Sidadania

Por Ana Valente • 20 Mai, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Opinião, Psicologia & Sociologia

Para quem defende a Não utilização do preservativo, aqui ficam algumas palavras, apelando à vossa reflexão.O fenómeno do vírus da Sida, vem a alastrar-se diariamente em todo o mundo. A ameaça vital deste vírus deve-se ao facto desta imunodeficiência ser profunda, persistente, progressiva e até à data “incontrolável”, acabando por ser uma caminhada lenta e dolorosa para a morte.

Sabemos que neste momento a única forma de acabar com a Sida seria a não propagação da doença e o preservativo é o único meio contraceptivo que protege deste contágio.

Esta doença desafia directamente a ciência, não esquecendo os avanços científicos, o que é facto, é que ainda não existe uma resposta conhecida eficaz, que faça frente a este vírus.

Sabemos que face a esta problemática, o estigma social é pesado, estas pessoas são estereotipadas e discriminadas, marginalizamos aqueles que se encontram infectados, excluindo-os dos nossos cenários; levando muitas vezes também a processos de auto-exclusão/isolamento.

Foi inicialmente conhecida pela doença dos homossexuais, era conhecida como a “praga gay”, sabemos que está além da “orientação” sexual, e esta visão serve apenas para originar um leque de interpretações erradas sobre a doença e contribui para fomentar o preconceito e a despreocupação em muitos casos.

É emergente uma prevenção interventiva (e melhoramento da qualidade de vida de quem está doente) que aprofunde e trabalhe este problema.

As políticas sociais de prevenção não se têm mostrado suficientes, é preciso fazer mais e melhor e chamo a atenção para o facto de existirem alguns colégios (religiosos) onde a educação sexual é proibida!!! E a educação para a Cidadania/Sidadania é permitida?

Desde o seu aparecimento estimamos que a doença tenha afectado mais de 65 milhões de pessoas e feito mais de 25 milhões de vítimas, nos dados fornecidos em 2006 pela Unaids dizem que actualmente existem 40 milhões de pessoas infectadas.

Em Portugal os dados de 2006 também revelam números impressionantes, 30366 casos de infecção VIH/SIDA (sabemos que existem cifras negras muito altas nesta doença, mostrando que os números são mais elevados).

Para finalizar (e mais uma vez, para alertar quem defende o não uso do preservativo), o seropositivo poderá ser assintomático, não desenvolver a doença, conter o virús no seu organismo e aparentar estar saudável, mas a transmissão do vírus a outras pessoas, pode ocorrer.

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17 Respostas »

  1. Hélder,

    a) Para a Igreja o sexo só deve praticado após consumado o matrimónio;
    b) O vírus da Sida é propagado maioritariamente nas pessoas mais jovens;

    Como a maioria destas pessoas mais jovens, ainda não se casaram, aos olhos da Igreja ainda não podem ter sexo, e penso que o Hélder concorda comigo que é ridículo pensar que os jovens não usam o preservativo POR CAUSA das regras da Igreja. Porque muitos deles drogam-se, alcoolizam-se todas as semanas, e fazem sexo com ou sem preservativo conforme lhes apetece. Alcóol, drogas e sexo fora do casamento são contra os ensinamentos da igreja, portanto é absurdo vir com histórias que na hora H onde os impulsos são animalescos, lhes dá a beatice e não usam o preservativo para seguir a vontade do Senhor. Para fazer sexo de ocasião numa sexta feira à noite, a igreja não é contra o preservativo, a questão é que o sexo nem devia existir, mas claro que se o vão fazer, que tomem precauções.

    No caso de pessoas casadas em que um dos membros tem sida, a Igreja defende ABSTINÊNCIA, porque para além de considerar que o sexo deve ser só para reprodução, a igreja também não quer que as pessoas se infectem com o vírus… E no site do vaticano eles citam estudos em que mostram que o preservativo não é assim tão eficaz a evitar a transmissão de doenças e eles apontam este facto como possível causa do aumento do vírus da sida..
    E por fim é claro que a igreja não defende o sexo desprotegido quando algum dos intervinientes tem Sida ” Isso seria uma irresponsabilidade,” disse um padre numa entrevista. O uso do preservativo para a Igreja deve ser só em último caso…E até há vários grupos católicos que incentivam o preservativo e abstinência, procurando uma posição moderada.

    Depois de ler isto, diga-me se ainda acha que a postura da igreja é criminosa…

  2. João Ribeiro,

    Por lapso, este artigo foi-me atribuido mas na realidade é da autoria da Ana Valente. Já está corrigido.

  3. Ok, eu realmente desconfiei que havia alguma coisa de errado porque o Hélder não é pessoa de contar meia história, por isso é que eu o respeito tanto.

    Cumprimentos João Ribeiro.

  4. Em primeiro lugar não é no ocidente que podemos apontar o dedo em relação à difusão do virus da SIDA, o João Ribeiro tem toda a razão. Existe uma série de factores que potenciam a transmissão do vírus que fazem parte do estilo de vida moderno., cedo-lhe esse ponto. Onde a acção da igreja atinge proporções de genocidio é em África. Aí a igreja dizer que não se deve usar preservativos, fazer campanhas de queima de preservaticos faz toda a diferença.

    As campanhas de abstinência são notoriamente ineficazes. Estão prestes a ser retirados os fundos federais, nos EUA, que eram atribuidos a este género de iniciativas pelos resultados não serem famosos. É absolutamente vergonhosa a posição da igreja de que a SIDA é má mas os preservativos são piores. Não existe forma racional nem moralmente decente de defender a instituição nesta matéria.

  5. Caro Luís,

    “É absolutamente vergonhosa a posição da igreja de que a SIDA é má mas os preservativos são piores”

    Isso parece-me uma super simplificação da posição da igreja, então mas diga-me se as pessoas não têm problemas em praticar sexo sem fins reprodutivos ( que vai contra o que a igreja diz), porque haveriam de ter problemas em usar o preservativo?

    A igreja não é contra os preservativos per si, é mais contra o combate à sida pelos preservativos, defendem pela abstinência para não se praticar sexo sem fins reprodutivos.
    Agora é claro que se duas pessoas em que uma delas tem sida, estão prestes a fazer sexo, seria uma estupidez não usarem o preservativo, e seria igualmente CONTRA a posição da igreja de “ser pela Vida”, ao promover a propagação de uma doença que leva à MORTE.
    Portanto a minha interpretação da posição da igreja é que o preservativo deve ser um último recurso, e não uma proibição.

    Bem até há vários artigos interessantes no site do vaticano, e eu até podia escrever um texto mais detalhado sobre tudo isto… but no time…

  6. Normalmente a minha posição é totalmente oposta á da igreja, só que neste particular do preservativo tenho que dar a mão á palmatória e dizer que é a igreja quem tem razão, O problema da igreja não é apenas moral, nem social, é mais económico e contabilistico precisam-se de pobres cordeirinhos que nascam ao Deus dará para serem moldados pelos ditames do pecado original, Então, já viram, se a igreja acedesse a uma posição permissiva, onde é que iria buscar a matéria prima, sim, os padres, na maioria são os abortos da natureza, e lá por serem filhos de Deus, não quer dizer que sejam todos concebidos pela virgem maria, a igreja sabe o que quer e sela pelos seus próprios interesses, assim poupa nis preservativos e tem desgraças para lhe dar razão de existir.

  7. Volto a repetir, João Ribeiro, que a igreja sabe bem que a abstinência náo funciona e continua a prega-la como método de impedir a propagação do vírus. Não só isso como ao mesmo tempo que condena a promiscuidade receita algumas avé marias como solução ao problema. Parece-lhe uma atitude coerente?

    Mas independentemente disso analisemos o seguinte: a igreja católica tem representação em quase todos os cantos do mundo, está portanto numa posição de difundir com grande sucesso um ataque à SIDA. Não lhe parece que pela proximidade às populações tem a obrigação moral de aproveitar os seus recursos para promever a qualidade de vida do seu rebanho? Já que se interessa por assuntos tão terrenos como a sexualidade de cada um dos seus crentes, não tem obrigação de fornecer os melhores dados possíveis?

    A posição da igreja pode ser comparável a um Estado que queira combater o consumo de tabaco. Recomenda que a melhor maneira de evitar os problemas que daí advêm é não fumar. Os tratamentos anti tabágicos não funcionam a 100 % e promovê-los seria ser conivente com as pessoas que fumam. Poderia até incentivar outros a fumar já que admitem haver uma maneira de combater o vicio. As pessoas fumam na mesma, já que é um direito individual. O estado continua a difundir a sua campanha de abstenção ao fumo enquanto o número de fumadores cresce consistentemente e continua a recusar a validade de tratamentos contra o vicio. Aceitaria uma situação destas?

  8. O que eu acho é que a igreja devia clarificar a sua posição visto que a maior parte das pessoas não entende… A igreja não é contra o preservativo é contra o sexo que não tem finalidade reprodução, isto inclui obviamente pilulas, “travar” a meio etc..
    E se as pessoas querem fazer sexo por prazer, se não conseguem mesmo evitar abstinência, usem o preservativo… acho que era isso que devia ser explicado e não apenas “a igreja proíbe o uso do preservativo”…

  9. Caro João,
    dado que tem tanto a dizer em defesa da posição da igreja… porque não comenta a proibição da educação sexual em tantos colégio ditos religiosos?
    Parece-me que deve ser mais um dado analisado e em debate, demonstrativo da posição não clarificada (em sua opinião) sobre o conhecimento…
    Ainda acrescento, que não podemos partir de falsas ideologias, porque na prática, a sua maioria as pessoas (mesmo as crentes e seguidoras da palavra do senhor) não fazem sexo apenas para se reproduzir, sejamos realistas, dado que o virús da Sida é bem real…
    E ficariam “chocados” com os homens de fé que recorrem a prostitutas… mas isto são outros quinhentos!
    (e não apanhamos SIDA apenas por via sexual, mas é, de facto o maior meio de contagio)

    E quanto às queimas que a igreja vem organizando, sabemos que é no continente africano que existem francamente um maior número de pessoas infectadas…

    Atentamente.

  10. Se a Igreja é contra o sexo sem fins reprodutivos então é forçosamente contra toda e qualquer contracepção. Ponto.
    A questão da SIDA vem por arrasto.
    A ICAR com essa da abstinência mais parece que quer impor uma lei seca. Só que há muita gente que morreria de sede.

    Quanto ao sexo num casal standard que é feito sem fins reprodutivos até podemos fazer uma estimativa. Imaginemos:
    (claro que isto variará de país para país, dependerá da idade do casal e de outros factores, mas é só um exemplo)

    Um casal com 2 filhos casado desde há x anos e que faça 3 vezes sexo por semana em média dá, ao fim de 15 anos de casamento cerca de 2340 “quecas”.
    Com dois filhos suponhamos que andam cerca de 3 semanas (de modo a apanhar o período fértil da mulher e sem qualquer tipo de contraceptivo) a tentar para cada um, o que faz 24.

    Temos então cerca de 1,02 % de “quecas pró-reprodutivas”, em teoria. Uma em cada cem.

  11. “dado que tem tanto a dizer em defesa da posição da igreja… porque não comenta a proibição da educação sexual em tantos colégio ditos religiosos?”

    Pronto parece que a Ana não tem muito mais a dizer portanto muda de assunto, quando quiser fazer um texto com cabeça, tronco e membros, e apresentar dados concretos, colégios em que isso aconteceu etc, pode ter a certeza que eu estarei lá para comentar.
    Para seu azar, eu andei num colégio religioso, e não deixámos de dar a evolução ou a reprodução e tivemos aulas próprias dadas pelas nossa professora de ciências para educação sexual.

    “Ainda acrescento, que não podemos partir de falsas ideologias, porque na prática, a sua maioria as pessoas (mesmo as crentes e seguidoras da palavra do senhor) não fazem sexo apenas para se reproduzir”

    Óptimo se não fazem sexo para se reproduzir, então usem o preservativo, já estão a quebrar as regras ( que só segue quem quer) à mesma . Com a taxa de divórcios actual, o que mostra o afinco da pessoas em preservar as regras da igreja, acho que é uma paródia, continuar a culpar-se a igreja pelo menos nos países desenvolvidos. Quanto aos outros aguardo dados…

    “E ficariam “chocados” com os homens de fé que recorrem a prostitutas… mas isto são outros quinhentos!”
    É o nível a que a Ana nos vem habituando… argumento brilhante.

    “E quanto às queimas que a igreja vem organizando, sabemos que é no continente africano que existem francamente um maior número de pessoas infectadas…”
    Quando e onde isso aconteceu? Dê-me documentos se não for pedir muito, um mínimo de rigor.

  12. Sabe João, sou “contra a papinha toda feita”, não estou aqui para vos dar bê-a-bas sobre assunto algum! Curioso, é o facto de criticar por se utilizar meias medidas, em artigos de opinião… muito curioso!
    Mas não me “choca”, dado que muitos crentes, ouvem sem nunca questionar as estórias e histórias que vos contam…

    Em suma, pior que o cego, é quem não quer ver…

  13. Não você, não é contra a papinha toda feita, você é contra a honestidade intelectual…..” um grupo de 100 psicólogos está na base de uma rede de tráfico de orgãos”… vá agora pesquisar ao google…. isto é algum método?

    Se eu não me questionasse não estava aqui num site, onde quase toda a gente tem uma opinião contrária à minha. Não tenho problemas nenhuns em ouvir a opinião contrária.
    E você questiona-se? Que autores religiosos é que já leu?

  14. João Ribeiro,

    Penso que os dados estão à vista de todos. Se disputa os valores o ónus do contraditório recai sobre si. Mas ao bom estilo de partilha de informação, apanágio dos ateus, aqui ficam algumas estatisticas.

    http://www.avert.org/statindx.htm

    Aviso-o já que é duma daquelas insuportáveis caridades contra a SIDA cheia de propaganda secular.

  15. Aqui fica um artigo que refere esse “mito urbano” da queima de preservativos. Esta maldita internet.

    http://www.aegis.org/news/ips/1996/IP960901.html

  16. Ninguém quis dizer que era mentira…só queria ter acesso ao documento.
    Isto para mim é exactamente a mesma coisa que as clínicas de aborto… um crime. Não há discussão possível.

    Agora o que eu acho é que a igreja tem todo o direito de ter as suas posições, mas tem igualmente o dever de deixar as pessoas tomarem as decisões delas, o que não aconteceu neste caso, não deixaram qualquer tipo de escolha…

    Claro que também é necessário referir que houve grupos católicos que se opuseram à queima, e há actualmente vários grupos católicos que apoiam o uso do preservativo.

  17. Oh João Ribeiro,

    Sabe o que é isto?

    Sopas depois do almoço.

    LOL

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