De José Tolentino Mendonça em” Entender o silêncio de Deus”
“Mas, em todos os relatos da Paixão, as palavras culminantes são aquelas que aparecem na boca do próprio Jesus: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»; «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito»; «Tudo está consumado»; «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?» (ou «Meu Deus, Meu Deus a que me abandonaste?», como preferem algumas traduções recentes). Claramente, o destinatário das palavras de Jesus não é um confidente qualquer: é o próprio Deus. E o modo como Jesus o evoca, chamando-o «Pai» e «Meu Deus», confere ao diálogo uma densíssima intimidade, tanto mais paradoxal quanto a cruz é vista como maldição e, a sua, uma morte reservada aos infiéis. Jesus afronta, assim, não apenas o silêncio dos homens, mas também o aparente e inexpugnável silêncio por parte de Deus. A cruz desconcerta como uma aporia intransigente. Somos chamados a contemplar o mistério de Deus e o do Homem no mais devastador dos silêncios que o mundo conheceu. Mas desse, precisamente, partirá o “grande levantamento”, a “radical insurreição” pascal.”
Ver aqui.
Para além da natural conclusão que um pai, verdadeiramente preocupado com o seu filho nunca o deixaria passar pelas (supostas) atrocidades que este Jesus passou, é a falta de resposta, este “inexpugnável silêncio por parte de Deus” que faz qualquer um pensar que não havia “ninguém do outro lado” da comunicação, mas sim um vazio que se justifica facilmente quando se lê o texto de opinião da Ana Valente. Leiam o ponto nº4 ou nº5 para se ver que, este pode ter sido mais um caso (alias, frequentes na altura) de pseudo-messias, ou ilusões de divindade ou de grandeza.
E já para não falar na capacidade que os crentes têm de transformar qualquer falta de prova naquilo que acreditam, como uma prova daquilo que acreditam. A ausência de deus dá mais forças para se acreditar nele. É o efeito “Teresa de Calcutá”.
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Para delírio de muitos, DeEUS nunca saiu de mim, encarnou em Cristo e regressou, daí que:
«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito»; «Tudo está consumado»; «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?» ou «Meu Deus, Meu Deus a que me abandonaste?»