Os processos de socialização não oriundos da livre associação Humana e da sua espontaneidade relacional rapidamente entram em rota de uniformismos, de conformismos, de tunelização de pensamentos e de práticas sociais alternadas em nomes, aquiescentes em conceitos. De uma Revolução Francesa proporcionadora de alicerces para luminosidades, estas cedo se foram colocando à sombra das igrejas para que não lhes faltasse o relaxamento de pensamento vácuo.
Os tremores de terra filosóficos de Nietzsche ainda produzem variadas réplicas, a essência das suas lutas contra as anti-filosofias perdura, mas a vergonha de ser um livre pensador acarreta a palavra ateu, laico, humanista secular, ou outras tonalidades de libertação muitas vezes contaminadas pelos construtivismos sociais cristãos, pelos valores e ideologias judaico-cristãs. Não se emana o ateísmo para a esfera pública em total desprendimento de conceitos niilistas filosoficamente, de culturas incultas e vacuidades laicas apinhadas nos esgotos religiosos que desaguam em politicas, em capitalismos, em arte inclusive, a emancipação Humana é recalcada pela falha de conquistas da racionalidade plena, e a religião dos laicos surge em esplendor, uma harmonia vácua entre crentes em um deus e os descrentes, partilhando os valores solidificados por centenas de anos de fascismos cristãos.
Os católicos apregoam bem alto como peixeiras nas suas lides comerciais das benesses e regalias, das moralidades e importâncias dos casamentos em igrejas, a religião dos laicos apregoa as benesses e regalias, das moralidades e importâncias dos casamentos pelo Estado. Oradores do deus nos apregoam das necessidades de servilismo às religiões, oradores do Estado nos apregoam das necessidades de servilismo às sociedades, troque-se o fiel pelo cidadão, o deus pelo Estado, a obrigação cega de ser submisso ao deus pela obrigação cega de servir a sociedade. De festas religiosas de vacuidade e de atentado filosófico se fazem festas de vacuidade e de atentado filosófico, se clama pela liberdade em cerimónias pautadas por marchas de tristes, 25 de Abril, tantos anos passados e breves comparações se emanam como significância dogmática, liberdade como se esta fosse uma palavra que depois de dita se transformasse em existência.
Areia para os olhos em tempos, algumas cruzes fora de espaços públicos, e naves espaciais de mais de 80 milhões de Euros a aterrar em território português, ajoelhem-se perante a grandiosa obra do niilismo Humano, pela magnificência dos ouros que esconde a futilidade e imbecilidade das ventanias que percorrem os ouvidos dos grandes seres vaticanistas. E a religião dos laicos? Ajoelha-se perante a escabrosidade. Questões de fé ao que se evidencia pelas palavras dos laicos cristãos, são dóceis harmonias de conformismos que acarretam a pobreza do Ser, a pasmaceira dos transeuntes, a ignorância daqueles que nada mais possuem para satisfazer necessidades. Livros? Ao que se denota pela religião dos laicos estes caem em desuso, enfeites de estantes, ou textos sobre as vidas alheias já que a sociedade laica nada tem a oferecer para preencher a vida dos seus fiéis.
A utopia da Laicidade não poderia encontrar-se tão afastada daquilo que se emana de armas de arremesso políticas, de hipocrisias baratas e mentiras abertas, a ignorância desfalece o Homem antes dele falecer, molda-se os clones e os relâmpagos do racionalismo e da emancipação Humana são absorvidos pelos para-raios sociais, pelas construções de valores judaico-cristãos, pelo oceano asfixiante de niilismo e de podridão artística. Ordem, e a sociedade será eterna, os fiéis não o serão, servilismos de adoração à Pátria, ao Deus, ao cantor pimba que lhe dizem ser genial, ao escritor de livros sobre Jesus, sobre a verdadeira história de Jesus, sobre a história nunca contada de Jesus, sobre Jesus e a azinheira, sobre Jesus e a unha encravada. Livre pensamento onde o ateísmo existe não sucumbe ao caos do nada, do absolutamente nada.
Laicidade que não existe, onde se fuma cannabis em rituais Xamânicos? Onde se arranja emprego livremente em empresas com adornos astecas, maias, piercings de significâncias excelsas e tatuagens de importâncias pessoais incomparáveis? Porque as meditações se interrompem pelos constantes, aterrorizadores e estúpidos sons de sinos cristãos?
Laicidade e cristianismo colidem, não coexistem pacificamente, o cristianismo é totalitarista, é demencialmente orientador de leis para os seus fiéis e para quem não o é, introduz-se porta adentro de quem não o convida e impõe a áurea celestial de proibições às críticas. Os laicos dirão que cada um acredita naquilo que bem entende. Um islâmico bombista acredita naquilo que bem entende. Porque não fazer o mesmo em tudo o resto? Porque não um matemático acreditar que 2+2=5? Porque não propagar essa ideia pelas escolas? Reunir pessoas que não querem estar debaixo de um mesmo tecto de hipocrisia e de niilismo Humano não é Laicidade, é diplomacia irracional. Deficiências cognitivas que germinam como epidemias entre a ignorância atentam ao livre pensamento, defecam intempéries de imbecilidade e ousam aquilo que não é pertença de alguém minimamente maduro moral e intelectualmente, imiscuir-se entre a vida privada dos outros, daqueles que nada lhes pediram, e desprezam, censuram, descriminam, e agigantam-se com a superioridade da sua estupidez e dos seus niilismos.
Dissecando a Laicidade, que é afinal? A igualdade entre ideias completamente estúpidas e ideias geniais, a igualdade entre contos de fadas e teorias científicas, a igualdade entre a libertação Humana e o seu aprisionamento. Algum dia lá se irá chegar? Pelo andar das coisas a estupidez vence as batalhas, e a construção social cristã mantêm as bases sobre pena de eclosão mais do que merecida. Faça-se luz, filosofia, artes, emancipações da sexualidade, enterre-se lixos ideológicos, estercos televisivos, bisbilhotices imbecis, um dia quem sabe. Mas pelo amanhecer das coisas mais parece estar de noite. Quem sabe no anoitecer das coisas mais pareça estar de dia…
Outros artigos relacionados:
Lord Byron strikes again. Very good
Por falar em hipocrisias, deixo também a pergunta: que sociedade é esta que contamina o planeta com campos de golfe e urbanizações em cima de reservas ecológicas e agrícolas, aparecendo hipocritamente na televisão a dizer que se aproxima uma crise alimentar porque “os chineses andam a comer demais”? Está tudo louco?…
Meu caro Bruno,
que grande confusão!
Laicidade e religião referem-se a níveis diferentes. Laicidade é do âmbito da política, religião do âmbito existencial. Laicidade é uma questão da esfera estatal, religião do âmbito privado e associativo. Por isso não pode haver «religião dos laicos».
Mais: a laicidade não é a igualdade entre o obscurantismo e a racionalidade: nenhum laicista defende que a astrologia e a astronomia devem ser «igualmente» ensinadas na escola pública. Antes pelo contrário.
E sim, as pessoas podem pensar o que quiserem. Podem pensar que têm vontade de dar uma tareia ao idiota do facho. Não podem é fazê-lo. São as acções que são crime, não os pensamentos.
Entendidos?
Ricardo Alves, não é uma questão de entendimento ou falta deste, é uma questão de opinião ou falta da mesma. Laicidade e religião estão no mesmo nível no âmbito ideológico, filosófico, são ideias, são factores existentes nos construtivismos sociais, assim sendo são facilmente colocados em pensamentos paralelos, ou então cruzados. O âmbito político advém de ideologias Humanas, não é criado do nada, logo pode ser abordado pela perspectiva filosófica. E o meu artigo coloca em confronto a racionalidade e racionalidade, não a legalidade e a ilegalidade, as convicções irracionais originam acções irracionais, a estrutura de condenação de acções após incentivação e manutenção de irracionalidades é no mínimo estranha. Pensar implica bases para o pensamento, conhecimentos mínimos de diversas vertentes, e é essa estrutura que falha inicialmente, ficando apenas uma espinha dorsal social extremamente sólida à qual o mínimo desvio é ilegal, ou potenciador de problemáticas de difícil resolução. O trabalho é obrigatório e não fruto da espontaneidade Humana, a família é um bem quase divino e não uma livre associação do Homem com os seus afectos, a pátria é um conceito de obrigação de cidadania e não um orgulho racional e genuíno do Homem, as trindades vão mutando, vão perdendo a dogmatização religiosa mas solidificam-se com leis e políticas, onde a diversidade Humana pouco ganhou, onde o seguimento de outra religião que não a principal é de extrema complexidade ou mesmo ilegal, onde as filosofias de vida são engolidas completamente pela coesão social em torno de um cerne cristão onde só é permitido colocar de parte a fé, mas onde é quase obrigatório o seguimento dos construtivismos sociais cristãos. E todas estas minhas perspectivas e opiniões são oriundas da dissertação fiolosófica e da criatividade sociológica, não de pré-definições políticas e lesgislativas. Falaste na necessidade de deixar as pessoas pensarem o que quiserem, mas para isso é necessário ter as pessoas a pensar, não a serem autómatos e clones, é esta a questão, o livre pensamento em esplendor acarreta necessidades básicas como conhecimentos e diversidades de perspectivas, não o uniformismo e o conformismo que as sociedades inevitavelmente divinizam.
Cumprimentos.
aaaaaaaaaaaaaaaaaa
Vocês gostam de falar difícil hein, aff! não entendi quase nada,laicidade puts, ninguém fala iso nas ruas sejam mais simples, irá ajudar por demias..valeu !