“Ordem das Virgens”

Bento XVI recebeu no Vaticano um grupo de 500 consagradas da “Ordem das Virgens”, uma expressão particular da vida religiosa com raízes “nos inícios da vida evangélica”.

Perante as consagradas, provenientes de 52 diferentes países, o Papa quis frisar o valor desta vocação, convidando-as a “crescer de dia para dia na compreensão de um carisma tão luminoso e fecundo aos olhos da fé, quanto obscuro e inútil aos olhos do mundo”.

Elas “representam milhares de outras irmãs suas que vivem na simplicidade e na humildade a sua consagração total ao Esposo das virgens, a serviço da Igreja local”, sublinhou, por seu lado, o Cardeal Franc Rodé, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de vida apostólica. “Um dom na Igreja e para a Igreja” foi o lema desta peregrinação.

Bento XVI recordou que “a Ordem das Virgens constitui uma expressão particular de vida consagrada, que refloresceu na Igreja depois do Concílio Vaticano II, mas cujas raízes são antigas”. De facto, radicam “nos inícios da vida evangélica quando, como novidade inaudita, o coração de algumas mulheres começou a abrir-se ao desejo da virgindade consagrada: ou seja ao desejo de dar a Deus todo o próprio ser”.
“O vosso carisma deve reflectir a intensidade, mas também a frescura das origens. Funda-se num simples convite evangélico – ‘quem puder compreender, que compreenda’ – e no conselho paulino sobre a virgindade pelo Reino de Deus. E contudo nele ressoa todo o mistério cristão”, disse o Papa.

Ver aqui.

Alguém percebe esta obsessão com virgindade por parte das igrejas cristãs?

Entende-se que homens que detêm poder e influência, sendo virgens eles próprios (aqueles que forem) honrem (e promovam) toda esta castidade feminina.

Mas, sinceramente, é o acto sexual algo assim tão impuro, tão pecaminoso (bem, as vezes é, tenho de admitir), e tão condenável que se veja, e como diz Christopher Hitchens, que o canal vaginal seja só “uma estrada de um sentido”?

Não é fazer amor das coisas mais genuínas e próximas de uma natureza humana, que os crentes dizem ser o melhor legado que deus proporcionou à sua criação.

E não é a expressão “oh, meu deus”, uma das mais utilizadas pelas mulheres naquele momento mágico onde o seu corpo vibra? Não seria esse um motivo para um deus sorrir?

Mas não: “na compreensão de um carisma tão luminoso e fecundo aos olhos da fé, quanto obscuro e inútil aos olhos do mundo”. Obscuro. Reparem na palavra utilizada. Ninguém pensa de forma obscura sobre a virgindadde. Mas quanto a ser inútil, bem, quanto a isso, já não sei.

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19 Comentários

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  1. Caro Ricardo,
    A virgindade física só por si não tem qualquer valor. A virgindade de que se fala na Igreja Católica é antes de mais uma virgindade de coração, uma atitude de total deslumbramento amoroso perante Deus que responde às necessidades afectivas mais profundas de um ser humano. É algo que só é plenamente compreensível por quem o experimenta pessoalmente, e sente que a sua vida é plena de sentido, tanto numa dimensão pessoal como na abertura e na dádiva aos outros. É por isso que o seu significado pode aparecer obscuro, isto é, de difícil compreensão.

    Do mesmo modo, o acto sexual como simples fenómeno biológico não tem, em si mesmo, um valor especificamente humano. O seu valor está em ser expressão de uma atitude profunda de amor de dois seres que se amam e cujo amor extravasa a dimensão biológica. É este pressuposto da Igreja Católica – será só dela? – que está na base de todas as suas posições em matéria de sexualidade, e que poucas vezes é compreendida.

    A Igreja Católica nada tem contra o acto sexual enquanto fonte de prazer numa relação profundamente humanizadora. O acto sexual não é impuro, não é pecaminoso, a não ser que seja desumanizante. Mas isso aplica-se a qualquer outro acto de qualquer outra natureza. A sexualidade insere-se em toda a realidade que tem a sua origem última em Deus. A virgindade não é, em si mesma, mais ‘perfeita’ que o matrimónio. A perfeição não está nos actos nem nas situações mas nas pessoas. O Papa João Paulo II canonizou várias pessoas casadas. Não são apenas as/os virgens que podem ser santos. Ser virgem não é nem garantia de santidade, nem ser casado é impedimento à santidade, isto é, a uma vida plena de sentido.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  2. Caro Alfredo

    “A Igreja Católica nada tem contra o acto sexual enquanto fonte de prazer numa relação profundamente humanizadora. ”

    Então o porque de tanta ansiedade com a questão da castidade antes do casamento? Não acha que seria bem melhor se um casal se conhecesse na totalidade antes de casar? Porque a recomendação de haver sexo só depois do casamento?

    Porque tanta oposição à utilização de preservativos? Vai me dizer que não tem nada a ver com o dogma que o sexo só pode ser para reprodução? (como alias a própria bíblia o diz?)

    E apesar de dar valor à sua opinião, é apenas a sua opinião, porque se virmos qual tem sido a acção das igrejas (e não só da católica) sempre tem sido de mostrar o desejo sexual como “fraquezas da carne”.

    Saudações cordiais também para si

    RS

  3. Caro Ricardo,

    A actividade sexual antes do casamento não é uma condição do sucesso do casamento, nem tem evitado a actual multiplicidade de divórcios. A Igreja Católica parte do pressuposto de que a actividade sexual é uma expressão de amor, e que o amor é uma relação entre dois seres humanos que precisa de tempo para se aprofundar e consolidar. É esta a razão pela qual a Igreja Católica pede aos noivos que casem apenas quando a sua relação pessoal estiver suficientemente amadurecida. Nessa altura, a relação sexual será a expressão da relação que liga dois seres humanos de forma consciente, responsável e livre.

    É nesta mesma linha que a Igreja Católica considera que o preservativo contraria a maturidade de uma relação humana. O preservativo, diz-se, é uma protecção. Uma pessoa protege-se da outra numa relação sexual que deveria unir as duas pessoas numa entrega recíproca, o que não deixa de ser paradoxal. Este é um princípio que parece certamente tanto mais incompreensível quanto é certo que a relação sexual se banalizou nos nossos dias, se tornou em muitos casos uma brincadeira, um passatempo. Não é esta a perspectivada Igreja Católica.

    Quanto à sua opinião de que a minha posição não corresponde à da Igreja Católica, peço que me indique alguns textos da mesma Igreja onde esteja expressa outra posição diferente. É provável que em séculos passados a posição de algumas autoridades eclesiais fosse diferente, mas a Igreja não é tão rígí da como muitas vezes se pensa. A Igreja Católica não considera hoje que a actividade sexual tem como único objectivo a reprodução.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  4. Compreenda-se que nem toda a gente consegue ser monogâmica. Nem toda a gente se interessa por outra por “amor”.
    Há homens impotentes com a mulher mas muito activos com a(s) amante(s). Há gente que gosta mais de fo*** do que de “fazer amor” e tem vários parceiros ao longo da vida sem preocupações de consciência.

    Esta é a realidade. Acha que as pessoas são mais felizes na sua liberdade (onde a contracepção desempenha um papel preponderante) ou restringidos ao mesmo parceiro sexual a vida inteira? (claro que há casais onde isto se adequa, mas nos dias de hoje creio que a percentagem seja pouco alta) Por esta e por outras é que há adultério.

    Claro que as pessoas só se devem juntar quando a relação está amadurecida. Para tal têm de se “conhecer” e aposto que mais de 95% dos casais vai para a cama muito antes de amadurecerem a sua relação. Eu diria até que tal acontece na primeira noite em que há contacto físico sério.
    Se algo não funciona bem a nível sexual é meio caminho andado para o divórcio…

  5. Oh senhor Alfredo Dinis,

    Se não fosse a Carlsberg acho que caía para o lado… “A virgindade física só por si não tem qualquer valor. A virgindade de que se fala na Igreja Católica é antes de mais uma virgindade de coração” mas então explique-me lá o que é afinal a virgindade? É que eu não percebo por completo… A virgindade não é ter o hímen intacto? (À parte o esforço fisico que pode danificar o hímen.)
    Isso nao tem nada a haver com os sentimentos serem sentidos pelo cerebro e não pelo coração?

    “a actual multiplicidade de divórcios”

    Deve-se à emancipação das mulheres que se fartaram de serem escravas dos analfabrutos!

    “A Igreja Católica parte do pressuposto de que a actividade sexual é uma expressão de amor, e que o amor é uma relação
    entre dois seres humanos que precisa de tempo para se aprofundar e consolidar. É esta a
    razão pela qual a Igreja Católica pede aos noivos que casem apenas quando a sua
    relação pessoal estiver suficientemente amadurecida. Nessa altura, a relação
    sexual será a expressão da relação que liga dois seres humanos de forma consciente, responsável e livre”

    Peço desculpa pelo mau gosto, mas aqui percebo o perceito das practicas pedófilas dentro das paredes sagradas… Quanto mais nova a criança, mas se aprofunda e consolida a expressão de amor, e do mais consciente que existe! (¡Pela parte do padre obviamente!

    “É nesta mesma linha que a Igreja Católica considera que o preservativo contraria a maturidade de uma relação humana.
    O preservativo, diz-se, é uma protecção. Uma pessoa
    protege-se da outra numa relação sexual que deveria unir as duas pessoas numa
    entrega recíproca, o que não deixa de ser paradoxal. Este é um princípio que
    parece certamente tanto mais incompreensível quanto é certo que a relação sexual se banalizou nos nossos dias, se
    tornou em muitos casos uma brincadeira, um passatempo. Não é esta a perspectivada Igreja Católica”

    Pois, será que o senhor Alfredo e igreja católica já ouviram falar de vaginitis(não sei como é que se diz em português)
    De cancro do útero? Já pensou no que dói? Experimente andar com os genitais inchados que vai ver o que lhe custa…

    “Quanto à sua opinião de que a minha posição não corresponde à da Igreja Católica, peço que me indique alguns textos da mesma Igreja onde esteja expressa outra posição diferente. É provável que em séculos passados a posição de algumas autoridades eclesiais fosse diferente, mas a Igreja não é tão rígí da como muitas vezes se pensa. A Igreja Católica não considera hoje que a actividade sexual tem como único objectivo a reprodução”

    Leva 2000 mil anos de atrazo e ainda acha pouco? Claro é que o senhor sempre foi um preveligiado…

  6. RJ

    Obrigado pelas suas considerações, que me dão a oportunidade de continuar o nosso diálogo.

    “Se algo não funciona bem a nível sexual é meio caminho andado para o divórcio…”.

    Sobre esta sua afirmação digo o seguinte:

    1. A vida sexual das pessoas é complexa porque nela confluem diversos elementos que nada têm a ver directamente com a relação sexual, por exemplo, a auto-imagem de cada um, o nível de auto-estima, os complexos, a necessidade de auto-afirmação, as inseguranças e os medo de vária ordem, as expectativas, a realização ou o fracasso profissional, as dependências afectivas patológicas, etc. As disfunções sexuais são pois experiências complexas e dolorosas que devem ser enfrentadas adequadamente, muitas vezes com a ajuda de médicos, psicólogos, etc. É provável que quando isto acontece as incompatibilidades absolutas entre os casais ao nível das relações sexuais se reduzisse drasticamente.

    2. Não disponho de estatísticas sobre as causas dos divórcios em Portugal. Se, como diz, a maior parte das pessoas, começa a ter relações sexuais muito cedo, e se essa prática fosse meio caminho andado para o sucesso do casamento, isso levar-me-ia a pensar que a taxa de divórcios diminuiria dramaticamente. Mas isso não acontece.

    “Esta é a realidade. Acha que as pessoas são mais felizes na sua liberdade (onde a contracepção desempenha um papel preponderante) ou restringidos ao mesmo parceiro sexual a vida inteira? (claro que há casais onde isto se adequa, mas nos dias de hoje creio que a percentagem seja pouco alta) Por esta e por outras é que há adultério.”
    Sobre esta sua afirmação penso o seguinte:
    Não é claro para mim que a realidade – uma certa realidade – deva ter um valor absoluto na orientação das nossas vidas. Há muitas outras realidades que devem ser criticamente analisadas. Nenhuma realidade, só por o ser, deverá estar imune a uma análise crítica. Por outro lado, a liberdade não é, para mim, aquilo que normalmente se considera ser: “a possibilidade de escolher fazer ou não fazer, dizer ou não dizer, etc., isto ou aquilo, sem para isso se ser obrigado ou impedido por qualquer elemento exterior ao sujeito.” Esta definição de liberdade levar-me-ia a considerar homens livres os terroristas do 11 de Setembro, dado que escolheram cuidadosa e deliberadamente os meios de cometer o atentado, e ninguém os impediu de o realizar. Considero que a liberdade é a possibilidade de ter um projecto de vida coerente com os valores que tornam os seres humanos mais humanos, e a possibilidade de realizar esse projecto de acordo com os mesmos valores. Segundo esta definição, não considero um acto de liberdade o atentado de 11 de Setembro. Também não considero livres as pessoas que erraticamente praticam a relação sexual fora de qualquer contexto de expressão do amor, que é no fundo o que mais nos faz seres mais humanos e, por conseguinte, mais livres.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  7. 777

    Obrigado por se ter dado ao trabalho de comentar as minhas palavras.

    Os limites da vida humana não coincidem com os limites da vida biológica. A dimensão especificamente humana da nossa vida está alicerçada em valores que lhe dão significado. Creio que isto vale para todos, mesmo para os ateus. É por isso que a virgindade, enquanto fenómeno meramente biológico, não torna a pessoa mais humana. Somente os valores que motivam a virgindade biológica lhe dão uma dimensão humana e, no contexto da experiência religiosa da relação com Deus, uma dimensão espiritual.

    Não lhe parece que o seu diagnóstico sobre causa da multiplicação dos divórcios é uma tanto simplista? Tem dados que lhe permitam substanciar a sua opinião?

    Sobre as suas afirmações acerca das práticas pedófilas, confesso que não entendi que relação têm com a citação que fez das minhas palavras. Recordo-lhe apenas que as práticas pedófilas se estendem também a pessoas casadas que, por terem provavelmente tido relações sexuais antes do casamento, deveriam ter a sua sexualidade equilibrada.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  8. Alfredo Dinis,

    Claro que há maneiras e terapias para se resolverem esses problemas. Mas apenas me referia ao facto de um casal se dever conhecer intimamente antes de oficializar a sua relação. Se isso não acontece é um risco casarem-se.

    “e se essa prática fosse meio caminho andado para o sucesso do casamento, isso levar-me-ia a pensar que a taxa de divórcios diminuiria dramaticamente. “- O mau sexo não é a única causa de divórcio e o bom sexo não é meio caminho andado para o sucesso casamento (o inverso não se aplica desta maneira).

    Exercemos a nossa liberdade mas ela acaba quando estamos a interferir na liberdade dos outros.
    As pessoas têm o direito a ser livres mas com responsabilidade. Não sei qual é a sua opinião sobre a contracepção, mas ela é indispensável nessa situação.
    Qual é o problema de duas pessoas que, apesar de não sentirem amor uma pela outra, se sentem atraídos suficientemente um pelo outro para se envolverem durante uma noite, uma semana ou um mês? (com mútuo consentimento e sem compromisso)

    Saudações cordiais,
    RJ

  9. Oh Alfredo Dinis, quanto mais leio os seus comentários mais estupida fico, mas então quais são os valores que fazem que uma pessoa se mantenha virgem? Não será na maioria dos casos a solidão? Mesmo assim eu conheço muitas mulheres que tiraram a virgindade com as suas próprias mãos… Mas porque é que uma pessoa mais humana tem que ser virgem?

    O meu diagnóstico acerca do aumento dos divorcios tem a haver com o contacto com as pessoas e não com um estudo de mercado qualquer feito à pressa…

    E ter relações sexuais antes do casamento é uma treta porque graças ao à revolução da mentalidade as pessoas já não precisam estar casadas para estarem juntas, e uma pessoa que infelizmente escolhe o caminho da pedofilia, não tem nada a haver se teve ou não relações sexuais antes do “casamento” mas sim se sofreu abusos/agressões sexuais de pequeno/a na sua maioria.

  10. 777

    Não disse que uma por ser virgem é mais humana. Disse:

    1º Que a virgindade apenas enquanto fenómeno biológico não é um valor.
    2º Que a virgindade biológica é um valor quando exprime a virgindade de coração, a que existe, por exemplo, nas pessoas que se sentem afectivamente realizadas num relação com Deus.

    Compreendo que tudo isto lhe seja difícil, senão mesmo impossível, de entender, mas pode crer que há muitas pessoas para quem tudo isto faz muito sentido, e cujo comportamento exprime uma vida feliz.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  11. RJ,

    “Qual é o problema de duas pessoas que, apesar de não sentirem amor uma pela outra, se sentem atraídos suficientemente um pelo outro para se envolverem durante uma noite, uma semana ou um mês? (com mútuo consentimento e sem compromisso)?”

    Como disse na minha primeira resposta, a relação sexual é bem mais complexa do que dois seres humanos tomarem juntos uma cerveja. ‘O problema’ está em banalizar uma experiência que tem um sognificado e implicações muito profundas, das quais muitas vezes só mais tarde se toma consciência.

    Para que um acto seja humano e humanizador, não basta que haja mútuo consentimento. Os exemplos são fáceis de encontrar.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  12. Eu concordo em pleno com as afirmações do Alfredo Dinis no seu penúltimo comentário. A sexualidade é, de facto, uma questão pessoal; se alguém se sentir bem a optar pela virgindade, celibato ou abstinência sexual mais ninguém tem nada a ver com isso.

    Por estas mesmas razões é que a Igreja deveria de deixar de se pronunciar sobre questões perfeitamente supérfluas para a sua doutrina e deixar cada um agir em conformidade com as suas consciências.

  13. Alfredo Dinis,

    De facto o que diz não deixa de fazer sentido. Claro que tem implicações profundas, mas a atracção e o acto em si têm muito de animalesco, quase irracional. Não sabemos porque estamos atraídos pela pessoa X, apenas o sentimos. Também não sabemos se iremos continuar a sentir o mesmo no dia, semana ou anos seguintes. Até se pode sentir amor pela pessoa, mas a atracção física desaparecer e, consequentemente, a experiência humanizadora vai por água abaixo.

    Hélder,

    Tens muita razão nessa da ICAR não meter o nariz (recordando uma célebre caricatura de António, do Expresso) onde não é chamada. Principalmente quando as suas acções envolvem a saúde pública, como é com a questão dos contraceptivos.

  14. Independente do que aconteça, as igrejas sempre se “adequarão ao ambiente” – caso contrário, somem. São formas de poder e para manterem-se no poder, precisam “adequar-se ao ambiente”. É notável por todos que antes a igreja não falava no sexo como já se fala hoje. Arrisco a acreditar ser possível de quando for favorável à elas apoiar as pesquisas de célula tronco, apoiarem. [Como já acontece por parte da igreja evangélica]

    Realmente, em relação à conduta sexual de cada ser humano, “cada um com seus problemas”, como se diz no popular.

    Acredito que não seja necessário dizer qual o real sentido do hímen nos mamíferos.

    Acredito também que parte do íntimo masculino [Esse sim, obscuro] em ter o sexo feminino em seu poder. Até hoje o homem tem algo incontrolável por uma mulher quando sabe que esta é virgem. Creio que tenha certa ligação.

    E, se nós humanos nascemos com estes “dispositivos”, não é anormal usá-los. Não necessitamos de um ponto de partida dito por uma racionalidade humana, que é o casamento, mas sim, pelo nosso corpo, que se desenvolve para a aptidão de atos sexuais. E segundo os teístas, digamos que uma divindade tenha criado a raça humana, é lógico que se veio com esses “dispositivos”, foi idealizado pelo “projetista” para ser usado. Infelizmente, da placenta vem só o bebê, sem um manual de instruções. Quando queremos usufruir de algo que não conhecemos, o que TODO ser humano faz? Mexe até conseguir. Tentativa e erro, experimentando o que dá bom resultado e evitando o que não dá. Um bom desempenho e comportamento sexual se dá quando a pessoa conhece seu corpo, fator que provêm da infância, nos atos que ainda muitos condenam, que é o do auto conhecimento: carícias, toques, até a masturbação.
    [Por favor, com esta última citação não estou tornando a pedofilia válida, muito pelo contrário: A pedofilia é um distúrbio, pois é anormal uma pessoa sentir prazer por crianças, formas que ainda não se desenvolveram completamente em TODOS os aspectos]

    Defendo que um ato sexual nunca deveria ser reprovado por uma divindade que diz que nos tenha criado. Se reprova,
    torna-se questionável sua existência.

    Defendo também que nenhum ser humano é igual ao outro. Uns se dão bem, outros não. Uns se dão bem por umas semanas, outros celebram “bodas de ouro” ainda dizendo “eu te amo” ao seu cônjuge. Logo, não é o tempo de namoro e noivado que determina se um casamento segue bem ou não.

    Ouvi muitos casos de garotas que ficaram grávidas depois de um cinema com seu primeiro namorado, no primeiro dia que saem juntos, depois de anos trancafiadas por seus pais, cercadas de tabus sem explicação cabível. Se auto conhecimento fosse permitido e esclarecimento fosse passado, não haveriam tais problemas de gravidez indesejada.

    TUDO que é impedido, faz com que se criem anormalidades na mente humana. Inclusive no sexo.

  15. Caro Bruno,

    Conviria que chegássemos a um acordo: a Igreja Católica (para ser concreto) deve reformular as suas posições doutrinais de acordo com a evolução cultural, e até mesmo linguística, ou deve permanecer a repetir-se rigidamente ao longo dos séculos. Por vezes tenho a impressão de que em ambos os casos a Igreja é acerrimamente criticada!

    No que se refere à sexualidade, a Igreja Católica parte do pressuposto de que ela não é apenas uma energia biológica destinada à procriação e a satisfazer um automatismo instintivo. A cultura humana interfere significativamente nos mecanismos biológicos da evolução, da selecção natural, da luta pela sobrevivência, na sobrevivência dos mais débeis, etc. Não é anormal ‘usar os dispositivos’ biológicos. Mas eles podem ser ‘usados’ de forma anormal. E não basta conhecer o corpo para que a relação sexual, fora ou dentro do casamento, seja garantidamente um sucesso. A sexualidade extravasa a genitalidade e o nível meramente biológico. Quando isto não é tido em suficiente consideração é que surgem muitas das disfunções sexuais e dos conflitos interpessoais. O sentido da relação sexual nos seres humanos mudou radicalmente, em relação aos seres não humanos por influência da cultura. Num ser humano, a sexualidade é uma energia direccionada para os outros seres humanos, não apenas no sentido da genitalidade. Por isso, o exercício da sexualidade só atinge o seu significado pleno no contexto de uma relação interpessoal, enquanto expressão de amor. Nesta perspectiva, que não precisa ser imposta por uma divindade, nem sequer por nenhuma igreja, uma vez que me parece perfeitamente racional, a relação sexual não é por si só uma acção humanizadora.

    A Igreja Católica é por vezes acusada de ser a responsável pela gravidez das adolescentes por não encorajar a educação sexual nas escolas. Mas a educação sexual não se resume a ensinar os métodos anticonceptivos. Esta é, porém, a perspectiva de muitos educadores. A educação para a sexualidade é uma educação para a relação interpessoal que amadurece as pessoas e as humaniza. Por outro lado, a ignorância dos jovens em relação ao uso dos anticonceptivos é muito menos do que se pensa. Recentemente, uma sondagem efectuada em Portugal junto da população escolar revelou que todos os jovens tinham perfeito conhecimento dos métodos anticonceptivos, mas muitos recusavam-se a recorrer a eles, sobretudo ao preservativo, porque isso diminui o prazer sexual. Os jovens não são tão inocentes quanto se pensa, sobretudo nesta sociedade da informação em que o conhecimento circula de forma cada vez mais veloz.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  16. “Os jovens não são tão inocentes quanto se pensa”

    Mas como é óbvio, e o que é mais giro é que os jovens fazem sexo antes do casamento CONTRA os ensinamentos da igreja, e no entanto querem que eu acredite que eles não usam o preservativo preocupados com o que a igreja pensa?

  17. Eu gostaria de chamar a atenção dos prezados colegas comentaristas de um pormenor que parece sempre esquecido quando se fala na questão do preservativo: dizem-nos a estatísticas mais recentes que todos os meses temos cerca de 11.000.000 de novas almas a fazer o check-in, enquanto o número das que se penam anda à volta 4.500.000… Ao fim de um ano, como diria o transacto, é só fazer as contas… mas dá para ter uma ideia que chega para encher um país do tamanho da França…

    E o curioso é ninguém parece dar-se conta que apesar dos preservativos, das pílulas, dos abortos e até da ‘desumana’ politica de filho único implementada pelos ateus comunistas aqui ao meu lado, este número aumenta exponencialmente de ano para ano.

    Se alguma ilação podemos tirar das recentes crises energéticas e alimentícias é que cada vez mais se demonstra que os recursos do mundo não são ilimitados e a situação só tende a piorar. Só um cego não vê que o excedente de população apenas contribui para que cada vez mais pessoas vivam naquilo que no eufemísticamente correcto se chama o limiar da pobreza.

    Como tem sido peculiar nos discursos dos Papas mais recentes, estará daqui a algum tempo, a Igreja disposta a mais uma vez vir pedir desculpas pela quota-parte do contributo que as suas insensatas doutrinas “pro-vida” concorrem para o excesso de população? Não me parece, mas oxalá não seja tarde demais, e que se dêem conta disso antes do fim da civilização. Pelo caminho que isto está a tomar não deve faltar muito para nos começarmos a comer uns aos outros na beira do abismo para onde todos os dias caminhamos.

    Agora que até já o número de muçulmanos ultrapassa o numero de católicos, não seria recomendável e urgente que a igreja católica revisse as suas posições, e mudasse as suas politicas? A questão é que na maior parte das vezes fazem que mudam, mas não mudam nada… Porque quando mudam deixam de ser católicos e passam a ser protestantes, evangélicos, adventistas, baptistas ou luteranos ou algo parecido. O que é deplorável …

    No meio de tanta imprevidência, ao menos, valham-nos as virgens, essas ao menos não se multiplicam…

    Cumprimentos a todos do Xiquinho

  18. Xiquinho,

    Cá para mim andaste a ver uns vídeos num blog conhecido. ;)

  19. O mais prazeroso pecado que já tive o prazer de experimentar. Recomendo.

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