Homossexualidade intermitente??

Por Filomena de Mello • 6 Mar, 2008 • Categoria: Discriminação Religiosa, Notícias

“O Bispo regente do Tribunal da Penitenciaria Apostólica, D. Gianfranco Girotti, disse que se deve saber se candidatos sacerdócio demonstram tendências homossexuais, pedindo-se ao confessor que seja capaz de discernir se as mesmas estão ou não “profundamente enraizadas” e se o comportamento é “permanente”.

Ora bem !!! Vejamos se nos entendemos.

Se estou plenamente de acordo que devem os lideres de opinião, a promover o dialogo, a solução dos conflitos, as relações numa base de amizade e solidariedade, não entendo, porque no caso das “tendências homossexuais” haja outro critério.

Que serão para o Senhor Bispo as “tendências homossexuais”? Com que base e conhecimento define ele as ditas “tendências”? sim porque se for,  dia sim dia não, que a dita tendência se manifeste já não é pecado? Pecado é ser todos os dias?

Será que o Senhor Bispo também vai indicar a aplicação desse critério no caso das “tendências pedófilas”?

Será “tendência pedófila” se for todos os dias que se manifeste o desejo e atracção por crianças? Ou se for dia sim dia não, já não são pedófilos?

Resumindo se alguém se for confessar e disser: Senhor Padre as 2ºs, 4ºs e sextas apetece-me ter algo com outra mulher, não é lésbica!

Mas se me apetecer todos os dias então já é lésbica! Cuidado!! É pecadora !! Vai para o inferno!!

Convenhamos que é um “critério” muito, muito conveniente e hipócrita.

Mas esta é opinião de uma simples mulher, não do Senhor Bispo!!

Haja decoro!!!

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24 Respostas »

  1. oh..há que dar margem de manobra às sotainas! não podem ser “puros” a semana toda..

  2. Olá Filomena, o critério é conveniente? Ou será que você interpretou o “permanente” , duma maneira um pouco distorcida….?

  3. A igreja vive abafando seus casos, e a tirar pelo critério supra citado, vai ter muito ainda o que abafar.

  4. Ola João Ribeiro,
    as interpretações são sempre, pessoais e relativas, as minhas as suas, a de qualquer ser pensante.

    Distorcida? Distorcido é o critério que quer classificar as pessoas, em lésbicas ou gays, conforme o seu relógio sexual biológico. Mas é só a minha modesta opinião.

    Comente sempre João .

  5. Ola Kleber,
    pois como todas as grandes instituições, que têm os mais variados interesses a defender, não estou a por em causa a legitimidade dos interesses, nem que os defendam, ponho em causa, que preguem determinados valores, que depois não aplicam de todo no seu interior.

    Infelizmente têm muita coisa e abafam em vez de honestamente corrigirem….

  6. “as interpretações são sempre, pessoais e relativas, as minhas as suas, a de qualquer ser pensante”.

    Claro, estou de acordo. Mas o que ele quis dizer não é relativo, portanto há a possibilidade de você ter interpretado mal… e talvez devesse por essa possibilidade no seu texto.

    Um caso de homossexualidade durante certos dias de semana, é completamente surreal, o que ele deverá ter dito é que se o candidato a sacerdote, se conseguir livrar da homossexualidade de vez, isto é se ela não estiver assim tão enraízada, o candidato poderá então vir a ser padre… mas um padre heterossexual. De uma forma simplista os padres podem ser ex pecadores, mas não podem ser pecadores permanentes
    Claro que eu também duvido que tal seja possível, uma vez homossexual ou bisexual etc, sempre….
    Mas até é um sinal de evolução em termos de tolerância, aceitar “ex- homossexuais”, você deveria ter visto isto, mas parece-me e digo isto com o devido respeito, que você olha para Igreja como uma Máfia, de predadores de crianças…

    “Infelizmente têm muita coisa e abafam em vez de honestamente corrigirem….”

    E como é que você sabe que eles não corrigem? E abafar por acaso é mutuamente exclusivo de corrigir? Entende-se perfeitamente que tentem abafar, a bem de todos, quer pelo nome da Igreja Católica como organização, quer pelas crianças que sofreram os abusos, que não devem querer ficar rotuladas para toda a vida como abusadas. Agora é óbvio que um padre criminoso deve pagar como qualquer outro criminoso.

    Cumprimentos para si Filomena.

  7. Parece-me que tocar num tema complexo como este sem deixar clara a posição da Igreja só pode dar origem a asneira.
    Por um lado, há que evitar a mistura entre o tema da homossexualidade e o tema da pedofilia. Sinceramente, não vejo o que é que um tema tem a ver com o outro. É muito arriscado misturar dois temas cuja correlação nunca foi provada.

    Posto isto, a noção de pecado também tem que ser esclarecida. Uma pessoa com tendências homossexuais não é pecadora. O que é pecado, para a doutrina católica, é a relação sexual homossexual, e é-o porque é contra natura.
    Um homossexual casto não é um pecador.

    Outra questão que importa ressalvar é a da ideologia do género. Está cada vez mais na moda, e faz parte do programa político de vários governos do nosso tempo, impor a ideologia do género. Esta consiste na ideia errada de que uma coisa é a nossa sexualidade física, e outra será a nossa sexualidade psicológica. O eufemismo usado é o de “orientação sexual”. Deste modo, o ser humano seria fraccionado em duas entidades diferentes: o “eu físico” e o “eu psíquico”. Isto já sucedeu no passado, curiosamente, com o gnosticismo. Os líderes políticos que impõem a ideologia do género são os novos gnósticos: preconizam a separação entre o corpo e a psique. Para estes novos “engenheiros sociais”, uma coisa é a “tirania” do corpo, que “obriga” alguém a ser homem ou mulher, e outra coisa é a “opção livre” pela orientação sexual ou pela identidade de género. Isto dá origem a que ser homem ou mulher, biologicamente, seja irrelevante ou não condicionante para se ser gay, lésbica, bissexual ou “trans-gender”. Isto é uma doutrina gnóstica, apesar de aparentar ser moderna ou inovadora.

    Nascemos homem ou mulher. Não há outra possibilidade, assim nos ensinam a biologia, a genética e a embriologia. A Igreja não diz nada de diferente.

    Posto isto, a recomendação face a sacerdotes com tendências homossexuais nada tem a ver com pedofilia. E é bem compreensível: uma pessoa com tais tendências não tem a maturidade emocional necessária para exercer o sacerdócio. Não tem nada a ver com pecado, porque podemos estar a falar de um seminarista perfeitamente celibatário e casto, mas que tem tendências homossexuais.

    Deste modo, se tais tendências se dissiparem, como forma de um amadurecimento emocional, é evidente que o candidato ao sacerdócio permanece válido. E, mais uma vez insisto, nada disto tem a ver com pedofilia.

    Determinadas figuras de topo da Igreja, sobretudo nos EUA, lidaram muito mal com os casos de pedofilia nas suas dioceses, mas tais casos estão longe de ser a norma, estão longe de ser a regra, e estão longe de ter algum tipo de relação com a homossexualidade ou a heterossexualidade. A pedofilia é um desvio comportamental que atinge qualquer pessoa, indepententemente da sua “orientação sexual” (ah, que bonita expressão!).

    Cumprimentos,

    Bernardo Motta

  8. «Um homossexual casto não é um pecador.»

    Caro Bernardo,

    Fiquei francamente surpreendido com esta sua afirmação.
    Tenho uma amiga homossexual assumida, e presumo que aos seus olhos seja uma pecadora.
    Vendo bem, não é apenas uma criatura de deus com as suas qualidades e virtudes tal como ele a desenhou?

    Concretizando a questão em termos gerais:
    Sabendo-se que cerca de 10% da população humana, de gorilas, chimpazés e até golfinhos entre outros mamíferos - exibem “tendências homossexuais”, com explica:
    - A simples existência desta tendência?
    - Porquê que é que a tendência é de cerca de 10% em todas as espécies?
    - Porquê 10% e não 40%?

  9. Perguntas surgem….
    Porque é que temos de transformar (como se isso fosse possivel) o futuro padre homo em hetero se na realidade o que a igreja defende é impõe a castidade?
    Então o ser homossexual tem mais dificuldade em recalcar a pulsão sexual?
    Gostava ainda de perceber onde se baseia alguém para afirmar que ser homossexual é ser imaturo emocionalmente?
    E claramente, homossexualidade e pedofilia não são sinónimos… Ninguém afirmou, isso…
    Está explicito no texto da Filomena, um também…

    E o contra natura… não pode servir como boa justificação, estamos a falar de comportamento humano!
    (apesar de parecer uma boa saída, baseada na moral e nos bons costumes, que tanto julgam e pouco compreendem)

  10. “Porquê 10% e não 40%?” Não sei o porquê dos 10%, mas se chegasse aos 40% sofríamos risco de extinção..

    “Porque é que temos de transformar (como se isso fosse possivel) o futuro padre homo em hetero se na realidade o que a igreja defende é impõe a castidade?”

    Porque a Igreja considera a homossexualidade pecado… e seria um bocado hipócrita um padre homossexual pregar aos outros para não o serem…. Ou um padre ladrão a dizer para as pessoas não roubarem etc…

    A homossexualidade pode não ser considerada contra natura, porque é a própria natureza que faz os homossexuais.. se eles são um acidente ou não é outra história… há várias teorias sobre o assunto.
    E claro que não é por ser comportamento humano , os humanos têm variadíssimos comportamentos contra natura…

  11. Claro que seria uma hipocrisisa, tal como tantas que conhecemos… Mas fazia referencia, ao não questionarmos e aceitarmos tudo e tudo e tudo…
    “Os humanos têm variadissimos comportamentos contra natura…” Ora pois, mais uma visão simplista, alias até somos nós que definimos o que é “natura” ou não, certo?

  12. “Claro que seria uma hipocrisisa…” Pronto.

    Quem é que haveria de definir o que é natural diga-me lá…. e destruir o meio ambiente por exemplo não é um comportamento anti-natura? Há alguma dúvida nisso? Então não venha com que qualquer comportamento humano é natural…Isso é uma boa maneira de se permitir tudo… Aliás se fosse tudo natural, nem se precisava de aconselhamento psicológico. Julgo que você seja psicóloga…se alguém se quiser suicidar, você diz-lhe que é natural?

  13. “Aliás se fosse tudo natural, nem se precisava de aconselhamento psicológico. Julgo que você seja psicóloga…”
    E julga bem, mas sabe, as pessoas quando procuram a Psicologia, frequentemente é porque não se sentem bem, e não por exibirem comportamentos “anti-natura”!

    E reforçando, claro somos nós que definimos o que é contra natura… agora devemos é ter cuidado com os pressupostos inerentes a essas decisões! (tendenciosas na maioria dos casos)

    Cumprimentos

  14. Homossexualidade intermitente? Isso existe?

    O comportamento social dos animais para preservação da espécie, mais concretamente a satisfação dos instintos sexuais, adapta-se à situação social do grupo em particular.
    No inicio o papel da religião abarcava todos os aspectos da vida em sociedade dos humanos. A religião aos poucos foi entregando essa responsabilidades aos outros domínios do conhecimento. Não é fácil a psicologia chamar a si toda essa responsabilidade, visto que, muitos casamentos ainda continuam a serem feitos pela igreja e nunca na clínica do psicólogo.
    Quando assim não acontece a factura paga-se, os países mais desenvolvidos reproduzem-se muito menos, estão a ser invadidos pelas culturas com religiões fundamentalistas que por norma se reproduzem muito mais. É a lei das compensações? Afinal DeEUS escreve direito por linhas tortas, ou quê?
    Aqueles que vão ao psicologo porque não estão bem com a sexualidade, devem-no à religião que lhes inculcou esses valores, correctos ou incorrectos, adequados ou inadequados?

    Atenção, quando falamos na sexualidade falamos na preservação da espécie, no acto da criação, no mistério de DeEUS, e não apenas em satisfação de um qualquer desejo egoísta. Tem que haver padrões de comportamento para a evolução da sociedade.

    Cumprimentos

  15. Caro Abrasivus,

    «Fiquei francamente surpreendido com esta sua afirmação.»

    Não me espanta. A “catequese” que os media e os fazedores de opinião propagam é outra…

    «Tenho uma amiga homossexual assumida, e presumo que aos seus olhos seja uma pecadora.»

    O que entende por assumida?
    Repito: se a sua amiga não pratica actos sexuais homossexuais, não é pecadora aos olhos da Igreja.
    Se os pratica, é pecadora.
    É relativamente simples.

    «Vendo bem, não é apenas uma criatura de deus com as suas qualidades e virtudes tal como ele a desenhou?»

    É, sem qualquer dúvida.
    Eu também sou um terrível pecador e gosto de me ver como criatura de Deus, com qualidades e virtudes, bem como (o Abrasivus esqueceu-se desta parte importante) com os meus defeitos e imperfeições.

    «Concretizando a questão em termos gerais:
    Sabendo-se que cerca de 10% da população humana, de gorilas, chimpazés e até golfinhos entre outros mamíferos - exibem “tendências homossexuais”»

    Asneira.
    Como é que se pode comparar?
    Esta é a asneira do costume, tão frequente. O conceito de pecado está associado a um acto moral individual de um ser humano. Os animais não pecam. O pecado é um acto moralmente errado. Os restantes animais, por estarem desprovidos da razão intelectual, não têm a liberdade moral para optar por pecar ou por não pecar.
    Para além disto, os actos pretensamente “homossexuais” que vemos nos restantes animais não são opções livres ou conscientes por esta ou aquela vida sexual. São actos reflexos.

    «- A simples existência desta tendência?»

    Como explico todas as outras. Como explico a incidência da calvície, ou a incidência de albinos, ou a incidência de pessoas que gostam de música clássica. O ser humano é incrivelmente complexo. Acabam por existir seres humanos variados para todos os gostos. No entanto, isso não elimina a necessidade de o ser humano assumir um comportamento moral adequado. Discernir o certo do errado, esse é o objectivo da moral.

    «- Porquê que é que a tendência é de cerca de 10% em todas as espécies?»

    De onde é que vêm esses números?
    E, repito, é uma asneira comparar números de um fenómeno puramente animal com os números de um fenómeno psicológico. A homossexualidade é um fenómeno psicológico. Não existe um “gene da homossexualidade”. Um bem conhecido activista gay, que também é cientista, tem escrito muito sobre o mito do “gene gay”.

    «- Porquê 10% e não 40%?»

    Mas de onde vêm estes números?

    Cumprimentos,

    Bernardo Motta

  16. A questão do “contra-natura” não é assim tão complicada.
    Só que é preciso descascar a propaganda que nos metem pela garganta abaixo todos os dias. Qualquer dia, eu mesmo serei preso por escrever estas linhas. Hoje ainda não sou, mas hei-de ser em breve, porque caminhamos para ideologias totalitaristas que não irão tolerar nem o cristianismo nem o que ele sempre ensinou acerca do ser humano.

    A Humanidade só existe plenamente na união do homem e da mulher. Homem e mulher são, considerados isoladamente, uma humanidade incompleta. Não há humanidade só de homens, nem humanidade só de mulheres.

    A Humanidade, a categoria que nos identifica como somos, consiste na soma unitiva do masculino com o feminino. É na união dos sexos opostos que se manifesta a Humanidade plena.

    Essa manifestação é nítida no matrimónio heterossexual. A ideologia gay é uma forma de gnosticismo moderno: fazer-nos crer que os nossos corpos não têm qualquer peso para a nossa identidade psíquica. Do mesmo modo que os cátaros na Idade Média pregavam que o corpo era obra do Demónio e que as pessoas eram almas presas a corpos, hoje em dia os ideólogos da “igualdade de género” querem convencer-nos de que cada um tem, dentro de si, um “eu sexual” que pode ser diferente do que o corpo é. Isto é gnosticismo, mas numa forma moderna.

    O cristianismo, que lutou contra esse gnosticismo medieval, insistindo no facto de que os corpos são também obra de Deus e dizem-nos algo de verdadeiro sobre quem nós somos, também continuará, no século XXI, a ensinar à Humanidade que esta só se completa na união dos sexos opostos. A heterossexualidade é a verdadeira síntese do ser humano, que é sempre homem e mulher.

    Isto é relativamente óbvio, mas tão complicado de fazer compreender. Não porque seja uma ideia absurda, mas porque o contexto é absurdo.

    As pessoas que padecem de tendências homossexuais têm é que ser ajudadas, não descriminadas, apoiadas, integradas. Isso não se faz passando um salvo conduto à homossexualidade. Só que isto é problemático: como ajudar alguém que ainda não aceitou que precisa de ajuda?

    Cumprimentos,

    Bernardo Motta

    (PS: Agora pode começar o linchamento público - sinceramente, estou-me nas tintas - prefiro ser dos poucos únicos sensatos do que alinhar na carneirada da insensatez)

  17. «Qualquer dia, eu mesmo serei preso por escrever estas linhas. Hoje ainda não sou, mas hei-de ser em breve, porque caminhamos para ideologias totalitaristas que não irão tolerar nem o cristianismo nem o que ele sempre ensinou acerca do ser humano.»

    ui..e ser um mártir. que bom que era! Viver sob uma ideologia secular totalitarista seria bem melhor que sob uma simétrica mas religiosa…mas na verdade não é uma realidade que me atrai de todo. seja como for, acho que isso não é verdade e que a realidade está bem mais perto do oposto (por todo o mundo). Mas também é verdade que ser visto como “underdog” ajuda sempre à discussão, hehe..

    «O cristianismo, que lutou contra esse gnosticismo medieval, insistindo no facto de que os corpos são também obra de Deus e dizem-nos algo de verdadeiro sobre quem nós somos, também continuará, no século XXI, a ensinar à Humanidade que esta só se completa na união dos sexos opostos.»

    pois por ter a estúpida pretensão de ensinar tudo e todos sem qualquer competência para tal é que estamos pior do que o que devíamos..mas, de novo, o cristianismo partilhou desse “pecado” com as outras religiões (quase?) todas..

    «As pessoas que padecem de tendências homossexuais têm é que ser ajudadas, não descriminadas, apoiadas, integradas. Isso não se faz passando um salvo conduto à homossexualidade. Só que isto é problemático: como ajudar alguém que ainda não aceitou que precisa de ajuda?»

    é difícil, reconheço..por isso temos tantos “contagiados” com a “doença do homem de barbas invisível”, que ainda por cima têm a pretensão de chamar doentes aos outros!

    «PS: Agora pode começar o linchamento público - sinceramente, estou-me nas tintas - prefiro ser dos poucos únicos sensatos do que alinhar na carneirada da insensatez»

    novamente o heroísmo…mas demente, reparo. está assim tão optimista que considera que vive num mar de “carneiros” sensatos?

    Aproveito para deixar aqui uma nova notícia sobre o Mehdi Kazemi, que esteve em risco de se pontapeado para o Irão para lá provavelmente ser enforcado pelos zelotes islâmicos. Ao que parece, querem reconsiderar a extradição deste para terras do profeta, depois de se ter dito que não lhe iria acontecer nada se lá voltasse..

    http://uk.reuters.com/article/UKNews1/idUKL1383983920080313

  18. Caro Bernardo,

    Só agora passei por aqui e agradeço-lhe o tempo que dispensou a responder às minhas perguntas, que se reparar bem, eram apenas retóricas

    Como os números tendem a apresentar uma verdade mais genuína, vamos a eles - com algumas contas de mercearia pelo meio.

    Um casal, dois indivíduos, deverá no mínimo gerar outros dois indivíduos viáveis e com sucesso na reprodução para que a população se mantenha constante no tempo.
    Com o mundo não é perfeito - existem acidentes, mal-formações, doenças, etc, que inviabilizam o sucesso reprodutivo da descendência - não será escandaloso admitir, numa fase inicial da cultura humana, uma perda redonda de 50% da descendência “viável”.

    O número mínimo de descendência sobe assim para quatro de forma a que a população se mantenha constante ao longo do tempo.
    E esta seria na prática a situação correspondente a uma tendência homossexual de 0% na população.

    No limite oposto, se a tendência homossexual fosse na ordem dos 100%, e supondo que os homossexuais não se reproduzem - o que não é verdade - a extinção da espécie muito provavelmente seria quase imediata.

    Admitamos agora que a tendência homossexual seja na ordem dos 50%, e novamente, que os homossexuais não se reproduzem.
    Devido a esta “perda de viabilidade”, o número mínimo de descendência sobe agora para oito de forma a que a população se mantenha constante ao longo do tempo, o que já é um esforço considerável para algumas espécies ao longo da sua vida útil reprodutiva.

    Finalmente, admitamos que a tendência homossexual é francamente baixa entre os 10 a 20%, o impacto no número mínimo de descendência passa de 4 para 4,6 a 5 respectivamente, o que até é relativamente suportável.

    Tal como todos já percebemos, a capacidade de tolerância biológica de uma espécie à homossexualidade – entendida como implicando acto reprodutivo não profícuo – dependerá da sua capacidade de proliferação já que se trata de uma perda efectiva da mesma.

    Para uma espécie como a nossa e como a dos gorilas e chimpazés, talvez esta tolerância se situe nos 10 a 15%, e noutras mais prolíferas seja tolerada uma percentagem superior como a de 27% em algumas espécies de aves.

    Na obra de Bruce Bagemihl, Biological Exuberance - Animal Homosexuality and Natural Diversity são analisadas 450 espécies de mamíferos e aves com diferentes graus de tendências homossexuais e algumas conclusões como as que referi, são surpreendentes.

    Quando lancei os 40% foi apenas como um limite moderado à percepção do senso comum. Se tivesse lançado uns 70% ia ser automaticamente fuzilado…e com razão.

    Julgando estar satisfeita a curiosidade sobre os factos traduzidos em números, passemos à vertente mais interessante:

    - A tal verdade teológica por detrás destes números.

    Aparentemente, o arquitecto sem grandes delongas, resolve submeter a sua mais brilhante criação aos mesmos equívocos e às mesmas relações percentuais de tendências homossexuais com que também brindou outras diversas espécies.

    Nessas variadas espécies, a tendência homossexual divinamente desenhada, poderá ser consumada como mais ou menos engenho atendendo à limitações anatómicas de cada espécie.

    Quando referi que a minha amiga é uma homossexual assumida, quero claramente dizer que ela não é apologista da máxima “ter fama e não ter proveito”, ou seja, como é óbvio ela tem relações homossexuais - por acaso com a mesma parceira com quem vive em união de facto há largos anos - e garanto-lhe que ambas exibem uma maturidade emocional que, por exemplo, não descortino por aqui em alguns comentadores créus.

    Explique-nos lá então porque é que estas crituras de deus desenhadas à sua semelhança com todas as virtudes e defeitos tal como ele as desenhou, não podem concretizar a tendência para que foram desenhadas?

    Até parece que sustenta a hipótese ridícula de que a divindade submete 10% da população a uma prova adicional que consiste em contrariar até ao suicídio aquilo que para o qual foi divinamente programado a gostar.
    Mas o seu deus não tem mais nada para fazer?

    Continue a ser sensato tal como desmonstra ser e lembre-se que a tendência homossexual é uma criação divina e dizer mal da criação é pecado!

  19. Muita parra e pouca uva.

    Se há os que vivem numa prisão também, temos os que vivem completamente perdidos, numa a liberdade sem referências, julgando que a tendência homossexual é uma criação de Deus. Ora, o/ a homossexual é sem dúvida uma criação de Deus, o mesmo não se pode dizer da tendência, é precisamente isso que se pretende educar para que cumpra a obra de Deus, é necessário que se torne madura, portanto apta para a reprodução, e, não apenas sexual, espiritual também.

    Dai que os homossexuais com ideias inócuas, serem sempre imaturos, a sociedade tem a obrigação de os educar correctamente, já que não se reproduzem fisicamente pelo menos que fiquem aptos espiritualmente para não atrapalharem a maravilhosa obra de Deus.

    Cumprimentos

    Cirilo

  20. «Muita parra e pouca uva.»

    Dependerá naturalmente da capacidade individual de apanhar uva…

    «Ora, o/ a homossexual é sem dúvida uma criação de Deus, o mesmo não se pode dizer da tendência»
    Não percebi. Então tudo não é fruto do seu estirador criador?

    «…portanto apta para a reprodução, e, não apenas sexual, espiritual também.»
    Pf, defina reprodução espiritual.

    «os homossexuais com ideias inócuas»
    O que é isso?

    « a sociedade tem a obrigação de os educar correctamente»
    Ah sim? E como?

    .«..já que não se reproduzem fisicamente pelo menos que fiquem aptos espiritualmente para não atrapalharem a maravilhosa obra de Deus.»
    O que é isso de estar apto espiritualmente para não atrapalhar a maravilhosa obra de deus?
    Afinal um/a homossexual não faz parte da maravilhosa obra de deus exactamente como disse quando começou o seu brilhante raciocínio circular?

  21. Caro Abrasivus

    Ninguém apanha uva onde só existe parra.

    Não, Deus não é responsável pela escolha dos seus filhos, a maturidade é isso mesmo, a homossexualidade pode ser entendida como uma tendência imatura, neste contexto.

    Evidentemente que existe a reprodução espiritual, a santissima trindade, concretizando melhor: se em vez do filho estiver a mãe e substituir o embrião humano pelo espírito santo, temos exactamente o número três o da Criação.

    A homossexualidade não é um defeito, simplesmente o amor de Deus, não se lhes revelou conforme os padrões entendidos como normais, as suas idéias quando percebem que o amor de Deus é maior que o dos homens, manifentam-no de uma forma exagerada e desconcertante. Mas são inócuas pois não se reproduzem.

    Evidentemente, que será sempre a sociedade a criar e garantir as condições para que cada um tome o seu lugar ao sol, sem incomodar os outros, e, é de pequenino que se torce o pepino, será sempre com politicas educacionais.

    Em suma é necessário ter maturidade espiritual para crer e aceitar a plenitude da obra de Deus, não só a que os nossos olhos alcançam mas também tudo o que herdamos e tudo aquilo que há-de vir.

    Cumprimentos

    Cirilo

  22. Caro Cirilo,

    «Não, Deus não é responsável pela escolha dos seus filhos, a maturidade é isso mesmo, a homossexualidade pode ser entendida como uma tendência imatura, neste contexto.»
    Ok, já percebi.
    O que me diz é que existe de 10 a15% da Humanidade que foi brindada com a possibilidade gratificante de se interrrogar de forma quase traumatizante sobre as suas tendências sexuais…e ao mesmo tempo, jurar submissão total ao seu criador sádico… E tudo de borla!
    Vendo bem, quão generoso foi o (fdp) do criador para apenas uma minoria de priviligiados!…

    «Evidentemente que existe a reprodução espiritual, a santissima trindade, concretizando melhor: se em vez do filho estiver a mãe e substituir o embrião humano pelo espírito santo, temos exactamente o número três o da Criação.»

    Gloupss!!
    Que tal antes se o embrião do espírito santo estiver a substituir o filho da mãe, humana claro, conseguiremos obter o número quatro da criação?
    Lamento, mas embora tenha lido o livro de São Cipriano na diagonal por curiosidade, não me lembro dessa receita…

    « A homossexualidade não é um defeito, simplesmente o amor de Deus, não se lhes revelou conforme os padrões entendidos como normais, as suas idéias quando percebem que o amor de Deus é maior que o dos homens, manifentam-no de uma forma exagerada e desconcertante. Mas são inócuas pois não se reproduzem.»

    Já vou na décima sexta iteração e ainda não convergi para nenhuma conclusão.
    Defeito meu, naturalmente…

    « Evidentemente, que será sempre a sociedade a criar e garantir as condições para que cada um tome o seu lugar ao sol, sem incomodar os outros, e, é de pequenino que se torce o pepino, será sempre com politicas educacionais.»

    Meu caríssimo Cirilo,
    Não poderia estar mais de acordo!
    Se nos fôssemos fiar no criador para nos safarmos, já estávamos fritos!…

    « Em suma é necessário ter maturidade espiritual para crer e aceitar a plenitude da obra de Deus, não só a que os nossos olhos alcançam mas também tudo o que herdamos e tudo aquilo que há-de vir.»

    Sábias conclusões.
    A sério, e sem ironia!
    Experimente substituir a palavra deus por Natureza…

  23. Cara Abrasivus,

    Veja como a sexualidade «errada», «doentia» como alguns julgam, também existe na natureza; em animais desprovidos de «raciocínio», mas Deus não os castiga. A perfeição de Deus não consiste apenas em ver apenas com os olhos, aquilo que aos olhos do homem é defeito, pode não o ser aos olhos de Deus. Deus escreve direito por linhas tortas.
    O amor de Deus não se manifesta no homem da mesma forma que na natureza, o homem precisa evoluir a natureza basta-se a ela própria.
    Meu caro, a palavra Deus, por hipótese, foi criada pelo homem há VII milénios, pelos nossos antepassados, durante a revolução neolítica, quando nasceu o conceito de propriedade, o fim da liberdade, selvagem, inicio da civilização, com regras leis. Todas as palavras têm um significado, muito especial ou apenas prático, para o padrinho. Deus na língua de Deus provavelmente significaria a pessoa que representava o grupo era quem falava por todos os «eus» e portanto se pertencia a todos os «eus» era lógico designar-se por: DeEUS, ou não?

  24. Caro Cirilo,

    Interessante a eventual origem histórica da palavra deus como um conceito de multi-eus…

    O problema é perceber o conceito de alguma forma estarmos fora da Natureza, como se não fôssemos naturais, como se estivéssemos acima da ordem natural quando ainda há bem pouco tempo não passávamos de almoço para algumas espécies de predadores especializados em comerem-nos…

    De onde vem essa petulância com a nossa espécie afinal?

    A consciência da morte?
    As baleias e elefantes – que são espécies com um volume de cérebro não negligenciável – aparentemente, ao dirigirem-se conscientemente para os seus cemitérios no seu final de vida, obedecem a uma programação genética ou a uma cultura mística embrionária?

    É também deveras interessante o conceito de que deus só castiga o infeliz do desgraçado do Homo sapiens sapiens, o que inevitavelmente nos leva a concluir que existiu um último e absolutamente feliz Homo erectus!…

    Como todos sabemos, o Homo neanderthalensis por exemplo, nunca foi castigado pois não passava de um animal, e como se portou tão bem, imagine-se, foi presenteado com a extinção pura e simples!..

    O Homo erectus e principalmente o Homo neanderthalensis que até ritualizava a morte, tinham alma ou não passavam de uns impostores?

    Já sei, já sei..« Deus escreve direito por linhas tortas.» não é?
    Pois é!

    O que nos vale, é daqui a uns milhares de anos já evoluímos para o homo sapiens de polegaris habilis, e já nos safámos da maldição do seu deus do deserto sumério.

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