Mais hipocrisias

Por Ricardo Silvestre • 6 Mar, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Internacionais, Notícias

O Vaticano decidiu erguer uma estátua em honra de Galileu. E decidiram que o melhor sítio para a mesma seria… perto da cela onde ele foi prisioneiro enquanto estava a ser julgado por heresia. E tudo isto porque a igreja queria que Galileu refutasse as suas conclusões que o sistema solar era “heliocentrico” (que a Terra gira à volta do Sol e não o contrário).

Num toque de hipocrisia extrema, o Vaticano emitiu um comunicado que diz “ A Igreja deseja encerrar o caso Galileu e encontrar um entendimento definitivo sobre, não só o seu imenso legado, como a relação entre ciência e fé”.

Ver aqui

Fica aqui a maneira de operar da Igreja nestes assuntos:

1. Atacar ferozmente com tentativas sistemáticas de destruir o trabalho e a pessoa,

2. Ignorar publicamente ou tentar repudiar o progresso civilizacional que acontece devido ao trabalho dessas mesmas pessoas,

3. Reclamar crédito pelo progresso que a própria igreja tentou sabotar.

“Relação entre ciência e fé”. Uma ofensa a qualquer pessoa com dois neurónios.

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22 Respostas »

  1. Ricardo,

    Sem qualquer espécie de ofensa pessoal, mas o que é que o Ricardo Silvestre leu sobre os processos a Galileu?
    Que obras, que documentos, que referências?
    Não vou fazer a defesa dos processos contra Galileu, porque tais processos foram problemáticos, sem dúvida.
    No entanto, como sempre, o Ricardo Silvestre faz a leitura simplista que toda a gente, hoje em dia faz.

    E há uma correlação gira entre pessoas que fazem uma leitura simplista do caso Galileu e pessoas que nunca leram nada de histórico ou documental sobre os ditos processos.

    Começa logo porque poucos sabem que falamos de dois processos, separados no tempo por algumas décadas, protagonistas diferentes (do lado do Santo Ofício), objectivos diferentes, metodologias diferentes, sentenças diferentes. Sabia?

    Um abraço,

    Bernardo

  2. Que complicação pode haver daquilo que é o ponto mais importante nesta notícia? o Vaticano decidiu elevar uma estátua perto da cela onde Galileu este preso. Para o Bernardo isso é perfeitamente normal, para mim é uma acto de desafio e de mau gosto.

  3. Olá Ricardo,

    A elevação da estátua é perfeitamente normal, e ficará muito bem junto das centenas de estátuas ou bustos erigidos a grandes homens de ciência que qualquer um pode encontrar ao passear pelos museus e jardins da Santa Sé.

    Estas suas palavras, mais uma vez, levam-me a pensar que o Ricardo não tomou ainda contacto com o tema. É um tema difícil, e convém conhecer alguns detalhes importantes. A tendência geral, a leitura simplista do costume, é a de que a Igreja detesta a Ciência, promove o obscurantismo e persegue os cientistas.

    É assim que se costuma ler o caso Galileu. É o que se pode chamar de abordagem “sensacionalista light” ao problema. Note que esta atitude é muito frequente, e se calhar o Ricardo está a cair nela inadvertidamente: quando não conhecemos um assunto em primeira mão, tendemos a repetir o que ouvimos outros dizerem. Inclusive, não é nada raro ouvir estas coisas no Ensino Secundário, da boca de professores ignorantes ou mal-intencionados. Claro está que, nos media, é ainda mais frequente ouvirem-se fantasias sobre o caso Galileu, sem se tomarem em conta os dados reais e factuais.

    Não haveria aqui espaço para o fazer de forma rigorosa e histórica. Vou limitar-me a deixar algumas pistas soltas, por ordem cronológica. Estas pistas baseiam-se nestas exposições mais completas (no entanto, também estas são MUITO resumidas):

    http://www.newadvent.org/cathen/06342b.htm
    http://www.newadvent.org/cathen/04352b.htm

    A bibliografia do caso Galileu encheria páginas. Incluindo os textos dos dois processos. Duvido que 99% das pessoas que gostam de falar sobre o tema tenham sequer lido uma boa obra académica sobre o tema.

    Comecemos por Copérnico, o próprio Copérnico. A tese de que a Igreja rejeitaria Copérnico e a sua obra cai por terra ao considerarmos o seguinte:

    a) A família de Copérnico pertencia à Ordem Terceira de S. Domingos

    b) Nicolau e o seu irmão mais velho, André, seguiram a carreira eclesiástica

    c) a sua irmã mais velha seguiu a vocação monacal e tornou-se Abadessa de Culm

    d) em 1491, Nicolau era aluno da universidade de Cracóvia, obvicamente católica;

    e) o Bispo de Cracóvia envia Nicolau e o seu irmão para estudar para Itália (para Bolonha); Nicolau estudo, entre outras coisas, Direito Canónico;

    f) O concílio de Latrão, de 1514, convocado pelo Papa Leão X, pede a sua opinião técnica relativamente a uma revisão do calendário litúrgico; o constante interesse de Copérnico pelo tema fez com que este contribuisse de forma substancial para a reforma do calendário gregoriano, a acontecer no final do século XVI;

    g) no final da década de 1520, Nicolau torna-se administrador da diocese de Frauenburg

    h) Nicolau terá sido ordenado sacerdote, em data incerta antes de 1537, a julgar pelo facto de que em 1537, o rei da Polónia, Segismundo, coloca o seu nome na lista de possíveis sucessores para o então vago cargo episcopal em Ermlund; se não fosse sacerdote, Nicolau nunca poderia ser elegível para o cargo de bispo

    i) a sua principal obra “De Revolutionibus orblure coelestium”, na qual expõe o modelo que ganhou o seu nome, foi publicada sob pedido insistente de duas figuras notórias da Igreja, o Cardeal Schömberg e Tiedemann Giese, o Bispo de Culm; a obra foi dedicada sob permissão do Papa Paulo III; Copérnico pedira ao Papa a permissão papal para a publicação da obra, na esperança de que esta ficasse mais protegida contra os ataques dos “matemáticos” (categoria que incluía certos filósofos que procuravam ridicularizar o novo modelo), como escrevera Copérnico;

    j) apesar da condenação veemente por parte dos protestantes (Lutero foi impiedoso nas suas críticas à obra e ao autor), do lado católico, nenhum problema durante largas décadas; nenhum Papa, nenhuma Congregação levantou qualquer questão à obra de Copérnico;

    k) em 1597, Galileu, já adepto do modelo de Copérnico, refere que receava apoiá-lo publicamente, mas por temer ser ridicularizado como Copérnico fora por alguns matémáticos e filósofos, e nunca por temer perseguições (o que seria ridículo, considerando o que se escreveu atrás);

    l) em 1611, Galileu é recebido entusiasticamente em Roma; monta o seu telescópio nos jardins do Quirinal, propriedade do Cardeal Bandim; larga multidão, incluindo clero, acorre a ver as manchas no sol;

    Tudo isto se passa antes de qualquer processo movido contra Galileu.
    Em breve, em mensagens seguintes, vou procurar dar mais detalhes sobre o processo, na esperança de que possa ajudar, nem que seja de forma preliminar, a esclarecer as asneiras que todos os dias se dizem sobre a Igreja e Galileu.

    Um abraço,

    Bernardo

  4. Caro Bernardo

    Muito obrigado (sem ironia) pela sua explicação. Apesar de, e como referiu muito bem, essa cronologia ser anterior aos processos movidos pela Igreja contra Galileu.

    Mas responda-me a isto, que é o mais importante, se o Vaticano quer homenagear o cientista, por eles acossado, porque não construir a estatua, por exemplo, nesse jardim que o Bernardo referiu, o de Quirinal.

    Assim ficava o elogio também ao Cardeal que teve a iniciativa de receber Galileu na sua propriedade.

    Mas não, a estatua vai ficar perto de uma cela.

  5. Lamento interromper mas…

    Eu acho que tanto o Ricardo como o Bernardo andam a gastar latim nos pormenores de uma relação que, essa sim, constitui o cerne do problema: um cientista tem de prestar contas a religiosos?

    Sei obviamente que o ataque movido a Galilei aconteceu mais por contornos de ofensa pessoal deste em relação às figuras eclesiásticas do que devido a questões de carácter científico. Mas o problema está logo aí! As relações (mesmo as de etiqueta) entre Religião e Ciência são perfeitamente dispensáveis e a última não tem de prestar vassalagem de qualquer tipo em relação à primeira. Que se meta na sua vidinha: que é a de inventar fantasias! Deixe a realidade para quem sabe lidar com ela.

  6. Caro Ricardo,

    Preciso de um pouco mais de tempo para continuar a cronologia referente aos processos contra Galileu. Só comecei por Copérnico, para se ter a noção do ambiente perfeitamente amigável que sempre se viveu entre a Igreja e os cientistas. A Igreja, pelo poder que então ainda gozava, servia, muitas vezes, de intermediária entre facções científicas opostas. Ficou também claro, espero eu, que o catolicismo não era hostil ao modelo de Copérnico. Essa hostilidade era típica do protestantismo, que fazia uma leitura errada das Sagradas Escrituras.

    Há que recordar que Santo Agostinho, na sua obra “De Genesi ad litteram”, avisando que não há erro nas Sagradas Escrituras, precisava que não era possível nenhum facto da ciência contradizer as Escrituras. Se havia uma interpretação das Escrituras que dava a aparência de contradição com factos científicos, era erro dessa interpretação. Deste modo, Santo Agostinho não tinha que abdicar do carácter sacro das Escrituras, ao mesmo tempo que defendia a necessidade de ter boas interpretações das Escrituras que não chocassem com factos científicos. Agostinho chega mesmo a escrever que qualquer cristão que despreze as verdades da ciência será “motivo de escárnio”.

    Logo, a tradição de diálogo entre Fé e Razão é muito antiga no catolicismo. A Reforma protestante veio mudar esta “paz” que existia na cristandade: Lutero tinha uma grande animosidade pelas filosofias naturais, e advogava um literalismo da Bíblia que era hostil à ciência. Lutero não se preocupava em acomodar as interpretações das Sagradas Escrituras aos factos científicos.

    Por isso, Copérnico era mal visto pelos protestantes. No lado católico, como vimos, sucedia o oposto. Copérnico e a sua obra eram admirados. O astrónomo foi convidado a ajudar o Concílio como perito.

    Regressemos a Galileu…
    Em breve, retomarei a cronologia. Mas para “abrir o apetite”, apenas algumas nuances. O Cardeal Barberini, que foi eleito Papa Urbano VIII, era um excelente amigo e admirador de Galileu. Galileu, como se vê, tinha amigos poderosos na Igreja. Foram esses mesmos amigos que garantiram a Galileu um julgamento bastante respeituoso em 1616. O Papa certificou-se de que o sábio era bem tratado.
    Não é justo falar na “cela” de Galileu. Durante o julgamento de 1616, promovido pelo Santo Ofício (Inquisição), julgamento esse que desgostou o Papa, que não queria ver o seu amigo em problemas, Galileu esteve detido 22 dias apenas, não numa cela, mas sim nos cómodos apartamentos de um oficial da Inquisição. Não havia janelas com grades, entenda-se. Eram os alojamentos privados de um funcionário de alta patente do Santo Ofício. Galileu não era um qualquer…

    No final deste curto processo, Galileu saiu em liberdade, porque ele mesmo jurou ao Tribunal que não ensinaria o modelo copernicano como sendo a realidade, mas sim o ensinaria como sendo um método muito eficiente e adequado de cálculos astronómicos. Note-se que o Cardeal Bellarmino, que conduziu este primeiro processo, era um homem sensato e justo: ele não teria problemas em rever, se necessário, algumas interpretações das Sagradas Escrituras, desde que surgissem provas. Ora é bem sabido que, na altura deste primeiro processo, Galileu não tinha provas concretas e factuais. As suas sugestões, baseadas por exemplo, nas marés, revelaram-se falsas. As marés não são prova de que a Terra gira em torno do Sol, mas sim o efeito da acção gravítica da Lua. Sem a ajuda da obra de Newton, que não fizera ainda a sua aparição na História, Galileu chegou a considerar ridícula a ideia de que as marés seriam explicáveis pela acção da Lua, como alguns sugeriam no seu tempo.

    Independentemente disto, é sintomática a carta escrita ao carmelita Paolo Foscarini, um clérigo matemático, teólogo e fervoroso adepto do modelo copernicano, pelo condutor do primeiro processo, Cardeal Bellarmino, membro distinto do Sacro Colégio, logo após o desfecho do processo:

    «Eu digo que se uma prova real fosse encontrada de que o sol está fixo e não revolve em torno da terra, mas a terra em torno do sol, então seria necessário, com todo o cuidado, proceder à explicação das passagens das Escrituras que aparentam ser contrárias, e seria melhor dizermos que interpretámos mal estas [passagens] do que anunciar que são falsas…»

    Não sei se já reparou, Ricardo, que o Cardeal Bellarmino, que liderava o colectivo que julgou Galileu, está a escrever esta carta a Foscarini, um grande amigo de Galileu, e um dos mais ardentes defensores do modelo copernicano. E Foscarini não foi, obviamente, interrogado nem detido. Estas nuances são importantes, se queremos entender o caso Galileu.
    Muito do caso Galileu, sem retirar os erros que a Igreja cometeu, foram devidos ao feitio tempestuoso do próprio Galileu (que jurava uma coisa e depois perjurava) e às invejas e ódios dos seus inimigos, tanto dentro da Igreja como fora dela.

    Mesmo no segundo processo, ocorrido décadas depois do primeiro, um processo que foi desencadeado apenas pelo perjúrio de Galileu, e com a forte motivação dos inimigos de Galileu, que pressionavam as autoridades eclesiásticas para que Galileu fosse detido, e que culminou com a ordem de prisão doméstica de Galileu, este nunca foi torturado, ou maltratado fisicamente, ou algo que se parecesse. A noção de “prisão doméstica” era muito fluida: Galileu trocou de casa várias vezes, passava temporadas com este ou aquele amigo, apenas tinha que obter autorização prévia para mudar de residência. Isto é, claramente, um ultraje à liberdade pessoal, mas está longe de corresponder à “lenda negra” de que tanto se fala.

    Galileu morreu católico, foi sepultado numa catedral católica, recebeu uma bênção apostólica especial do Papa enquanto estava no seu leito de morte, e teve as honras de sepultura religiosa que são devidas a uma celebridade. Entende agora porque razão é absurdo o Ricardo revoltar-se com esta notícia da estátua? Esta estátua, quanto mais não seja, serve para acordar as mentes preconceituosas: o problema não é entre Igreja e Ciência, o problema é entre Galileu, e os seus inimigos da altura. O caso Galileu ganhou contornos impressionantes, sobretudo após o Iluminismo, quando se quis fazer de Galileu, e de forma artificial, o mártir do anti-clericalismo científico.

    Existiram erros graves na atitude da Igreja, e poderemos vê-los ao detalhe em breve, numa mensagem futura. Foi por estes erros que o Papa João Paulo II (contrariando algumas opiniões em contrário dentro da Igreja) decidiu encomendar uma investigação ao caso, e proclamar oficialmente uma posição de desculpas pelas injustiças cometidas contra a figura de Galileu.

    Mas vamos, de uma vez por todas, e em nome da verdade histórica, deitar fora as mentiras e as falsidades, propagadas só com o intuito de denegrir o catolicismo.

    Um abraço

  7. Caro Lucas Samuel,

    «Eu acho que tanto o Ricardo como o Bernardo andam a gastar latim nos pormenores de uma relação que, essa sim, constitui o cerne do problema: um cientista tem de prestar contas a religiosos?»

    Há uma insistência quotidiana, da parte de muitas pessoas, em escrever frases como “eu acho que…”, e a acharem que todos temos que levar em consideração tudo o que os outros acham.
    Desculpe-me alguma rudeza, mas acho a sua intervenção um pouco insultuosa. Eu não considero que esteja a “gastar o meu latim”, porque senão não gastaria o tempo que tenho que gastar para pesquisar estes factos e sintetizá-los. Só quem nunca fez pesquisa histórica é que pode menosprezar o imenso esforço que é preciso para pesquisar dados fiáveis, triando o que é ou não de confiança, e fazer uma síntese compreensível de um tema histórico complexo e espinhoso. No entanto, o Lucas entra “a matar” a deprezar os “pormenores”, quando são PRECISAMENTE os pormenores que interessam. Conhece algum historiador profissional que não se importe com os “pormenores”? Algum estudioso que descarte os “pormenores”? Algum cientista que possa fazer ciência sem ligar aos “pormenores”?

    Se um cientista tem que prestar contas a um religioso… Depende. Se tem que prestar contas ENQUANTO cientista, penso que não. No entanto, se esse cientista for, ele mesmo, uma pessoa religiosa, há certas contas a prestar. E se, mesmo sendo ateu, esse cientisa usar o seu trabalho científico para fazer teologia (ou “ateologia”), então há que esperar alguma fricção. Está a ver como a sua frase, tão pequena, é tão problemática?

    Uma coisa era Galileu dizer que a terra se movia. Uma afirmação científica, que poderia ter eventuais riscos interpretativos para a Teologia. Mas Foscarini também a fazia, e não foi preso. Outra coisa era Galileu afirmar que havia erros nas Sagradas Escrituras, porque, segundo ele, a Bíblia dizia que a Terra não se movia. Uma afirmação teológica. Entende que o problema é complexo? Ainda quer desprezar os “pormenores”?

    «Sei obviamente que o ataque movido a Galilei aconteceu mais por contornos de ofensa pessoal deste em relação às figuras eclesiásticas do que devido a questões de carácter científico.»

    Depende. No segundo processo, até concordaria consigo. No entanto, o primeiro processo é um processo bastante científico, filosófico e teológico. O erro do primeiro processo não está na ofensa pessoal ou na intriga, repito que foi um processo muito digno e elevado, respeituoso face a Galileu, o erro desse primeiro processo esteve na mistura de domínios: colocar um tribunal eclesiástico a pronunciar-se sobre ciência e filosofia. O erro do segundo processo, por outro lado, está baseado na intriga e nos jogos de influência.

    «Mas o problema está logo aí! As relações (mesmo as de etiqueta) entre Religião e Ciência são perfeitamente dispensáveis e a última não tem de prestar vassalagem de qualquer tipo em relação à primeira.»

    Não estamos a discutir “vassalagens”, mas sim verdades. Verdades científicas, verdades filosóficas, verdades teológicas.

    «Que se meta na sua vidinha: que é a de inventar fantasias! Deixe a realidade para quem sabe lidar com ela.»

    Esta frase final, que provém dos seus preconceitos, deixo-a assim como está, porque não vale a pena discutir preconceitos tão arreigados com pessoas tão seguras de si mesmas e tão insultuosas em relação aos que pensam de forma diferente.

    Na minha opinião, não há combinação pior: somar o excesso de confiança ao insulto pessoal. Quando vêm juntos, são sinal de fraqueza intelectual…

    Cumprimentos,

    Bernardo Motta

  8. Caro Bernardo,

    Não sei porquê, mas sempre que se fala de religião, a generalidade dos interlocutores tem uma tendência natural para se sentirem “ofendidos” e “insultados”. Como a sensibilidade de cada um não constitui argumento de conversa, não vou sequer perder tempo a preocupar-me com ela. Vamos aos factos, que é isso que interessa.

    “Há uma insistência quotidiana, da parte de muitas pessoas, em escrever frases como “EU ACHO QUE…”, e a acharem que todos temos que levar em consideração tudo o que os outros acham. Desculpe-me alguma rudeza, mas ACHO a sua intervenção um pouco insultuosa”. Acho que, de “eu acho que”, também estamos conversados…

    Em relação à sua investigação histórica, agradeço-lhe o esforço; mas em nada altera a acuidade do comentário que fiz.

    “Se esse cientista for, ele mesmo, uma pessoa religiosa, há certas contas a prestar. E se, mesmo sendo ateu, esse cientista usar o seu trabalho científico para fazer teologia (ou “ateologia”), então há que esperar alguma fricção. Está a ver como a sua frase, tão pequena, é tão problemática?” Problemática? Vai-me desculpar, mas problemáticas parecem-se ser as suas suposições:
    1º - “Se esse cientista for, ele mesmo, uma pessoa religiosa, há certas contas a prestar”. Que contas? A prestar a quem? Só se for à direcção do laboratório para o qual trabalha ou à comunidade para quem o seu trabalho se destina. Não estou a ver mais nenhum interlocutor digno de “prestação de contas”.
    2º - “E se, mesmo sendo ateu, esse cientisa usar o seu trabalho científico para fazer teologia (ou “ateologia”), então há que esperar alguma fricção”. O que significa fazer “teologia ou ateologia” em ciência? Se me falasse em “deontologia”, aí, acho que poderia haver alguma lógica no que diz.

    “Uma coisa era Galileu dizer que a terra se movia. Uma afirmação científica, que poderia ter eventuais riscos interpretativos para a Teologia”. Riscos para a Teologia? Problema dela! (já agora, o que é isso de “teologia”?).

    “Outra coisa era Galileu afirmar que havia erros nas Sagradas Escrituras, porque, segundo ele, a Bíblia dizia que a Terra não se movia. Uma afirmação teológica”. Correcção: uma afirmação errada!

    “Não estamos a discutir “vassalagens”, mas sim verdades. Verdades científicas, verdades filosóficas, verdades teológicas”. Sinceramente…fiquei estupefacto com esta afirmação! Quantos géneros de “verdade” conhece? Se quiser, eu posso acrescentar-lhe mais uns quantos géneros de verdade: a verdade dos mentirosos, a verdade dos sapateiros, a verdade dos ladrilhadores, a verdade dos mosquitos, a verdade das plantas…e ainda por cima, finalizando com a “verdade teológica”? Mas que raio de verdade é esta?!

    “Esta frase final, que provém dos seus preconceitos, deixo-a assim como está, porque não vale a pena discutir preconceitos tão arreigados com pessoas tão seguras de si mesmas e tão insultuosas em relação aos que pensam de forma diferente”. A sua frase constitui uma verdade filosófica ou teológica?

    “Na minha opinião, não há combinação pior: somar o excesso de confiança ao insulto pessoal. Quando vêm juntos, são sinal de fraqueza intelectual…”. Aqui, remeto para o primeiro parágrafo.

    Cumprimentos

  9. Caro Lucas Samuel,

    Como compreenderá, eu tenho em alta estima a forma como decido usar o meu tempo livre.
    Se quiser debater num tom de maior respeito, cá estarei. Tenho todo o gosto em despender horas em debate com uma só pessoa, mesmo em total discórdia, quando há respeito e consideração. A sua entrada neste debate foi agressiva: tentei fazer ver que isso era errado em termos de atitude. Não consegui fazer-me entender.
    O nosso debate fica adiado para uma próxima oportunidade, quando existir boa vontade da sua parte. Não preciso que concordem comigo. Mas tendo a optar por debater apenas com pessoas que respeitam o seu interlocutor.

    Cumprimentos

  10. Caro Ricardo,

    Será que o Ricardo podia falar com o Octávio Mateus, autor do estudo “Existe correlação entre religiosidade e uma sociedade melhor?”: talvez ele nos pudesse ajudar a perceber outra questão importante: “Existe correlação entre religiosidade e ressabiamento?”. Estas confirmações científicas são sempre úteis no sentido de detectar fragilidades emocionais, desconfianças conspirativas e traumas profundos enraizados no povo português. Obrigado

    Cumprimentos

  11. Bernardo, não percas tempo com este….

  12. Pois,..
    não vale a pena ser cilindrado outra vez…

  13. Oiça, você é uma anedota, eu quando leio os seus textos vejo que o autor só pode ter um severo atraso mental … o seu nível de compreensão é tão baixo, que eu não vou perder a escrever coisas que são demasiada areia para o seu camião..

  14. O que eu acho curioso, em termos psicológicos, é que sempre que se tenta discutir História e factos (já não digo discutir a tão odiada Filosofia), aparece sempre alguém que, não tendo nada a acrescentar ou a rebater, opta por implodir o debate.

    Se o Ricardo Silvestre quiser continuar o debate, podemos fazê-lo.
    Se não, fica para outra altura.

    Bernardo

  15. Bernardo há aqui pessoas, não vou dizer nomes, por exemplo o Lucas Samuel, que se acham brilhantes por conseguirem dizer “a religião é uma tanga”. Com tais pessoas intelectualmente diminuídas não vale a pena tentar explicar coisa alguma.

  16. 357 caracteres para dizer que não vai escrever um único?

    Para a próxima tente dizer isso com zero caracteres e sem limitar os seus argumentos ao insulto gratuito bem revelador do seu nível.

    É que existem anedotas que têm graça e outras que não, como você.

    Verá que irá fazer melhor figura.

  17. “Há aqui pessoas, que não vou dizer nomes, por exemplo, o Lucas Samuel”.

    Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahhaaha! Sem comentários!

  18. Meu Deus,você é verdadeiramente burro…. qualquer pessoa de inteligência normal ia perceber que era uma piada, e que foi propositadamente irónica… você não pára de me surpreender LOL . Enfim como já tinha dito antes a única coisa a dizer a macacos é “uh ah uh ah” é mais ao seu nível….

  19. Agora vá comer amendoins :)

  20. “João Ribeiro a 2 Março, 2008 às 6:39 pm:

    Lucas Samuel, tu realmente és uma verdadeira anedota… os teus argumentos são tanto ridículos como desonestos…podias ter feito uma pesquisa mais afinada no google sobre o sudário… porque o que mencionaste já foi explicado há muito tempo..
    Mas não vou perder nem mais 1 segundo a escrever para ti…”

    Mas não vou perder nem mais 1 segundo a escrever para ti…”
    Mas não vou perder nem mais 1 segundo a escrever para ti…”
    Mas não vou perder nem mais 1 segundo a escrever para ti…”

    Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahhaaha! Sem comentários!

  21. “ahahahaha uh uh uh uh”

    Vai mais um amendoim?

  22. É por estas e por outras, por este rol de comentários, que eu me sinto cada vez mais céptico na capacidade destes meios internéticos para a comunicação de conteúdos sérios. Há pessoas que vêm para a Internet à procura de diversão, chicana, e pagode. É pena. São assuntos sérios.

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