Que seja a sério
Por Ricardo Silvestre • 16 Abr, 2008 • Categoria: Informação Jurídica, OpiniãoO PortalAteu não tem prestado muita atenção à visita do Sr. Ratzinger aos Estados Unidos. Cada um presta atenção ao que quer, e só apenas os mais distraídos é que acham que o “cristianismo” Americano tem alguma coisa a ver com o catolicismo Europeu. A visita de Ratzinger tem mais a ver com questões internas dentro da igreja católica, do que propriamente “operações de charme” perante uma América que não entende, ou que até é mesmo hostil, às vicissitudes do Vaticano.
No entanto, um assunto destaca-se nesta visita, e mais uma vez, apenas os fanáticos que acham que a igreja católica é um mar de virtudes pode ignorar.
Os casos de pedofilia nas igrejas católicas nos Estados unidos fizeram um estrago significativo, não tanto na imagem da própria instituição, mas também nos seus cofres. O Sr. Ratzinger tem como uma das suas missões nesta visita demonstrar o quanto se encontra “profundamente envergonhado”.
“A Igreja irá fazer tudo o que pode para sarar as suas feridas, causadas pelos escândalos de pedofilia, e assegurarmo-nos que não torna a acontecer.”
E isto é bom. É bom que este senhor diga isso. Mas também é bom que ele esteja a ser realmente sincero. Porque esta opinião. É fácil.
Patrick Wall, um antigo padre Benedito, que abandonou a igreja faz agora 10 anos devido aos escândalos de abuso sexual a crianças, disse à imprensa que “está é sem dúvida uma boa manobra de relações públicas por parte do Papa, mas vem 25 anos mais tarde do que devia. Ratzinger foi o responsável pela Congregação da Doutrina da Fé por 24 anos, tinha o poder e a jurisdição para impedir o aumento da pedofilia, e não fez nada” disse Wall.
Mas não termina aqui.
O Vaticano continua a acomodar o cardeal Bernard Law no seu seio. Porque é isto importante?
Law demitiu-se como responsável pela Diocese de Boston em 2002 depois de um conjunto de casos de tribunal, com depoimentos e provas que mostravam para lá de qualquer dúvida que o cardeal Law não só estava a par dos comportamentos inqualificáveis de alguns dos padres sobre a sua jurisdição, mas como activamente colaborou um esforços para abafar caso após caso de violação de menores.
Num depoimento, Law admitiu saber que um padre John Geogham tinha violado pelo menos 7 rapazes em 1984 antes de Law ter dado autorização para a sua transferência para outra paróquia. Igualmente Law esteve envolvido em várias transferências de um padre Paul Shanley que esteve indiciado por 10 casos de violação de crianças e 6 casos de agressão.
Quando o cardeal Law se demitiu, foi imediatamente transportado para Roma, onde detém neste momento um conjunto de posições no Vaticano. É neste momento o responsável pela Basílica di Santa Maria Maggiori e é membro das congregações Igrejas Orientis, Clero, Prece Divina e Disciplina dos Sacramentos, Evangelização do Povo [sendo esta a minha favorita], Instituto da Vida Consagrada e Sociedades da Vida Apostólica, Educação Católica [outro favorito] assim como é membro do Conselho Pontífice para a Família (!!!) [esta então é inacreditável]. O cardeal fez parte do conclave que nomeou Ratzinger para suceder a João Paulo II.
Ainda no seguimento deste estilo de encobrimento ou omissões, Anne Doyle, co-directora do sítio BishopAccountability.org, um grupo que monitoriza qual o percurso público de bispos envolvidos em escândalos sexuais com crianças, disse à ABC que “de 19 bispos que foram acusados de abusar de crianças de uma forma credível, nenhum perdeu o seu título, nenhum deles foi criticado publicamente pelo Vaticano e nenhum deles foi submetido a um processo criminal.”
Assim sendo, recebemos bem a promessa que Ratzinger faz que vai sanar o problema da pedofilia entre padres, mas terá de radicalmente mudar a sua maneira de operar e a maneira de punir.
Artigo inspirado neste, neste e neste texto.
PS: Christopher Hitchens é o meu herói!
Sem duvida que como cristão este assunto me deixa muito triste.E acho que a Igreja deveria tomar uma posição mais forte.Esperemos para ver o que o Santo Padre vai dizer e fazer.
O “Santo Padre” tem mais que fazer. Por exemplo: preocupar-se em como dar guarida a padres pedófilos de várias nacionalidades nesse Estado de criminosos chamado Vaticano.
E se alguém pensa que eles são poucos, faça favor de conferir:
http://app.bishop-accountability.org/priestdb/PriestDBbylastName-A.html
E estamos SÓ a falar dos EUA…
PS: Não seria interessante uma lista destas para Portugal?…
Mesmo assim quero deixar aqui os meus parabéns ao sr. Anónimo pois foi o único cristão que nos últimos dias colocou um post não ofensivo no Portal. Pessoas assim são aquelas que dizemos ser bem vindas ao portal pois colocam a sua opinião (seja ela positiva ou negativa) sem ofender e criar tumulto.
Os meus parabéns
Daniel,
O Anónimo é apenas mais uma manifestação dum complexo caso psiquiátrico de múltipla personalidade. Como é que se dirá isto em francês?
Daniel, não te deixes levar pela tua satisfação
Este “anonimo” foi o mesmo que escreveu
“Se dos 25 mil crentes ali naquela praça,meia duzia vos desse uma carga de porrada e vos enchesse a boca
(…) para não dizerem as porcarias que dizem,eu ficaria muito contente com tal atitude.”
Cuidado com os lobos em pele de cordeiro.
Um pequeno detalhe em relação a este post, a pedofilia não é só um problema dos padres, é um problema dos Homens. Estes pedófilos por acaso são padres. Menos grave do que o acto de pedofilia em si, é o descrédito da Instituição Igreja pelas leis do Homem que condenam o crime de pedofilia, e para não salvaguardar a imagem da instituição Igreja camuflaram aquilo que era tão evidente e que efectivamente acabou por vir à tona. Felizmente, o Bento XVI, inteligente que parece ser, condena os actos de pedofilia praticados pelos padres católicos, se eu estivesse no lugar dele lamentava todos os actos de pedofilia, mas o problema é dele. Eu já lamentei os meus, quando o povo português elegeu deputados pedófilos e governos que nomearam embaixadores pedófilos… Mas nisso, Cristo tinha razão, quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Caro Lucas, não consigo concordar consigo quando diz: “O “Santo Padre” tem mais que fazer. Por exemplo: preocupar-se em como dar guarida a padres pedófilos de várias nacionalidades nesse Estado de criminosos chamado Vaticano.” Bom, eu não sou fã de frases categorias, há sempre uma margem de erro a ter em conta, essa carência de discernimento inibe a maioria dos ateístas deste portal a ter um raciocínio coerente, se o Vaticano é um estado de criminosos, onde se encaixam os padres que não são pedófilos? Não serão eles católicos, estarão eles à margem do Vaticano? Ou será que o facto de alguns padres serem pedófilos faz com que os outros padres também o sejam? Seria fácil insinuar qualquer coisa acerca do Richard Dawkins mas eu não quero ser vítima de ameaças de morte.
Cumprimentos
Edgar.
Menos grave? Menos grave?!
Igualmente grave!
Grave quem o fez, grave quem o ocultou, grave quem cooperou.
E a pedofília não é “um problema dos homens”. É um problema de pessoas doentes. A diferença é que, enquanto uma pessoa que faz uma coisa destas e não seguiu a vida religiosa é justamente considerada de imoral: os padres deviam ser as últimas, as últimas, pessoas a sequer considerar um acto destes, uma vez que se arrogam a “pilares de moralidade”, moralidade essa que lhe é dada…por deus!
Não tentes retirar a importãncia do tema ou das suas ramificações.
Edgar,
A pedofilia foi apenas UM dos muitos exemplos de iniquidades cobertas pelo Vaticano (isto já para não falar no Banco Ambrosiano, na loja maçónica P2, no assassinato de João Paulo I, etc.). Se quer analisar historicamente outras “aventuras” pouco recomendáveis desse Estado fictício, recomendo-lhe o livro “A Santa Aliança - Cinco séculos de espionagem do Vaticano” de Eric Frattini. Em relação ao Dawkins, pode acusá-lo do que quiser que eu não me importo nada. Se as suas acusações tiverem algum fundo de verdade e pertinência, não tenho problemas em corroborá-las.
Cumprimentos.
Temos noção de gravidade diferente, no meu entender é mais grave quem comete o crime do que quem acaba por saber da sua existência e camufla-o. Se existir aí algum perito em leis, que me dê razão, ou que me refute, o racionalismo obriga-me a dar o braço a torcer. Quanto a esta questão, eu acho que é de uma dignidade a Igreja, pela voz do sue mais alto representante na Terra, Deus tem mais do que fazer, assumir os erros dos seus padres e lamentar. E creio que o Ratzinger esteja a ser honesto e se dependesse dele os caos nunca teriam acontecido. Quanto a pedofilia ser um problema dos Homens, enganei-me, parece-me mais óbvio que seja um problema da Humanidade, uma doença, um erro grosseiro do inteligent design quem nem a educação, nem a moral, nem a razão, nem a religião conseguem castrar.
Acho engraçado admitires que “os padres deviam ser as últimas, as últimas, pessoas a sequer considerar um acto destes, uma vez que se arrogam a “pilares de moralidade””. Consideras que um padre pode ser um pilar da moralidade se ele levar uma vida condigna?
Lucas, eu não tenho nada contra o Dawkins nem nada a favor, mas como ele ao fim ao cabo é uma espécie de “Messias” do ateísmo, estava a fazer uma inocente chalaça com os recentes acontecimentos no portal. Bom, eu não acredito que o Vaticano se resuma a um bando de criminosos, e se o Dawkins fosse um mafioso isso não implicaria que os outros ateístas o fossem.
Por uma questão de moral e exemplo para a sociedade com a qual tanto se diz preocupar a ICAR devia expulsar do seu seio e denunciar publicamente às autoridades os seus membros pedófilos e os seus cúmplices que encobrem estas situações! Acho que passava a mensagem de forma bastante clara!
Estes comportamentos não podem ser tolerados sobretudo por padres e papas que se arrogam de pilares morais, que já se percebeu que não o são! Não passam de pessoas normais e alguns de vulgarers criminosos!
Acho que é “só” isto! Não tomam esta atitude e eu adjectivo-os de hipócritas! Vivem pela máxima faz o que eu digo não faças o que eu faço!
Carpe Diem
Não encontro uma justificação racional para a atitude ateia. Será que os ateus foram vitimas de pedófilia, por não verem Deus? Por isso é que o Vaticano terá mão leve para com esses padres, ao fim e ao cabo estavam ao serviço do Deus católico, com métodos pouco convencionais e nada convincentes.
Não vejo como o papa poderá algum dia resolver a pedófilia entre os padres, sem cortar o mal pela raiz, tipo ritual para o exercicio da profissão de fé, julgo que se Deus pretendesse castrar espiritualmente teria capado á nascença alguns homens para o exercicio do sacerdócio, mais facil, não?
Mas, não Deus é benevolente; colocou á disposição dos homens, todos os meios e tecnicas possiveis para a liberdade sexual, esses padres bem que podiam usar o sexo virtual com outros mais velhos, comprar artigos especializadas, mas não, são mesmo marafados, preferem ir para as chamas do inferno que sabem não existir.
Cirilo, apenas uma questão: sendo Deus benevolente, essa benevolência não é, portanto, universal. Ou considera que Deus também foi benevolente para as crianças vitimas de pedofilia?
Helder, não considero que para mim Deus tenha que ser bom ou mau, nem sequer estou preocupado em praticar actos aceitáveis aos seus olhos para ganhar qualquer tipo de tratamento divino. Mas, concretamente em relação à pedofilia, e se bem entendi o alcance da pergunta, no meu caso, iria sempre satisfazer-me mais com a vingança pessoal do que com qualquer tipo de justiça. Negar a liberdade a um ser que ainda não formou sequer a sua própria consciência, e ainda por cima perpetrado pela pessoa da maior confiança, só mesmo nas chamas do inferno.
Amigos ! O inferno foi criado por eles….. e para eles…. que tenham bom proveito !. Não seria mau que sofressem um pouco deste ” inferno” por aqui também… não acham?