A CaquÉtica
Por Ricardo Silvestre • 15 Mai, 2008 • Categoria: OpiniãoDe Rui Janeiro.
“Uma descoberta científica que seja um grande benifício para a humanidade e que contribua para resolver e melhorar as terapêuticas de várias doenças tem a oposição da ICAR, nos casos em que envolve células embrionárias. As preocupações vaticanistas a nível de gónadas e de embriões só se comparam ao seu próprio interesse por Deus.
Como sempre, por razões de ordem ética. Mas esta ética é a deles, muito distante, por vezes, do bom senso e da racionalidade. Até lhe podemos chamar CaquÉtica.
«O presidente da Academia Pontifícia para a Vida (APV), D. Elio Sgreccia, manifestou o seu repúdio pela clonagem de embriões humanos levada a cabo nos EUA, considerando que o seu uso para criar células estaminais terapêuticas “personalizadas” é “moralmente ilícita e inútil”.
Segundo este responsável, estamos na presença do “pior tipo de exploração do ser humano”.
Em declarações à Rádio Vaticano, D. Sgreccia assegurou que até agora essas práticas não tiveram êxito e foram superadas com tecnologias mais modernas que empregam células humanas sem destruir embriões.
A Academia Pontifícia para a Vida foi instituída por João Paulo II em 11 de Fevereiro de 1994, com o Motu Proprio “Vitae Mysterium”. Tem como objectivo o estudo, a informação e a formação sobre os principais problemas de bioética e de direito, relativos à promoção e defesa da vida, sobretudo na relação directa que estes têm com a moral cristã e com as directivas do magistério da Igreja Católica.» [Ecclesia]
A pedofilia também é uma situação de exploração de um ser humano, mas parece que a CaquÉtica vaticanista não a considera muito grave. Deus pode começar a pensar em inscrever-se no centro de emprego, já que cada vez que se anunciam descobertas como esta é mais evidente que se torna inútil.
Para quem ainda não está bem dentro do assunto:
«Os cientistas, da empresa Stemagen, em La Jolla, na Califórnia, utilizaram 29 ovócitos humanos, doados para investigação por mulheres. Começaram por lhes retirar o ADN do núcleo, para colocar depois no seu lugar o ADN das células da pele dos dois dadores.
Conseguiram assim obter cinco embriões, que chegaram à fase de blastocisto, a fase em que surgem as famosas células estaminais, capazes de originar todos os tipos de tecidos que compõem o organismo.
De facto, estas experiências de clonagem de embriões humanos têm como objectivo a obtenção de células estaminais embrionárias para fins terapêuticos — e não o nascimento de clones, como ocorreu no caso da Dolly. A ideia é utilizar as células estaminais no tratamento de doenças, com a particularidade de serem células feitas à medida de cada doente, uma vez que resultaram de clones deles. » [Público Online]”
Para conhecer mais opiniões do Rui, visitem o blog Brutális, onde ele participa.





A confirmar o que noticia esta semana o expresso acerca de vida artificial:
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/314457
Do alto da sua sabedoria milenar, não é à toa que eles já começam a falar de ET’s…
Já toparam que inteligent design não é bem aquilo tinham que estavam a pensar…
Só o ‘deixai vir a mim as criancinhas’, é que não há maneira de eles toparem que não era bem aquilo que o JC quis dizer…
“A pedofilia também é uma situação de exploração de um ser humano, mas parece que a CaquÉtica vaticanista não a considera muito grave.”
Não é preciso dizer mentiras….
“Deus pode começar a pensar em inscrever-se no centro de emprego, já que cada vez que se anunciam descobertas como esta é mais evidente que se torna inútil.”
O Vaticano está contra a produção de embriões para investigação. Qual é o problema? E o que tem isto que ver com a utilidade de Deus?
Acho que deviam era reflectir sobre a utilidade deste artigo que não diz nada racionalmente correcto.
Ricardo Sá,
A pedofilia é certo que é uma situação muito grave de exploração de um ser humano, mas apenas está referida ao facto da ICAR dar mais atenção a embriões do que à dita (e lembrando ainda os escândalos de pedofilia envolvendo clérigos que se vêem um pouco por aí, como nos EUA).
Não esqueçamos que o avanço da tecnologia e as novas descovertas a nível da genética/células estaminais são um ponto de partida para a cura de muitas doenças. Por causa de uma ou outra célula estaminal a ICAR é capaz de ir praguejar para a imprensa o que, a meu ver, se torna algo ridículo (mas estão no seu direito).
À medida que a tecnologia e o conhecimento avançam é certo que muitos mitos ficam pelo caminho e se torna mais inútil a presença de certas instituições…
RJ
Não há nada que comprove que a Igreja Católica dê mais importância aos embriões do que à pedofilia.
É possível efectuar investigação na área da genética e em células estaminais sem utilizar embriões humanos, produzidos ou não, para o efeito. A Igreja Católica faz muito bem em “ir praguejar para a imprensa”, pois frequentemente são relatados casos de falta de ética por investigadores, seja em células estaminais, ou noutras áreas da investigação biomédica, sendo que, a meu ver, a Igreja não tem criticado suficientemente os mais diversos atropelos a direitos humanos nesta área.
A descoberta da cura de muitas doenças não vai no entanto diminuir muitos problemas sociais, na qual a Igreja Católica tem um papel muito importante e é indispensável…
Ricardo Sá,
Cada vez que surge uma notícia nesta área aparecem a lembrar que devem ser tomados cuidados ao abrigo de uma ética que tanto apregoam. Não estou a dizer que se devem fazer clones humanos ao estilo da ovelha dolly, mas tendo em conta o potencial que as células estaminais têm no futuro da medicina tal roça o ridículo.
É certo que o “pecado de aborto” já levou à não absolvição de mulheres arrependidas por padres e que cientistas que manipulam embriões são ameaçados de excomunhão, mas quanto à pedofilia a hierarquia da ICAR parece muito mais contida. Não parece estranho que se mexam tanto contra a IVG e embriões mas que crimes como os das dioceses americanas tenham passado impunes durante tanto tempo e ainda por cima com o consentimento e cumplicidade de alguns dos seus superiores? E nem falo só da condenação em tribunal, pois uma excomunhão desses clérigos não ficaria nada mal à ICAR…
Gostava que alguém, provavelmente mais iluminado do que eu, me esclarecesse de uma coisa, qual é a diferença de receber sangue de outra pessoa, fazer um transplante de um rim de um doador anónimo, ou receber um tecido de células de alguém que nem sequer existe, ou chegou a existir? Está bem, existiu, mas era mais pequena do que um botão de um teclado. Não são a mesma coisa? Podem tentar me contrapor alegando que a questão é, “investigar e manipular embriões é eticamente reprovável, não podemos fazer de conta que somos Deus”, tudo bem, até poderia concordar, não fosse o facto de encontrar na Basílica de São Pedro ou no Santuário de Fátima estruturas arquitectónicas que transparecem uma tremenda… blasfémia! Certo? Em que é que ficamos?
Só mais um apontamento, já estou farto do argumento da pedofilia, deviam ter todos vergonha porque estão nas tintas para as crianças, enumeram o argumento apenas e só para achincalhar os católicos.
RJ
Nesta última visita do papa aos EUA, o tema da pedofilia esteve bastante presente. De qualquer das formas, a posição da Igreja face à pedofilia é óbvia, e talvez por isso não tenha sido tão falada no passado.
As células estaminais podem ser obtidas de indivíduos adultos, que apesar de teoricamente não terem o mesmo potencial que as células estaminais embrionárias, podem cobrir muitas necessidades, e portanto, deve-se canalizar a investigação para esta área, sem que seja necessário produzir novos indivíduos para utilizar e descartar.
Edgar
A questão que coloca está relacionada com o que se considera o início da vida humana. Esta questão está também associada à questão do aborto. A Igreja Católica considera que a vida inicia-se no momento da concepção, e portanto, criar embriões propositadamente para serem retiradas as células estaminais, é claramente errado, pois não se pode explorar desta maneira a vida humana, como afirmou D. Elio Sgreccia.
Concluindo, é uma questão muito controversa, sendo melhor optar pelas células estaminais adultas.
Porque é que é eticamente reprovável? Porque a Igreja o diz? Porque foi Deus que o disse? Porque vem escrito nas sagradas escrituras? Bom, admitindo que no nosso código genético não há barro, pode seriamente ser colocado em causa a influência directa de Deus na nossa criação como é apregoado pela religião Católica. Logo, eu não encontro mal nenhum, sacrificar uma “vida” em prol da saúde de outra. Todavia reconheço-lhe legitimidade na preocupação da potencialidade nefasta que o domínio desta ciência pode acarretar, sobretudo, enquanto ser humano preocupa-me como outro ser humano como eu, pode redimensionar a seu bel-prazer a matriz que é responsável pela nossa existência.
Mas isto, sou eu.
O Vaticano bem que podia ter “achincalhado” os seus membros pedófilos na altura certa. Não esquecendo ainda que um senhor chamado Bernard Law, co-responsável pelos escândalos sexuais envolvendo padres nos EUA se encontra no Vaticano sob “protecção diplomática”.
Edgar
A reprovabilidade ética depende do que se considera o início da vida humana. Como disse, a Igreja considera que a vida humana começa na concepção, e por isso acha reprovável.
Espero que no futuro não o seleccionem a si para ser sacrificado “em prol da saúde de outra” pessoa. Talvez assim percebesse porque é eticamente reprovável.