Canibalismos católicos
Sempre achei estranha a dádiva de pequeno-almoço durante as longas e aborrecidas palestras de homens de saia dentro de edifícios soturnos e com excessos de cinzento, lugar de sacrifício ao que me diziam na minha tenra idade, e deveras o era, muitas vezes batia com o tornozelo no pedaço de madeira dos bancos das plateias, não eram para dores nesse local, antes para esfregar joelhos, mente infantil a minha que não havia percebido tão humano acto.
As rodelas que por lá davam serviam bem para o petisco, estranho saberem sempre ao mesmo, sabores a presunto nunca, atum também não, uma espécie de receita da casa cuja variância era ser a mesma coisa, não seria ingrato às ofertas e sempre servia para quebrar a sonolência do evento, lavagem cerebral para uns, momentos de histeria para outros, uma fase de vegetação humana para a maioria, e rodelas eram a conta-gotas, nada de excessos, potencialmente uma preocupação com as digestões mais facilitadas.
Vontades de urinar e defecar eram suprimidas, parecia que o urinol da entrada estava interdito ao uso, usavam os líquidos por lá presentes para lavar a cabeça das crianças, tendências de necessidades corporais eram mal vistas ao que me pareceu, e assim sendo nada feito, aborrecimento por vezes aliado à vontade gradualmente maior de um esvaziamento de bexiga.
Retrospecções feitas e afinal as rodelas não eram bem o que pensava, não eram oriundas da panificação, não serviam para acalmar o estômago e o sistema nervoso do tédio dominical e das nevroses histéricas do homem do saiote e amigos, eram bocados de uma pessoa, a luz fez-se então, e eu fugi dela a sete pés, e mais mãos, canibalismo? Nem morto.
Mateus, um pobre coitado que pensava pouco e escrevia pior, narrou uma fábula maravilhosa, para se dormir em pé… “E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.“, Jesus era feito de pão, um pão ambulante ao que se afigura, ou então o pão era feito de Jesus, o prepúcio do homem das cruzes entraria em fabulação caso Leo Allatius não o tivesse enviado por pensamento para Saturno, adorno engraçado em torno do gigante planeta, “De Praeputio Domini Nostri Jesu Christi Diatriba” conta essa fantástica história, dormir em pé para não variar.
Prepúcios à parte, e cuidado com os calamares, a teoria de Leo Allatius pode ser revista pelo Vaticano, e não vá o Diabo tecê-las… de volta à panificação. Ou falta da mesma. Pão com pão para um momento de excelsidade única, Jesus aos nacos para a excelência do culto ao canibalismo, tendo em conta o catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana se afigura algo de bastante nauseabundo, as rodelas não são rodelas, são bocados do homem, estilo salame, salpicão, regueifa, pouco importa, é carne humana que dizem ser, é carne humana que acreditam comer, 1362 “A eucaristia é o memorial da pascoa de cristo, a actualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele.“, e a repetição é feita pelos estranhos escritos ad nauseam, é mesmo bocados do homem, é homem às rodelas, é nacos do indivíduo, percebido? Não? Repete-se a lengalenga uns dois mil anos a ver se cola, ou a ver se passa despercebida.
Canibalismo? Não obrigado. E calamares? É ter cuidado, se o sabor for idêntico ao dos nacos de cristo nos templos católicos então estamos na presença de um prepúcio. E pior, estas coisas ressuscitam, e uns e outros regurgitam.
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2 Comentários
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É realmente muito estúpido. Também já me questionei várias vezes sobre isso:
Eles comem Deus?
E o pior é que não é no verdadeiro sentido mas sim no sibólico.
O que me leva a crer que Deus é provavelmente um bisexual faminto.