Quando as comadres se zangam…

A RTP acabou de passar uma peça jornalística chamada “A Cruz e o Compasso”.

Basicamente, viu-se um desfile de queixas da Maçonaria contra a Igreja Católica e vice-versa, mas sempre de “mão estendida” para diálogos, entendimentos, negociatas.

Outra observação engraçada é a “dança” de aproximação e ao mesmo tempo de distanciamento que fazem uns dos outros: acreditam em coisas semelhantes, mas que não são iguais; defendem as mesmas coisas, mas de formas diferentes; tem os mesmos dogmas, mas com roupagens distintas.

De qualquer maneira, e não implicando só com os Maçons, (que afinal almejam morrer e renascer como Jesus Cristo), a estrela da peça foi mais uma vez o Sr. Carlos Azevedo, porta-voz da Comissão Episcopal Portuguesa. Das várias pérolas com que brindou os espectadores, registei as seguintes:

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“(…) O Estado vêm para o debater com a Igreja com um laicismo velho e antiquado.”

“ (…) não existe liberdade de educação em Portugal, e isso pode ter a ver com a Maçonaria, uma vez que durante o regime de Salazar a educação foi entregue a este grupo, e ainda hoje pode ter uma acção de impedir a entrada da Igreja nas escolas” (Ao que um tal de António Reis, Grande Mestre de uma Loja qualquer [não deve ser de uma loja dos 300 de certeza] respondeu que “nós? Nós não! O Salazar tirou esse poder que tínhamos e colocou-a sobre as ordens da Igreja”)

“A sociedade é religião. Um Estado que represente os cidadãos tem de respeitar estes fenómenos. Tem de respeitar a liberdade religiosa e a liberdade de educação”.

E ainda houve o momento onde o Sr. João Alves, da Diocese de Coimbra, disse que o “laicismo é uma ameaça devido à precariedade da consciência dos cidadãos.”

E mais uma vez, isto passa na televisão Estatal, com toda a impunidade. Sem qualquer critica jornalística ou enquadramento cultural. Aparentemente a RTP não se incomoda que tenha padres a chamar os Portugueses de burros, ou que acusem o Estado de má fé, ou que tenha a Igreja ou a Maçonaria a discutir quem é que deve ter o monopólio da educação em Portugal.

O país que temos, a imprensa que temos.

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