Igreja não é obstáculo à ciência. Não?

Por Helder Sanches • 11 Fev, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Nacionais

Este sábado, em Fátima, durante a 13ª Jornadas Nacionais do Apostolado dos Leigos, o Padre Luís Archer afirmou que “os cristãos não devem temer a ciência” e que “é preciso acabar com esses medos”.

De acordo com o Padre Luís Archer, “aqueles que se dedicam às actividades científicas devem mostrar que são cristãos em primeiro lugar e que o cristianismo os ajuda a ser melhores investigadores”!

Ora, as primeiras citações são completamente diferentes desta última, uma vez que nos dois primeiros casos se tratam de bons conselhos, cujos principais beneficiadores serão, naturalmente, os cristãos. Estou convencido que a grande maioria dos cristãos não esperaram pelas sábias palavras do Padre Luis Archer quando estão doentes e vão ao médico, quando optaram por telemóveis de última geração para comunicarem de uma forma mais eficiente, quando substituem gradualmente o fax pelo email ou quando levam o automóvel ao mecânico e não ao sacristão. Portanto, cristão que tenha medo da ciência no dia a dia, não viverá, seguramente, neste planeta.

Já em relação à terceira citação, preocupa-me o conselho nela dado, uma vez que não é feita uma distinção entre o campo profissional e o campo da fé. pela minha parte, darei muito mais credibilidade a todos aqueles que, dedicando-se às actividades cientificas, deixam a fé do lado de fora do laboratório. Têm, obviamente, toda a liberdade para deixar também a ciência do lado de fora dos templos da sua fé.

Assim - e só assim - teremos garantias que o conhecimento cientifico não é barrado por questões de moralismos de fé, por mais absurdos e questionáveis que eles possam ser.

Fontes: aqui e aqui

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3 Respostas »

  1. Fátima, Telemóveis, Oficinas de mecânica, Religião… Talvez seja da minha reles condição de ser humano, mas eu confesso que não estou a conseguir associar os conceitos. Mas pronto, talvez haja mais entre o céu e a terra que o Homem consiga imaginar. Porém eu acho que a intervenção do Padre Luís qualquer coisa, foi coerente, sobretudo quando afirma:
    “Aqueles que se dedicam às actividades científicas devem mostrar que são cristãos em primeiro lugar e que o cristianismo os ajuda a ser melhores investigadores”.
    Não acredito que o Padre estivesse falar do Noé, ou das cheias ou das pragas, ou de vender a filha para a escravatura. Mas com um bocado de boa vontade e despegado de fundamentalismos, podemos considerar, por exemplo, que os Sete Pecados Capitais, não o filme, mas os princípios que o Papa Gregório Magno no século VI podem ser um empecilho na investigação cientifica nomeadamente:

    1) Gula: quando estudo é um obstáculo à optimização do tempo.
    2) Avareza: que nunca se coaduna com o objecto de estudo.
    3) Inveja: pensar que o projecto do outro cientista é melhor do que o nosso dá em asneira da grossa.
    4) Ira: Manter sempre a calma.
    5) Soberba: sermos sempre humildes para conseguir fazer o melhor trabalho.
    6) Luxúria: Distrai.
    7) Preguiça: Um calão não consegue pesquisar nem investigar o que quer que seja.

  2. Ainda há poucos minutos vi arrepiado nas noticias da RTP a entrega do prémio Templeton deste ano, a um senhor que não acha a ciência e a religião incompatíveis: “uma dá conhecimento, a outra o significado”!

  3. Caro ASantos,

    O discurso do consenso soa muito bonito na mentalidade de “maiorias absolutas” enraizada no povo português. “Sejamos todos amiguinhos! A ciência e a religião dão-se muito bem!”; a verdade e a mentira podem conviver pacificamente se formos todos tolerantes, não é? Segundo algumas dessas mentes tolerantes, até existem vários tipos de verdade para cada um! As verdades científicas, as verdades filosóficas, as verdades teológicas…É tão lindo um mundo assim! E se ele progride, se os cientistas católicos continuam a descobrir coisas, porquê questionar a sua fé?

    Dizem que “aqueles que se dedicam às actividades científicas devem mostrar que são cristãos em primeiro lugar e que o cristianismo os ajuda a ser melhores investigadores”. Ora, isto quer dizer que UMA determinada conduta moral (que é a cristã) se deve sobrepor à procura DA verdade. Acho que fica tudo dito.

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