Ovelhas pouco activas
Por Bruno Miguel Resende • 27 Fev, 2008 • Categoria: Nacionais, Notícias, Psicologia & SociologiaAs ovelhas andam aborrecidas, e a sua expressão pública resume-se ao bocejo, é este o resumo da análise sociológica efectuada por Alfredo Teixeira, sociólogo e teólogo, à Agência Ecclesia, um sítio pouco recomendado a quem preza a racionalidade e a honestidade. O problema aparece logo no facto de o analista ser sociólogo e teólogo católico ao mesmo tempo, os fundadores da potencial única religião mundial verdadeira, a sociologia, eram obviamente descrentes, assim como os seus mais conhecidos seguidores, logicamente que estudar a Humanidade e as sociedades Humanas deve excluir todo e qualquer contexto etnocêntrico, e que maior etnocentria existe que não a católica? Simples facto de se perspectivar um Mundo onde virgens copulam com pombos, patos e peixes morrem afogados quando existem dilúvios e parvoíces do género, retira toda e qualquer base sustentável para uma clarividência social, minimalista que seja.
Os dislates começam cedo e acabam tarde, não seria de esperar outra coisa proveniente desta etnocentria cristã apinhada em falácias de inversão e de espantalhos sociais pré-definidos cuja concretude e realidade é indefinida ou mesmo ausente, a mistura é feita e o acervo inicia, “As referências explícitas à identidade católica e cristã tornam-se mais difusas e difíceis de identificar”, afirma Alfredo Teixeira, contexto constatável pelo número reduzido de igrejas católicas em Portugal, comparações de números entre quantidade de igrejas e quantidade de hospitais podiam clarividenciar a mente teológica de Alfredo Teixeira. A nave espacial construída em Fátima pode ser um exemplo de uma possível realidade católica difusa, nas proveniências dos dinheiros a exemplo, de resto parece-me bastante evidente que basílicas, conventos, igrejas, e demais construções inúteis às necessidades básicas Humanas são facilmente identificáveis, crescem como fungos e gemem como leões esganados em fome de quinze dias com os seus irritantes sinos que mais parecem badalar sessenta e nove horas diárias, sons tenebrosos e de volume estupidamente alto, que, aqui sim, se emanam em perfeita harmonia com a religião que professam. Mais igrejas, mais sinos e mais loucuras do género certamente levariam muitos à insanidade, igrejas só se forem construídas no meio das auto-estradas ou em cima de hospitais, cantos e recantos já estão entupidos com elas.
Mais à frente, o teólogo da sociologia cristã enuncia o seguinte, “quando queremos que alguém aponte a visão da Igreja sobre determinado problema, invariavelmente vamos parar aos actores eclesiais. É raro que um cristão leigo assuma esse papel na cena pública.”, o que não é novidade nenhuma, os pastores guiam e tosquiam as ovelhas e não o contrário, descobrir a roda é sempre emocionante para o cristianismo. “Raro” é um termo interessante para introduzir boas falácias, tanto 90% por cento como 10% podem ser interpretados como valores que potenciem a raridade, desonestidade é fermento para lides cristãs, e se realmente é raro para este sociólogo ver leigos na cena pública, é porque se esqueceu de Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, o artigo tem por finalidade a contra-argumentação e não a elaboração de uma lista telefónica, portanto, fica apenas um exemplo, é por demais evidente a enxurrada de papéis públicos cristãos. Exemplo também para a manipulação das palavras, fácil e acessível, mas por mim evidenciado por um recurso linguístico que manipula uma palavra mas que fornece a realidade e a concretude das coisas pela manipulação de outras, e a palavra escolhida é “raro”. É raro, muito raro, ver o Presidente da Republica a inaugurar as novas instalações da estação televisiva pública acompanhado do representante de uma confissão religiosa, a católica, vulto de nome Policarpo, é raro ver nessa mesma inauguração esse vulto vestido com umas saias de folhes a atirar água para as paredes com um objecto metálico, para as pessoas por lá presentes, e inclusive para os telespectadores, é raro ver esse vulto a falar e o Presidente da República de olhos no chão em total submissão, situação pública à qual o cristianismo identifica como pregação, missa, ou outro termo qualquer que aluda à mesma palhaçada, e no meio das raridades pode-se inclusive dizer, que é raro, mas tão raro, que apenas aconteceu uma vez. Nas lides estranhas de chapiscos e vendas de banha da cobra, fica-se sem saber qual dos dois intervenientes era o pastor e qual era a ovelha, talvez revezassem.
Dislate seguinte, “A sociedade tem dificuldade em perceber a diversidade interna da própria Igreja.”, dificuldade imensa claro, pegando no exemplo mais simples de diversidade, uniformidade equivale a um, jogarei com o número seguinte, o dois, diversidade mínima portanto, ora em sociedades Humanas existem dois géneros, nas hierarquias da Igreja apenas existe um, o masculino, mais exemplos não parecem necessários, realmente é difícil a alguém com raciocínio mínimo e consciência envolta em normalidade ver diversidade onde não existe. O teólogo das sociologias cristãs acrescenta que “lamenta que na cena pública haja falta de expressão de diversidade.”, falácia de inversão pré-primária, é desnecessário cursos de teologia para coisas que se aprende na catequese, talvez a falta de expressão da diversidade do cristianismo seja por opressão emanada pelos hindus, pelos budistas, pelos ateus, pelos agnósticos, pelos judeus, pelos islâmicos,…
Das realidades irreais aludidas por Alfredo Teixeira, a mais interessante será porventura esta: “os cristãos aproveitarem o que são as próprias estruturas existentes na sociedade ou até os instrumentos legais que permitem a criação de associações de todo o género para intervir na sociedade de diferentes formas, “em muitos casos até fazendo lobby” em ordem à mudança da sociedade.”. Mais uma invenção de uma roda, o Opus Dei já existe, lapso de memória teológico do sociólogo, por certo.
Excelentes alusões sociológicas ao que não se deve fazer, e como não se deve pensar, etnocentria pelo imenso absurdismo religioso. Pastorícias típicas.
Agência Ecclesia: Leigos, uma cara diferente da Igreja