“Aprender a rezar com os pés”

Por Ricardo Silvestre • 16 Mai, 2008 • Categoria: Nacionais, Notícias

Em mais um apelo à irracionalidade e ao sofrimento, um tal de José Tolentino Mendonça faz aqui a apologia das caminhadas para Fátima, como prova “quão baste” da devoção e da espiritualidade dos crentes.

Diz José:

“Caminham em filas ao lado das estradas nacionais, por trilhos de terra batida, atravessando pequenos povoados que antes desconheciam, cruzando horas e horas a paisagem de giestas e silêncio”

Sim, caminham por estradas nacionais, muitas vezes sem passeios, nem escapatórias. Caminham com carros a passar muitas vezes a grande velocidade, e com condutores, por vezes, só eles já um perigo, a ter de “negociar” uma estrada de má qualidade, a falta de espaço para circular, e com grupos de “peregrinos” que deviam estar em qualquer outro lado do que à beira da estrada.

E quanto às “horas e horas” de caminhada, ficam aqui uma pequena lista de complicações musculares e ósseas que algumas das pessoas, principalmente os mais idosos, podem contrair:

Dores tibiais (dores nas canelas). Uma das mais conhecidas lesões devido a excesso de marcha. Muitas vezes acontece devido a mau calçado, caminhar em caminhos menos próprios, ou com uma má técnica de marcha

Fascite plantar (dor na sola dos pés). Um processo inflamatório na zona da fascia plantar, que é uma camada de tecido conectivo que suporta o pé. Esta dor pode se estender até ao calcanhar, principalmente depois de recorrentes processos inflamatórios. Esta dor pode ser causada devido a rigidez nos músculo da perna, fraqueza estrutural do pé, e utilização de mau calçado.

Fracturas de stress. Pode acontecer quando existe um excesso de solicitação física, como costuma acompanhar longas horas de marcha. Esta condição é agravada quando é acompanhado de uma má nutrição, estados de desidratação, caminhar em superfícies muito duras, e em situações de inadequado repouso e recuperação.

Outros problemas:

Problemas nos pés: bolhas, calos, feridas, queimaduras.
Problemas na zona lombar: dores na zona da lombar 4 e 5 (usualmente muito dolorosas)
Dores isquio-tibiais
Lombalgias,
Pubalgias.

Mas, “tudo” em nome da “fé”.

Mas voltemos ao Sr. Mendonça

“Num tempo ferozmente cioso da produção e do consumo, eles são um elogio da frugalidade e do dom. Relativizam a prisão de comodismos, necessidades, fatalismos e desculpas. E o seu coração abre-se à revelação de um sentido maior.”

“Elogio da frugalidade. Relativizam a prisão dos fatalismos e desculpas.”

Tudo serve para “lançar poeira para os olhos das pessoas”. Isto depois dá em tristes exemplos, como vi uma vez numa reportagem da SIC, onde uma senhora idosa dizia orgulhosa para a jornalista, “doi-me as costas, as pernas e os pés… graças a Deus”. Pois. 

Para terminar, o escriba diz-nos. 

“Queria dedicar este texto a um amigo que, neste mês de Maio, fez a sua primeira peregrinação. A meio do caminho enviou-me uma mensagem a dizer: «Aprendo a rezar com os pés».

Que aprendam a “rezar” com a cabeça, isso sim.

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2 Respostas »

  1. …Os cães ladram! Aplica-se muito bem a este site de bosta.Vão trabalhar…chulos!

  2. Como eu os compreendo… Na minha área profissional muitas vezes temos de ir palmilhar quilómetros para terreno desconhecido, com mau tempo, com cobras e outros animais à mistura. Às vezes chego ao fim do dia completamente de rastos, com um escaldão e dores musculares.

    Mas a mim pagam-me!

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