus inventou”, a razão. A razão é a verdade… em prática até que surja uma razão maior. Eu dou credibilidade à razão mas não me fio completamente nela, aliás, a razão que existe, é conhecimento que nos chega através dos meios de comunicação social, a não ser que estejamos a lidar directamente com cientistas, e aí é como beber o leite directamente das tetas da vaca, a razão, o conhecimento, a verdade são sempre tratados, filtrados e manipulados pelos meios de difusão seja a televisão, a Internet, livros… Vivemos numa sociedade dominada pelos grandes grupos empresariais e pelos respectivos interesses. Temos de ter a humildade de admitir, ou pelo menos de não ficarmos surpreendidos, se a Teoria da Evolução for uma enorme mentira.

Mas porque é que eu acredito em Deus? Bom talvez a palavra acreditar seja muito forte. Eu confesso que admito que Deus exista, como admito que Deus não possa existir, recuso-me a assumir categoricamente o que quer que seja porque há uma percentagem de erro. Nem que os pseudo intelectuais argumentam: “As probabilidades de Deus não existir são maiores.” Defendo-me com uma resposta simples, e creio que a religião no seu conhecimento empírico dá dez a zero ao conhecimento científico na questão da criação do universo. Ainda não li, vi ou ouvi uma teoria realmente credível que me justificasse o que existia antes da criação do universo. Uns argumentam que seria o Nada, outros argumentam com a teoria da Singularidade. Tudo bem, mas isso era o quê? E antes do nada? Não é compreensível. Francamente eu acho mais palpável a existência de um Deus. E antes de Deus? Deus não precisa de ser criado existe nele mesmo.

Talvez acreditar em Deus seja a mesma coisa que acreditar em fadas, dragões ou no Pai Natal, mas até essas personagens do nosso imaginário possuem um fundo de verdade. Se uma mulher anã for manipulada geneticamente e crescer-lhe um par de asas, essa mulher será o quê? Um Dragão, aquele lagarto gigante que cospe fogo, não se parece com um dinossauro? E um velho barbudo que faça brinquedos para todos os miúdos da aldeia, não faz dele uma espécie de Pai Natal? O facto de ser inventado não quer dizer que não possa ser verdade.

Mas a minha razão considera que nunca devo baixar a defesa do conhecimento, deve continuar a discutir e a investigar. Tenho a ambição de perceber se a minha existência é da responsabilidade de Deus ou de que outro fenómeno?”

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30 Respostas »

  1. Como ele que consegiu chegar a conclusões tão ridiculas e tamanhas comparações que não existem?
    Tenho fortes duvidas que esse Edgar nãos seja mais um agnóstico e paranoico conspiracionista anti-iluminati.
    Olhe, um velho barbudo que faça brinquedos para todos os miudos da aldeia não é o Pai Natal, apenas um homem velho, sem nada para fazer e dando asas á sua caridade de velho que deseja ir para o céu, provavelmente para remediar os muitos pecados que fez enquanto ainda não era novo.
    O Pai Natal é muito mais do que isso, é um homem imortal com fundos inexgotáveis, omnipresente e quase omnipotente que tem renas também elas imortais e um trenó voador.
    Não sei porquê mas isso lembra-me de alguma forma Deus.
    Mas a pior foi mesmo a comparação do dragão com um dinossauro.
    Nenhum dinossaruro cospia fogo, pelo menos nunca os cientistas chegaram a tal conclusão. Além disso caso o senhor não saiba os dinossauros extinguiram-se milhões de anos antes de os humanos aparecerem, portanto o dragão não podia ser inspirado numa espécie que não estava ainda descoberta quandos e começou a falar pela primeira vez no dragão (á muitos séculos). Eu sei que isto é básico, só quero que se perceba as diferenças.
    Além disso, porque raio é que a criação do universo tem de ter um objectivo concreto? Não será a vida em si o próprio objectivo? Porque razão deveria existir alguma coisa antes da criação do universo? Existe criatura mais inteligente e criadora do que o homem? Não. O homem tudo cria, e apenas ele cria coisas. Quer com as mãos, quer com a racionalidade. O homem é tão inteligente que criou o próprio Deus.
    Nada é mais maravilhosos no universo do que o próprio homem, e nada está a cima dele.
    Se nem o universo, nem o homem nem qualquer outra especie de vida é perfeita, porque o haveria de ser o Deus que nem é capaz de provar a sua existência de forma a tirar todas as duvidas aos homens mais sábios?

  2. Como ele que consegiu chegar a conclusões tão ridiculas e tamanhas comparações que não existem?
    Tenho fortes duvidas que esse Edgar nãos seja mais um agnóstico e paranoico conspiracionista anti-iluminati.
    Olhe, um velho barbudo que faça brinquedos para todos os miudos da aldeia não é o Pai Natal, apenas um homem velho, sem nada para fazer e dando asas á sua caridade de velho que deseja ir para o céu, provavelmente para remediar os muitos pecados que fez enquanto ainda não era novo.
    O Pai Natal é muito mais do que isso, é um homem imortal com fundos inexgotáveis, omnipresente e quase omnipotente que tem renas também elas imortais e um trenó voador.
    Não sei porquê mas isso lembra-me de alguma forma Deus.
    Mas a pior foi mesmo a comparação do dragão com um dinossauro.
    Nenhum dinossaruro cospia fogo, pelo menos nunca os cientistas chegaram a tal conclusão. Além disso caso o senhor não saiba os dinossauros extinguiram-se milhões de anos antes de os humanos aparecerem, portanto o dragão não podia ser inspirado numa espécie que não estava ainda descoberta quandos e começou a falar pela primeira vez no dragão (á muitos séculos). Eu sei que isto é básico, só quero que se perceba as diferenças.
    Além disso, porque raio é que a criação do universo tem de ter um objectivo concreto? Não será a vida em si o próprio objectivo? Porque razão deveria existir alguma coisa antes da criação do universo? Existe criatura mais inteligente e criadora do que o homem? Não. O homem tudo cria, e apenas ele cria coisas. Quer com as mãos, quer com a racionalidade. O homem é tão inteligente que criou o próprio Deus.
    Nada é mais maravilhosos no universo do que o próprio homem, e nada está a cima dele.
    Se nem o universo, nem o homem nem qualquer outra especie de vida é perfeita, porque o haveria de ser o Deus que nem é capaz de provar a sua existência de forma a tirar todas as duvidas aos homens mais sábios?
    O agnosticismo é atitude apática face á decadência do mundo graças á religião e á sua causa - o estúpido vicio de acreditar num Messias quando a coisa está negra, o medo da morte e a ignorância.
    Em vez de lutar pelo homem, o agnóstico copera com o Deus inexistente, ao aceitar a religião sem combater os seus argumentos com as ovelhas e os pastores.

  3. “Além disso, porque raio é que a criação do universo tem de ter um objectivo concreto?”

    Então diga-me lá porque é que acha que não têm de ter objectivo se faz favor.

  4. Muito bom artigo Edgar (já agora), se bem que eu pessoalmente não perderia tempo com as comparações com o Pai Natal, quem faz esse género de paródias, não merece qualquer tipo de crédito uma vez que só está interessado em desconversar.

  5. Caro space_aye

    Eu confesso, eu não sou grande fã de teorias científicas, elas são mutáveis e inconstantes, por isso carrego uma bandeira mais leve, a do conhecimento empírico. As questões que levantei no meu texto, desgarradas e pouco explicativas, têm como intenção levantar perspectivas e questões para quem estiver interessado em pensar nelas.
    A ciência garante-nos que os dinossauros existiram e que viveram um período considerável antes da evolução do Homem. Pacifico, faz todo o sentido. Mas não é curioso o mito do Dragão ser tão parecido com a descrição do Dinossauro? Mesmo tendo em conta a disparidade temporal? Eu não afirmei que os dinossauros cuspiam fogo e voavam, mas o conceito do lagarto gigante é um paralelismo interessante, que nos leva aonde quero chegar, o facto de inventarmos uma coisa não implica que seja necessariamente mentira.
    Teoricamente é impossível existir o conceito de Pai Natal como o conhecemos, tudo bem, mas apenas parece improvável um homem que se vista diariamente de vermelho, de barbas brancas, que consiga organizar-se e convencer os correios a nível internacional a distribuírem prendas na noite de 24 para 25 de Dezembro, não faz dele uma fotocopia do concito de Pai Natal?
    A questão da criação do universo é outra a ter em conta, a imaginação do ser humano consegue funcionar até ao limite do verosímil, nesse capítulo o velho testamento estendeu os limites, e o inimaginável torna-se por si só incompreensível, e nesta questão assumo o que vou dizer, se não é imaginável não existe. E nesse alcance, aonde pode figurar a personagem de Deus? Como uma questão falsa? Apesar de ser inventada não é mentira e não é igal à forma como foi imaginada? É uma forma incompreensível?

    Caro João

    Já demonstrei neste Portal que sou uma pessoa sem fé, não tenho fé na religião nem fá na ciência, como ainda ninguém me apresentou um argumento válido que me fizesse tender para algum dos lados, continuo a apresentar as minhas dúvidas.

  6. space_aye

    “Tenho fortes duvidas que esse Edgar nãos seja mais um agnóstico e paranoico conspiracionista anti-iluminati.”
    Quem são os “iluminati”? O ateus preconceituosos que escrevem no portal?

    “O homem tudo cria, e apenas ele cria coisas”
    O homem não cria vida.

    “O agnosticismo é atitude apática face á decadência do mundo graças á religião e á sua causa”
    O que quer dizer com decadência do mundo? Já ouvi muita gente ilustre falar dos vários tipos de decadência, mas nunca relacionada com a religião… Antes pelo contrário.

    “Em vez de lutar pelo homem, o agnóstico copera com o Deus inexistente, ao aceitar a religião sem combater os seus argumentos com as ovelhas e os pastores.”
    O agnóstico não é estúpido ao ponto de lutar com uma coisa que não existe. Pode sim lutar contra as acções sociais de injustiça e das quais discorda.

  7. Ricardo Sá, certamente não ouviu Nietzche falar em decadência, pois eu já. Se duvida aconselho-lhe “O Anti-cristo” entre outros livros do mesmo filósofo.

    Se não sabe quem ERAM os iluminati faça pesquisa se se quizer dar ao fastidioso trabalho.
    E já agora, conheço um blog e site bastente ridiculo com teorias conspiracionistas diversas onde estão incluidos os illuminatis:
    Realidade oculta.com
    E um livro de um outro lunático, com o título “A Grande Conspiração”.

    De facto o homem não cria vida, mas dá asas á sua imaginação e cria (apenas no seu imaginário) espécies que até então não existiam.

    “O agnóstico não é estúpido ao ponto de lutar com uma coisa que não existe”?
    O homem não existe?

  8. Algumas reflexões:

    Ninguém negará que a biblia foi a primeira tentativa concertada de perceber donde viemos e para onde vamos. Deve ser vista como um texto histórico que reflectia os tempos de então. Não é, nem deve ser, um manual para o Séc XX ao nível ético ou moral. Não concordo que o homem tenha uma especial propensão para o divino. Tem, sem dúvida, uma necessidade de encontrar padrões e explicações; recusa-se a aceitar o ilusório niilismo materialista e prefere hipóteses que o coloquem no centro do universo. Não sei que brilhante explicação é que o Edgar encontra para a génese do Universo ou o que existia antes dele, na religião. “Depois fez-se luz” não me parece uma explicação acutilante que contribua para as suas dúvidas ou as minhas, além de não responder à questão de quem é que criou deus. “Deus não precisa de ser criado existe nele mesmo” é a explicação mais intelectualmente preguiçosa possível; capitula quando se trata de explicar o que quer que seja. Um ateu que diga “Deus criou a razão” não é um ateu. Não sei o que lhe dizer. De resto a crença que um ateu substituiu deus pela ciência é uma falsa premissa. Admitimos na ciência a melhor tentativa de entender a realidade. Compreendemos que nem tudo poder ser ainda explicado. Insistimos em investigar, não nos contentamos com explicações milenares e imbecis. Continuamos a ser cépticos, mesmo em relação ao cepticismo.

    Mas a mais chocante afirmação vem do space: “Nada é mais maravilhosos no universo do que o próprio homem, e nada está a cima dele”. Esta é uma afirmação carregada de simbologia solipsista religiosa. O homem, embora não possa ser afirmado categoricamente, não é o propósito do universo. E muito dificilmente será a criatura mais inteligente e criadora do Cosmos. As probalidades jogam contra nós neste aspecto. Para além da probabilidade para mais vida inteligente no Universo ser grande, permitindo a existência de civilizações muito mais avançadas que a nossa, pensar que todo esta envolvência cosmológica cheia de galáxias que colidem, estrelas que se extinguem e sistemas solares falhados existe para justificar a presença de uma reles espécie, que nem consensos consegue estabelecer em relação às origens do espaço onde se insere, é duma egocentrismo que toca no providencialismo divino, contrário à natureza dum ateu.

  9. Caro Edgar

    Com o devido respeito, o seu artigo é uma amalgama de imprecisões e confusões.

    Começa logo pelo título. Como é que o ateísmo, pela sua natureza, pode ser uma fraude?
    O ateísmo define apenas uma posição ou estado intelectual em relação a uma crença. Não é uma filosofia, não inclui um corpo de conhecimentos nem defende valores morais. É tão simplesmente a posição razoável de não se acreditar perante a falta de evidências. Se eu lhe disser que acabei agora mesmo de chegar de Mercúrio onde estive a passar férias e você responder que não acredita, acha que faz algum sentido afirmar que a sua descrença é um fraude? Tem alguma lógica? Chame-lhe o que quiser, mas fraude é que não tem cabimento.

    É verdade que a crença no divino é inata no ser humano. Poucas coisas são tão evidentes. Mas porque carga de água é que a censura desta crença é “desviante”. Será que você é também dos que defendem que a crença e a religião devem estar acima de qualquer critica? Como alguém disse “Se a religião é inata em nós, também o é a nossa dúvida acerca dela”

    Relativamente aos textos biblicos, penso que é do mais razoável compreendê-los no contexto da época em que foram escritos, da mesma forma que encaramos outros textos da antiguidade. Aqui não temos discussão. O problema surge apenas quando se avança na pretensão de usar estes textos arcaicos, inseridos num todo a que se chama Biblia, como base moral de conduta. Aí é que está o caldo entornado!

    Não é a razão que é titubeante. As teorias e as interpretações do mundo é que podem titubear perante novas teorias ou novas interpretações. A razão poderá não ser de fiar cegamente, mas é o que temos de mais seguro.

    E como é que a “religião no seu conhecimento empírico dá dez a zero ao conhecimento científico na questão da criação do universo”?? Será que esta afirmação faz sequer algum sentido? Desde quando é que o “conhecimento” da religião é empírico? Que valor deductivo ou intelectual é que têm as explicações teológicas para a criação do universo? A minha filha de 5 anos é capaz de avançar explicações para tudo e mais alguma coisa que observa, num ápice. E fica satisfeita com as suas próprias explicações. Não são igualmente fáceis e infantis todas as afirmações teológicas sobre a maneira como o mundo funciona ou foi criado?
    Você não leu ainda nenhuma teoria credível que “justificasse o que existia antes da criação do universo”. Sabe porquê? Porque não existe (ainda). Simplesmente não sabemos, ponto. A razão porque esta simples resposta não satisfaz a maioria das pessoas, é algo que nunca irei compreender. No seu caso, como a ciência não avançou (ainda) uma explicação convincente, então você fica-se pela explicação divina. Que diferença há entre a sua posição e a dos ignorantes da idade média que atribuiam causas divinas a fenómenos físicos hoje bem compreendidos?

    cumprimentos.

  10. Agradeço a todos por terem reflectido sobre o meu artigo.
    É curioso que em alguns casos estamos de acordo, mas nem se dão conta. Das duas uma, ou não me fiz entender, ou o facto de eu admitir a existência de Deus sou à partida etiquetado de ignorante.

    Space_aye. Considerar que a religião é uma ameaça, e classificar os agnósticos como farinha do mesmo saco, é de um tom ameaçador reprovável, manter um discurso de repúdio e asco perante essas crenças, ou filosofias, chama-se Radicalismo. E se eu condeno os religiosos quando são radicais, tenho a obrigação de assumir a mesma posição em relação aos ateus.

    Luís Nascimento
    É irrefutável, a Bíblia não pode ser um manual regulador. Não faz par com o conhecimento que a raça Humana acumulou nos últimos 2000 anos.
    As minhas questões perante a criação do universo são legítimas. E para ser honesto ainda não tomei conhecimento de uma resposta mais “válida” do que a da responsabilidade de Deus. Não falo de nenhum Deus, de nenhuma religião, mas sim de um ser supremo. Interpretem como quiserem, mas eu acho Deus tão válido ou tão ridículo como as teorias científicas apresentadas até hoje. Confesso que o meu grau de cepticismo em relação à religião esta feito na mesma medida que o meu cepticismo regional. Quando disse que Deus criou a razão foi um mero trocadilho, é obvio que um ateu não acredita em Deus, a não ser que se julgue tão inteligente que se considere um.

    Ernesto Martins
    Acompanho os seus comentários no Portal com algum interesse, acho que são sustentados em concepções sólidas e com uma bagagem cultural invejável. E não me ofendo que me diga que o meu artigo seja uma amálgama de imperfeições e confusões, levanto doze interrogações e cinco parágrafos ao longo dele.
    Vou seguir cronologicamente o seu texto. Considero o ateísmo uma fraude, sim, porque os ateístas actuam sustentados na razão, e a razão é irrefutavelmente, rebatível e questionável, logo tem o mesmo valor que a crença religiosa. É uma falácia ser céptico para com Deus e não o ser para com a razão.
    Eu considero efectivamente que a prática religiosa é um comportamento inato no ser humano e nas sociedades, e entendo ser desviante não “colaborar com elas”, mas o facto de ser desviante não significa que seja errado, aliás é legitimo, apenas posso condenar que quem não as pratica e que queira restringir o direito dos outros de faze-lo, desde que essa prática religiosa não viole os direitos fundamentais de ninguém bem entendido. Quanto à justificação de Deus como responsável pela criação do universo, dou-lhe a mesma justificação que deu ao Luís Nascimento. Mas Ernesto “Que diferença há entre a minha posição e a dos ignorantes da idade média que atribuiam causas divinas a fenómenos físicos hoje bem compreendidos?” Considero que “a minha razão considera que nunca devo baixar a defesa do conhecimento, deve continuar a discutir e a investigar. Tenho a ambição de perceber se a minha existência é da responsabilidade de Deus ou de que outro fenómeno?”

    Cumprimentos

  11. Ao ter dito que nada é mais maravilhoso no universo do que o próprio homem não queria negar a possivel existência de outras formas de vida tão inteligentes ou mais do que o homem no universo, apenas me referia ás espécies que o homem conhece (que ao contrário do que se pensa, elas cada vez vão sendo menos e não mais, porque as espécies na Terra estão a extinguir-se e fora dela não conhecemos nehuma, nem racional nem irracional).
    Também quero esclarecer que aquilo que eu disse sobre os agnósticos tinha apenas o objectivo de alertar para a apatia dos agnósticos face ás ameaças vindas da religião. Contudo, á agnósticos mais racionais e agnósticos menos racionais. Os menos racionais estão obviamente mais perto da religião e mais apáticos face ás suas ameaças.
    Ainda assim todos os agnósticos possuem uma mente muito confusa no que toca á religião, isso nota-se em textos como o deste tópico.

  12. Caríssimos,

    Li com interesse o artigo intitulado “O ateísmo e as religiões são uma fraude”. Não tanto por entrever nele qualquer mérito que não o da reflexão, mas mais por observar o que se costuma escrever neste portal. Confesso-me decepcionado.

    O autor do artigo parece estar algo confuso com as suas próprias opiniões. Os que tendem a escrever (devo dizer que não tive a perseverança de ler todos) aparentemente não conseguem refutar os argumentos tão pobres do autor do artigo. Aliás, se não fosse pelo contraste entre a pequenez do artigo e o número de pessoas a o comentarem, talvez nem me desse ao trabalho de estar a perder estes minutos.

    I - Considero todas as religiões um engodo. São manifestas criações humanas e quem precisar de prova pode verificar a utilidade das religiões para certos indivíduos mais que outros, tendencialmente aqueles que as criaram e adoptaram. Inicialmente, as religiões (quando utilizar este termo designo assim todos os misticismos e supertições e seitas que, vulgarmente, se apelidam de religiões) surgiram como meio de explicar o inexplicável. Porque é que chove - deus da chuva, porque é que faz sol - deus do sol, porque é que há árvores e frutos e estes crescem - deus da natureza/terra, entre outros. Depois, as religiões serviram o propósito da diferenciação entre os homens - aqueles que se pretendiam descendentes dos deuses e que, por isso, se arrogavam os direitos de dominar os outros e de liderar a sociedade/comunidade em que viviam, que deram origem à nobreza, e os outros que eram por estes governados. Isto é flagrante na época da república romana. Já no Império Romano, quando os seguidores de cristo são já um grande grupo de pessoas, o imperador pondera aceitar, por necessidade (corresponder à tendência dominante) e por utilidade (encarnar o papel de representante de deus na Terra - daí o direito divino de que os monarcas se diziam titulares), instaurando-se o 1 Império - 1 imperador - 1 deus. Simplificava tudo muito. Mas mesmo as ideias dos seguidores de cristo foram romanizadas, incorporando-se elementos doutras religiões e costumes de várias províncias do Império, com origens judaicas, celtas, germanas, romanas, helénicas, hispânicas, entre muitas outras. Depois, os vários concílios dos agora cristãos, Roma, Trento, Niceia, serviram para regularizar o credo, lixiviar a vida de cristo, divinizando-o e instaurar um dogma estável, agressivo e repressivo, sendo escolhidos, dentro de dezenas de testamentos, 4, que foram, eles mesmos, alterados. Isto só para se perceber o quão humana é uma religião. O exemplo escolhido, que podia continuar, é o da religião cristã (a dominante em Portugal), que, mais tarde, se ramificou em várias correntes, por inspiração humana. Ou seja, a religião é humana.

    II - O agnosticismo traduz-se na impossibilidade humana de conhecer tudo, isto é, de atingir o conhecimento absoluto, o que se traduz na impossibilidade de ter uma certeza na existência ou ausência do divino. Tradicionalmente, o agnosticismo dispersa-se entre aqueles que dizem acreditar numa força transcendente e nos que não acreditam que no real, no material e no natural. Estes últimos socorrem-se da origem humana das religiões para refutarem a pretensa existência de deus(es) ou de qualquer força transcendente, habitualmente recorrendo à Razão e à lógica para suportarem os seus pensamentos. Qualquer pessoa com o mínimo de intelecto sabe que a mente humana não é capaz de comportar a noção de infinito nem de eterno, por isso, o Homem, quando procura pela origem, procura incessantemente. Pois se afirma que antes do Universo houve o Big Bang, e que havia antes deste uma única partícula, imediatamente pergunta o que houve antes desta. Tal como acontece com as explicações das religiões. Os helenos acreditavam que o mundo sempre tinha existido, noção que é impossível de captar racional, ou mesmo empiricamente, pela mente humana. Os indianos acreditavam, tal como os judaico-cristãos (não esquecemos que partilham a mesma ideia original, juntamente com os islâmicos) que houve um deus, uma qualquer força transcendente que fez o Universo. O que motiva o Homem a perguntar: O que houve antes desse deus? E quando lhe respondem que esse deus sempre existiu, e que nada o antecedeu, o Homem não percebe, porque a sua demanda da origem obriga-o a procurar sempre algo anterior e, além disso, também não compreende o conceito de eterno nem o de infinito, que remetem para essa existência intemporal. Por isso, essas demandas da origem são sempre pouco frutuosas e o que distingue os religiosos/supersticiosos dos agnóstico-ateus é que estes consideram os argumentos pela sua validade e adogmaticamente e lógica e racionalmente. Qualquer pessoa tende a acreditar mais numa resposta emanada por representantes da ciência, que se traduz por desenvolvimento, do que em dogmas de religiões que significaram centenas e milhares de guerras, milhões de mortos, retrocessos científicos flagrantes (basta lembrarmo-nos da Idade Medieval, tão frequentemente designada por Idade das Trevas, em que a população se queria ignorante e muito beata, tradição essa que durou/dura até tão tarde…), queima e destruição de obras científicas, artísticas e intelectuais, entre tantas outras atrocidades. Daí a ausência de crenças supersticiais/religiosas ser mais credível do que seguir qualquer culto religioso.

    III - Em relação ao artigo propriamente dito:

    “o Homem tem enorme necessidade de acreditar no divino (…) censurá-lo é desviante dos padrões normais sociais e individuais”
    O Homem hoje que seja religioso é-o por três Razões: ou ignorância, ou por ter sido endoutrinado, dogmatizado e irracionalizado através do hábito, ou pelas duas conjugadas. A filosofia demonstrou que é impossível a concretização pelo Homem do objectivo do positivismo: o conhecimento absoluto. Contudo, demonstrou a ciência que tudo aquilo que outrora era associado a uma manifestação duma força transcendente (chuva, sol, vento, marés, os dias/movimento de rotação da Terra, ciclo lunar, estações do ano, entre outras) tem uma explicação lógica e deixa adivinhar que, fosse possível ao Homem o conhecimento absoluto, provavelmente o restante das superstições, e nelas incluídas as religiões, desapareceriam.
    Se censurar a ignorância e combatê-la é um desvio dos padrões normais, então é a sociedade e os seus indivíduos que estão errados. Mais, caso o autor do artigo em questão não saiba, norma significa aquilo praticado pela maioria e aquilo que é praticado pela maioria não coincide com o correcto (conceito, ele mesmo, impossível de definir). E que a maioria altera os seus hábitos, que, por isso, a norma se vai alterando consoante o lugar e o tempo e que esse argumento é um argumento falacioso designado, em retórica informal, por ad populum.

    “Mas eu não sou arrogante ao ponto de “crucificar” estes profetas, eu compreendo o tempo e o espaço onde estes manuscritos foram concebidos. Vou tentar compreender a realidade socio-cultural daquela época. Um monte de bárbaros que se guiavam pela lei da espada, e eu, que por acaso sei ler e escrever, como é que eu posso regular a enorme propensão do ser humano para agir com violência? Convence-los que um Ser Supremo estava de olho neles. Que os iria castigar caso continuassem a esquartejar-se uns aos outros, e para azar deles este Ser é tão poderoso que a espada que traziam à cintura nada podia contra Ele. Acho que enquanto homem que sabia ler e escrever e que não sabia usar uma espada, a minha esperança média de vida iria triplicar. No fundo era uma técnica que eu usava na escola para defender-me dos brutamontes.” Esta tese não tem cabimento. O conhecimento histórico detido pelo autor deste artigo deve ser aproximadamente nulo, se não mesmo negativo, o que faz desta tese (se é que tal se pode denominar) ridícula. Escuso-me de comentar.

    “Todavia a religião deu-nos coisas boas, aprender com o legado de um tipo porreiro chamado Jesus Cristo parece-me boa ideia. Um carpinteiro que no meio da adversidade, abriu uma brecha numa sociedade agressiva, regulada pelo medo, um tipo como nós tentou cultivar valores como o amor ao próximo, ser uma boa pessoa, no mínimo merece o respeito de quem acredita nestas lamechices. E se ainda hoje falamos do JC é porque aquele bacano tinha alguma coisa de especial.” Passando à frente o tipo de linguagem aplicado, realmente deplorável num debate que se quer sério, o autor do artigo aparenta desconhecer a História da evolução da religião cristã, que mostra como a vida de Jesus Cristo foi adulterada em Concílios por “doutos” que de entre várias dezenas de testamentos relativamente à vida desta personagem, escolheram quatro e ainda foram capazes de alterar os conteúdos destes quatro, de modo a adequar o que havia sido a vida deste homem com as suas vontades. A necessidade de divinizar Cristo advém do facto de as populações romanas necessitarem de imagens para idolatrar, de ritos e rituais, algo que lhes estava vedado por um dos mandamentos que os impedia de idolatrar imagens. Logo divinizaram Cristo para que pudessem idolatrar pelo menos um terço do deus cristão, já que os outros dois, teoricamente, não eram passíveis de ser materialmente representados. Quanto à brecha, parece-me que o autor desconhece da existência de cruzadas, autos-de-fé, inquisição, prisões, torturas, index, entre outros.

    “ateístas pregam o conceito mais nervoso, titubeante e inconstante que “Deus inventou”, a razão” Caro enhor, desengane-se! Nenhum ateísta crê em deus algum, logo, é impossível que diga que deus inventou a razão. A razão e a lógica são os meios através dos quais a natureza se rege. Somente acontece que o Homem tem uma capacidade cognitiva e racional fora do normal, face aos restantes animais (sim, o Homem é um animal e não é sequer o único animal considerado racional).

    “eu acho mais palpável a existência de um Deus” Não percebi se era uma piada. É que essa coisa dita transcendente, frequentemente apelidade de deus é, usualmente, tão transcendente que nem palpável é. Talvez esteja entre nós um novo profeta…

    “Talvez acreditar em Deus seja a mesma coisa que acreditar em fadas, dragões ou no Pai Natal”. Pois… A partir desta premissa acho que seria óbvio o ridículo a que o argumento do autor do artigo chegou. Arrisco-me a iluminá-lo: meu caro senhor, leia Freud (mesmo que nem sempre consensual ou já até refutado em alguns poucos pontos, pode alargar-lhe os horizontes e fazê-lo perceber que, peço desculpa de ter de ser eu a dizê-lo, que o pai-natal não existe. Nem a fada dos dentes, nem dragões, nem o coelhinho da páscoa. E já agora, nem deus(es) ou qualquer força transcendente espiritual e geralmente dotada de atributos que contrariam a lógica. Aperceba-se que o inconsciente humano tende a formar noções a partir de conceitos. Aliás, nem é preciso irmos a Freud, podemos ficar logo em Platão. Ou noutros. Acontece que um dragão é uma ideia mitológica composta pela ideia simples de voar, captada pela observação de vôos de pássaros, aliada à ideia de lagartos gigantes e à de ignição e do fogo, unidas por meio da imaginação. Uma fada é uma ideia composta pela ideia simples de uma mulher(1) em ponto pequeno (2) com asas (3). Todos estes são elementos que o Homem, mesmo que só por meio da observação, é capaz de reconhecer e, através da imaginação, é capaz de associar, originando estes seres mitológicos. Não me diga que também acredita em quimeras, hidras, na caixa de pandora… Quanto ao pai-natal, este era um homem que distribuía presentes às criancinhas, por caridade, numa determinada altura, cujo nome era Nicolau (não me recordo do apelido). Não andava vestido de vermelho (isso só surgiu devido à coca-cola, caso o desconheça) nem descia pela chaminé. E a sua barba foi um golpe publicitário, para aliar a imagem com a de um avó, logo, ternurento e de confiança, logo, apelativo.

    “Tenho a ambição de perceber se a minha existência é da responsabilidade de Deus ou de que outro fenómeno” Peço desculpa por ignorar o ponto de interrogação, visto que não deve ter aprendido muito bem a básica noção de construção de frases. Mas deixe-me só responder: realmente não deve culpar nenhuma entidade imaginária nem nenhum fenómeno, excepto o da união dos seus progenitores, grosso modo denominados de pais, o facto de ter sido o espermatozóide mais veloz e resistente, da sua mãe o ter gerado durante, adivinho, cerca de nove meses e de o ter dado à luz, expressão que designa a sua saída do ventre da sua mãe. E não, não foi deus nem nenhuma cegonha.

    Cumprimentos,

    Gonçalo Alves

  13. Caro Gonçalo Alves.
    Em primeiro lugar deve evitar colocar textos longos ma Internet, ainda não estamos preparados para receber esse fluxo de informação a partir de um interface como o computador.
    Em segundo, agradeço a sua lição de história, é sempre bom re-ler e saber que há mais pessoas que foram beber à mesma fonte. Pensei que fosse conhecimento adquirido pelos potenciais visitantes do Portal, como tal ignorei-os e é engraçado porque acabei por passar por ignorante.
    Quanto à manifesta confusão das minhas interrogações. Quem busca diariamente o conhecimento não pode estar cem por cento seguro do que está a afirmar.
    Mas se lhe incomoda a forma que eu dei às minhas interrogações eu posso lhe dar o sumo do meu artigo, uma cábula, sem as piadas e a linguagem… rude, imprópria para “pseudo-iluminados” deste nível:
    I- A religião foi concebida por homens, se os homens são falíveis, logo a religião é falível.
    II - A razão, apesar de ser a única ferramenta para alcançar a VERDADE, é falível e mutável, se um ateu é céptico em relação à religião necessariamente terá de o ser em relação à própria razão.
    III – Independente de espaço e tempo a adoração pelo divino é um comportamento social e individual. Ignorar ou restringi-lo implica contrariar a própria natureza humana.
    IV – A ORIGEM do universo, é uma questão que ultrapassa o meu intelecto, considero que por mais sabedoria que consiga acumular, receio nunca ser capaz de a compreender completamente. E se “eu” não a consigo compreender e as hipóteses levantadas por mim e pelos outros não me são suficientemente válidas, sinto-me na obrigação de admitir a existência do divino. É por isso que me considero agnóstico, e não ateu, muito menos religioso.
    Saúde.
    Edgar

  14. Tal como as doenças evoluem, as curas também não são definitivas, mas, mais cedo ou mais tarde a morte, vence todas as doenças, e a vida, só Deus mantem-se inalterável, porque é necessário confirmar a regra que dita que, nada é permanente.
    O ateísmo e a religião adaptam-se, em cada momento, á situação particular do estado de amadurecimento da civilização, e é como tudo na vida, quando comemos laranja deitamos a casca fora, mas se comemos frango deixamos os ossos, portanto julgamos pela parte que nos aproveita, ou seja, todos os que dizem que,

    o ateismo e a religião são uma fraude só podem ser os que sempre se alimentaram de cascas e ossos.

  15. Caro Edgar,

    Retrato-me. Discordando de certos pontos do seu escrito e, em parte, da forma como está apresentado (gostos são gostos, e subjectivos, logo, nada a ver com qualidade). Peço-lhe, se é capaz de responder de tal modo, escreva mais assim. Atenção, é um pedido pessoal.
    Caluniei-o talvez, apresentando-o, como refere, como “ignorante”.
    Nesta sua súmula, manifestamente mais compreensível para mim, devo dizer que fui ignorante em relação à sua pessoa e que, como sempre que desconhecemos algo, tomei pelo que me aparentava ser.
    Devo dizer que, exceptuando a sua necessidade de reconhecer a “existência do divino”, concordo consigo. Eu, como dei a entender, não reconheço a sua existência, mas a possibilidade da sua existência (o que prova o meu agnosticismo - “eu” não posso saber tudo). Contudo, tendo, pelas razões apresentadas, a tomar-me por agnóstico-ateu. O que quer dizer que concordo com todas as suas premissas, discordando somente da conclusão.
    Agradeço a resposta, pedindo desculpa pelas agressivas críticas.
    Não pretendi dar nenhuma “lição” a ninguém, até porque a verdade em si é um conceito difícil (sim, a dialéctica/retórica também encarna o meu âmago) e, logo, apenas expressar a minha opinião baseando as minhas premissas nos argumentos mais lógicos e racionais possíveis. Quanto à Razão, eu não sou capaz de a pôr em causa. Quanto muito à verdade (e creio que era a esse conceito que se referia). A razão no seu (utópico) estado puro (ou seja, ausente de emoção), sustenta os seus argumentos de modo possante e indestrutível. Ainda assim, persistem em mim raros rasgos de dúvida (sempre saudável) se isto não será tudo um sonho, se eu não serei uma ideia, se a minha existência não será um pensamento, se não é possível haver um deus, ou mais, que distorça toda a razão e a (dita) verdade. Reconheço é que esta última “dúvida” é-me tão manifestamente ilógica que dificilmente perco tempo a rebatê-la. Tenho, porém, a humildade de tudo admitir e de, se crer na validade do argumento, ou na veracidade do facto apresentado, me render à evidência (logo, nunca deixo, no entanto, de ser guiado pela Razão, tal como o próprio Edgar que afirma dever-se duvidar da própria Razão, já que se duvida de tudo o resto - um verdadeiro cartesiano).
    Exalto todos os que travem, nos cada vez mais ignorantes dias de hoje, debates e diálogos filosóficos, amando o conhecimento, e procurando (mesmo que se creia não ser seguro), seja com outros, seja internamente.
    Quanto à lonjura do “comentário”, peço desculpa por tal - deixei-me levar. Além disso, não me seria possível publicar sob a forma de artigo, penso eu.
    Quanto à ignorância, ou melhor, ao conhecimento dos seus interlocutores, pelo seguro, aplique o seu método - duvide sempre.

    Mais uma vez, declaro apreço, interesse e agradecimento.

    Cumprimentos cordiais,

    Gonçalo Alves

  16. E sobre os deístas atacantes do ateísmo. Embora discordando completamente convosco: louvo-vos por defenderem o indefensável divino, praticamente “blasfemando”, tendo em conta que se trata do “Portal Ateu”. Brinco, mas lá se vão dizendo as coisas.

    Enfim…

    Gonçalo Alves

  17. Obrigado pelo elogio Cirilo. Apesar de serem amargas, é nas cascas da laranja que estão as vitaminas.

  18. Ao ler todos os argumentos percebo biologicamente uma reação cerebral interessante , assim como numa partida de tenis onde vemos nosso heroi e nosso vilão numa disputa vemos a “bolinha” de um lado para o outro e nao podemos deixar de demonstrar a tensão q ha no ato de observação, ao ler estes artigos pude concordar com todos os lados, é calro q ha ideias diferentes entre os artigos mas mesmo assim qdo entro no texto me envolvo com o ponto de vista de tal forma q parece haver naturalmente logica em cada palavra ,se para nos a verdade é complexa ,para o religioso os simbolos religiosos são meros simbolos, mesmo preferindo a logica das teorias mais profunda poderia facilmente interpretar ao “meu ” modo esses simbolos e é isso q fascina edgar, ele poeticamente consegue ver na religião algo especial relativa a sua propria vivencia enquanto esses mesmo simbolos sao aceitos por outro, e a compreeñsão desses simbolos por parte dos crsitaos sao inaceitaveis a outros, Edgar analisa de fomra poetica e ironicamente jornalistica sua forma de aceitar a realidade simbolica dos cristaos sem q isso seja um conflito iterno ou externo, é uma forma de subsisitr. ( meu texto é inexato, apenas uma opiniao perceptiva sobre Edgar )

  19. Caro Aijalom Wagner.

    Fiquei com as sobrancelhas franzidas com o facto de se ter colocado de parte a temática de debate desencadeada pelo artigo, e ter se dado ao trabalho de traçar um perfil, vá lá, comportamental da minha pessoa.
    Mais importante do que isso, espero encontrar neste portal opiniões suas, que sejam mais-valias para o conhecimento e para a reflexão dos seus visitantes.
    Cumprimentos
    Edgar

  20. ” DEU$ É BOM ” … pois deixa dividendos. Tudo é uma questão de cifrões! Onde houver dinheiro, haverá um DEU$.

  21. Caro Edgar,

    Como disse no fim de minha analise, meu texto é inexato, um parentesis. Acredito que estao todos opinando de forma livre e a vontade sabendo de sua abertura a qualuqer consideração inclusive opiniões sobre seus comentarios, de forma alguma desconsiderei o tema mesmo porq é em cima desse tema q faço minhas opiniões e idéias, desprezar isso é ser deveras tão intolerante à riticas qto um religioso o é. A questao de os visitantes refeltirem ou nao sobre o escrevi é de meritos e cabivel apenas a quem visita o site , umas pessoas podem refeltir ou nao sobre o que escrevi, mas voce nao podera decidir se sera assim ou naum, fiz uuma analise sobre o q vc ESCREVEU e nao sobre o q voce é. Tive tanto trabalho pra ser traçar um perfil tanto qto os outros se dão o trabalho pra escrever tanto e repetir sempre opiniões tão pessoais qto a minha, mas respeito o fato de vc ter se sentido chateado com isso, mas isso nao anula a hipotese de vc ser criticado e o assunto tambem nao tem nada a ver com a sua insatisfação pessoal com os temas aqui abordados.

    Obrigado por responder minhas postagem,
    Passar bem.

  22. Caro Aijalom Wagner

    Ficou um mal entendido por esclarecer. A sua intervenção anterior, tão legitima quanto as demais, deixou-me apenas e só supreendido, não chateado. Isto porque, perante o esgrimar de opiniões quanto à existência de Deus, como produto ou criador do homem, o Aijalom Wagner com a sua curiosidade galgou esta discussão, quanto a mim uma necessidade primordial a partir do momento em que somos seres pensantes, e emitiu uma consideração sobre a minha pessoa.

    Cumprimentos

  23. Zé Ímpio, também acho que Deus é um cifrão. Aposto que os Dawkins e os Hitethcens de quem falam devem ter feito uma pipa de massa à conta Dele.

  24. Se o autor do artigo “bebesse na própria fonte” como ele mesmo tinha dito, não faria hipóteses tão esdrúxulas e ridículas.

    Quem almeja alcançar o conhecimento a partir da razão, as primeiras hipóteses mais factíveis são consideradas e não elucubrações mais loucas advindas de uma mente criativa a ver amigos imaginários e seres invisíveis.
    O que me dá mais certeza é de que o desconhecimento é capaz de fabricar mitos e perpetuar a ignorância.

  25. São o vácuo das interpretações de pessoas como o Alexandre que me fazem por vezes sentir uma espécie de Galileu dos tempos modernos. Fadas?! Que ridículo! Será que o potencial da manipulação genética não permite a recriação desse objecto do imaginário? Acho que os Humanistas estejam aos coices de angústia por tamanho descrédito das capacidades do Homem e da Ciência.
    Só um pequeno aparte, eu confesso que sou fã da ignorância, por vezes o conhecimento adquirido é um burgesso ao conhecimento ainda por adquirir. Possuir conhecimento implica termo de comparação com o objecto em análise, o que por si só pode não ser positivo. O conhecimento previamente adquirido pode induzir em erro, pode estar efectivamente errado (ex: o conhecimento cientifico está sempre em mutação e as teorias caem perante provas mais verdadeiras do que a teoria anterior); o conhecimento pode iludir o pensador (ex: quem estuda um objecto não pode partir do principio que já sabe tudo); o conhecimento previamente adquirido pode vendar diferentes perspectivas de compreensão (ex: um religioso nunca irá perceber a Teoria da Evolução porque o seu conhecimento adquirido impede-o de admitir que a evolução é um processo gradual e constante)
    Mas felizmente eu sou uma tábua rasa, ignorante e provida de conhecimento, livre das impurezas dos achados religiosos e ateístas.

  26. LOL FOR ALL

  27. Pepeu, vc por aki?? Kd a Baby???

  28. Edgar entendo suas indagações, e sei os motivos que o leva a ter tais questionamentos, mas tenho questionamento em relação a isso, simplesmente nem a Religião , e nem a Ciência possui respostas em relação o que está além do tempo e do espaço, não sabemos , foge-nos da razão , pois a nossa existência está diretamente ligada aos fenômenos , só percebemos a realidade em nós e não em si mesma , tu citastes que a ciência é inconsistente mas não sabeis que a Matemática não se enquadra nesta categoria de analogias científicas , o reconhecimento da lógica , desde tempos longínquos , seguiu o caminho seguro, pelo fato de, desde Aristóteles , não ter dado um passo atrás , a não ser que se leve em conta de aperfeiçoamento a abolição de algumas sutilezas desnecessárias ou a determinantes que tornaram mais nítido seu conteúdo , coisa que mais diz a respeito à elegância que â ciência escorreita , que não tenha até hoje progredido é também digno de nota, parecendo por conseguinte acabada e perfeita , tanto quanto se nos pode afigurar, mas nem a Ciência mais perfeita que temos que a Matemática, ainda não conseguiu chegar a este ponto de responder tudo como queres , desde dos tempos de Einstein , quando naquela época acharam a relação da geometria com o mundo físico , e a eletrodinâmica , assuntos como a origem do tempo e do espaço sempre assombrou a física ,e a matemática, porque não existe função em si mesma, ou seja, f(x)=f(de alguma coisa), quando o pensamento tenta equacionar uma função em si mesma não tem jeito , não tem sentido , f(x) para a nossa forma de cognição não se define em si mesma, a sim encontramos um tipo de singularidade onde toda física se desmorona , não equacionar outro parâmetro depois da igualdade, fica sem sentido, por isso que foge de nossa compreensão,o que estará além do tempo-espaço, porque o fato de nós existir , existe sempre em função de outra coisa, e nossa existência molda a realidade ao nosso redor isso pela Mecânica Quântica, então a realidade que conhecemos é uma parcial realidade da totalidade esta inalcançável, mas conhecemos e conheceremos cada vez mais se mostra problemática, pois só conhecemos a realidade em nós.O território que chamamos do nada, mas veja bem , nada , só significa uma percepção de que se tirarmos o tempo e as dimensões o que isso seria , para nós chamamos de nada, mas não quer dizer que seja a inexistência de tudo , porque isso também teria uma condição de existência , a condição de não existir , mas o fato de nós conseguirmos ir alem do nada, não significa isso uma ignorância , mas simplesmente o fato de nossa característica existencial impossibilitar de alcançar tais paradoxos, então nem a ciência e nem a Religião pode simplesmente dar uma resposta que não temos condições de respondê-la, mas o que podemos concluir é que pertencemos a uma realidade inalcançável em tua totalidade, mas os Universos que está por sobre nós, ou seja tendo dimensões, este nós podemos entendê-lo parcialmente , até este limite que vos expliquei, mas isso já é fantástico, mesmo sem um Deus , pertencemos a um mundo me refiro ao Cosmos maravilhoso infinitamente maravilhoso onde me falta palavra de tanto amor que tenho diante de tanta natureza e ambulância penso que isso para mim já é so suficiente não preciso de um religião , mas possuo uma religiosidade cósmica, e sou favor de ir embusca da compreensão deste Universo , o universo que podemos entender o universo das dimensões, isso para mim já basta….

  29. Então concluindo , só para deixar claro uma possível ambigüidade no meu texto logo encima, eu não sou ateísta, não concordo com a maneira que eles enxergam o mundo, mas penso que temos que respeitar também o que eles escolheram , da mesma forma não creio no Deus da religião , este era o Deus que referia no meu texto logo acima, mas não tenho dúvidas que exista uma realidade acima da nossa ou seja, a causa primeira , uma realidade que se sustenta por si mesma, mas não entendo ela , não sei se sou capaz de entendê-la , então Deus para mim é esta convicção de deduzir este pensamento mas que não conseguimos ir além, então de certa forma creio em um Deus, mas não os Deuses que as religiões pregam.

  30. Obrigado por partilhar o seu conhecimento comigo caro Enigma. Enriqueci a minha sabedoria com o seu post. Lamento que a dúvida metafísica não seja dissipada durante a nossa existência, mas acredito que um dos passos para montar o puzzle do principio do Tudo implique a não desconsideração de um Deus.
    Cumprimentos

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