Morte de um fascista

Faleceu no dia 19 de Abril o cónego Eduardo Melo, em local apropriado, Fátima, com a idade de 80 anos, e o país ficou mais limpo e respirável. O clérigo granjeou enorme notoriedade pelas suas fortes convicções anti-comunistas no pós-25 de Abril, quando se associou a movimentos armados de extrema direita ligados a António de Spínola. Para este clérigo o 25 de Abril foi uma mancha negra na História de Portugal, e Salazar foi um excelente estadista com excelentes noções de autoridade.

Muito amado por aqueles que temiam um fascismo comunista, também foi amado por defender o fascismo salazarista. Entre a sua carreira fascista contou com uma acusação de envolvimento na morte do padre Max, pároco em Vila Real com orientações políticas de esquerda, julgamento que não se chegou a realizar, ficando todos os réus absolvidos.

Eduardo Melo, o grande admirador de Salazar, foi um dos mais influentes elementos da Igreja Católica no Minho, conseguindo, por exemplo, angariar 500 mil Euros em donativos para a Universidade Católica em Braga. Era presidente do Instituto de Promoção do Ensino Superior no Minho, dirigia o Conselho Geral do Sporting de Braga, líder da Turel, uma cooperativa para a promoção do turismo religioso, e também dono da confraria de Nossa Senhora do Sameiro e a Irmandade de São Bento da Porta Aberta. Em gestões estavam cerca de 2 milhões de fiéis por ano. Dinheiros aos montes, e a confraria do Sameiro investiu 4,5 milhões de Euros na construção de uma albergaria com 91 quartos, restaurante, auditório, 9 salas de reuniões com nomes de padres, 3 capelas e um spa, 2 piscinas aquecidas, jakúzi, banho turco, massagens, ginásio e solário.

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