Gott mit uns.
Por Ricardo Silvestre • 10 Abr, 2008 • Categoria: Internacionais, Notícias“A Igreja Católica Apostólica Romana na Alemanha admitiu sobre qual a extensão do seu envolvimento na criação de uma rede de trabalho forçado durante a Segunda Grande Guerra.
Um relatório agora divulgado diz que 1000 prisioneiros de guerra, e á volta de 5.000 civis forma forçados a trabalhar para os Nazis, e que estas pessoas foram disponibilizadas por cerca de 800 instituições Católicas por toda a Alemanha.
“Não deve ser mais esquecido que a Igreja Católica “tapou os olhos” por demasiado tempo a qual era o destino de homens, mulheres e crianças em sofrimento de toda a Europa, e que foram enviados para a Alemanha para campos de trabalhos forçados”, disse o Cardeal Karl Lehmann, o Bispo de Mainz.
A Igreja Protestante já admitiu também ter ajudado os Nazis a encontrar pessoas para os campos de trabalhos forçados.”
Ver aqui.
A razão de colocarmos esta notícia no PORTAL não tem tanto a ver com as opções das duas igrejas em questão. Não podemos saber se isto foi feito de livre vontade, se os “colaboradores” religiosos foram forçados ou não, ou se havia qualquer maneira, em tempo de guerra, de estas instituições se rebelarem contra o jugo nazi.
É só, e mais uma vez, para desmistificar a ideia que o nazismo era um sistema ateísta. O nazismo era apoiado numa “religião de sangue”, neste caso, da pureza do sangue ariano, onde os próprios alemães eram descendentes de deuses, mas igualmente era apoiado em concordatas com a igreja católica e com a protestante, que nunca hesitaram em estar ao lado (ou pelo menos a “fechar os olhos” como disse o cardeal) dos nazis.
Mas nunca se disse que o regime nazi era ateísta na sua essência…. mas sim por mitos pagãos, através de vários símbolos cristãos misturados… daí degenerou para um ateísmo práctico.
Zefiro
Se quer usar a expressão “ateísmo prático” vai ter de explicar melhor o que é que isso quer dizer.
RS
Ateísmo prático define-se por viver como se Deus não existisse. São termos usados na filosofia contemporânea.
Bem, então o teísmo prático deverá, segundo o mesmo raciocínio do Zefiro significar “viver como se Deus existisse”. Ou então “viver como se a Moby Dick existisse”. Ou ainda “viver tendo como mulher-a-dias o Sasquatch invisível”!!!
Interessante esse seu termo usado na filosofia contemporânea.
Cumprimentos!
O Manuel Lopes não estudou bem a lição.
Teísmo consiste em crer num Deus impessoal.
Zefiro
A sua definição é inconsequente.
O ateísmo define-se sempre por “viver como se deus não existisse”, não há ateísmo prático, ou teórico.
E você contradiz-se ao dizer que “nazismo era na sua essência um culto pagão misturado com símbolos de cristianismo,” mas ao mesmo tempo “degenerou para um ateísmo prático”… que é viver como se deus não existisse?
O nazismo tinha crenças enraizadas no paganismo, com referências oportunistas (acedo) à liturgia católica e protestante (perseguição aos Judeus por exemplo). Mas, principalmente, nunca teve como “motor” da sua ideologia política um “ateísmo prático” mas sim uma ideologia de conquista de terrenos, recolocação de “indesejáveis”, pureza da raça, domínio sobre outros povos.
Zefiro a 10 Abril, 2008 às 6:46 pm:
O Manuel Lopes não estudou bem a lição.
Teísmo consiste em crer num Deus impessoal.
Não! Isso é deísmo. Teísmo é um deus pessoal, que responde a preces, que supervisiona e protege o crente.
Talvez me tenha explicado mal: o ateísmo prático e teórico existe como conceito filosófico. Mas (devia ter explicitado), o ateismo prático, embora não tivesse sido o motor ou matriz do nazismo, foi a sua consequência lógica.
Quando ao teísmo e deísmo, tem razão, baralhei-me… lol
Obrigado pela correcção.
Vá lá, Zefiro, agrada-me que consiga admitir os erros. Gostava que mais visitantes do site da “equipa contrária” tivessem a sua postura. Oviamente que estou a tecer-lhe um elogio.
Já agora, não costumo colocar comentários acerca de matérias das quais não sou conhecedor…lol. Embora também me engane, claro!
Bem-haja!
Manuel Lopes,
acho que não é nada extraordinário admitir erros.
É acima de tudo uma postura intelectual: acuse-me de falta de modéstia, mas penso que a inteligência passa pela humildade.
Zefiro.
Já deu para perceber que não vamos concordar com a sua tese, sobre o “ateísmo prática” ter sido uma “consequência lógica” do nazismo.
Eu entendo o seu ponto de vista, mas acho que está incorrecto, por razões históricas, sócias, e políticas. O ateísmo não foi uma consequência de a Alemanha ter seguido uma doutrina nazi. Os nazis não eram agentes de ateísmo, nem justificavam as suas acções como em defesa do ateísmo. Hitler não era um ateísta, nem nunca apresentou o nazismo como um sistema ateísta, ou com objectivos de promoção do ateísmo.
Fico-me por aqui na minha argumentação. Mas agradeço-lhe a atenção.
RS
PS. Gostava de ver o Zefiro a condenar veementemente a linguagem utilizada em certos comentários por leitores do sítio que se dizem “cristãos.
Ricardo,
Mais uma vez repito que o ateísmo não era o fio condutor do nazismo. Desejada ou indesejadamente, foi a sua consequência, devido ao vazio espiritual criado pela cultura nazi, que perdurou no pós-guerra.
Eu acredito em Deus.