Estudo sobre orações e recuperação de uma operação
Por Ricardo Silvestre • 10 Mar, 2008 • Categoria: CiênciaOrações para melhorar a saúde de pessoas que foram submetidas a uma operação cirúrgica ao coração não têm qualquer efeito, de acordo com um dos maiores estudos científicos alguma vez comissionado para estudar o “efeito da oração”.
De facto, pacientes que sabiam que estavam sobre a “protecção da oração” tiveram um significativo aumento de complicações pos-operatórias.
Este estudo incluiu 1800 pacientes, foi organizado nos Estados Unidos, e custou 2.4 milhões de dólares, tenho sido co-financiado pela John Templeton Foundation, uma organização de cariz Cristão que procura “estudar qual a separação entre teologia e ciência” (alias, numa tentativa continua de esbater essa separação).
Membros de três congregações - St. Paul’s Monastery em St. Paul, MN; a Community of Teresian Carmelites em Worcester, MA; e a Silent Unity, KC, foram instruidas para orar pelos pacientes que foram divididos em 3 grupos: aqueles que sabiam que estavam a ser alvos de orações, aqueles que recebiam orações mas não o sabiam, e aqueles que não receberam quaisquer orações.
Os pacientes foram seleccionados de uma forma aleatória em hospitais dos Estados Unidos e foram distribuídos da seguinte forma: 601 que recebiam orações e estavam informados disso; 604 no grupo dos que recebiam orações e não tinham conhecimento disso, e 597 que não eram alvo de orações.
Os crentes iniciavam as suas orações na noite anterior à cirurgia e nas duas semanas seguintes, com o pedido a Deus para “uma operação bem sucedida, com uma recuperação rápida e saudável e sem complicações”. A operação cirúrgica foi um bypass coronário.
As variáveis dependentes escolhidas foram: “complicações resultantes da operação durante os 30 dias a seguir à operação” e “complicações graves e morte devido à operação”.
O estudo não encontrou diferenças significativas em indicadores de saúde daqueles que não sabiam que estava a ser alvo de orações, e aqueles que não receberam orações. Cinquenta e dois por cento dos pacientes em ambos grupos sofreram complicações depois da cirurgia. No entanto, 59% daqueles que sabiam que estava a ser alvo de orações tiveram mais complicações.
Os autores do estudo disseram que “não encontraram explicações” para esta diferença, a não ser o facto de que, saber que se está a ser alvo de orações pode “ter aumentado o nível de ansiedade sobre a sua habilidade em recuperar”.
Dr Charles Bathea parte da equipa que fez o estudo, tentou apresentar uma explicação baseada em que “os pacientes que estejam a ser alvo das orações podem ficar preocupados com estarem tão doentes que precisam de orações para recuperar”.
A nível de mortalidade, o resultado foi similar para os três grupos.
O estudo pode ser consultado aqui.