Serão os Videojogos um caminho até ao Ateísmo? Um ensaio sobre a posição da industria Videojogavél face à religião.

Por Daniel Silvestre • 1 Fev, 2008 • Categoria: Juventude, Opinião

Adorados ou respeitados por muitos, odiados por todos os outros como ferramentas de desvio social.
Os Jogos de Computador viram a sua indústria evoluir a uma velocidade vertiginosa desde o fim da década de 90 até aos dias de hoje.

Muitos debatem diariamente se este será mais um mal da sociedade ou uma forma de entretenimento interactivo. Outros acreditam que nos dias que correm um jogo pode chegar ao ponto de se tornar uma obra de arte e uma referência a nível cultural.

A cultura dos Jogos de Computador afirma-se cada vez mais no mundo e consegue apresentar histórias fantásticas, mundos imersivos e personagens credíveis, que até então só se podiam ver de forma separada ou em livros ou em filmes.
Quem está mais atento a este universo, estará certamente ao corrente das notícias relativamente à publicação de jogos de cariz mais violento ou sexual, destinado ao público-alvo maior de idade; casos como Manhunt e Grand Theft Auto da Rockstar conseguiram captar a atenção dos média e foram títulos que as entidades reguladoras dos jogos viram como produtos perigosos para a sociedade devido ao fácil acesso que as crianças têm a toda a biblioteca de jogos vendidos nas lojas.

Apesar do controlo vivido a nível do conteúdo gráfico que passa, a verdade é que a nível ideológico e moral a maioria dos produtos passam intocados.

Apresentando mitologias diferentes e inventivas e, vários jogos algumas fortes críticas a nível religioso baseadas muitas das vezes em teorias de antigos filósofos e conflitos actuais. A verdade é que são cada vez mais os jogadores que mostram indiferença à devoção numa doutrina religiosa. Tendo em conta as mensagens passadas e a indiferença dos jogos face à religião haverá um desvio da direcção que levaria ao caminho da fé? Serão então os jogos um caminho até ao Ateísmo?

Desde os tempos mais antigos, quando os jogos começaram a apresentar fios narrativos, que se criaram mundos e mitologias totalmente distintas das nossas e despreocupadas com o recurso ao divino terrestre. Jogo onde se desafiam entes supremos e deuses sem se importar sequer com a palavra pecado ou frase desrespeito pela fé. Jogos onde o homem já atingiu outros planetas e onde a religião deixou de fazer sentido face a outras civilizações intergaláticas. Ou mesmo jogos onde fazemos o papel de deuses e governamos acima de sociedades em constante mutação às quais podemos fazer o que quisermos à sua população. Outros ainda onde subimos ao céu e ao inferno e enfrentamos demónios e anjos. E, por fim, alguns ainda onde se desmascaram grandes conspirações religiosas e se mostra que a fé não é por vezes aquilo que aparenta ser.

Serão estes universos livres e pejados de referencias anti-religiosas ou da total indiferença pelos entes terrenos um caminho até ao ateísmo?

Quando confrontado com esta pergunta, Luís Carriço, um jogador nato já maior de idade, responde: “Eu jogo, não só porque gosto de videojogos mas também porque é uma maneira de relaxar e esquecer os problemas do dia a dia. Não diria que isso leve à ignorância em relação à religião mas faz que cada vez haja menos respeito e compreensão pela mesma.”

Teoricamente a norma actual é de facto, os jogadores de todas as idades, desenvolverem alguma indiferença às questões religiosas, se tem directamente ou não a ver com estes desvios ou indiferença em relação às entidades supremas ou instituições religiosas do nosso mundo, que possa provir de uma força exterior como a música, a verdade é que o grosso que passa horas com um jogo se mostra cada vez mais indiferente às instituições religiosas.

Perguntando ao Luís se lhe vinha algum jogo à cabeça que possui-se uma visão critica da religião, rapidamente respondeu “O recente Assassin’s Creed”. Este é um jogo que segue as questões religiosas das épocas das cruzadas e idealiza uma conspiração com proporções históricas de forma equilibrada e inteligente.

Aquando da pergunta; Quando num desses jogos uma mensagem anti religiosa ou crítica te chega mesmo que bem estruturada, tu acreditas que deveria ser eliminada para não ferir susceptibilidades? Luís responde sem hesitar “Não. Isso seria um acto fascista.”

De facto, talvez seja isto que um jogador espera do jogo que vai jogar, um jogo descomprometido e com toda a liberdade de expressão sem opressões de qualquer órgão regulador. E é talvez também esta liberdade de conteúdos que potenciam a escolha do jogador, e se assim o é, então é claro que indiferentemente das mensagens que o jogo possa passar, os actuais “gamers” oferecem uma maior resistência às instituições religiosas pois como Luís acrescenta “Acho que isso não tem nada a ver e cada um interpreta as coisas de maneira diferente”. Logo, a resistência parte de cada um e não propriamente do incentivo de um jogo. Para além disso, os jogos são um bom factor de reflexão, tal como um livro ou um filme, pois expõem teorias que podem ser pensadas e comentadas não sendo diferente a sua influência então relativamente aos outros veículos de cultura e quando colocada esta questão Luís responde à mesma dizendo “Em certos casos, por vezes alguns jogos filosofam indirectamente sobre aspectos da sociedade e isso deixa-te a pensar no assunto.”

Na minha opinião global deste tema, e como um jogador já bastante experiente e utilizador diário deste meio de diversão, a minha experiência conta com vários jogos onde a indiferença ou a crítica perante a religião era palpável, mas esta questão está claramente ligada ao foro social do que se acredita como algo que pode desviar o actor social do caminho da religião ou da fé. Será a crítica a responsável? Tendo em conta que estas questões já foram muitas vezes levantadas a respeito tanto de películas cinematográficas como de livros, se tivermos em conta os jogos de computador, estes têm tanta legitimidade de explorar estes temas como os restantes, logo, não podendo ser um elemento único de desvio do caminho religioso e apenas mais um dos meios de crítica que está ao alcance da máxima do “só compra quem quer” logo só se expõem a este tipo de ideologias quem assim o desejar, no caso das crianças que têm o tal acesso livre, existem uma forma de prevenir isso, se os pais assim desejarem, restringir o acesso aos determinados jogos assim como o deviam fazer a nível de selecção de canais de televisão e filmes dedicados para os maiores de 18 anos.

Posso por fim ainda referir que esta questão prende-se novamente no fundo com o direito da liberdade de expressão e o direito à escolha, e tendo em conta a sociedade em que vivemos, estes direitos adquiridos permite-nos obter mais conhecimento e ter um olhar critico sobre o que nos rodeia o que é algo importante e necessário nos dias que correm e é a liberdade interpretativa de cada um perante aquilo que lhes é apresentado.

Quanto à questão; São os jogos um caminho até ao Ateísmo? Poderão ser sim, dependendo tal como referido anteriormente da vontade interpretativa de cada um, mas o mesmo sucede nos outros meios transmissores de cultura como a música, o cinema, os média, etc. que podem ser também transmissores de crítica religiosa e levar os indivíduos a questionarem-se sobre estas questões de fé e alterar as suas crenças religiosas ou mesmo elimina-las.

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5 Respostas »

  1. A formatação deste texto está uma droga. Não consigo ler nada!

  2. Gostei do seu artigo. Está bem estruturado, o tema é apelativo, e parece ser original dado que há falta de concordância entre predicados e sujeitos o que é muito bom sinal de não ter sido plagiado (uma praga da internet). E, pasme-se, consegue escrever um artigo dessa tamanhão todo sem ser insultuoso para ninguém. Mais uma originalidade. Será que no ateísmo português surgirá um bloguer original e criativo que não cultiva o estilo Richard Dawkins? Seria, sem dúvida, uma lufada de ar fresco.

    Felicidades,

    António Parente

  3. Caro António Parente.
    Muito obrigado pelo seu comentário, é sem dúvida um excelente representante da “força” oposta que ao contrario de outros que inundam estes sites onde a discussão deveria ser aberta e dinâmica, com ataques directos despropositados e por vezes extremamente ofensivos.
    Ainda bem que gostou do ensaio e posso assegurar-lhe que é 100% original mas não posso assegurar-lhe que todos os meus futuros posts sejam tão contemporizados, de qualquer forma visite sempre e não espero só por elogios, mas também por críticas que possam surgir a qualquer texto que tentarei responder com toda a clareza possível.
    Obrigado mais uma vez pela sua visita e pelo seu comentário.

  4. Administro uma liga de pilotos virtuais com outros amigos na net e posso dizer que acho que o jogo eletrônico, (no nosso caso aqui um simulador) em nada pode mudar uma pessoa a ser ou não “crente” em algo, posso dizer que as pessoas gostam de jogos mais pela “adrenalina” que eles proporcionam, do que com dogmas e conceitos de acreditar em algo ou ser um ateu descrente.
    Posso estar enganado, ao contrário da maioria dos ateus (e ao qual também o sou) gosto de pensar que cada um segue o caminho que achar bom para si, e de uma maneira simplista gosto de definir : Faça o que te deixa feliz, se é na ilusão de acreditar em algo que és realizado, que o seja!
    Algumas pessoal não tem a capacidade de compreênção da verdade, preferem acreditar em crendinces, em seres de outro mundo, a admitir que o verdadeiro caminho da humanidade deve ser o da razão, da sabedoria,do conhecimento, e principalmente da ética.
    Não sou um estudioso, muito menos uma pessoa extramamente culta e com formação superior como a maioria que esvreve e passa aqui pelo portal, mas é assim que penso eque vivo, aceitando a limitação dos outros.
    Obrigado por vocês existirem, gosto muito dos textos e discuções aqui apresentadas.
    Saudações!
    *Desculpem o português, não é meu forte! :]

  5. Os jogos de computador são optimos para aliviar o stress e um exelente divertimento, o mesmo não poderei dizer das missas que são uma seca e por isso não de todo o que os jovens procuram.
    Ao contrário do que se pensa normalmente, também se aprende muito com os jogos, dependendo do tipo de jogo, naturalmente.

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