Grandes vales

Por Ricardo Silvestre • 4 Fev, 2008 • Categoria: Opinião

Como tenho escrito aqui, sou um espectador atento ao processo eleitoral Americano deste ano. Tem sido muito interessante (e alarmante) ver o artifício político de certos candidatos a dizerem que a religião é o que os guia, mas ao mesmo tempo que não os guia assim tanto.

Charlatães manipuladores como Romney e Huckabee proferem discursos sem qualquer ambiguidade para as suas “bases”, com promessas de alteração da constituição para um Estado mais religioso, ou com promessas de medidas políticas a exultar os valores dogmáticos e irracionais das suas crenças. Ao mesmo tempo falam para audiências mais inteligentes e sofisticadas, com garantias que as suas crenças não farão parte dos seus julgamentos sobre o que é melhor para a América.

Felizmente o processo eleitoral tem tratado de começar a colocar alguns destes tolos no seu lugar. Huckabee, depois de ter ganho a primeira eleição dos Republicanos (em Iowa- terra do milho) tem desaparecido paulatinamente da liderança de sondagens e de intenções de votos. Romney parece ter perdido o “norte” na sua campanha, dizendo (que surpresa) disparates, contradições e imbecilidades cada vez que abre a boca.

Reparem, não é que McCain seja o apogeu de racionalidade e iluminismo. Afinal este foi o homem que disse num debate da CNN, “eu quando olho para o Grand Canyon, vejo a mão de Deus”: deve ter sido deus que empurrou os glaciares para cravar a terra, concluimos nós. Mas ao menos acredita na evolução.
A verdade é que precisa de haver um retrocesso de certos processos religiosos na América. E um Presidente que acredite na separação entre o Estado e a igreja é um passo essencial para que isso aconteça.

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