Eu não escolhi ser ateu. Apenas acontece que não creio em nada dessas coisas que, segundo vocês próprios, vos trazem tanta Paz e Alegria. Nem consigo – sequer – conceber que para se ser feliz e viver em paz se tenha que acreditar nessas coisas que vocês acreditam.
Sou, acreditem, um homem bastante feliz. Tenho momentos em que só de pensar que alguém possa ser mais feliz do que eu me parece impossível! Não me passa pela cabeça que alguém possa ser mais feliz apenas por ser bafejado por essa abstracção a que dão o nome de Fé. Fé em quê? No desconhecido? No incógnito? No misterioso? Não entendo…
E, afinal, que espécie de conforto é esse dado pela dúvida? Sim, pela dúvida… Afinal, até Jesus duvidou! Não se acham mais perfeito que Ele, pois não? Vá lá, admitam, vocês têm os vossos momentos de “fraqueza”; não há sistema religioso nem Fé alguma que se aguente face ao mais pequeno momento de lucidez crítica que vocês possam ter.
E essa história da vida eterna… Acreditam mesmo nisso ou apenas gostavam que isso fosse verdade? Deixem-se de ilusões, caramba! Vivam esta vida o melhor que puderem e não sejam reféns de promessas confortáveis para os nossos antepassados de há quatro ou cinco mil anos. Em quantas das histórias bíblicas, por exemplo, é que vocês acreditariam se tivessem sido inseridas noutra obra literária?
Finalmente, sejam felizes sendo vocês próprios. Deixem de avaliar os outros pelos padrões morais fossilizados prescritos nos vossos escritos sagrados. Ajam em conformidade com a vossa própria noção de justiça e liberdade, no respeito pela lei e pela liberdade dos outros.
A vida não será nem mais, nem menos bela. Será, apenas, mais real, mais vossa… Será a vossa vida, a única, e espero que consigam ser tão felizes nela quanto eu.
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“Será a vossa vida, a única…”
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Obrigado Hélder, a humanidade toda a questionar-se sobre isto há séculos ainda bem que o Hélder sabe
Mas se quer algum tipo de evidências para a vida após a morte, pode procurar por Experiências de Quase Morte, e Near Death Experiences, no google…. leia a informação que obtiver dum ponto de vista agnóstico, e pode ter a certeza que lhe vai causar algum impacto..
Caro Helder,
Obrigado pela sua tão transparente declaração de felicidade. Estando eu todos os dias em contacto com pessoas que se sentem infelizes, é bom encontrar outras que se declaram felizes.
Permita-me que também eu lhe fale da minha felicidade. Sendo eu um crente, digo-lhe que também me sinto feliz, e que não poderia ser mais feliz do que sou se abandonasse a minha crença. A minha crença religiosa liberta-me para viver um projecto de vida coerente baseado nos valores do humanismo: justiça, verdade, solidariedade, fraternidade. A minha crença abre-me outros horizontes, os da relação com um ser pessoal a quem chamamos Deus, e que aprendi a conhecer desde os bancos da catequese. A minha vida tem aumentado de sentido e de realização pessoal à medida que o tempo passa, com base nesta relação que fundamenta todas as outras e me leva a colocar num contexto muito amplo os acontecimentos da história humana e do próprio universo.
Quanto ao que diz sobre as dúvidas, é claro que tenho dúvidas quando pretendo explicar tudo. Mas saber explicar não é sempre uma condição absoluta para se saber viver. Quantos dos nossos avós não foram pessoas simples, muitas vezes agricultores, que nada sabiam de astronomia nem de filosofia, nem sequer de teologia e, acredito, tiveram uma vida cheia de sentido e de felicidade. E ainda hoje isso certamente acontece. Mas também é verdade que as certezas no que se refere às nossas relações pessoais – como são também as de natureza religiosa – não podem ser do mesmo género das que se referem às certezas baseadas em explicações científicas ou filosóficas.
Quando oiço pessoas, como o Helder, recusar as crenças religiosas, pergunto-me que crenças estarão realmente a recusar. Já tenho dado os parabéns a muitas pessoas que me dizem serem incapazes de acreditar num certo deus que para mim também é inacreditável. Qualquer ideia de deus que implique a humilhação dos seres humanos, a eliminação da sua liberdade, da sua responsabilidade, da sua razão e da sua inteligência, a aceitação de ideias absurdas e contraditórias, qualquer ideia de um deus polícia, vingativo, carniceiro, que se alegra com o sofrimento humano, etc., etc., nada tem a ver com o Deus em quem acredito.
Por outro lado, a ideia de vida depois da morte tem estado relacionada com a concepção de uma alma que entra e sai do corpo, uma espécie de fantasma. A ideia de ressurreição está muitas vezes associada à reanimação dos corpos que foram sepultados, entrando neles novamente a alma que tinha esperado entretanto no céu, ou no inferno. Mas a imortalidade em que acredito nada tem a ver com este drama em vários actos. Acredito que é a minha relação com Deus, a que dá em última análise, sentido à minha vida, que sobreviverá depois da morte do meu corpo, porque já existe agora, e porque é assegurada pela natureza imortal de Deus. A minha concepção de imortalidade poderia ser comparada, ainda que muito simplisticamente, a isto: neste momento a relação que tenho com o Hélder é meramente através deste site. Um dia talvez nos encontremos face a face, e isso marcará uma diferença muito substancial na nossa relação. Algo acontecerá no momento da minha morte no que se refere à minha relação com Deus.
Se teve a paciência de me ler até ao fim, muito obrigado.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Caro Alfredo Dinis,
Leio sempre com muita atenção os seus comentários (até ao fim!) e é com o coração cheio de alegria que me dou conta que existem católicos moderados, equilibrados e sobretudo que não acreditam em fantasmas.
Diria mesmoque na maior parte das vezes o Alfredo é tão moderado (e cordial) que torna-se uma tarefa ingrata discordar do que diz.
Mas, se me permite a expressão, aqui é que a porca torce o rabo, é uma pena que a grande maioria dos católicos que conheço não compartilhe do sentido de felicidade que Alfredo anuncia. Porque a grande maioria acredita piamente no deus que para o Alfredo também é inacreditável. E a grande maioria dos clérigos que conheço aproveitam-se da ingenuidade dos crentes em deus apenas para seu benefício próprio.
Pegando no exemplo que o Alfredo deu aqui ao lado, os terroristas do 11/9, tinham seguramente uma concepção muito diferente da imortalidade em que o Alfredo acredita. E a grande maioria dos crentes que conheço continua a dar pouca importância a esta vida, alimentando fantasias numa vida futura para a qual ninguém tem evidências.
Longe de mim pretender apontar ao Alfredo os pecados alheios. Mas se imaginar uma balança e puser em cada prato os malefícios e benefícios que as religiões, todas elas, trouxeram para a humanidade ajuda a compreender melhor porque somos felizes e orgulhosos ateus.
É o deus da religião que me recuso a acreditar. Não podendo afirmar qual é a verdadeira, penso que a única atitude coerente é rejeitá-las todos. Por vezes, reconheço, nas minhas diatribes pagam os justos pelos pecadores. Mas que posso fazer?
Cumprimentos do Xiquinho
Reparei agora que fui o visitante 16,666… Tinha que calhar logo a mim…
Caro Helder,
Pelos vistos a felicidade não está propriamente relacionada com a crença na existência ou inexistência de um qualquer deus, crei-o, antes pelo contrario, que a felicidade estar relacionada com a convicção de estarmos próximos de um raciocinio correcto, Uns, pela comparação com outros que, ambos concordamos, estarem incorrectos, como por exemplo, aqueles que aguardam a recompensa ou o castigo de deus, e, outros em que eu me incluo, porque tenho fé em Deus, Mas qual fé, A mesma que os nossos antepassados cónios quando começaram as construções com as pedras, há cerca de sete milénios, em Almendres, esses muito proivavelmente acreditavam que, ao serem sepultados no interior da terra, como se do utero de uma mulher se tratasse, iriam um dia regressar á vida, então e não é que estavam cobertos de razão, hoje como é que poderiamos recordá-los, se estivessem apenas preocupados em satisfazer as necessidades primarias, se não tivessem a mania das grandezas, se não acreditassem em Deus, estou certo de que nem estariamos hoje a possibilidade de estarmos aquia comunicar pela internet, neste forum ateu, graças Deus. Eu, tal, como os antepassados dos portugueses, aos quais devemos a palavra Deus, estou convicto de que daqui por outros sete milénios ainda continuarão a existir o número suficiente de construtores da obra de Deus, os ateus são os verdadeiros obreiros porque só se pode acreditar, tal como só podemos aprender se não soubermos, também só podem receber aqueles que não têm, ou não fossem os descendentes de Jacob, o primeiro ateu, a quem Deus passou a chamar Israel, depois de enfrentar e vencer Deus, Israel significa Is-(contra) ra-(sol) el-(O deus), ou seja Israel é aquele que não só duvida, como põe em prática essa dúvida, em forma de desafio, só depois é que pode acreditar verdadeiramente em Deus.
Deixar-me de ilusões, mas como, se a vida é mesmo uma ilusão, a ninguém deve ser negado o amor a Deus, aqueles que assim definem deus até podem não estar muito longe, é o próprio Richard Dawkins, na sua desilusão, quem reconhece que o efeito da fé pode resultar na produção de endorfinas, substancia neurotransmisorra que facilita a comunicação entre neurónios e bloqueia a recepção dos sensores de dor física, dai a necessidade de algumas pessoas se automutilarem para provarem que é Deus quem lhe suprime a dor, sentindo-se felizes com todas essas demonstrações. É assim, Deus não se vê, sente-se mesmo sem esses exagêros, totalmente descabidos e desnecessários para o nivel cultural que a nossa civilização usufrui. Agora se queremos caminhar mais outros sete milénios que sejam então temos mesmo que ter um guia, eu por exemplo não acredito nos homens, só mesmo em Deus.
Caro Xiquinho,
Obrigado pelas suas amáveis palavras. Não sei como se faz para contabilizar os efeitos negativos e os positivos das religiões. Pode crer que hoje há milhares de pessoas que em nome da sua fé – não apenas os cristãos, e não só os padres e freiras – decidem voluntariamente viver com populações que estão praticamente abandonadas até mesmo dos próprios governos. Em campos de refugiados, em cenários de guerra, em regiões de extrema pobreza, há milhares de voluntários, muitos deles jovens leigos com formação superior, que sacrificam o próprio conforto e segurança. E alguns deles têm pago essa generosidade com a vida. Não estou a dizer que apenas quem tem uma crença religiosa tem estas atitudes. Mas os que as têm em nome da sua fé religiosa, não fazem publicidade disso, antes pelo contrário, sentem desconforto quando são publicamente louvados. Porque não andam à procura de louvores nem de prémios. É uma questão de coerência de fé e de vida.
Creio que deverísmao encontrar algum critério para substanciar a afirmação de que os males causados pelas religiões são superiores aos bens causados por elas. Não se trata apenas de uma curiosidade estatística. Esta questão toca a seriedade de vida de muitas pessoas.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Caro Alfredo Dinis,
Como deve calcular, o seu comentário não me surpreende. No entanto, deixou-me algumas dúvidas que eu agradecia imenso que esclarecesse.
A afirmação de que é a sua crença religiosa que lhe permite “viver um projecto de vida coerente baseado nos valores do humanismo: justiça, verdade, solidariedade, fraternidade” significa que, na sua opinião, é impossível defender esses valores e viver de acordo com os mesmo se não se possuir a tal crença religiosa? Se não é essa a sua opinião, então qual o valor acrescentado que a crença lhe traz?
Com certeza que para se ser feliz não se precisa de ser um conhecedor – muito menos um expert – nas matérias que enuncia. Já o tentar encontrar um sentido metafísico para a vida pode ser um empecilho para uma travessia tranquila da mesma. Por outro lado, não considero que seja no “encontrar” das respostas que esteja o segredo para a felicidade; está, isso sim, na escolha consciente e racional dos métodos para responder, tanto quanto possível, às nossas dúvidas.
Rejeito qualquer crença religiosa, independentemente dos atributos que queira dar a qualquer divindade; pode escolher o deus mais “anjinho”, mais bondoso ou cooperativo que possa imaginar e não serão esses atributos que farão dele real. Na sua essência, tratar-se-ia sempre de alguém imaginário, reflexo daquilo que você desejasse.
Já a sua reflexão sobre a vida depois da morte me deixou baralhado; percebi bem que o Alfredo encara a vida depois da morte como a memória que Deus na sua eternidade terá de si? Se assim é, pergunto-lhe porque é que alguém eterno, para quem o tempo não fará seguramente sentido, irá ter memória?
Um abraço e obrigado pelos seus comentários.
Caro Helder,
É evidente que qualquer pessoa que não tenha crenças religiosas poderá viver os mesmos valores humanos que os crentes. É a relação pessoal com Deus que amplia o sentido da existência humana porque lhe alarga os horizontes e constitui uma fonte de felicidade adicional à que se obtém quando se vive de acordo com os valores humanistas. Os valores em si mesmos não teriam sentido fora do contexto da relação. Os valores éticos têm sempre a ver com relações humanas. É a relação com Deus que alarga o horizonte das relações que dão sentido aos valores. Mas creio que a discussão deste tema filosoficamente não poderá nunca exprimir a experiência pessoal de quem vive a relação com Deus. De facto, não identifico felicidade com racionalidade. Por outro lado, a sua expressão ‘sentido metafísico’ parece pressupor o dualismo físico/metafísico que corresponderia a outros dualismos tais como imanente/transcendente, natural/sobrenatural, este mundo e o outro, etc. Não me movo neste contexto. Creio que estes dualismos têm um sentido mais epistemológico que ontológico.
A minha reflexão sobre a imortalidade não pressupõe que sobreviverei siplesmente na ‘memória’ de Deus. Não sei o que poderá ser uma tal memória. Não creio que eu me dissolva seja no que for, mas antes, que viverei em plenitude aquilo que já agora sou – relação.
Finalmente, emora seja possível viver toda uma vida baseado em ilusões, tenho razões para crer que se essa vida de felicidade continuada poderá não ser fruto de tais ilusões. Como diz o ditado: ‘Pelos frutos se conhece a árvore’.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Helder Sanches
Duvido que não tenha fé em absolutamente nada. Não precisa de ser em Deus, mas todos acreditamos em algo. De certeza que a racionalidade só por si não lhe traz essa felicidade gigante que diz ter.
“Deixem de avaliar os outros pelos padrões morais fossilizados prescritos nos vossos escritos sagrados”
Esta frase também se aplica a muitos ateus que frequentam este portal.
Cumprimentos
Helder, nem posso acreditar que tenhas descoberto a realidade da vida, para dizeres, «deixem-se de ilusões», como, pergunto eu, então a vida para ti é o quê, e já agora, será que também tu, tal como Cristo, ou melhor, como os que escreveram as palavras que colocaram na boca de Cristo sobre a vida, o caminho e a verdade, podes explicar o que é que elas significam, e de onde veio toda esta sabedoria, e em que contexto terá sido escrito, com que finalidade, É que não basta criticares o livro mais divulgado, lá porque foi escrito num contexto completamente diferente, sem o recurso à internet, por exemplo, nem a bases de dados, Há quatro milénios, todo o conhecimento residia na memória de alguns homens, eram eles, as bibliotecas ambulantes, os deuses da pré-história, nesse tempo, o conhecimento era transmitido na oralidade, não no cara a cara, os alunos tinham que se colocar na direcção do sol.
Então, e se eu te disser que quem me deu a vida foi Deus, ou melhor, digo ilusão da vida, claro, e quando Deus quiser terminar a minha ilusão, o que é que eu posso fazer, regresso para Deus, de onde vim, é que nem me adianta nada reclamar, e, a única coisa que me preocupa, é estar sempre pronto para tudo aquilo que Deus me quiser, por isso no meu cotidiano, procuro emendar os eventuais erros que possa cometer, Então é isso, a minha felicidade, consiste precisamente em – estar pronto para Deus.
Caro Alfredo Dinis,
Explique-me, então, porque escolheu o Deus de Abraão para essa relação pessoal e não qualquer outro dos milhares que já apareceram ao longo da História por todas as culturas humanas. Certamente que se tivesse nascido no interior da selva amazónica iria adorar o deus-rio ou o deus-árvore (ou ambos) e estaria convencido que o rio correria da esquerda para a direita porque o deus queria e as árvores cresciam de baixo para cima e não de cima para baixo pelas mesmas razões. Como justificaria, assim, essas diferenças na tal relação?
Caro Ricardo Sá,
Facilmente caímos no erro de confundir Fé com esperança ou desejo, até porque linguisticamente são sinónimos relativos. Quando falo em Fé refiro-me à esfera da mitologia, à crença religiosa, se quiser. Por isso, de facto, não tenho Fé em absolutamente nada. Confio na ciência, tenho esperança de conseguir ser sempre um bom pai, marido, filho e amigo e desejo que o Portal Ateu seja uma referência cada vez mais relevante do ateísmo em português. Fé, não.
Cirilo,
Espanta-me que não acredites nas minhas afirmações. Afinal, és capaz de acreditar em coisas muito menos prováveis! De qualquer forma, acredita pelo menos nisto: desejo que sejas feliz da maneira que melhor entenderes, desde que isso não signifique impores os teus valores morais e os dogmas das tuas crenças a todos os que te rodeiam.
Cumprimentos a todos.
Helder, podes ter a certeza de que a única coisa que faço mesmo questão de impôr a todos os que me rodeiam é a minha crença na liberdade, de movimento, de pensamente, de expressão, porque só uma mente livre pode receber Deus, já que a vida sem dogmas é impossivel, mas vamos por partes, que a aceitação desses dogmas não sirvão, por exemplo, para manter indefinidamente os individuos separados em castas sociais, mas satisfeitos e felizes com a triste sorte de terem nascido na casta mais desfavorecida, Ah, mas espera lá ai, eu não quero impor Deus, aquilo que eu digo, foi Deus quem me emprestou a vida, portanto é em Deus que eu vivo, não é por mim que eu existo, nem sei o que é a realidade, mas sinto que estou vivo e feliz, por isso, quero viver esta ilusão aqui na terra, não sei, e nem estou preocupado em saber, se existe ou deixa de existir outra vida, tenho a certeza de que voltarei para Deus, e Nele sei que tenho a garantia da vida eterna.
Caro Helder,
Não escolhi ‘este Deus’ porque já nasci numa cultura que mo deu a conhecer. Se vivesse noutra cultura que tivesse outro deus é provável que vivesse a relação com ‘esse’ deus. No entanto, para mim a intuição da existência de Deus é a mesma para todos os que têm alguma religião e que a vivem a sério. Deus, o único, tem muitos nomes. Mas também é verdade que pessoas de outras religiões têm mudado para o cristianismo. E vice-versa. Já passou o tempo em que a Igreja Católica dizia que todas as outras religiões eram criações do demónio. Hoje, admite-se pacificamente que há em todas as religiões elementos de verdade. Eu estou bem, estou feliz, porque havia de mudar de Deus?
Saudações,
Alfredo Dinis
Caro Alfredo,
Eu nunca insinuei que deveria mudar de Deus. É caso para dizer, Deus me livre de dizer tal coisa.
Mas continuo sem perceber o que faz do seu Deus tão especial para além do facto de estar incluido num processo cultural. E Deus para si pode ser o único, para outros não.
Quanto ao facto de outros povos terem “mudado” para a religião cristã (a que custo?), deve-se acrescentar que, juntamente, mudaram a língua, os hábitos de vestuário, a alimentação, etc. O cristianismo fazia parte do pacote, naturalmente, no processo de endoculturação imposto pela sociedade dominante à sociedade dominada.
Cumprimentos.
Caro Helder,
Quando falo de mudanças de religião refiro-me aos nossos tempos, a mudanças livres e informadas. O que faz o meu Deus tão especial é que faz parte da minha vida, da minha auto-compreensão e da minha auto-realização.
Saudações,
Alfredo Dinis
Pois é, mas para se chegar até Deus há um longo caminho a percorrer, segundo Cristo, ou, se é que Ele existiu, pelo menos, como colocaram na Sua boca, Eu sou o caminho, a verdade e a vida,
Portanto, ninguém chega ao Pai sem ser através do Filho, e, quem O descobre por esta via, não pode nunca querer mudar, porque Deus é único e verdadeiro,