A oração do Poder
Por Helder Sanches • 13 Fev, 2008 • Categoria: Opinião, Psicologia & SociologiaNeste artigo, no Diário Ateísta, o Carlos Esperança toca em diversos aspectos importantes da conjuntura actual da relação entre Estados e religião. Embora não concorde totalmente com o Carlos quando ele qualifica de mito o choque de civilizações, não me restam dúvidas de que a religião desempenha o papel mais preponderante na realidade internacional contemporânea.
Tem sido apanágio das religiões ao longo da história a luta pelo poder ou, no melhor dos casos, a luta por uma posição de influência no poder. Para atingir tais objectivos, as religiões não olham a meios nem se envergonham de cair no ridículo, tais são as posições muitas vezes assumidas.
Esta realidade, muitas vezes, escapa ao crente anónimo, confiante cego na estrutura montada pelos mais altos patrocinadores da sua fé. É nessa cegueira que reside, a meu ver, o grande perigo para as sociedades laicas e seculares do ocidente. Deixarmos que, ao abrigo da liberdade religiosa, se cometam autênticos atentados contra os princípios humanistas e de liberdade de que nos podemos orgulhar, é uma ofensa à nossa inteligência e um convite à regressão histórica pelos piores motivos.
Convém, pois, que o ocidente se mantenha firme nas suas conquistas e não se deixe enrolar na tentativa de intoxicação pública levada a cabo pelos principais agentes das religiões, cujo principal objectivo será sempre a “caça” ao poder. Dividir para reinar, é a táctica escolhida. Alteremos, então, as regras do jogo.
Quando afirma: “Religiões ao longo da história lutam pelo poder… escapa ao crente anónimo… é nessa cegueira… reside o grande perigo” Sou obrigado a concordar, efectivamente, as religiões ambicionam o poder, não fossem elas lideradas por homens. Mas o perigo que representam os cegos, bem, não me sinto nada ameaçado pelas velhas beatas cristãs ocidentais.
Receio sim, e com razão, a promiscuidade dos lobbys do petróleo, da droga e, isto sim: ridículo! O lobby do futebol, que dominam os média, a justiça e os municípios, promovem a escravatura e o abuso sexual das mulheres. Agora se a Igreja quer que os miúdos tenham religião e moral, que censurem a pornografia, quero que se lixem. Mesmo se o Bush se aconselha com os evangélicos fundamentalistas que o conduzem a ignorar o aquecimento global. Bom, o problema não é a religião, mas é o sistema democrático que não sabe se salvaguardar.
E está a ser tão incoerente como os religiosos prevaricadores quando afirma “Deixarmos que, ao abrigo da liberdade religiosa… atentados contra os princípios humanistas e de liberdade”
Relembro que o Artigo 18 da Declaração dos Direitos Humanos, defende a liberdade religiosa, logo censurá-la vai contra os direitos humanistas.
Quanto à “Intoxicação pública levada a cabo pelos principais agentes das religiões, cujo principal objectivo será sempre a “caça” ao poder.” Que tal, agentes religiosos e não religiosos?!
Hélder, não me leve a mal, não é nada contra si, mas sim contra o que de perigoso representa o ateísmo. O vosso culto faz me lembrar a “Alegoria da caverna”, a diferença, é que quando saíram cá para fora, a intensidade da luz foi tão forte que vos queimou os olhos e os neurónios.