E onde está o espírito crítico Português?
Por Ricardo Silvestre • 1 Abr, 2008 • Categoria: Opinião“O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga diz que “o Estado democrático não pode ser militantemente ateu” (…) e acrescentou que o Estado tem que “reconhecer, respeitar e procurar satisfazer a opção dos cidadãos a quem proporciona as condições necessárias para viver a sua religião, respeitando as outras crenças”.
Continuação deste artigo, inspirado nessa notícia.
Onde está a imprensa Portuguesa quando se diz uma coisa destas em Portugal?
Porque é isto apresentado no jornal da noite como mais uma reportagem, onde se mostra o que o presidente da Conferência Episcopal “tem a dizer ao país” e se passa para a próxima notícia, neste caso, futebol (isto aconteceu na RTP, que vi por acidente – nem imagino nos outros canais)?
Sendo uma conferência de imprensa, onde estão as (necessárias) perguntas após esta declaração por parte dos jornalistas ? Faltara-lhes a imaginação? Deixo aqui algumas sugestões.
“Senhor Ortiga, quando diz que um “Estado democrático pode ser militantemente ateu” tem algum exemplo de uma democracia que siga uma politica de “ateísmo de Estado” para nossa referência? Ou está simplesmente a dar uma opinião fundamentada em teorias religiosas?”
“Senhor Ortiga, quando diz que um Estado deve “reconhecer e respeitar a opção dos cidadãos” em questões de crenças, importa-se de dar exemplos de falta de liberdade religiosa ou de associação, que sejam imputáveis ao Estado Português.”
“Senhor Ortiga, quando diz que o “Estado deve respeitar quem proporciona as condições necessárias”, pode enumerar circunstâncias onde o Estado não proporciona essas “condições necessárias”? Podia se calhar, descrever quais são para si as “condições necessárias” para o desempenho dessa defesa de crenças?”
Claro que podia colocar aqui mais 3 perguntas iguais a estas. Mas já me fiz explicar. Acredito que o que falta não é a imaginação, mas sim a coragem. Ou, e compreendendo a posição dos jornalistas, as indicações superiores para ter essa coragem e esse espírito crítico.
O que para mim é inacreditável é, um sistema baseado em relatos do primeiro século, em crenças fantasistas e não provadas, num “poder superior” que não se manifesta nem se contacta, e num livro escrito por homens ignorantes e dogmáticos, queira definir politicas nacionais, exigindo ao Governo da Nação que seja tido em conta quando se trata de decisões de um Estado laico.
E ninguém se insurge contra este estado de coisas? Ninguém protesta contra toda esta reverência e vassalagem, por parte da imprensa, por parte dos políticos, por parte dos intelectuais?
Já chega, por favor. Depois de 4 anos nos Estados Unidos, onde vi qual a sede de poder e de influência dos cristãos na sociedade, vejo agora a mesma histeria e demagogia nos católicos Portugueses.
Por essas e outras coisas é que mantenho a televisão desligada e livros do meu gosto abertos.
Tens toda a razão Bruno. Mas isso sou eu e tu, e outras pessoas que têm bom senso.
Mas imagina “as massas” a absorver este estilo de conteúdo: não filtrado e não enquadrado.
Faz-me ter muito receio.
R
Aproveitando que falaste sobre a laicidade em Espanha, e a diferença abismal que existe com a laicidade católica portuguesa deixo aqui um exemplo de como se comporta um governo democrático em presença de afrontas religiosas à Democracia. Zapatero em resposta aos ataques católicos à democracia espanhola.
http://www.youtube.com/watch?v=GDv9Ea0T2hY
Bruno,tenho lido a … que tens escrito neste portal e noutros sites e deixa-me dizer-te que não passas um satanico que não faz outra coisa na vida que denegrir a igreja os catolicos e Deus.
E acabei por constatar após alguma pesquisa que de facto, todo este ataque se deve há tua ligação ao satanismo.
Eu pergunto,não acreditas em Deus, mas acreditas em satanás…? És livre de escolher os caminhos por onde queres andar,mas não achas que o ataque cerrado que fazes a Deus e a Jesus Cristo é uma ofensa aos catolicos?
Eu se fosse catloco ou cristão,não sei se te deixava dizer estas parvoices que tu tens vindo a dizer, sob a capa da liberdade de expressão…Quanto a uma frase que disseste de que “sou um genio intelectual”..quero-te dizer que é muito provavel que o inferno esteja cheio de gente como tu…O melhor é comecares aprender a gritar…
Não resisto a esta diatribe.
O suplemento Tabu (título bem adequado!), do semanário Sol, da semana passada, publica um artigo intitulado «Comungar sem glúten».
Refere o artigo que «comungar pode dar direito a lesões intestinais, anemia, infertilidade e muitas outras maleitas». E isto porque a hóstia é feita com farinha de trigo, que contém glúten e há por aí muita gente alérgica ao glúten. Os portadores de doença celíaca, por exemplo, não suportam o glúten.
Fácil de resolver, diria qualquer ateu inteligente.
Errado.
A igreja católica, neste como noutros assuntos, é inflexível! A hóstia representa o corpo do Senhor e «as hóstias sem glúten são impróprias para a comunhão», segundo um documento de 1995, da Congregação da Doutrina da Fé, cujo perfeito era, então, Joseph Ratzinger, o actual Papa.
Que fazer, então?
É que um católico que não engole o Senhor regularmente, não é católico, não é nada.
Mais uma vez, fácil de resolver.
Segundo o padre Peter Siltwell, director da faculdade de Teologia da Universidade católica, citado pelo jornal, «ninguém está a ser excluído do sacramento. Quem quiser pode comungar através do cálice sagrado. É o que faço na minha capela.»
Então, mas o cálice sagrado contém vinho. Vamos dar vinho, por exemplo, a uma criança?
Por que não? diz o senhor padre. «É só uma quantidade mínima, umas pequenas gotas».
Portanto, para o padre Stilwell, não faz mal nenhum dar um pouco de vinho a beber a uma criança. O vinho é o sangue de Cristo, está abençoado - logo, não é um mau exemplo, não é incitamento ao consumo de álcool, não é condenável.
Enfim, o raio que os parta.
Agora, confesso que a ideia de um católico alérgico ao Senhor não me sai da cabeça.
(in: http://www.ocoiso.net)
risos. Alérgico.
As melhoras rápidas da alergia.
RS