Opinião de um Novo Ateísta (parte2)
Por Ricardo Silvestre • 17 Mar, 2008 • Categoria: Opinião
Alguns dos crentes, nomeadamente aqueles que se assumem como “líderes de processos” acreditam que uma revelação divina os comanda a perseguir uma vitória religiosa, mediada pela sua fé e assegurada pelo seu deus pessoal. Esse é um processo disruptivo para a coesão social.
Pior ainda, certas instituições religiosas não aceitam as distinções entre objectivos seculares por parte de uma sociedade e a “salvação espiritual” que advêm da própria crença. Certos grupos religiosos chegam mesmo a propor que as interpretações dos seus sistemas de crença devem ser a “última palavra” no que se trata de questões morais, judiciais ou de decisões macro-politicas.Os Novos Ateístas (NA) tentam criar um ethos social onde é cada vez maior a descrença e a oposição a estes líderes religiosos e instituições religiosas. Os NA não acreditam (ou recusam a acreditar) na utilização de actos coercivos por parte de instituições reguladoras, mas reservam-se ao direito de participar agressivamente na “arena” das ideias e do debate, de forma a expressar a preocupação (e o descontentamento quando se justificar) sobre temas que são considerados por nós como prejudicais a esta geração e às próximas.A verdade é que, o ateísmo secular está sobre ataque, talvez devido a ganhos significativos a nível social, individual, filosófico e científico. Como tal, ainda há muito para fazer para se poder continuar o combate às tentativas de retorno ao obscurantismo. Estas tentativas de imposição de sistemas baseados em crenças irracionais deve ser robustamente combatido. Esse combate passa pela demonstração, (vez após vez) que estes sistemas de crença não tem qualquer base concreta onde se possam apoiar. As provas de existência de uma entidade capaz de processos criativos “divinos” são inexistentes, os “milagres” em que se apoiam são sistematicamente demonstrados como ilusões, e os argumentos de intervenção de um deus sobre a natureza humana não resistem a qualquer escrutínio científico. Como tal, não se deve respeitar aqueles que tentam ter importância a nível de tomadas de decisões políticas porque são “os representantes” desses sistemas. A esperança dos NA é que a religião se transforme num sistema de apoio para quem a procure, e que progressivamente perca a influência, autoritarismo e apelo à crença dogmática no sobrenatural, num mundo a que todos pertencemos.
Artigos relacionados
Tags: novo ateismo, progresso, racionalidade