Em poucos minutos, Carl Sagan diz-nos quase tudo o que precisamos de saber.
É difícil para mim compreender que quem consiga realmente entender o que Carl Sagan nos diz ainda tenha o descaramento de falar em deuses.
Este é um vídeo com o qual gosto de “perder” algum do meu tempo de tempos a tempos. De cada vez que o vejo, acho que cresço um pouco mais e ganho um maior respeito por tudo o que a humanidade significa, sem sobrenatural, sem fantasias, sem sem dogmas.
Eis o ponto azul-claro…
[video]http://www.youtube.com/watch?v=p86BPM1GV8M[/video]
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“É difícil para mim compreender que quem consiga realmente entender o que Carl Sagan nos diz ainda tenha o descaramento de falar em deuses.”
O Universo teria de ser pequeno para Deus existir?
E se o Universo fosse pequeno resolveria a questão? Não! O ateu simplesmente diria ” se Deus fosse todo poderoso teria feito um Universo maiorzinho…” ou algo do género.
Essa minha afirmação não tem a ver com a dimensão do universo mas, isso sim, com a “dimensão” da Humanidade no mesmo.
Deus, de acordo com as escrituras, não é exactamente aquilo a que eu chamaria de modesto. Logo, teria, certamente, escolhido um papel mais relevante no todo do universo para a sua espécie de eleição. Digo eu…
Já vi que para o Hélder a noção de Deus só existe nas escrituras….o Hélder não consegue conceber uma visão mais pessoal de um criador do Universo.
De qualquer maneira, como temos evoluído tecnologicamente, caminhamos certamente para um papel mais relevante no todo do Universo.
Caro João Ribeiro,
Para mim a noção de Deus não passa de um conceito criado pela Humanidade. Que muitas vezes esse conceito seja utilizado de uma forma pessoal e outras de uma forma bíblica é uma questão que, sinceramente, não me diz respeito. É óbvio que tem que ser quem tem necessidade de justificar a crença nesse conceito a definir qual das formas lhe quer atribuir.
Para mim é irrelevante; ou Deus só é um – e aí teria que ter a sua forma bem definida, não sujeita a critérios exteriores – ou é vários, consoante a forma suportada por quem nele crê. Aí, então, já estamos numa espécie de politeísmo singular! Tratar-se-á, eventualmente, de um milagre da multiplicação, quiçá?
Um abraço.
Fair enough, um abraço e ainda bem que está de volta ao activo.
De acordo com a badalada fórmula de Frank Drake:
N = R * Fp * Ne * Fl * Fi * Fc * L
Onde:
N – Numero de civilizacões na galáxia cujas emissões electromagnéticas possam ser detectadas.
R – Taxa de formação de estrelas de longa duração como o nosso Sol.
Fp – Fracção dessas estrelas com planetas.
Ne – Numero de “Terras” por sistema planetário.
Fl – Fracção desses planetas onde a vida se desenvolve.
Fi – Fracção desses planetas onde a inteligência se desenvolve.
Fc – Fracção desses planetas onde a tecnologia se desenvolve.
L – Tempo de vida médio de uma civilização capaz de comunicar electromagneticamente.
Por aquilo que se sabe sobre os vários factores, incluindo o polémico Fl, a grande incógnita reside em L.
Tendo a nossa Via Láctea cerca 80 mil anos-luz de diâmetro, se admitirmos que uma civilização consiga durar cerca de 1 milhão anos – o que já é surpreendente tendo em atenção as inevitáveis mutações que ocorrem na vida tal como a conhecemos e a tendência que poderão possuir para a auto-destruição, como a nossa – aponta-se para que o número de civilizações capazes de produzir sinais electromagnéticos inteligíveis “neste momento” seria na ordem das dezenas de milhares só na Via Láctea.
Apesar do esforço do projecto SETI – actualmente inteiramente privado – ainda não se apanhou traços inequívocos de transmissões de origem inteligente – digo inequívocos pois já se detectaram uns sinais suspeitos mas destituídos de qualquer padrão reconhecidamente inteligível.
Uma explicação militar básica, é que as civilizações tecnologicamente avançadas são cautelosas e estão todas somente à escuta como nós – exceptuando uma mensagem propositada e tímida (de 1679 bits) emitida de Arecibo em 1974 exactamente por Sagan e Drake.
Se nós a recebecemos, muito naturalmente seria considerado apenas um fenómeno estranho ou uma qualquer malfunction, pois nunca mais foi repetido.
Outra explicação bem mais “triste”, é que a fórmula de Drake peca por raciocinar em termos médios, assim como se estivéssemos algures a meio do jogo.
Ora como alguma civilização tem de ser a primeira da multidão de civilizações que se espera que existam e cujo tempo de existência se interssecte com outras, o “galo supremo” seria a nossa civilização ser exactamente uma das primeiras de todo este processo.
Não é provável que estejamos sós neste ponto azul.
… a não ser que sejamos um dos primeiros… o que acaba por tornar “as coisas” um bocado mais “tristes e monótonas”….
João Ribeiro,
É bom estar de volta ao activo.
Abrasivus,
Obrigado por ter trazido uma perspectiva sobre a qual eu nunca tinha pensado: a possibilidade de sermos os primeiros! Sem dúvida que se trata de uma questão a considerar dadas as discrepâncias temporais entre os fenómenos astronómicos, geológicos, biológicos e culturais. Essas discrepâncias são tais que sociedades tecnológicas poderiam até nunca ser contemporâneas umas das outras.
Embora, de facto, essa perspectiva pudesse tornar “as coisas” mais “tristes e monótonas”, não deixaria de ser um desafio servirmos de bitola.
Obrigado a ambos.
Não sou ateu, posso-me definir antes como deísta, mas relativamente aos ateus creio que é mais o que nos aproxima do que o que nos separa pelo menos na nossa relação com a sociedade em que estamos integrados.
Já há algum tempo que visito este portal e confesso que me sinto bem aqui.
Relativamente a Carl Sagan, ele foi aquilo a que eu chamo um Ser Humano superior. Já tive o prazer de ler a maior parte dos seus livros e é sempre com uma sensação de alegria e de admiração que olho para o Universo e para a Humanidade como um todo, após cada leitura.
Pena que nos deixou tão cedo. Pena que mentes tão lúcidas como a dele sejam tão poucas!
Sotnas
O que acontece quando se juntam três mentes brilhantes para uma conversa? Podem encontrar aqui a resposta:
http://www.youtube.com/watch?v=ev2873fu_Cc
Lucas Samuel,
Obrigado pela hiperligação juntando três mentes brilhantes, duas delas que já não estão entre nós, pois creio que o Stephen Hawking ainda vivo. Estou certo ?
Três mentes brlhantes. Mais poderiam haver se não fosse, como diz o Sagan, os próprios pais não estimularem as crianças a interrogarem-se sobre tudo o que as rodeia.
Que saudade de ouvir esse Ser Humano Superior que muito admiro chamado Carl Sagan, que coragem a do Hawking apesar de todas as suas limitações físicas e finalmente o Clarck que nos deixou há tão pouco tempo e que, confesso, é dos três o que conheço pior.
Pode-me aconselhar alguma leitura do Clarck de que tenha conhecimento ?
Sotnas
Sotnas,
Não sei se gosta de romance, mas se a resposta for positiva, então aconselho-lhe o inevitável “2001:Odisseia no Espaço”. Caso não goste de romance, dentro do âmbito dos assuntos do portal, veja se puder o diálogo (talvez demasiado ameno!:) entre Clarke e C.S. Lewis em “From Narnia to a Space Odyssey : The War of Letters Between Arthur C. Clarke and C.S. Lewis”
Cumprimentos.
Caro Lucas Samuel,
Muito Obrigado pelas suas sugestões.
Cumprimentos
Sotnas
Caro Helder Sanches,
Estive a reflectir no assunto e penso que tem toda a razão sobre assumirmos “desafio da bitola”.
Com efeito, o que seria verdadeiramente triste e monótono – sem aspas – era fazermos parte das últimas civilizações antes do Big Rip ou do Big Crunch,… e sem conhecermos ninguém…
Como o nosso Sol aparenta ser uma estrela de 2ª ou 3ª geração (*), penso que não é o caso.
Por outro lado, sermos apanhados a “meio do jogo” com dezenas de milhar de civilizações por aí, concerteza que iríamos sofrer do estigma de sermos uma civilização inferiorseca e quase “naturalmente escravizável”, o que acabaria por dar cabo da nossa auto-estima enquanto espécie (…e logo a nós, que nos deu tanto trabalho durante milhares de anos a ascendermos a predadores de topo!…)
Mais uma vez, como o nosso Sol aparenta APENAS ser uma estrela de 2ª ou 3ª geração (*), também penso que não é o caso.
Finalmente, se formos das primeiras civilizações a aparecer…
Bom…
Primeiro que tudo, vamos ver se nos aguentamos por cá…o que vai difícil tendo em atenção alguns extremismos fundamentalistas que andam por aí…
E se o conseguirmos, já passamos a ser candidatos a servirmos de uma bitola decente a seguir.
Vendo bem, até acaba por ser o melhor cenário de todos, e espero sinceramente que sim!
Cumprimentos
Nota (*):
Entende-se geração estelar como todo o processo a formação da estrela desde o início da condensação de gases de uma nebulosa, até à sua morte no colapso de gigante vermelha para anã branca (como o nosso Sol vai morrer) ou como supernova (como qualquer estrela com uma massa inicial superior a cerca de 3,5 vezes a massa do Sol e com Ferro no seu interior).
Como no nosso sistema solar existem elementos apenas produzidos em supernovas – todos os que possuam um número atómico superior ao do Ferro, como o Ouro ou o Urânio – o nosso Sol, é no mínimo de segunda geração pois formou-se de gases oriundos da morte de outra estrela de curta duração em supernova.
Desde o Big Bang, já houve tempo para a existência de entre duas a quatro gerações estelares que contribuiram para a formação de estrelas de longa duração com todos os elementos possíveis como a nossa, pelo que, em média, fazemos parte de um sistema solar de 3ª geração.