Opções versus Imposições

Já há algum tempo que escrevo sobre ateísmo. Já disse muita coisa do que considero indispensável para o meu ateísmo, já escrevi sobre trivialidades e até já cometi alguns erros lamentáveis. Contudo, acho que nunca disse declaradamente o que realmente me aborrece no fenómeno da religião organizada – sim, porque em relação à religião pessoal de cada um não tenho nada a dizer; cada um tem direito ao delírio e às paranóias que quiser.

Mas, o que realmente me aborrece – e preocupa – é o facto de as religiões tentarem sempre impor os seus valores às sociedades em que estão inseridas. Basta olhar à nossa volta e facilmente detectamos a influência cristã nos países ocidentais (mesmo nos mais laicos e seculares) ou a influência corânica nos países muçulmanos. Tudo isto é observável e considerado absolutamente normal aos olhos da História.

Principalmente na definição do que é relativamente moral em cada uma das sociedades, chega a ser constrangedor o espernear das religiões organizadas maioritárias para imporem como valores absolutos das sociedades respectivas o seu quadro de valores morais. Ou seja, na opinião das organizações religiosas, o quadro moral por que cada um se regula não pode ser uma opção mas, antes, terá que ser uma imposição.

Proibir a poligamia, criminalizar o aborto, impedir o divórcio, interditar a pornografia, marginalizar a prostituição, condenar a homossexualidade – tudo opções de índole pessoal – são, na maior parte dos casos, imposições morais de origem religiosa que têm vindo a resistir, umas mais, outras menos, ao evoluir dos tempos.

Enquanto for possível que os religiosos se pronunciem sobre estas matérias como se de experts de facto se tratassem, haverá um vasto trabalho pela frente de todos aqueles que defendem uma sociedade laica e secular e que encaram o Humanismo como a alternativa de futuro em contradição às teocracias morais, mais ou menos descaradas, do passado.

Porque é no respeito pelas opções individuais de cada um que se podem cultivar o progresso e a justiça, indispensáveis ao concretizar da Humanidade enquanto binómio Espécie-Sociedade.

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