Posições de abertura

Por Ricardo Silvestre • 11 Mai, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Nacionais, Notícias

O bispo de Bragança-Miranda, D. António Montes esteve presente na segunda sessão da acção de formação dos docentes de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) da diocese (…) e, em entrevista ao Mensageiro Notícias, manifestou a sua opinião acerca da disciplina de EMRC.

Podem ler a entrevista na sua totalidade aqui.

Mas alguns pontos são importantes de destacar da linguagem do Sr. Montes.

“O querer retirar a disciplina do sistema de ensino, a pretexto de uma liberdade religiosa mal entendida, leva a que o ensino acabe por ter falta de pontos de referência e de análise crítica.

A função de uma escola não devia ser, apenas, instruir mas também criar pessoas com capacidade de raciocínio, de reflexão e de auto-crítica. Uma dimensão religiosa, independentemente de qual seja, acaba por contribuir para que as pessoas vejam o sentido da sua existência.

Também é necessário que os conselhos executivos e os professores encarregados de acompanhar as inscrições e matrículas adoptem uma posição, pelo menos, de neutralidade. O ideal era que colocassem uma posição de abertura porque o ensino da educação moral religiosa católica ou outra, na prática, acaba por ser o único fórum onde se pode reflectir sobre o sentido da vida.”

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Dizer que a EMRC dá “pontos de referência e de análise crítica” para se ter “capacidade de raciocínio, reflexão e auto-critica” é o estilo de auto-promoção que é esperada de quem quer, desesperadamente, não perder a influência que ainda pensa ter sobre os pais dos jovens que estão em sistemas escolares seculares.

Não conheço (e tenho procurado) algum estudo científico que mostre que os alunos que tenham EMRC tenham melhorias nessas qualidades quando comparados com quem não tenha a mesma disciplina.

E quanto ao facto de o Sr. Montes temer que não haja “neutralidade”, ele vai mais longe, ao claramente apresentar que, o “ideal” seria que os professores motivassem os alunos a inscreverem-se na disciplina. Talvez isso não aconteça, e não exista sequer essa “neutralidade” porque cada vez mais os professores não reconhecem na “educação religiosa” uma forma, e muito menos única, para compreender o “sentido da vida”.

E que assim continue.

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2 Respostas »

  1. De facto o homem tem razão, a EMRC é o primeiro teste à capacidade de raciocínio, reflexão e auto-crítica e talvez não seja má ideia tê-la no programa curricular.
    Imagino que os alunos que manifestem uma “análise crítica” chumbem à cadeira ou sejam expulsos por fazerem perguntas incómodas, tal como acontece nas aulas de catequese…

  2. “…o ensino da educação moral religiosa católica ou outra, na prática, acaba por ser o único fórum onde se pode reflectir sobre o sentido da vida.”
    É preciso não esquecer a disciplina de Filosofia(obrigatória no ensino secundário) onde se discute este tipo de assuntos e os alunos são muito mais motivados a recorrer ao raciocínio, reflexão e auto-crítica do que em EMRC. E aí, ao contrário do que acontece em EMRC, existe a neutralidade de que o Sr. Montes fala.

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