Hegemonias humanas e epidemias de fé

Por Bruno Miguel Resende • 15 Fev, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Discriminação Religiosa, Opinião, Psicologia & Sociologia

Porquê? Porque sim. Eis o começo de tudo aquilo que deve ser transformado em nada, eis as bases que servem de suporte aos construtivismos sociais nocivos ao Homem e ao que o rodeia, eis a forma de saber sobre tudo sem saber de nada, de transformar as realidades em irrealidades, de retirar o conhecimento ao Homem e lhe dar estupidez e letargia, o erro encapsulado em verdade, a mentira ad nauseam continua mentira, e indivíduos clarividentes apontarão o dedo e lhes chamarão mentiras enquanto o espaço-tempo existir. A realidade é! A mentira não!

Surgem assim as bases sólidas da racionalidade para atentar às bases gelatinosas da irracionalidade, nomes escolhidos e a iluminação propaga-se, desinfecta, emana horizontes esbeltos e anteriormente desconhecidos, eis o Homem vivo, eis o animal em busca do prazer psicológico e físico, eis o raciocínio em emancipação e revolução constante, eis o ateu? Assim poderá ser chamado, o rótulo é a necessidade de objectividade, a sumarização de conceitos quando as vontades do conhecimento se mostram ténues, reduzidas, abafadas. Busca do prazer e fuga ao sofrimento, como indivíduo, como sociedade, tomando a realidade na sua totalidade e no conhecimento sempre imperfeito dessa totalidade, para as conquistas de apoteoses Humanas, na vida, o intervalo entre nascimento e morte. Eis o esplendor da harmonia do Ser.

O tempo é agora! Daqui a uns instantes poderá ser tarde de mais. O inato é presente, é verdadeiro, é legislado pela única entidade capaz de legislar, a Natureza, características naturais que revestem os Homens, que os adornam em vivacidades e emancipações, a curiosidade de conhecer as envolvências não surge da felinidade de uns, da vegetação de outros, é presente e pulsante, assim será, pelo menos até aos conhecimentos dos desconhecimentos, da fé, da religião, da estupidez, da irracionalidade, da castração intelectual e física, da constante epopeia de demencialidade e abnegação. A epidemia passa de geração em geração, enraíza-se nas sociedades humanas, é tomada como existente e imutável pelos conformismos e uniformismos, a mentira o será sempre, independentemente do número de vezes que for repetida, independentemente da coercividade que tente impor.

A revolução é sempre, hoje e amanhã, é a evolução das coisas, da vida, das ideias, das criatividades, a ciência da revolução é a própria ciência, mutável, imperfeita, aperfeiçoando-se a cada instante que passa, redefinindo conceitos, explicações, respostas, tornando o indivíduo mais conhecedor, mais emancipado, mais capaz, mais único, tornando as sociedades humanas mais potencializadas, com mais ferramentas que forneçam os prazeres individuais, colectivos, que afastem os sofrimentos, o conhecimento revolucionário na exponenciação máxima, científica portanto, o antídoto para as epidemias de estupidez, o cume da pirâmide da perfeição Humana, inalcançável, mas estimulante ao fornecer a hipótese de se chegar perto, ou muito perto, excitação intelectual?

O triunfo da razão e da honestidade não passa pela própria existência, existe a inexistência dos mesmos, a fé, a estupidez e a ignorância, a mentira e a hipocrisia, doenças incapacitantes, castradoras. Será a liberdade o sinónimo de interferência na liberdade dos outros? Não. Eis o erro da ausência de filtragem racional, eis o erro de um Homem imperfeito, ansioso com a sua própria liberdade deixa ideias irracionais nascerem em cumes de montanhas obscuras, bolas de neve pequenas, preocupações pequenas com as mesmas, preocupações sim com a vida pessoal e a dos que o rodeiam, e, por fim, esbarraram-se contra si avalanches de intolerância, de descriminação, de estupidez, de demencialidade, de hipocrisia. Eis que a liberdade individual se atemoriza, as castrações e abnegações dos indivíduos de fé que cercam o Homem abatem-se sobre si, tentam forçá-lo a ser igual, a prescindir dos prazeres e dedicar-se aos sofrimentos, a reciclar o conhecimento e a adoptar a irracionalidade, a relegar os individualismos e a dedicar-se à luta de clarividências, de iluminismos, assim o seria não existissem paredes de titânio a barrar a livre troca de pensamentos, a religião construiu-os, várias construíram as suas, ideias e racionalismos espezinhados e surge o caos da fé, da morte, dos genocídios, dos sectarismos, dos racismos, dos machismos.

As leis da Natureza são violadas, por livros bolorentos de verdades mentirosas, de fábulas estúpidas, de atrocidades nauseabundas, e o confronto com a racionalidade inexiste, a intolerância é tolerada, e os limites máximos da intolerância são ultrapassados todos os dias, bombas humanas explodem em autocarros, nações despejam tiros e explosões em cruzadas cristãs aos eixos do mal, órgãos genitais de crianças são mutilados em carnificinas hediondas, o esgoto flui para os mares límpidos, eis que o Homem pensa, repensa, e alteia a voz, os sentimentos, os Humanismos, e declara que está farto! Eis o Homem que aponta o dedo a um discurso misógino de um indivíduo com um pêndulo dourado em forma de cruz ao pescoço, adornado com saiotes rosa, e lhe desvenda as mentiras, as putrefacções, as ignorâncias. Eis o Homem que ridiculariza as virgens paradisíacas islâmicas que possuem funcionalidades de bonecas insufláveis, almejadas prendas de retribuição aos rebentamentos e genocídios em nome da fé, em nome da luta contra os descrentes de determinadas crenças.

O Homem tem orgulho em ser Homem, tem orgulho no seu intelecto, nos seus prazeres, regozija-se com a estupidez, quando ela não lhe é hostil, a virtude reside em si, a fé contagiosa não o contamina, não o corrompe, não o tira dos seus objectivos, pelo contrário, emancipa-o, e fornece-lhe a árdua tarefa de clarividenciar, de iluminar, de partilhar as suas concepções e vivências, os seus conhecimentos e dissertações, ele floresce num pântano nauseabundo de estupidez e hipocrisia, ele resplandece e vibra num deserto de sentimentos, num niilismo de existência. Eis o Homem que acusa a fé de ser a causa da maioria dos males da Humanidade, e lhe expurga as intolerâncias. A epidemia da irracionalidade precisa de ser combatida, aos Homens cabe-lhes a responsabilidade dos antídotos. A hegemonia Humana não tem passado, não tem presente, não tem futuro; não tem aqui, não tem ali, não tem acolá; a hegemonia Humana é aqui e agora!

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