Cruzada ao piercing
Por Bruno Miguel Resende • 16 Mar, 2008 • Categoria: Cultura, Discriminação Religiosa, Juventude, Nacionais, Notícias, Psicologia & SociologiaO Dia Internacional do Consumidor veio acompanhado de parvoíce, de divina estupidez e de descriminação irracional, Renato Sampaio, deputado do Partido Socialista, quer proibir piercings na língua, na boca, em todo e qualquer lado excepto nas orelhas, proibindo também alguns materiais usados em confecções de piercings, como ouro e prata.
O cruzado Socialista defende que: “Um jovem pode gostar e decidir fazer uma tatuagem sem medir as consequências, mas terá de ficar com ela para sempre.”, razão simplesmente magnificente, coisa nunca antes pensada por quem decide fazer uma tatuagem, Renato Sampaio descobre a pólvora e quem nada percebe da temática bate palmas. Razões de saúde também invocadas pelo autoritarista, afinal parece que ele é que é dono dos corpos, e que decide o que um individuo pode ou não fazer com o seu próprio corpo.

Daniel Sampaio também quer proibir tatuagens e piercings a menores, coisa que até parece minimamente razoável, até ser comparada com certas questões. Primeiramente assume que qualquer pessoa com menos de 18 anos é irresponsável, e que os seus pais ou encarregados da sua passagem a adulto também não o são, ou seja, o Estado quer ultrapassar a liberdade pessoal e a tutela dos pais com os seus autoritarismos irracionais e discriminatórios. Comparando com um caso aberrante, o baptismo, uma criança recém-nascida é obrigada a seguir uma religião, a irresponsabilidade paternal e estatal extrema e ditatorial, um recém-nascido não faz a mínima noção das suas convicções, mal aprendeu a chorar e já lhe estão a impor leis e normas absurdas, seguindo-se catequeses e desvarios múltiplos, dilaceração total de um individuo que não tem meios para saber o que quer, e a quem é imposto tudo e mais alguma coisa com conivências totais do Estado.
A protecção dos menores é uma incrível hipocrisia política, a maioria é atirada aos leões católicos antes de sequer conseguir andar, muito, mas muito antes de conseguir, minimamente, pensar. Invocar a menoridade em termos de liberdade pessoal é incrivelmente demagogo e vácuo, é permitido obrigar menores a converterem-se ao Catolicismo, e agora é proibido ser permitido a menores usar piercings e tatuagens? As lógicas não batem certo, e o contexto assume níveis divinos de parvoíce.
Parece-me indiscutível a enorme discriminação a que pessoas que usam piercings e tatuagens estão sujeitas, desde barreiras de titânio no mercado de trabalho, até preconceitos sociais quotidianos de uma sociedade alicerçada em construtivismos cristãos, passar as discriminações a leis é, no mínimo, estúpido e demente.
Quase todos os povos e culturas integravam em si o uso de piercings e tatuagens, facto incontornável da História da Humanidade, algo que não surge por acaso, muitos dos povos nunca sequer tiveram contacto espacial e temporal com outros povos, e os piercings e tatuagens aparecem como emanação cultural inata ao Ser Humana, e as razões são mais que muitas, culturas mortas, abafadas, sofredoras de genocídios culturais cristãos, e eis que as coisas tentam parecer aquilo que não são, a realidade tenta ser aquilo que não é, e as pessoas encarregues de difundir realidades e formas de melhor socialização Humana trazem mentiras, estupidez, hipocrisia e vendas de banha de cobra, para além de tentarem a todo o custo esmagar toda e qualquer anomia social, todo e qualquer inconformismo, toda e qualquer contra-cultura, as coisas são o que são, a concretude das coisas vale mais que politicas religiosas em permanentes curto-circuitos.
Foi em 787 que a Igreja Católica baniu a tatuagem, com o argumento sempre poderoso e racional, “é coisa do demónio”, um grão de areia na discriminação e genocídios cristãos, as fogueiras também baniram tatuagens em churrascos humanos, os povos das Américas foram dizimados por serem demónios ou amigos deles, ou enviados do Diabo, não é por acaso que Astecas, Maias, Incas, e muitos outros povos das Américas usavam tatuagens e piercings, o normal nas civilizações Humanas é uso desses adornos e não o contrário. As mentiras sobre estes fantásticos povos ainda flutuam no ar, bárbaros e atrasados, seguidores dos demónios e coisas afins, entre muitas coisas que se podem dizer, fica a alusão de que os Astecas possuiam a quarta maior cidade do mundo quando as evangelizações chegaram, e com elas os genocídios Humanos e culturais, mas as raízes dos povos florescem e as vozes dos que não tiveram voz ganham vivacidade, e uma pergunta que emana nestas deambulações poderá ser a seguinte, afinal quem eram os bárbaros?

Nativo da Papua Nova Guiné
Talvez os mais concretos dados sobre as tatuagens e piercings na antiguidade nos remetam até ao Antigo Egipto, onde há cerca de 6000 anos se faziam tatuagens, e onde coisas como piercings no umbigo eram identificadores de realeza e beleza, factos evidenciados por imensas provas arqueológicas. Os Maias usavam tatuagens e piercings variados, tanto por motivos religiosos, como pela estética e beleza, como por indução de medo aos inimigos pelas formas e cores com que adornavam os seus corpos. Desde os nativos da Nova Zelândia, passando pelo Alasca, pela Polinésia Francesa, quase todas as civilizações possuem tatuagens e piercings como emanação cultural, religiosa e pessoal.
O Hinduísmo, provavelmente a mais antiga religião viva, também possui os adornos corporais com múltiplos significados, desde posição social, beleza, estado matrimonial, entre muitos outros. Um dos mais importantes festivais Hindus dedica-se imensamente ao piercing, na celebração do nascimento de Muruga, o mais novo dos filhos do deus Shiva, Thaipusam é o nome da cerimónia que ocorre na Singapura.

Mulher Hindu no Festival religioso de Thaipusam na Singapura.
Outro dado interessante, Ötzi, a múmia mais antiga descoberta até à data, encontrada perto da fronteira entre a Áustria e a Itália, com mais de 5000 anos de idade, possuia piercings nas orelhas e cerca de 57 tatuagens. E muito mais se poderia dizer sobre este tema fantástico e mágico, muito se poderia deduzir sobre o fenómeno presente na Humanidade, e não como soma de partes, mas o objectivo é meramente fornecer algumas luzes sobre a temática e não escrever um volumoso livro.

Gravura Maori de um rosto tatuado, povo nativo da Nova Zelândia.
O projecto de lei do Partido Socialista é uma clara tentativa de genocídio cultural, de discriminação com bases legais, de interferência atroz nas liberdades pessoais que foram a tanto custo conquistadas. A luta é contra o preconceito, e não contra as vítimas dos preconceitos. Será minimamente racional proibir um Hindu de fazer piercings no seu corpo quando existe uma coisa chamada Lei de Liberdade Religiosa? Cada um é livre de fazer aquilo que bem entender a si mesmo desde que não interfira na liberdade de ninguém, e este projecto de lei interfere barbaramente nas liberdades pessoais.
As proibições da Igreja Católica relativamente aos adornos corporais oriundas de 787 já foram mortas e enterradas, e assim devem ficar eternamente.
Olá Bruno,
Também concordo que seja uma aberração a posição do Renato Sampaio.
Agora o que me faz comichão, é você não delegar a confiança aos pais em questões de ensino religioso, mas já o fazer na questão dos piercings…
Estamos num país onde a aparência conta. Se formos à Noruega, Suécia ou Inglaterra podemos ver um punk cheio de adornos a trabalhar num balcão dos correios. Por cá provavelmente veremos (em grande proporção) sempre as mesmas pessoas carrancudas, mas bem vestidas.
Os aldrabões deste país andam todos de fato e gravata, pudera!
«Essa estória dos piercings é tudo uma ganda treta!»
Admito que senti algum alívio depois de ter ouvido este desabafo da minha sobrinha.
Entretanto, e enquanto estupidamente tentava manter um sorriso na minha face, entreti-me a tentar dissecar o porquê da descarga de endorfinas que o meu o cérebro sofreu depois de interpretar aqueles fonemas tranquilizadores.
Penso que será trivial para um psicólogo ou sociólogo catalogar esta reacção.
Mas para mim, que tive uma educação profundamente católica, e que digamos, me sinto mais à vontade noutras áreas de conhecimento, hesito em atribuir a razão de tal descarga endorfínica a:
- Identificação com a minha cultura e valores herdados dessa mesma educação – onde a única excepção admissível e até normal era a perfuração das orelhas em recém-nascidos femininos.
- Identificação com um qualquer valor cultural posteriormente adquirido sobre a preservação do corpo – desde não fumar a praticar exercício físico regular, o que acaba por, inconscientemente ou não, sublimar a integridade e originalidade do mesmo.
- Ou muito provavelmente a um misto das identificações anteriores com pesos diferenciados e de ponderação a determinar.
Em termos mais gerais, quando se reflecte sobre a capacitação etária na auto-responsabilização, versus, a legitimidade de autorização dos encarregados de educação sobre a “marcação” ou “mutilação” física, é visível e compreensível que a discussão seja complexa até porque se trata de um tema relativamente novo e marcado por tabús culturais enraizados e por isso mesmo muitas vezes não reconhecidos.
O espectro da liberdade indivídual de um menor é juridicamente fácil de definir, mas muito difícil de o enquadrar com justeza do ponto de vista do primeiro interessado.
Concretizando com um exemplo próximo:
A minha sobrinha de 15 anos quis colocar um piercing no umbigo.
A minha cunhada disse “ok” mas com a apresentação escrita dessa pretensão em três momentos no decorrer de seis meses com o intuito de filtrar qualquer impulso menos reflectido:
- Uma declaração escrita e formal no início dos seis meses, a segunda quando quisesse, e a terceira no final do periodo de ponderação.
Este do período de reflexão aparentemente obteve alguns frutos pois no seu final, já não manifestava qualquer interesse na colocação do piercing.
Seria legítimo e prático do ponto de vista legislativo impôr um periodo de reflexão para menores na obtenção de uma licença de colocação de piercing através de uma loja do cidadão, por exemplo?
Ou essa burocracia adicional apenas iria fomentar a clandestinidade do negócio cada mais rentável dos piercings e tatus, com todas as implicações conhecidas a nível de saúde pública?
PS: A minha sobrinha acabou por o colocar um ano depois sem dizer nada a ninguém….
O que se esquecem estes senhores engravatados e “poderosos” que querem mudar as leis, é que o simples facto de existir a pribição para os adolescentes, vai aumentar a percentagem pelo menos para o dobro, dos putos que fazem piercings e tatoos, e mais… vão aumentar também pelos menos para o dobro as infecções provocadas por estes trabalhos mal feitos, porque ao proibir, estes jovens deixam de ter acesso aos sítios onde se prestam este tipo de servilo em segurança!!! Aliás a partir da proibição será muito mais “radical” ter um brinco não sei onde…
Claramente, faz parte do crescimento de qualquer pessoa… ou como se diz, vulgarmente, testar os limites!
No meio desta estória toda…crianças, liberdades, Estado, autoridade… eu só tenho uma pergunta a fazer:
PARA QUE SERVEM OS PAPÁS E AS MAMÃS?
Mas há ainda alguém que se engane em relação ao espírito “controleiro” do actual Governo? Estão decididos a proibir tudo, vedar tudo, restringir tudo, legislar sobre tudo.
Hoje, na rádio, ouvi a notícia de que esta parvoíce, afinal, já não ia para a frente. Pelo menos nos mesmos moldes. Pode ser que passe, como outras taradeiras dos últimos tempos…
E como se a igreja estivesse por detás disto! Bah.
V, a igreja está por detrás de tudo o que há de mau, e se não tiver arranja-se uma maneira de estar :).
Bruno,
No meio desta confusão toda, não me tinha apercebido de que o seu texto dos piercings conseguia a proeza de falar mal da Igreja Católica, mesmo numa questão absurda que foi levantada apenas pelo Partido Socialista, cujo actual governo não é propriamente conhecido por ter grandes simpatias pela religião…
«A protecção dos menores é uma incrível hipocrisia política, a maioria é atirada aos leões católicos antes de sequer conseguir andar, muito, mas muito antes de conseguir, minimamente, pensar.»
Exactamente a que é que se refere? Leões católicos?
É gira a piada, numa eventual alusão ao atirar dos mártires cristãos aos leões por parte dos romanos?
Deverá estar a falar do baptismo. Ora toda a gente sabe que, se é possível mudar o nome que os nossos paizinhos nos deram, é também fácil mandar um documento de apostasia à nossa paróquia de baptismo para renegarmos a fé cristã. Qual é a sua ideia? Criar mais uma lei, outra lei, outra limitação, para proibir o baptismo das crianças?
É essa a sugestão?
E, já agora, para elucidação geral, gostava de saber como é que encontrou essa data de 787 para a interdição da tatuagem por parte da Igreja…
Cumprimentos,
Caro Bernardo, vamos aguardar a resposta.
“cujo actual governo não é propriamente conhecido por ter grandes simpatias pela religião”
Mas já se esqueceram que este governo mandou retirar os símbolos religiosos das salas de aula, ou que referendou outra vez o aborto… etc..
Mas quando as pessoas querem inventar conspirações, não vale a pena…
João Ribeiro, eu não deleguei nem deixei de delegar confianças, apenas elaborei uma comparação que fornecesse clarividência acerca de posturas políticas e sociais aberrantes. Nessas comparações existem termos incomparáveis se quisermos colocar plausibilidade em determinadas acções, é idiota obrigar um recém nascido a seguir um rumo religioso, assim como é idiota proibir adultos de serem donos dos seus corpos. E na comparação feita temos os incomparáveis das idades e das responsabilidades, certamente que um recém-nascido não faz ideia alguma daquilo que são as suas convicções, pouca consciência tem de possuir consciência, enquanto que um adolescente de 16 anos pode ter muito mais responsabilidade e conhecimento da concretude das coisas que a grande maioria dos adultos. Campos excessivamente relativos para eu poder ter qualquer alusão absolutista sobre o que deve ou não ser feito, as coisas tal qual me são apresentadas podem de facto ser absolutamente repudiadas da mesma forma com que se afirmam absolutistas. Prefiro o bom-senso e a racionalidade a leis.
Cumprimentos.
RJ, quando vou ao Continente pergunto-me se são pessoas que ali trabalham ou autómatos, não existe um único traço de personalidade externa, algures na Sonae deve existir uma fábrica de clonagem. Quem sabe, um dia, depois de proibirem emanações pessoais externas, obriguem ao uso de fatos e gravata, mediante as cores que achem politicamente mais apropriadas. Se o Orwell andasse por cá iria-se sentir um profeta.
Cumprimentos.
Bernardo, se o Partido Socialista não tem simpatias pela religião católica então não percebo porque é que já o vi em cerimónias oficiais a afastar moscas da cara, uma espécie de ritual católico em que dizem que fazem cruzes imaginárias à frente do rosto, muito estranho para um país laico, e se calhar, se analisarmos a Constituição até concluimos que… é proibido. Esses amores…
Ao falar em leões não me passou pela cabeça os eventos de diversão com leões e pessoas, muito menos com cristãos, que eu saiba também lá iam parar carecas, pessoas que não gostavam de cebola, pessoas que cheiravam mal dos pés, pessoas cristãs, não me parece que os Romanos fossem muito selectivos, então os leões não o eram certamente. Mas com tantos mártires cristãos pela História, é fácil concluir que se eles não fossem mortos hoje já se tinha evangelizado o sistema solar todo. Nativos evangelizados à força e mortos porque eram demónios, quando o feitiço é contrário às vontades dos feiticeiros lá vem o culto do martírio. Uma postura algo infantil no meu entender.
É fácil renegar a fé cristã com papeladas? E recompensam-me pelas avultadíssimas horas que perdi em parvoíces cristãs? Se me derem o tempo que perdi nesses desvarios ou me recompensarem através do sempre divinizado dinheiro meto já papelada. É que se não, nem vale a pena perder ainda mais tempo com essas maluquices. Apostasia, que palavra tão requintada, acho que a vou requerer para o meu curriculum.
Relativamente ao ano de 787, penso que deveria estar melhor informado que eu. Sétimo Concílio Ecuménico nos tempos de Adriano, o primeiro. Parece-me espanto com tamanha alusão? O Levítico já dizia, “Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o senhor.”, e já se sabe que nas lides cristãs as coisas são levadas muito a sério. Uma espécie de dor de cotovelo para com a magnificência egípcia, os corpos belos e adornados, a sensualidade e os cultos à sexualidade Humana, as sumptuosas maquilhagens e aromatizações de perfumes vários, tanta emanação artística e vibração Humana. Mas apareceu esse tal de senhor, muito poderoso, tão poderoso que deixava os seus seguidores morrerem às bocas dos leões em Roma como os outros, provavelmente arrancaria umas gargalhadas mais sádicas nas plateias, um senhor tão poderoso que nada consegue fazer perante bichanos a petiscar fiéis, um bocado incompetente esse senhor a meu ver.
Cumprimentos.
P.S.: Não me esqueci da temática pendente, embora a passagem do tempo o pareça antever, ao menosprezar leituras e escritas diagonais rapidamente se caí nas pouco apetecíveis pendências…
Bruno,
Queria só lembrar-te que em relação a toda essa história dos “cristãos lançados aos leões”, havia quem retirasse prazer dessas abominações, nomeadamente…os cristãos! Eles adoravam ser despedaçados! Experimenta ler um conjunto de cartas escritas pelo bispo Policarpo de Esmirna (70-160) no caminho para o martírio. É uma autêntica gema de auto-flagelação (e nós sabemos bem como os cristãos adoram flagelar-se).
Não gosto de piercings, nem de tatuagens, nem de pastéis de nata, nem de polvo, nem de fado.
Gosto de bolos de bacalhau, de peles lisas, de bifes, de Vivaldi e dos U-2.
Para se divertirem com martírios aconselho “La Planète des Saints” de François Reynaert,
Bruno,
«Bernardo, se o Partido Socialista não tem simpatias pela religião católica então não percebo porque é que já o vi em cerimónias oficiais a afastar moscas da cara»
Se o Primeiro Ministro opta por fazer o gesto da cruz, isso é lá com ele. Não questionando se tal gesto é ou não sincero (sei lá da fé do PM!), penso que não tem que ser visto como ofensivo. Deverá uma pessoa ocultar a sua fé pessoal em actos públicos? Será que o PM, ao fazer o gesto da cruz, está a fazer em nome de todos os portugueses? Duvido… É que podemos ver a coisa ao contrário: será que um PM que não faz o gesto da cruz está a fazê-lo em nome de todos os portugueses? Será Portugal uma nação ateia para que o PM não faça os gestos da religião da maioria dos portugueses? Nestas questões, o melhor é respeitar a liberdade individual de cada um, mesmo do PM…
Não me parece que um sinal da cruz seja um gesto de Estado!!
«Ao falar em leões não me passou pela cabeça os eventos de diversão com leões e pessoas, muito menos com cristãos»
OK, era só porque parecia que o animal tinha sido escolhido a dedo!
«É fácil renegar a fé cristã com papeladas? E recompensam-me pelas avultadíssimas horas que perdi em parvoíces cristãs? Se me derem o tempo que perdi nesses desvarios ou me recompensarem através do sempre divinizado dinheiro meto já papelada. É que se não, nem vale a pena perder ainda mais tempo com essas maluquices. Apostasia, que palavra tão requintada, acho que a vou requerer para o meu curriculum.»
Mas que culpa tem a Igreja nisso, Bruno?
Se o Bruno foi levado à missa pelos seus pais, e foi baptizado pelos seus pais, ou por outro familiar, e está irritado com isso, sabe bem a quem se há-de queixar! Aos ditos!
Se foi levado enquanto adulto, então suponho que tenha sido um acto livre!
De onde é que vem a indignação contra a Igreja? Acaso a Igreja o obrigou a ir? Acaso obrigou os seus pais, ou outro familiar, a levá-lo a qualquer acto religioso?
Essa questão do baptismo das crianças, eu encaro com a naturalidade como encaro a atribuição de um nome: os pais não perguntam à criança recém-nascida que nome quer ter: dão-lhe um nome e pronto. Eu também planeio baptizar os meus filhos sem lhes perguntar se querem: faço-o porque quero dar-lhes o melhor, segundo os meus critérios; mais tarde, quando crescerem, são livres de rejeitar o cristianismo que eu lhes planeio dar. Espero que não o façam, mas não tenciono limitar a sua liberdade ou autonomia.
«Relativamente ao ano de 787, penso que deveria estar melhor informado que eu. Sétimo Concílio Ecuménico nos tempos de Adriano, o primeiro.»
Não duvido da datação do Concílio, que está certíssima. Mas não sabia que esse Concílio tinha lidado com a questão das tatuagens. Já agora, só por curiosidade, podia dar-me a fonte onde encontrou este dado? Não estou a contestar nada, só gostava de saber mais, porque desconhecia tal facto. Na minha fonte do costume para estas coisas dos concílios não vejo nada:
http://www.newadvent.org/cathen/11045a.htm
«Parece-me espanto com tamanha alusão? O Levítico já dizia, “Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o senhor.”, e já se sabe que nas lides cristãs as coisas são levadas muito a sério.»
Sim, mas o Levítico também lida com a circuncisão, e os cristãos não estão obrigados a essa prática judaica. E, por isso mesmo, fiquei curioso quanto a essa proibição cristã contra as tatuagens, que desconhecia. Não é que eu tenha especial apetência por tatuagens, mas também não vejo mal nenhum nelas.
«Uma espécie de dor de cotovelo para com a magnificência egípcia, os corpos belos e adornados, a sensualidade e os cultos à sexualidade Humana, as sumptuosas maquilhagens e aromatizações de perfumes vários, tanta emanação artística e vibração Humana.»
Não percebo em que é que se baseia para escrever isto: se abrir o Cântico dos Cânticos, livro que faz parte da Bíblia, encontra lá isso tudo. O cristianismo não demoniza o sexo: apenas disciplina-o, civiliza-o e associa-o ao amor. O sexo irresponsável e sem compromisso aproxima-nos dos animais. O sexo responsável e com compromisso leva-nos ao amor verdadeiro e aproxima-nos de Deus.
«P.S.: Não me esqueci da temática pendente, embora a passagem do tempo o pareça antever, ao menosprezar leituras e escritas diagonais rapidamente se caí nas pouco apetecíveis pendências…»
Não me esqueci!
Quando tiver tempo, não há pressas.
Um abraço
Bernardo
Plenamente de acordo Sr Bernardo
«Essa questão do baptismo das crianças, eu encaro com a naturalidade como encaro a atribuição de um nome: os pais não perguntam à criança recém-nascida que nome quer ter: dão-lhe um nome e pronto. Eu também planeio baptizar os meus filhos sem lhes perguntar se querem: faço-o porque quero dar-lhes o melhor, segundo os meus critérios; mais tarde, quando crescerem, são livres de rejeitar o cristianismo que eu lhes planeio dar. Espero que não o façam, mas não tenciono limitar a sua liberdade ou autonomia.»
Se me permite só lhe acrescentaria que: O que está em causa é o binómio liberdade versos responsabilidade, o Pai dá toda a liberdade ao filho; inclusivé para o filho rejeitar o Pai e tornarem-se orfãos na clandestinidade, a adquirirem uma identidade falsa, fazendo-se passar por AtéEUS, alguns até mesmo, quando ainda crianças imaturas e irresponsáveis.
Cumprimentos
Cirilo
E para quando a resposta do bruno ao Bernardo? Não deixa também de ser ironico que um anarca como o bruno faça alarde da constituição mas enfim. Pretenso defensor das liberdades individuais este bruno se podesse proibia a religião católica, salva-nos a evidência de que o bruno jamais será alguém com qualquer género de autoridade e será o falhado que é. E já agora bruno, vê se acabas de o teu curso pois já estás há mais de 10 anos na universidade e para além de estoirares o dinheiro dos outros e ocupares as vagas de outros candidatos demonstras o burro que és pois hoje em dia com este modelo de educação o difícil é chumbar, com a tua idade, eu e muita gente já tínhamos o curso e trabalhávamos há já 4 anos.
Caro Bernardo, não se despeça de brunos com abraços, rapazolas como o bruno tratam-se adequadamente para ficarem no respectivo lugar.
Ana, não me lembro de lhe ter pedido qualquer tipo de opinião sobre a minha vida pessoal, aliás, prezo apenas a opinião de quem não seja um completo idiota, o seu caso ao que se afigura, pessoa de divina estupidez e de santificada ignorância. Diria mais e melhor, uma literal besta reles preocupada com a vida de outros por ter uma vida vácua, desinteressante e fútil, tudo aquilo que é contrário a mim. Não me costumo deter nestes comentários de mentecaptos dementes, mas com a presença de tempo morto e de vontade de passar um atestado de incompetência a alguém, detenho-me no seu caso.
Por partes, façanhas da minha pessoal, desportivas são várias, duas vezes campeão nacional e internacional pela selecção portuguesa num campeonato Europeu, entre variadíssimas outras coisas, profissionalmente, administrador de redes de uma Federação, entre muitíssimas outras coisas, ensino, um volume bastante significativo de diplomas e cursos, alguns provenientes da Universidade de Barcelona, artisticamente, participação em mais de uma dezena de livros, um livro editado o ano passado, este ano será mais um, no mínimo, uma infíma parte de uma vida cheia e repleta de conquistas, de vivacidade, de esplendor, não aludirei a conjecturas sexuais, poderia deixá-la ainda mais frustrada do que aquilo que já é.
Falou em Anarquismo, será que sabe o que é? Geralmente fala-se do que se sabe, pois senão mais vale estar calado, sujeição óbvia a um atestado de incompetência intelectual, irei passá-lo seguidamente:
1- Qual a sua posição relativamente às teorias morais de procura de prazer próprio de Piotr Kropotkin?
2- Qual a sua posição relativamente às críticas de Michel Foucault relativamente às construções sociológicas anarco-sindicalistas de Noam Chomsky?
3- Qual a sua opinião sobre a perspectiva de Noam Chomsky sobre os organismos de comunicação social?
4- Quais foram as ténues discrepâncias entre o anarquismo social e o surrealismo artístico?
5- Qual o enquadramento da Ciência da estrutura organizativa de uma sociedade na perspectiva de Bakunin e qual a sua opinião sobre a mesma?
Meras perguntas básicas sobre o Anarquismo, espero uns dias ou emito-lhe já um atestado de incompetência intelectual?
Se o comentário seguinte for da mesma ignorância e estupidez que o anterior, cuidarei da minha intelectualidade e deixarei-a como uma foca, a urrar e a bater palmas.