Ilusões ou hipocrisias

Por Ricardo Silvestre • 26 Fev, 2008 • Categoria: Cultura, Nacionais, Notícias

“D. José Policarpo, em declaraçãoes nas comemorações dos 25 anos do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, afirmou que “a crise do Ocidente é uma crise de cultura e de modelos de vida e de desenvolvimento, que hoje só podem subsistir numa compreensão global”. “Não se trata de uma crise de poderes, sejam eles políticos, económicos ou militares, mas uma crise de sentido e da natureza transcendente do homem e da história”, prosseguiu.

“O Ocidente está a pagar um preço caro por este erro de perspectiva, com políticas imediatistas de quem navega à vista, sem perspectivas de profundidade e de longo prazo, o único que se compadece com as exigências da globalização”, alertou.

Em conclusão, D. José Policarpo assinalou que “a Igreja deve ser a afirmação viva e generosa da prioridade do espírito sobre a matéria, na certeza que só essa primazia do espírito, que também se exprime na cultura, pode desconjurar as ameaças globais, de guerra nuclear, de destruição do planeta, ameaçado por políticas erradas e por egoísmos consumistas descontrolados”.

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“A igreja (…) pode desconjurar as ameaças globais, de guerra nuclear, de destruição do planeta, ameaçado por políticas erradas e por egoísmos consumistas descontrolados”.

Ora ai está um bom exemplo de quem, ou está a gozar, ou não faz mesmo ideia do mundo em que vive.

A ameaça de guerra nuclear, neste momento, passou de desentendimento entre sistemas políticos, para desentendimentos de sistemas religiosos. Quanto à destruição do planeta é uma característica messiânica de certas religiões (Judaica ortodoxa, Cristã evangelica, Islâmica wahabi) para o regresso dos seus profetas, e dos seus salvadores. E quanto a consumos descontrolados, nada como a Igreja Católica ter deixado se transformar uma das suas celebrações (o presumível nascimento do seu “salvador”) numa quadra desenfreada de consumismo e materialismo.

A ameaça da globalização parece-me ser muito mais o problema das religiões não conseguirem co-existir… num mundo cada vez globalizado.
 

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