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Por Ricardo Silvestre • 11 Mar, 2008 • Categoria: Discriminação Religiosa, Internacionais, Notícias

Traficantes de droga, os obscenamente ricos, os poluidores ambientais e os cientistas genéticos “manipuladores” cuidado com as vossas almas.

Depois de 1.500 anos, o Vaticano actualizou os “sete pecados mortais” adicionado outros sete para uma época de globalização. Esta nova lista, publicada no L’Osservatore Romano foi publicado ao mesmo tempo que o Papa lamentou-se pela “diminuição na importância dada ao pecado no mundo secularizado de hoje”. O Papa também está preocupado com a diminuição do número de católicos que se confessam.

Os pecados mortais que são defendidos pelo Vaticano são aqueles que sejam “uma grave violação aos Dez Mandamentos ou às Beatitudes, incluindo assassinato, contracepção, aborto, mentira, adultério e luxúria.

O Bispo Gianfranco Girotti, director da Apostolic Penitentiary, que é a organização no Vaticano que atende às confissões disse que “novos pecados apareceram no horizonte da humanidade devido a um processo imparável de globalização”. O Bispo disse igualmente que “não se ofende Deus apenas ao se roubar, dizer blasfémias ou por se desejar a mulher do vizinho, mas também por se destruir o ambiente, executar experiências científicas que são moralmente ambíguas, ou permitir manipulações que alterem o DNA ou que comprometam um embrião.” Finalmente, o Bispo disse que pecados mortais são também o acto de consumir ou vender drogas, ou a acumulação excessiva de riqueza por alguns.

Ver aqui.

Lindo!

Por onde começar?

1. A tentativa ridícula de acompanhar os tempos por parte da ICAR. Como se deus tivesse falado pelo telefone celestial e tivesse expressado preocupação com a falta de ozono na atmosfera, ou com a utilização de células estaminais para combater as doenças, que para todos os efeitos, ele mesmo deixou acontecer na sua “criação”.

2. Para o Sr. Ratzinger, todos os males do mundo se justificam com a “secularização da sociedade”. Por este senhor, e pelo resto da pandilha que o acompanha, era o regresso à Idade Média e à teocracia católica.

3. Qualquer pessoa que está a ler estas linhas era capaz de pensar em 3 ou 4 actos hediondos que seriam muito mais importante de condenar por parte da ICAR do que andar a fornicar a mulher do vizinho, ou a usar um preservativo enquanto o faz. Que tal em tolerar as diferenças de pensamento ou de natureza sexuais? Que tal não fazer mal a crianças? Que tal não bater na esposa? Que tal não mal tratar animais?

4. A “acumulação excessiva de riqueza”. Oh boy!!! Então é todo o Vaticano que está condenado ao Inferno. Tem de se criar um novo circulo na obra de Dante para acomodar todos estes pecadores. 

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10 Respostas »

  1. Terão efeitos retroactivos?

  2. Viva! Temos novos pecados!

    Ora… se “novos pecados apareceram no horizonte da humanidade devido a um processo imparável de globalização”, e dado que Deus comanda os destinos do mundo, é lógico que, assumindo-se esse processo de globalização como “imparável”, Deus assim o deseja; logo, Deus planeou o aparecimento de novos pecados desde o princípio dos tempos. Gostava de lembrar aos senhores bispos que a globalização também trouxe esses satânicos fenómenos do table dancing e do peep-show…não se esqueçam de incluí-los na lista.

    Em relação ao fenómeno dos traficantes de droga e dos obscenamente ricos, compreendo que só agora se tenham lembrado disso: paz à alma do nosso querido arcebispo Paul Marcinkus & Comp.

    Quanto aos cientistas genéticos, acho muito bem! Imaginem que algum dia essas criaturas tenebrosas se lembram de clonar bispos e cardeais?Catastrófico!

    Ricardo, disseste que todo o Vaticano estava condenado ao Inferno devido ao excesso de acumulação de riqueza; só que eu chamo a atenção para uma nuance da frase: ”acumulação excessiva de riqueza por alguns”. POR ALGUNS! Não TODOS! Parece-me portanto, que os senhores bispos que virem a sua declaração de IRS aceite por São Mateus, esse padroeiro dos contabilistas, podem ficar descansados.

    O que eu não percebo muito bem nesta história é a questão dos poluidores ambientais…não andam todos à espera do apocalipse?! Para quê adiar a vinda do Senhor??

    Este pessoal do Vaticano não anda lá muito concentrado…

  3. Todo este caso dos novos pecados mortais não resiste a uma boa análise crítica. Então Deus só agora se lembrou de que estas acções são pecado ?

    É preciso os católicos andarem muito distraídos para ainda aceitarem uma idiotice destas.

    Lear

  4. Tem efeitos retroactivos e proactivos…
    E as velhinhas que deixam a moedinha na cestinha ao domingo?
    estão a contribuir para o enriquecimento de alguns…
    umas pecadoras… umas pecadoras!
    Nunca enganaram ninguém!!!
    Eu sabia, eu sabia!

  5. Ricardo Silvestre, este post vem hoje citado no Público, página 2 do caderno “P2″, secção “Blogues em papel”.

  6. Isto realmente é preso por ter cão e preso por não ter… Se a Igreja mantém as regras de há milhares de anos atrás, é porque é muita antiquada e é ridículo as pessoas seguirem essas ideias de tão antigas que são… Se a Igreja faz um esforço para manter a moral nos novos tempos… também é ridículo…resumindo qualquer coisa que a igreja faça é ridícula.
    Depois claro que essas medidas não foram trazidas por Deus, mas a maior parte dessas medidas ( a questão da manipulação genética é mais complicada) podem ser bastante úteis, podem ajudar até a diminuir a criminalidadem países fortemente religiosos, como o Brasil.

    Depois a história da riqueza do Vaticano também é muito engraçada… o Vaticano o que tem de riqueza é muito mais histórica, em termos de museus, Igrejas , património basicamente. Para além de que grande parte das verbas são usadas em instituições de caridade e manutenção do património… não são para os padres…
    Mas se acham que vão ficar ricos, se forem para padres, força.. Depois convidem-me para a vossa casa na praia ;).

  7. Caro RJ, muito obrigado pelo aviso.

    Vaidade, como diz o “diabo” no filme “O Advogado do Diabo” (maravilhosamente representado por Al Pacino) ” é verdadeiramente, o meu pecado favorito”.

  8. Cuidado Ricardo…

    Agora vais ter os gajos do Opus Dei no teu encalce…:)

  9. Não há nenhuma lista de novos pecados. Como em tudo, é sempre bom ir à fonte e ver o que é que se disse de facto. Tratar estes temas ao estilo dos tablóides é sempre má ideia.

    Aqui fica a entrevista que deu origem à falsa polémica…

    Vaticano: Sem lista de novos pecados
    Texto integral da entrevista ao Bispo Gianfranco Girotti publicada no jornal L’Osservatore Romano

    A notícia que correu mundo nos últimos dias, sobre uma “nova lista” de pecados mortais/capitais baseia-se numa entrevista do Bispo regente do Tribunal da Penitenciaria Apostólica, D. Gianfranco Girotti, ao jornal do Vaticano L’Osservatore Romano.
    Não se trata, como foi noticiado, de um decreto do Vaticano, mas de uma peça do jornalista Nicola Gori, que leva como título “As novas formas do pecado social”.

    Entrevista na íntegra

    L’Osservatore Romano (OR) – A Penitenciaria Apostólica parece um objecto misterioso para opinião pública, bem como para uma boa parte dos fiéis.

    D. Gianfranco Girotti (GG) - O que afirma vai, de facto, ao encontro da realidade. Apesar de ser, hoje em dia, o organismo mais antigo da Cúria Romana – após a supressão da Dataria, em 1967, e da Chancelaria, em 1973 – é pouco conhecido, mesmo por grande parte do clero. O motivo talvez se possa encontrar no facto de a sua actividade fugir da visibilidade que está mais ligada às missões dos outros dicastérios. A Penitenciaria Apostólica, entre os dicastérios da Cúria Romana, é aquela que desenvolve, de maneira directa, uma actividade propriamente espiritual, mais consoante com a missão fundamental da Igreja que consistes na salus animarum.

    É o órgão universal e exclusivo do Pontífice em matéria de foro interno. Recorre-se ao foro interno não só para os pecados, as censuras e irregularidades, mas de forma geral para situações ocultas, como por exemplo dispensas, sanações, convalidações de actos nulos que derivam de circunstâncias ocultas. Examina e resolve, por outro lado, os casos de consciência que lhe são propostos. Resolve dúvidas em matéria moral ou jurídica, quando se trata de circunstâncias ocultas ou de factos individuais concretos.

    OR – Qual é o valor das vossas respostas?

    GG - Trata-se de um valor propriamente de autoridade – segundos os casos, de preceito ou de liberação – apenas para circunstâncias reais e singulares que são propostas e não para os outros casos, mas que pode estender-se às outras respostas como critério de prudência. Isto é, as orientações doutrinais e disciplinares incluídas nas próprias soluções podem ser aplicadas com prudência pelo sacerdote que fez o recurso, por analogia, num âmbito mais alargado, mas em nenhum caso é permitido divulgar estas respostas.

    OR – Ainda tem sentido um organismo como a Penitenciaria a partir do momento em que parece criar problemas a nível ecuménico?

    GG - Parece-me difícil perceber as razões e os motivos objectivos deste suposto mal-estar que a Penitenciaria Apostólica criaria no plano ecuménico. Se se quer fazer referência ao erro historiográfico a respeito do perdão, que no Renaescimento não facilitou, por certo, a correcta discussão ecuménica, bastaria confrontar-se com a recente e rica documentação de estudiosos acima de qualquer suspeita, que fazem emergir muito honestamente as funções deste dicastério, tido como a verdadeira “fonte de graça”, privado de qualquer interesse.

    OR – A atenção ao pecado parte de uma sensibilidade às exigências da sociedade moderna ou move-se na base das referências ao tempo passado?

    GG - A referência é sempre a violação da aliança com Deus e com os irmãos e os reflexos sociais do pecado. Se ontem o pecado tinha uma dimensão sobretudo individualista, hoje ele tem uma valência, uma ressonância, mais do que individual, sobretudo social, por causa do grande fenómeno da globalização. Com efeito, a atenção ao pecado apresenta-se hoje com mais urgência do que ontem, até porque os seus reflexos são cada vez mais amplos e mais destrutivos.

    OR – A Penitenciaria ainda tem utilidade?

    GG - Sem dúvida. Numa época caracterizada pelas imagens e pela publicidade, na qual tudo se torna público, um dicastério como a Penitenciaria Apostólica, atento ao mundo interior, na sua vertente mais delicada e menos visível, é, penso, um instrumento muito precioso no quadro articulado da vida da Ireja.

    OR – Que questões chamam mais a vossa atenção?

    GG - São aquelas que, pela sua gravidade, têm uma absolvição reservada para a Santa Sé: a absolvição do cúmplice em pecado contra o VI mandamento (cânone 1378); a profanação sacrílega do Santíssimo Sacramento da Eucaristia (cânone 1367); a violação directa do segredo sacramental (cânone 1388, 1); a dispensa da irregularidade ad recipiendos Ordines contraída por ter procurado um aborto (cânone 1041, 4); a dispensa da irregularidade ad exercendos Ordines (cânone 1044 1).

    OR – Como interpreta o espanto que a opinião pública sente perante tantas situações de escândalo e pecado na Igreja?

    GG - Não se deve desvalorizar a gravidade objectiva de uma série de fenómenos que foram recentemente denunciados e que levam consigo as implicações da fragilidade humana e institucional da Igreja. A esse respeito, contudo, não se pode deixar de constatar como a Igreja, preocupada pelo grave dano infligido, reagiu e continua a reagir com intervenções rigorosas e iniciativas para tutelar a imagem da própria Igreja e o bem do povo de Deus. Não obstante, é preciso denunciar a enfatização que lhes foi dada pelos meios de comunicação social, que num quadro de mundanização, lançam o descrédito sobre a Igreja.

    OR – Muitas vezes a indulgência da Igreja e o perdão cristão não são compreendidos pelas pessoas. Porquê?

    GG - Hoje parece que a penitência é acolhida como abertura de si ao outro na solução dos problemas que se impõem à atenção dentro de uma faixa social, na qual se exprime a própria existência, oferecendo o seu contributo de esclarecimento, de apoio a quem está em dificuldade. A penitência, assim, vem hoje acolhida sobretudo numa dimensão social, a partir do momento que as relações sociais se enfraqueceram e complicaram, ao mesmo tempo, por causa da globalização.

    OR – Quais são, para si, os novos pecados?

    GG - Há muitas áreas dentro das quais, hoje em dia, vemos atitudes pecaminosas a respeito dos direitos individuais e sociais. Acima de tudo na área da bioética, dentro da qual não podemos deixar de denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, através de experiências, manipulações genéticas, cujo êxito é difícil vislumbrar e ter sob controlo.

    Uma outra área, propriamente social, é a área da droga, através da qual se enfraquece a psique e se obscurecer a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito eclesial. Mais ainda: a área das desigualdades sociais e económicas, nas quais os mais pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, alimentando uma insustentável injustiça social; a área da ecologia, que se reveste hoje de um interesse relevante.

    OR – O recurso frequente às indulgências não incentiva a uma mentalidade mágica em relação à culpa e à pena?

    GG - Para não cair numa tal visão perigosa e falseada, considero antes de tudo que seja absolutamente necessário conhecer e compreender a recta doutrina da prática das indulgências, entendida pela Igreja como expressão significativa da misericórdia de Deus, que vem ao encontro dos seus filhos para ajudá-los a satisfazer penas devidas pelos seus pecados, “mas também e sobretudo para levá-los a uma maior fervor de caridade”.

    A Igreja é movida, em primeiro lugar, pelo desejo de educar, mais do que pela repetição de fórmulas e de práticas, no espírito de oração e de penitência e no exercício das virtudes teologais. A reforma do servo de Deus Paulo VI, levada a cabo com a Constituição Apostólica Indulgentiarum doctrina de 1 de Janeiro de 1967, elimina, de algum modo,aquilo que poderia induzir os fiéis para uma mentalidade mágica. Tal doutrina expõe claramente os pressupostos teológicos das indulgências, trata da solidariedade em vigor entre os homens em Adão e em Cristo, da comunhão dos santos, do tesouro da Igreja, que consiste nas expiações e nos méritos de Cristo, da Bem-Aventurada Virgem Maria e dos Santos, que estão à disposição dos fiéis.

    As indulgências, de facto – é sublinhado – não podem ser adquiridas sem uma sincera conversão e sem a união com Deus, ao que se acrescenta a realização das obras prescritas.

    OR – Não lhe parece que as condições para obter a indulgência sejam leves?

    GG - Se, juntamente com as condições impostas habitualmente – confissão sacramental não além de 15 ou 20 dias antes ou depois, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre – se pensa que para obter a indulgência é pedido um grau de máxima pureza e sinais de ardente caridade, cujo sucesso é difícil para a nossa fragilidade, então considero que quanto é estabelecido não se deva minimizar.

    OR – Existem pecados que vós não podeis absolver?

    GG - A Penitenciaria é a longa manus do Papa no exercício do poder das chaves. Portanto, para realizar as funções que lhe estão confiadas no foro interno, possui todas as faculdades necessárias, tendo como única excepção aquelas que o Pontífice tenha declarado explicitamente ao Cardeal Penitenciário querer reservar para si. Pode, por conseguinte, realizar, no âmbito do foro interno, todos os actos de competência dos restantes dicastérios da Cúria Romana.

    OR – Sobre o aborto há a sensação difusa de que a Igreja não tenha em consideração a difícil situação das mulheres.

    GG - Parece-me que uma tal preocupação não tenha em consideração a atitude que a Igreja, ao contrário, constantemente manifesta em salvaguardar e tutelar a dignidade e os direitos da mulher. São, de facto, múltiplas as iniciativas que organismos católicos e movimentos eclesiais, com empenho corajoso e inteligente, não cessam de promover, com o fim de contrariar as actuais tendências culturais e sociais contra a mulher, ajudando, de maneira eficaz, as grávidas, trabalhando para a educação dos seus filhos lançados ao mundo pela imprevidência e facilitando mesmo a adopção.

    (© L’Osservatore Romano - 9 Marzo 2008)

    TRADUÇÃO: Agência ECCLESIA.

  10. sasa

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