A Religiosidade ‘Noir’
Há um ano e tal atrás, escrevi um artigo que causou alguma agitação na blogosfera ateísta em língua portuguesa, tanto em Portugal como no Brasil. O artigo intitulava-se “Os malefícios do Ateísmo Cor de Rosa” e, resumidamente, nele insurgia-me contra aqueles que viam no ateísmo um sinónimo de anti-religião e baseavam o seu ateísmo em argumentos meramente destrutivos, pouco contribuindo para uma divulgação positiva do mesmo.
Penso que vem a propósito relembrar que também do lado dos crentes religiosos existe um número considerável de indivíduos que cultivam a sua crença apenas como se de uma identificação tribal se tratasse. Só assim se pode compreender a reacção desses indivíduos à diferença de pensamento e à liberdade de expressão.
Já tentei fazer um esforço para conseguir compreender essas reacções mas, tenho de o admitir, não cheguei a lado nenhum. Senão, vejamos:
- Um grupo de pessoas de bem que não acredita em deuses expõe as suas razões num espaço público como este blog
- Um outro grupo de pessoas que defende que um desses deuses é Amor, Paz e Fraternidade (etc…) comenta nas caixas de diálogo deste blog
- A mensagem que passam nos comentários é uma mensagem de Ódio, Conflito, Intolerância, Rancor…
Qual é a lógica de tudo isto? Com que autoridade é que estas pessoas falam em nome de uma religião que, apesar de tudo, teoricamente no seu âmago, defende os valores contrários aos métodos utilizados por esta franja desguedelhada de cristãos da treta ofendidos? Será que esta gente não se vê ao espelho e não se apercebe de quão ridícula e incoerente é a sua atitude?
Pela minha parte vou encerrar por aqui as minha reacções a estes acontecimentos. Não há um ditado que diz que quanto mais se mexe numa determinada substância pior ela cheira? Deixemos, então, a abordagem a esta matéria para outros circuitos.
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