Afinal, parece que é preciso mostrar mais
Por Ricardo Silvestre • 12 Mai, 2008 • Categoria: Discriminação Religiosa, Internacionais, NotíciasEstávamos nós ter uma conversa interessante sobre o Nazismo e os sistemas de crença desse regime, quando sabemos que o cardeal Murphy O’Connor, prelado da igreja católica no Reino Unido, assim como arcebispo de Westminster e presidente da Conferencia de Bispos Católicos de Inglaterra e Gales teve isto para dizer numa entrevista de rádio para a BBC:
“Há um perigo, porque se uma pessoa for só pela razão, eu penso que, sem fé, sem crença em Deus, pode-se imaginar que, por exemplo, no último século, alguma das sociedades sem fé, ou supostamente sem fé - pessoas, sejam como Hitler ou Stalin - que tenham um país que seja como, se quiser, uma zona livre de Deus, uma ditadura governada pela razão, aonde leva isso? A terror e opressão.”
[não, não é a minha tradução que é incompreensível, mas sim o discurso do senhor é que é errático]
Em resposta a este comentário, o Prof. Dawkins aproveitou para dizer:
“Já nos habituamos a ouvir que Hitler e Stalin eram motivados pelo seu ateísmo. Mas creio ser a primeira vez que oiço um reputado porta-voz dizer que a) as ditaduras de Hitler e Stalin eram governadas pela razão, e que b) a razão leva ao terror e opressão.”
[como podem ver, esta citação foi muito mais fácil de traduzir].
Sim, porque este senhor não é um católico qualquer, “mal informado ou mal intencionado”. Não este é um dos “líderes espirituais” da igreja católica no U.K.
O Sr. Carreira das Neves encontrou o seu “irmão de fé”: a razão não só não ajuda a entender o mundo, como o condena igualmente.
Palmas! Por favor!
É preciso ser muito imbecil para debitar esse género de dislates, e também será necessária muita ignorância popular para que se esses dislates sejam tomados a sério, ao que me disseram ainda existe uma coisa chamada… História! Para além de que esse mentecapto pode ver facilmente onde leva a razão e o ateísmo, ao desenvolvimento e hegemonia social como na Suécia, o país mais irreligioso do mundo, por outro lado vemos facilmente como funciona a fé, basta ir a Jerusalém, onde temos muita, mas muita fé, sítio onde a fé extravasa em todas as direcções.
Claro que dizer que Hitler e Estaline eram racionais é sinal de demência crónica do encapuzado, especialmente quando Hitler foi uma das pessoas mais religiosas do planeta, uma fé cristã inabalável, e não são bestas mentirosas e hipócritas que vão alterar factos históricos.
Cumprimentos.
Caro Bruno,
Que injustiça! Não vê que afirmar que Hitler foi religioso é denegrir gratuitamente a imagem do Vaticano?
Todos sabemos que já desde o tempo de Nero, o primeiro nazista, os pobres católicos são perseguidos. Por acaso ignoramos que até os pobres dos Albigenenses foram perseguidos pelos muçulmanos pertencentes à ordem dos templários?
E os índios e os pretos ateus que vieram à Europa raptar católicos para os transformarem em escravos? E os protestantes pertencentes à inquisição? Ou quer-me convencer que os pobres católicos eram lá capaz de queimar pessoas vivas… eles até foram sempre todos pró-vida…
Até em Portugal, mas por ser muito novo seguramente já não é do seu tempo, se fosse, teria obrigação de saber que os padres católicos sempre se opuseram ao fascismo… o 25 de Abril, por exemplo, até ficou conhecido pelo movimento dos capelães…
Bruno não atente mais ao bom nome da Santa Sé, o seu mal foi nunca ter lido o historiador Pinças-Caniche… Não seja ignorante, vá ler, e verá que encontra lá tudo…
Cumprimentos e passe um feliz dia do buda…
Oh Xiquinho!
Esqueceste-te foi de referir o movimento pró-criança católico, criado para acabar com a pedofilia jainista à escala mundial.
Se o Hitler era católico, só era da boca para fora. Senão não perseguía católicos e punha padres em campos de concentração (para não falar de tudo o resto).
Bruno Miguel Resende
A Suécia não é o país mais irreligioso do mundo, sendo que 80% da população pertence à Igreja Evangélica Luterana. E Israel é uma nação bastante evoluída, com um índice de desenvolvimento humano (IDH) superior ao de Portugal.
O que eu acho mais importante até nem é o debate histórico, mas sim a teimosia na defesa do indefensável. Se Hitler era ou não crente, e era ou não um oportunista, isso pode ser um debate interessante, mas não o movia o ateísmo e/ou a racionalidade.
Mas o debate que quero ver é sobre a continuada acusação por parte das igrejas e dos “líderes espirituais” que sem fé as pessoas não entendem o mundo, não o sabem valorizar e não o conseguem melhorar. Isso sim, é que é indespensável na sociedade moderna.
Uma perspectiva sobre o tema:
Auguste Comte, um dos fundadores da sociologia, que se não estou em erro era ateu, enunciou a lei dos três estados que defendia que o pensamento humano passa por três fases: - o estado teológico, - o estado metafísico, - o estado positivo. Segundo Comte este último estado corresponde à fase do pensamento racional, científico ou positivo, e portanto à fase de maior desenvolvimento, perspectivando a substituição da religião católica pela ciência.
No entanto, posteriormente, o positivismo de Comte “evolui progressivamente para um credo e uma igreja positivistas”(1) pois este não crê ser possível haver ordem social sem religião. Na realidade o espírito humano vive de crenças, e é necessário algo mais do que racionalidade e conhecimento científico para que haja ordem social.
(1)Ferreira, J. M. Carvalho, Sociologia
Temos assim por um lado os mais eminentes historiadores, do outro o bruno. Escolha fácil, bah…
Ricardo,
Onde está o texto oficial da entrevista de rádio?
Só temos a versão Dawkins?
Obrigado