Insistências

Por Ricardo Silvestre • 21 Fev, 2008 • Categoria: Informação Jurídica, Internacionais, Notícias

“Bento XVI defendeu hoje no Vaticano que Santo Agostinho (354-430), na sua obra “De Civitate Dei”, definiu com precisão “o que é a verdadeira laicidade e a competência da Igreja” na relação entre fé e política.

O Papa deteve-se sobre as obras do Santo, sublinhando entre outras coisas que a “ mais importante e decisiva para o desenvolvimento do pensamento político ocidental e para a teologia cristã da história” é a obra “De Civitate Dei”, escrita entre os anos 423 e 426 em 22 livros.

“O livro – explicou ainda o Papa – é uma apresentação da história da humanidade governada pela Providencia divina, mas dividida por dois amores, e este é o seu desígnio fundamental, a sua interpretação da história que é a luta de dois amores: amor de si mesmo até à indiferença por Deus, e amor de Deus até à indiferença por si, à plena liberdade de dar-se aos outros na luz de Deus”.

Ver notícia aqui.

Para além do habitual floreado para consumo dos crentes que se maravilham com tanta verborreia teológica e oca, o que se retira de mais um “conselho amigo” do Ratzinger, é que devemo-nos lembrar que a história da humanidade é governada por providências divinas.

Isso faz com que “se deva alguma coisa” a deus? Veja-se o “excelente trabalho” que essa “figura” fez no progresso civilizacional e humano. Estamos centenas de anos atrasados por causa das interpretações feitas das “providências divinas”.

Afaste-se esta irracionalidade da liderança de uma sociedade, tornando essa sociedade mais secular, e veja-se o resultado: Suécia, Dinamarca, Holanda, Noruega.

Será preciso dizer mais?

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3 Respostas »

  1. 1) Séculos de atraso - concordo, porque só a Inquisição durou 600 anos

    2) “a história da humanidade é governada por providências divinas” - concordo. Apesar da Constituição dos Estados Unidos, Do Brasil, da França e de outras nações não conter sequer uma linha sobre deus, ainda assim muitos insistem que são nações sob deus. A laicidade está completamente escamoteada na maioria dos países.

    3) A igreja que não se preocupar com dinheiro e que for exclusivamente altruísta, que atire a primeira pedra. Aí sim teremos um exemplo clássico de “amor de Deus até à indiferença por si, à plena liberdade de dar-se aos outros na luz de Deus”.

  2. Caro Luiz. Obrigado pelo seu comentário.

  3. Usaste um exemplo infeliz. Efectivamente país religioso pode ser sinónimo de um país retardado ou com um desenvolvimento retardado. Porém, os países dados como exemplos evoluíram sem passar por problemas como, as Grandes Guerras Mundiais ou Coloniais. Por isso estão uns cinquenta anos à frente. Além disso, Dinamarca, Suécia, Noruega, Holanda nunca foram governados por tiranos.

    Mas deixo uma pergunta para reflexão.

    Napoleão afirmou: ” A Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas.”
    Hitler admitiu que: “A religião é vista pela gente comum como verdadeira, pelos sábios como falsa e pelos governantes como útil.”
    Mussolini para chegar ao poder teve de usar-se e dobrar a Igreja.

    A pergunta é: Quem devemos temer, os religiosos ou os não religiosos?

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