Fraudes e mentiras (parte 2)

Por Ricardo Silvestre • 11 Abr, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Cultura, Notícias

O PORTALAteu está a seguir atentamente todas as tropelias relativas à estreia de um “documentário” criacionista que se chama “Expelled” (Expulso, em Português).

Basicamente o filme é uma obra de propaganda religiosa, mal realizado, mal escrito, mal produzido, com várias mensagens que são do mais desprezível possível.  Hoje vamos falar das críticas que foram feitos ao filme.

Os conteúdos do filme dividem-se em dois, primeiro, é apresentado um grupo de cientistas “perseguidos” pelas suas opiniões sobre criacionismo e desenho inteligente (DI).

É apresentado no filem o caso de Richard Sternberg, o editor de uma revista chamada Relatórios da Sociedade Biológica de Washington ( no original). Em Junho de 2004, um “artigo científico” chamado “A origem de informação biológica e categorias taxionómicas” foi publicado nessa revista. O autor, Stephem Meyer é membro do Discovery Institute, um grupo que tem como agenda a introdução de DI nas escolas. Meyer é também professor na Christian Palm Beach Atlantic University, uma “universidade” teológica e conservadora.

Sternberg aparece no filme como um “mártir” da causa da liberdade de expressão, que “ousou” apresentar um ponto de vista diferente do “consenso sinistro” que são os defensores do new-darwinismo, e que por causa disso foi perseguido, perdeu o emprego, e está agora em desgraça. O próprio Sternberg diz ao apresentador do documentário que foi considerado como um “terrorista intelectual”.

Parece bastante mau. Não parece?

Sternberg é ele próprio um membro da Sociedade Internacional para Complexidade, Informação e Desenho, que promove DI, assim como é editor de um jornal criacionista chamado Occasional Papers of the Baraminoly Study Group, que defende a interpretação literal do génesis como descrito na bíblia. Sternberg autorizou a publicação do artigo de Meyer sendo ele o único revisor do mesmo artigo, apesar de essa não ser a sua especialidade. Isso provocou uma reacção de rejeição por parte do resto do conselho editorial e cientifico da revista, uma vez que Sternberg violou claramente o procedimento de revisão e publicação de artigos nessa revista.

Quanto á acusação de “perda de emprego”, Sternberg, em 2004 estava a chegar ao final de um período de 3 anos em regime de colaboração com o Smithsonian National Museum of Nautal History. Essa colaboração nem sequer era renumerada, Sternberger era um “investigador associado” sem vencimento.

Só mais um exemplo.

É apresentado à audiência mais um caso de perseguição e exclusão do meio académico de alguém que “teve a coragem de expor uma ideia diferente”. Guilermo Gonzalez, não conseguiu tornar-se efectivo na Universidade de Iowa. E claro que no filme, ele é apresentado como mais uma vitima “no alto altar da intolerância científica” porque teve a coragem de escrever um livro a favor de DI chamado “O Mundo Privilegiado”.

Mais uma vez, o mínimo de pesquisa sobre estes assuntos mostra outra falsidade por parte dos cineastas. Gonzalez quando entregou o pedido de ascenção na carreira, não tinha o número mínimo de publicações científicas necessárias, não tinha desenvolvido nenhuma investigação de qualidade, e tinha conseguido duas bolsas de estudo (um número ridículo para uma universidade Americana), sendo uma das bolsas para escrever o respectivo livro, atribuída pelo… Discovery Institute.

O outro tema do filme, que o Darwinismo leva ao ateísmo, comunismo, fascismo, e inevitavelmente ao Holocausto nazi, enquanto uma visão do mundo baseado numa agente sobrenatural religioso leva ao desenvolvimento de liberdade, justiça e the American way, é rebatido aqui e aqui, e aqui, aqui, e aqui,

Mas para terminar, se a FOXNEWS, o bastião do conservadorismo e dos valores cristãos na imprensa Americana) não gostou do filme, está tudo dito.

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