Reflectir o meu ateísmo - Parte 4: A desnecessidade de crer

Por Helder Sanches • 13 Mai, 2008 • Categoria: Opinião

Um dos argumentos mais utilizados pelos crentes é a felicidade que encontram ao descobrirem deus; tal descoberta enche-os de alegria, completa-os, enfim, adquirem um propósito para a vida. Não consigo deixar de sentir alguma angústia sempre que tento alcançar o significado de tais afirmações. Não consigo deixar de sentir alguma revolta quando insinuam que sem a tal descoberta de deus a vida de qualquer um é desprovida de propósito.Encontrar um propósito para a vida numa fantasia milenar, isso sim, é doentio e, não fossem os convencionalismos culturais, digno de merecer um exame psiquiátrico urgente.

“Crer” e “ter fé” não passam de formalismos culturais para a aceitação do desconhecido e do medo da morte; não passam de máscaras obsoletas com um selo de garantia para a vida eterna, esse desejo simultaneamente tão humano e despropositado.

A mim, o que me enche de alegria, completa e dá propósito para a vida são circunstancias muito mais terrenas e realistas. Não preciso de vidas eternas nem de recompensas post-mortem.  Estou muito mais perto de um macaco, de um cão ou de um lacrau do que de deus e essa constatação deixa-me seguro quanto à minha sanidade mental.

No entanto, a pergunta prevalece: mas, qual é o mal em “Crer”? Nenhum, se quem crê tiver noção de que se trata de uma fantasia e guardar essa paranóia para si próprio. Mas, tem todo o mal quando essa crença força que eu tenha que viver pelos padrões morais de quem crê ou quando a fé move montanhas de destruição no formato de guerras ditas santas.

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2 Respostas »

  1. […] A desnecessidade de crer […]

  2. A fé mais autêntica no meu modo de entender, é crer sem avaliar consequências; sem reconhecer que pode haver verdades antagônicas; é pensar somente em sí e em suas idéias sem comparar outras realidades que possivelmente possam existir e fazer um juízo suspendendo ao menos em parte seu juízo próprio de valor.

    A fé mais verdadeira ou autêntica não pode aceitar pensamentos opostos por excelência. A fé é a que se aproxima do crer ou acreditar sem nenhum exercício reflexivo.

    Na fé são aceitos os dogmas tendo em vista conceitos que é exterior ao indivíduo. Quando se crê, a lógica que sustenta as condutas não são levadas em conta. Crer significa abster-se das justificações as quais determinadas atitudes são motivadas.

    Se um pessoa tem predisposição à violência ou histórico de violência ou outro comportamento considerado negativo pela sociedade, domará seus ímpetos de violência ou de insídia mas não totalmente. Como as motivações de seus atos têm um agente externo ou superior a ele porém tão abstrato ao ponto de dar explicações a tudo, suas atitudes poderão ter justificativas segundo o conjunto de livros sagrados. Simplesmente crer pode ser frágil por isso.

    Justamente por ser deus tão abstrato e, segundo bem foi mencionado, um ser de ‘múltiplas personalidades’ a tudo se explica. Na lógica de fundamentalistas, Se houveram homens cujos ouvidos tiveram o sussurro de deus, por qual motivo deus também não diriam coisas aos seus vassalos tão fiéis ?

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