Para quem está mais atento à “guerra surda” que se passa em vários locais do mundo (com o apogeu, claro, nos Estados Unidos) entre criacionistas e pessoas inteligentes (sim, porque exclui-se à partida a faculdade de pensamento racional e critico quando se diz que alguém acredita em criacionismo) sabe da nova “polémica” sobre o filme Expelled.
Nesta nova época de multimédia, os ataques renovam-se por parte desta corja de fanáticos e mentirosos.
Este filme está a ser apresentado em círculos muito restritos nos Estados Unidos, e é um filme sobre a “perseguição de cientistas que ousam por em questão a Teoria da Evolução das Espécies, e tentam apresentar teorias alternativas ao aparecimento e desenvolvimento, tanto do cosmos como da raça humana.” Na verdade, o filme não é mais do que propaganda criacionista, e ainda por cima manipuladora e com falta de escrúpulos. Por exemplo, o Prof. Dawkins e o Prof. Myers foram convidados a dar entrevistas para um filme sobre “desenvolvimento científico”, para depois verem as suas entrevistas a serem distorcidas e incluídas neste filme.
De qualquer forma, o pior vem a seguir.
A certo momento do filme, o “apresentador”, o intragável Bem Stein, visita os campos de concentração Nazis, e defende-se no filme que “evolução leva ao ateísmo, que leva à teorias de limpeza étnica, o que causou o Holocausto na Alemanha Nazi”.
Os criacionistas (e os demais religiosos) gostam do argumento que Hitler usou teorias sociais Darwinistas para provocar o genocídio de Judeus, mas a verdade é que Hitler usou como argumento principal o facto de os Judeus serem detentores do poder económico que o Reich tanto almejava para poder iniciar a sua campanha de conquista na Europa.
Mais grave que isso, o próprio Hitler usava muitas vezes uma linguagem religiosa para apresentar os seus argumentos, tanto no livro “Mein Kampf”, como em discursos públicos (como no filme “o Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl).
A Evolução das Espécies de Darwin é uma teoria científica que, tal como a evolução ela própria, pouco se interessa com a mesquinhez do pensamento humano. É idiota dizer que existe maldade inerente a uma teoria, e que pode promover atrocidades. Uma imbecilidade destas é a mesma coisa que dizer que, a teoria da gravidade é um caminho para o mal, porque me faz cair do topo de um prédio se eu não tiver cuidado.
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Já cansa esse argumento chavão do “Hitler e Stalin eram ateístas, nha nha nha…”. Por favor! Vão ler um bocadinho de história para ver se aprendem alguma coisa. Como eu até sou bom rapaz, para os fãs do “Hitler era Ateu”, vou aconselhar dois livrinhos muito elucidativos: 1) “Hitler’s Table Talk 1941-1944” – as conversas íntimas de Hitler apontadas por Martin Bormann. 2) “Hitler and the Power of Aesthetics” de Frederic Spotts – o qual mostra bem qual era a verdadeira religião de Hitler: a arte! (e se quiserem confirmar esta tese, também podem consultar os escritos da única e verdadeira “alma-gémea” de Hitler: Albert Speer) Se quiserem, leiam igualmente as biografias do Ian Kershaw ou do Joachim Fest; no entanto, isso só vai fazê-los perder tempo com pormenores políticos e militares.
Eu sei que muitos devem estar a pensar: “arte?” então e o “Estado”? Ora isso é que é interessante; para Hitler, a suprema Obra de Arte só poderia realizar-se por via de um projecto de Estado: compreendem agora as festividades teutónicas, as maquetas arquitectónicas de Berlim, as óperas de Wagner, a filosofia de Nietzsche, os museus em Linz, o ataque aos Modernistas nas exposições de “Arte Degenerada”, etc., etc.? Para Hitler, a Arte deveria ser total! E o Estado deveria reflectir essa totalidade. Uma totalidade feita à imagem das suas convicções artísticas. Esqueçam lá o ateísmo, a religião ou o que quer que estejam a pensar! Hitler estava noutra!…
Ricardo, eu sinceramente NÃO aconselho “Mein Kampf” ou o “Triunfo da Vontade” para PERCEBER Hitler: tanto um como outro documento, são obras de propaganda destinadas às massas; não reflectem esse “programa íntimo” planeado por Hitler: o primeiro, é “Nietzsche recauchutado para o povo”, o segundo, apesar do seu brilhantismo visual e cinematográfico, documenta apenas as actividades do “Hitler público” (em toda a sua pose deificada), escondendo qualquer traço de um eventual “Hitler íntimo”.
Hitler e Darwinismo Social?! Por favor! Coitado do Darwin…deixem lá o homem em paz e não misturem alhos com bogalhos…
PS: Gostei da analogia com a teoria da gravidade, Ricardo. Muito bem apanhado:)
Viva,
Admira-me que vocês ainda não tenham feito referência aqui à sequela do Expelled, o Sexpelled!
Isto é que é criatividade…:-) É das coisas mais hilariantes que vi nos últimos tempos.