Cartas “pastorais”

Por Ricardo Silvestre • 20 Mai, 2008 • Categoria: Opinião

O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, publicou este Domingo uma Carta Pastoral na qual deixa apelos em favor de uma Igreja mais activa num tempo de “mutação cultural”.

O que apresento a seguir são algumas das frases proferidas pelo Sr. Policarpo, para que a comunidade ateísta, agnóstica e secular que nos visita saiba que são estas as “linhas directoras” que pautam o discurso, e seguramente a acção destes “líderes espirituais”.

1. “Lamento que a comunidade católica tenha vindo a perder espaço na sociedade como principal fonte inspiradora de valores da humanidade”.

Mais uma vez a igreja mostra a sua “humildade” e “falta de ambição”. A “principal fonte é a comunidade católica”? Não “uma das fontes”? Não”! A “principal” fonte. Como se tudo dependesse das acções da “comunidade católica”, incluindo a definição de “valores” como: irracionalidade, provincianismo, paroquialismo, num mundo cada vez mais modernizado e global.

 2. “É um erro considerar a fé cristã como uma atitude estritamente individual. Quer no seu dinamismo interno, quer na sua missão no mundo, a Igreja situa-se necessariamente num quadro cultural”.

“Necessariamente”. Não existe na cabecinha deste senhor qualquer lugar para dúvidas. É “necessário” que “não seja estritamente individual, mas que faça parte da cultura”. É “necessário” que a igreja se meta na vida dos outros, quer eles queiram que não. Afinal que interesse tem a opinião daqueles que estão “errados”.

3. “Hoje há uma fronteira de tensão entre a Igreja e a sociedade na afirmação dos valores morais, inspiradores da dignidade do homem e do sentido último da existência humana. A sociedade pressiona a Igreja para que adopte a sua dimensão secular de valores, evolutiva e pouco sensível à dimensão perene da vida humana”.

A sociedade não “pressiona” a igreja a ser pouco sensível “à dimensão perene da vida humana”. Se quiserem contar “histórias da carochinha” sobre paraísos onde todos os animais são amigos e onde existe maná no chão para se comer, ou que iremos ter asas e voar por cima de nuvens ou que vamos viver para sempre com aqueles que gostamos num pós-vida glorioso, façam favor. Haverá sempre crédulos para acreditar em tudo o que lhes é dito. Não esperem é que “sociedade” se regule por tais irracionalidades.

Na minha opinião, é até contraproducente estas “promessas” de vida depois da morte. Essas crenças fazem com que se veja o tempo que estamos na terra como uma “etapa” para algo “maravilhoso e justo”, o que justifica muitas vezes certos abandonos ao sofrimento e à miséria dos crentes.

4. A retirada de “Deus da vida do homem, em termos culturais” levou a que o ser humano ficasse “dependente de si mesmo, da sua inteligência, da sua liberdade, da sua criatividade e perdeu algo de muito importante na auto-compreensão de si mesmo, que é a consciência da sua precariedade e incapacidade”.

Arre!!! Mais alguém fica verdadeiramente ofendido com estas palavras?!
“Coitados” dos seres humanos, que podem ficar “dependentes de si mesmo, da sua inteligência, liberdade e criatividade”. O horror!!! O horror!!! O que será destes seres humanos, perdidos na escuridão das suas incapacidades e precariedades sem o grande “pai céu” na sua vida. Para estas pessoas, o ser humano que não se renda a deus é um ser sem qualidade, e que é incapaz até mesmo de apertar os próprios sapatos. 

5. “A absolutização da liberdade individual levou ao relativismo ético. Cada um decide a orientação da sua vida, o que é bem e o que é mal, progressivamente insensível aos valores de uma cultura comunitária”,

Como?!!?!?

Por onde começar? Não existe tal coisa como “Cada um decide a orientação da sua vida, o que é bem e o que é mal”. Existem leis, consensos, modelos de sociedade. Existe um moral construída, uma memória colectiva, um iluminismo civilizacional. Todas estas conquistas criam as regras de comportamento e percepção de bem e mal do ser humano. Apenas os sociopatas ou os psicopatas não respeitam estes pressupostos e decidem fazer tudo aquilo que querem.

O que o Sr. Policarpo está a fazer a apologia de uma ditadura celestial, com todos as nossas decisões e os nossos valores e morais dependentes de aprovação e conselho do seu deus.

E quanto “à liberdade individual” causar que uma pessoa fique ”progressivamente insensível aos valores de uma cultura comunitária”, só mostra a ignorância (ou a tentativa gratuita de alarmismo) deste senhor. As pessoas que assumem a sua “liberdade individual” para com o dogmatismo religiosos têm vidas perfeitamente integradas e em consonância com a comunidade, e com a cultura comunitária. Mais, se calhar, que certos crentes, que apelam constantemente pela beatice, intriga, maledicência, e intolerância.

Caros visitantes e amigos, é esta a realidade religiosa que temos. Sem filtros, sem perguntas, sem descrença, sem ultraje.

Ninguém na nossa sociedade: imprensa (falta de coragem), políticos (falta de poder), “opinion makers” (falta de visão) é capaz de criticar estas afirmações ou estas posições. Ninguém é capaz de emitir uma opinão sobre a falta de consideração, de respeito, ou de cuidado por parte deste senhor e dos dogmas religiosos que ele defende.

Este estilo de documentos é para “consumo interno”, certo. Mas é também o estilo de documento que “guia” os crentes, ou que pelo menos, os faz abanar a cabeça em concórdia com o “pastor-mor do rebanho”.

Depois são os ateístas que “não respeitam”, e que “ofendem” os religiosos.

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14 Respostas »

  1. Caro Ricardo,

    As instituições têm como objectivo principal perpetuar-se no tempo. Toda a argumentação fornecida pelo D. José Policarpo tenta justificar a razão pela qual a Igreja é ainda relevante. Como principe do catolicismo não devemos ficar surpreendidos que o faça. Uma capitulação total aos valores humanistas racionais seria o fim da instituição.

    Volto a tocar num ponto ao qual já aludi. Encontramo-nos numa era de informação que está disponível, como nunca antes aconteceu, na ponta dos nossos dedos. A disponibilidade de informção é inversamente proporcional ao crescimento do culto religioso. Sou absolutamente contra o genéro de vitimização com que termina o seu artigo de opinião. Se os valores religiosos prevalecem, deve ser dito que é em grande parte por uma inabilidade do ateísmo em se apresentar como uma alternativa viável à crença numa divindade. Aqui devemos também fazer o nosso mea culpa.

  2. “Se os valores religiosos prevalecem, deve ser dito que é em grande parte por uma inabilidade do ateísmo em se apresentar como uma alternativa viável à crença numa divindade. Aqui devemos também fazer o nosso mea culpa.”

    Bem, não nos podemos esquecer que esse processo tem que ser relativizado no tempo. Se considerarmos que é desde o iluminismo que, com altos e baixos, o ateísmo começou a ser uma forma de estar aceitável, penso que não podemos falar de inabilidade.

    Depois, podemos também analisar a que região ou país é que nos estamos a referir. Aos países nórdicos ou aos EUA? São realidades diferentes.

    De qualquer forma, conforme já o afirmei diversas vezes, concordo que os métodos normalmente utilizados não têm sido os mais eficientes, nomeadamente enquanto se continuar a exibir o ateísmo em formas que o conotam com qualquer espécie de anti-religião em vez de, simplesmente, como forma alternativa de entender o nosso mundo.

  3. Já foi há quarenta anos, em Maio de 1968, ainda frequentava a escola primária, Pela primeira vez, entrei para dentro de um autocarro juntamente com muitas outras crianças, com enorme alegria, depois multiplicada pela das outras crianças, A longa viagem, quase tão longa quanto a nossa expectativa, mas, finalmente chegados ao local, ai a desilusão foi total, mas que grande confusão, tantas pessoas juntas, enganaram-me, afinal trouxeram-me para Fátima contra a minha própria vontade, mas já que aqui estou, tenho que aprender alguma coisa, tenho que aprender, não pode ser como da primeira vez que fui obrigado a ir a uma igreja, dessa vez até vomitei, tinha seis anos, aquela conversa dos pecadores e do fruto do ventre de maria, deu-me voltas ao estomago, não estava preparado para tanta violência pecaminosa, não aguentei, não tenho culpa, sou mesmo assim, ou era, Agora já não, em Fátima, já sou mais crescido, tenho que aprender, eu sou inteligente, força Zeca, vai-te a eles, Não, é para escutares, para aprenderes, mas onde é que tu já ias, e aprendi, sim, a mensagem era,

    AS FAMLIAS NÃO PODEM SUBSTITUR A ORAÇÃO ÁS REFEIÇÕES PELA TELEVISÃO

    aprendi e compreendi que embora muito criança, pensava como um adulto, por isso, se pudesse fazer o que me apetecia apedrejava mas era os padres todos, lá porque era filho de ferroviário e sem dinheiro para comprar uma televisão, não tinha que ficar contente com isso, sacanas,

    Ninguém, manda na minha liberdade, o conhecimento liberta mas aflige os ignorantes, nasci livre e livre quero morrer.

  4. Penso que se alguém pedisse a um ateu no séc XVIII para prever o estado da crença religiosa no séc XXI, fornecendo toda uma série de variáveis como a democratização do ensino ou o fácil acesso à informação, ele rápidamente concluiria que haveria um significativo decréscimo no culto religioso. Pode ser argumentado que efectivamente não se verifica um aumento no número de não crentes, até porque não temos dados viáveis sobre estatisticas nessas altura e porque então, como parcialmente também agora, existiria um efeito dissuasor em assumir a crença na não crença. Talvez agora aqueles que sempre sentiram dúvidas se cheguem à frente mais fácilmente por se sentirem apoiados por portais como estes. Não existe maneira de saber. O que pode ser afirmado com convicção é que em pleno séc XXI o ateísmo ainda não venceu esta luta perante 150 anos de significativo avanço cientifico e a actual disponibilidade de informação e o seu fácil acesso.

    Excluindo uma visão eurocêntrica do ateísmo, sendo que para cada país pouco religioso como a Inglaterra podemos apresentar um exemplo contrário como a França, o culto religioso cresce a olhos vistos. E se pode ser argumentado que nessas regiões não se verificam os mesmos graus de erudição também pode ser dito que existe mais instrução do que alguma vez houve e que este factor não tem evitado o crescimento sustentado da crença numa qualquer divindade. O cepticismo em relação às religiões organizadas ou descentralizadas não tem florescido como se esperaria numa era de conhecimento facilmente difundível sem precedente na história humana. É nesta prespectiva que julgo que temos falhado em não ter aproveitado todo este capital humano mais intruido de forma a direccioná-los num caminho mais racional e menos pernicioso. Como diz o Hélder temos que deixar de ser constantemente contra e passar a ser a favor de alguma coisa. Era precisamente esse o efeito de victimização contra o qual me insurgia.

  5. Bem a mim sinceramente incomoda-me o uso e abuso, das palavras racional e ciência que este novo ateísmo tanto usa.

    Primeiro porque existiram e ainda hoje existem, grandes pensadores que têm crenças num Deus criador do Universo. Em segundo o argumento da ciência, em que quem acredita em Deus não tem suficientes conhecimentos científicos, não encaixa uma vez que há muitos cientistas que também acreditam em Deus… E acho ainda mais ridículo este argumento vir de pessoas que não têm qualquer formação científica…

    Mesmo cientistas ateus acreditam em coisas que nunca viram ou testaram empiricamente, ( exemplo: multiversos), e seria ridículo chamá-los de irracionais por isso.

    Quanto ao avanço da ciência, eu acho que num tempo relativamente próximo vai deixar de haver lugar ou para o ateísmo e para a religião. Dentro dos próximos anos, poderá ser testada a String Theory, que prevê a existência de 10 dimensões, em vez das 4 (3 espaciais + tempo) a que estamos habituados…e se essa teoria estiver correcta provará, que existe mesmo muito mais do que vemos… e a ideia de termos criaturas invisíveis ao nosso lado deixará de ser de todo ridícula..

  6. *ou para o ateísmo ou para a religião
    Um comando para edição de mensagens? :)

  7. João Ribeiro,

    Para existir o comando de edição de mensagens teria que ser obrigatório o registo para se poder comentar. Estrategicamente, optámos por não seguir essa opção, não obrigando a qualquer espécie de registo para se comentar. Espero que entenda essa opção. Mas reconheço que dava jeito… ;)

  8. Ora, parece-me que o que aqui se procura não é mais do que responder á questão, qual a finalidade do ateismo, ou seja, a razão da sua existencia é explicar a sua utilidade para a sociedade, precisamente quando a imagem que a opinião publica tem do ateismo é das piores que se possa imaginar, isto por um lado, por outro temos que, a própria natureza do ateismo, a ausência de Deus, o ponto em comum encontrar-se no vazio, não tem auto-justificação, dai que a razão de existência não possa ser encontrada no interior, mas no exterior, por exemplo, nas aberrações das práticas religiosas, mas ainda existem mais dificuldades a ultrapassar, então e a natureza, anarquica do ateismo, a resistência natural a qualquer tentativa de hierarquia, para ultrapassar esta última dificuldade teria que ser encontrada uma nova estrutura organizacional com base nas novas tecnologias, creio.

  9. Caro João Ribeiro,

    Qualquer bom cientista crente, que na minha opinião é uma premissa impossível, separa herméticamente a sua crença religioso do seu espirito cientifico. Os dois não convivem lado a lado facilmente. Um cientista não acredita em Deus como acredita que a Terra gira à volta do Sol. Terá porventura fé na existência de um ser sobrenatural. Fé porque não consegue provar a existência da entidade divina. Se conseguisse deixaria de ser sobrenatural e passaria a pertencer à ordem natural, deixaria de ser divino . Não é racional porque a sua formação exige que se apresentem provas e decidiu ignorar esse facto. Não percebo porque se revolta com o uso da racionalidade do lado dos atéus.

    Nenhum cientista dirá que acredita piamente em multiversos, pelo menos um sério. Afirmará que o multiverso é uma hipótese a considerar e trabalhará para prová-la. Quando reunir provas, modelos ou dados suficientes e for prestigiado com o consendo dos seus colegas aí pode dizer que subscreve aquele modelo explicativo. Se o fizer antes não é um bom cientista. Se afirmasse que tinha fé num multiverso seria ridicularizado pelos seus colegas. Acreditar ou não em ciência é irrelevante como fim, o que é necessário é comprovar.

    A String Theory é altamente debatida, não é de todo consensual. Ainda bem que não porque é através deste debate que se consegue boa ciência. A ciência está cheia nos seus fundamentos de coisas que não consegue ver como um atomo ou um electrão sem que daí extrapole que, por existirem coisas que não se vêm, tudo o que não se possa ver é possível. As entidades invisíveis só deixarão de ser ridiculas quando conseguirem ser testadas milhares de vezes com resultados compatíveis. Antes disso continuarão a pertencer ao reino da superstição.

  10. Não me admiram nada as palavras do Cardeal-Patriarca de Lisboa, porque este tema da religião é, e sempre será de extrema complexidade.
    Passo a explicar o que eu penso sobre isso:
    Para mim a existência de deus está já há alguns anos posta de lado, pelo menos o deus que as religiões de um modo geral nos querem impingir, embora a teoria que me foi apresentada pela leitura do livro do nosso José Rodrigues dos Santos (A Fórmula de Deus), seja bastante interessante, como especulação, mas sem o folclore sagrado habitual nas principais religiões do planeta.
    No entanto reconheço, que para muitas pessoas, inclusive, para muitos dos que se consideram ateus, e naqueles momentos de maior desespero, da vida humana (doença, sofrimento, perda de um ente querido, morte próxima, etc…) , a tendência seja dizer frases do género de, “Que deus me Ajude”, “Se deus Quiser”, “Ai meu deus”, etc…
    Embora também saiba, que isto muitas das vezes, seja dito mais pelo hábito enraizado da Sociedade/Família, do que por verdadeira crença, e não porque a pessoa está mesmo á espera que deus faça alguma coisa.
    Também sei que para muitas pessoas, devido ao desconhecimento dos avanços da ciência, ou porque não conseguem compreende-los por falta de conhecimentos, ou porque a sua vida é tão vazia/problemática/sem solução á vista ou até porque nunca tiveram tempo para pensar seriamente sobre o assunto, a ideia de deus seja reconfortante, embora se calhar, e corrijam-me se estiver a errado, bem lá no fundo muitas destas pessoas saibam que se estão a auto iludir.
    È também claro para mim que, a nível das organizações religiosas, sobretudo a nível das hierarquias de topo, a tantas vezes proclamada fé deve tender para zero, e que estas organizações são sobretudo, meios de poder, domínio e controlo, sobre o povo.
    Não é de admirar, que o poder politico ande muitas vezes de braço dado com a religião, porque é com o poder do medo (da morte, pecado, castigo, inferno etc…), que melhor se dominam os povos, os povos crentes e/ou com baixo nível de conhecimentos aceitam melhor, sem protestar, as condições miseráveis a que são obrigados a vegetar pelos poderes vigentes (políticos, religiosos e do capital).
    Talvez seja por isso que todos os domingos, se vêem muitas pessoas de alta classe social, facilmente identificável, pelos veículos com que circulam e/ou pelas roupas e jóias que usam, a frequentar as respectivas igrejas/locais de culto locais, e então se o acontecimento for televisionado, nem se fala.
    E não me venham agora dizer, que a grande percentagem delas são verdadeiros cordeirinhos crentes, e tementes a deus, que eu não nasci ontem. LOL 
    Estas demonstrações públicas de fé, servem, penso eu, para incentivar a adesão do povo, e para nele criar uma ilusão de igualdade e de humildade que na realidade nunca existe.

  11. “Qualquer bom cientista crente, que na minha opinião é uma premissa impossível”

    Desculpe? Newton, Kepler, Mendel…..

    O Luís não consegue provar sequer que existe, como não consegue provar a maioria das teorias científicas a 100%.
    O facto de não haver provas concretas, não implica que seja irracional acreditar-se em algo (o que seria dos Multiversos, mais uma vez) . Há uma literatura enorme de argumentos para existência de Deus, desde Santo Agostinho, até ao contemporâneo William Lane Craig, que apresentam razões para acreditar em Deus, existem razões (racionalidade), não é acreditar porque sim. Esse é o motivo de eu achar o argumento dos Unicórnios tão desadequado.

    “Nenhum cientista dirá que acredita piamente em multiversos, pelo menos um sério”

    Acreditar muito, acreditar pouco…. faz diferença? Não diria que qualquer crença é irracional? Realmente o papel da ciência é dar provas, mas os cientistas têm crenças à priori, daí que uns estejam a testar uma teoria e outros outras teorias completamente diferentes… Os Cassianos ao contrário dos Newtonianos (os que estavam correctos) acreditavam que a Terra era achatada no Equador… Não é irracional ter-se uma determinada posição enquanto não é descoberta a verdade, se assim não fosse o que seria do ateísmo forte por exemplo..

  12. João Ribeiro,

    Se quer argumentar de forma sustentada peço-lhe referências mais actualizadas. Algo do século XX por favor. Lane Craig é um filósofo, não sei se o chamaria de um cientista puro e duro, sem desprimor às ciências sociais.

    Um cientista não tem crenças à priori, tem hipóteses e, ao contrário dos crentes que nada fazem para suportarem as suas superstições com dados, trabalha até no sentido de a refutar. É a beleza do método cientifico. Adicionalmente é depois sujeito à revisão dos seus pares. Serve-lhe pouco acreditar ou não.

  13. O ponto não é se lhe serve acreditar ou não, acreditar faz parte do processo para atingir o conhecimento.
    E eu aqui estou-me a referir a acreditar mais como tomar uma posição, mesmo que seja provisória, caso o Luís ainda não tenha entendido. Há cientistas que acreditam no Multiverso, outros não a verdade é que ninguém sabe.
    E o provisória foi acrescentado, porque acreditar não significa dar por terminada a investigação científica. Você até deveria saber que a ciência de hoje tem uma forte raíz religiosa. Porque é que acha que existiram tantos padres, monges etc cientistas… (mendel por exemplo)

    Os cientistas por exemplo sempre acreditaram que podiam exprimir as leis do Universo matematicamente, não era dado como garantido.

    E não venha com estupidezes… essa do século XX só lhe fica mal… a teoria da evolução das espécies é de quando? A teoria da gravitação Universal de Newton? Ataque mas é o conteúdo e a qualidade das ideias, em vez de as rejeitar por antiguidade…

  14. Quando lhe peço referências mais actuais faço-o por duas razões:

    a) porque a ciência produzida na altura era passada por um filtro religioso. Não era fácil, nem aconselhável, ir contra os dogmas da igreja, veja o caso de Galileu que era ele próprio um acólito cristão. Esse clima de repressão já não é verificável hoje, por isso a maioria dos cientistas respeitáveis são ateus.

    b) porque então o conhecimento era quase monopólio da igreja. Quem se aventurava nesses caminhos pantanosos tinha um acesso a informação que alguém que não pertencesse a ordens religiosas teria imensas dificuldades em conseguir. Penso que fica explicada a matriz religiosa da ciência.

    Infelizmente Newton é um caso bicudo para nós ateus. A pior coisa que posso dizer a respeito do Sr é que para cada elegante teoria no ramo da física temos ideias ridiculas da mesma autoria sobre o fascinio com a alquimia e a pedra filosofal e as suas tentativas na área das profecias - chegou a um número para o fim do mundo, à volta de 2060. Mas mantém-se como o cientista do milénio, é um facto.

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