Porquê ateu?

Por Ludwig Krippahl • 27 Jan, 2008 • Categoria: Opinião

Há quem julgue que ser ateu é não acreditar em deuses, mas isso pouco importa. Há tantos deuses que é praticamente o mesmo rejeitar todos ou rejeitar todos menos um. Também não é preciso ser ateu para criticar religiões. Qualquer crente pode condenar o tratamento das mulheres pelo Islão, o negócio da Maná e da Cientologia ou a proibição de contraceptivos pela Igreja Católica. Basta que a religião que criticam não seja a sua. E com tantas religiões o crente pode criticar quase as mesmas que o ateu. O que me faz ser ateu não é rejeitar mil e um disparates em vez de apenas mil. O que me faz ateu é ver tanto mérito numa fé como noutra qualquer. Mas é melhor explicar o que quero dizer com “fé”.

Fé não é certeza. Certeza é a confiança total que algo é verdade. Eu tenho certeza que não há tigres aqui em casa, pelo que nem me preocupa essa possibilidade. Se tivesse uma pontinha de dúvida que fosse já ficava apavorado. Fé é querer ter certeza de algo cuja certeza não se justifica, e muitas vezes fica-se pelo querer. A maioria dos que têm fé no paraíso teme a morte como quaisquer outros. Querem a certeza mas a certeza não vem só porque se quer. Mais importante, quando não há razão para ter certezas não é melhor querer uma que querer outra qualquer.

Daqui o ateísmo é inevitável. Se tenho que rejeitar, pelo menos, todas as fés menos uma, e se todas são igualmente merecedoras da minha consideração, então não há razão para ficar com a última. Vai para onde vão as outras. Tenho certezas e incertezas de acordo com o que sei, e até me posso enganar. Mas em caso algum me dá para querer uma certeza se não há razões para isso. Não me dá para ter fé.

Uma consequência engraçada é que isto não é acerca da existência de deuses. Tenho certeza que não há disso, uma certeza ainda maior que a certeza de não ter tigres cá em casa. Mas o meu ateísmo é rejeitar a fé em deuses e, mesmo que existissem, os deuses seriam apenas mais uma de muitas coisas que não controlo. As estrelas brilham, a entropia aumenta e em cada par de peúgas há uma que desaparece. É verdade, é inevitável, mas não tem nada com a fé. Se existirem deuses, paciência. Não vou ter mais fé por causa disso.

Uma consequência menos engraçada é ser um ateísmo incómodo. Não me calo, porque me parece que só pode ter fé quem achar que a fé que tem é melhor que a fé dos outros. Se não pensasse assim não tinha fé nenhuma. Era ateu. E preocupa-me que tanta gente ande convencida que a sua certeza injustificada, precisamente por ser injustificada, é melhor e mais desejável que as certezas injustificadas dos outros. Isto volta e meia dá asneira.

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32 Respostas »

  1. Ha quem julgue que ser ateu é ser inteligente…
    Da mesma forma que ha quem julgue que ser teísta significa ter fé permanente e inabalavel ha quem julgue que por se dizer ateu é um ser iluminado.
    Do texto supra resulta que provavelmente tem em sua casa um tigre, nem que seja de pelucia, mas que prefere não acreditar que ele la esta.
    Do mesmo modo ainda que exista Deus, era medieval admiti-lo. Daria muito trabalho. Era incómodo e,por isso (e porque é inteligente negar essa existencia), vamos ao jeito de “maria vai com as outras” pegar na bandeira do ateísmo. Os frutos são mais faceis de colher…
    Não deixemos que a realidade abafe o valor de uma boa historia.

  2. Caro João,

    Obrigado pelo comentário. Na verdade, não tenho problema em aceitar a existência de deuses de peluche.

  3. Bem…é um progresso. Desde que essa religiosidade contribua para a sua felicidade e a dos outros venham os peluches.

  4. Mas não confunda aceitar que algo existe com religiosidade. Há muitos deuses que existem. Por todo o mundo há tribos que adoram como deuses vulcões, animais, rios ou outras coisas que não me custa admitir que existem. Mas admiti-lo não faz de mim religioso. Saber que algo existe, julgar que algo existe, e ter fé são três coisas muito diferentes.

  5. “Há tantos deuses que é praticamente o mesmo rejeitar todos ou rejeitar todos menos um. ”

    Bem, a questão é mesmo acreditar em algo divino, portanto penso que é praticamente o mesmo acreditar em todos ou acreditar em um… Até porque do ponto de vista histórico que vemos é que muitos deuses com pequenos poderes, foram compilados num único deus todo poderoso..

    “Qualquer crente pode condenar o tratamento das mulheres pelo Islão, o negócio da Maná e da Cientologia ou a proibição de contraceptivos pela Igreja Católica. Basta que a religião que criticam não seja a sua”

    Esta última frase é completamente falsa, a maior parte das pessoas que conheço são católicas (eu também já agora) e criticam sem problemas o catolicismo várias vezes… É a mesma coisa que uma pessoa criticar o seu clube de futebol… ou o seu partido político. Você tem uma percepção (e errada) de preto ou branco do fenómeno religioso… ou se é fundamentalista… ou não se pode ser religioso.

    “O que me faz ateu é ver tanto mérito numa fé como noutra qualquer” e “tenho que rejeitar, pelo menos, todas as fés menos uma, e se todas são igualmente merecedoras da minha consideração, então não há razão para ficar com a última”

    Primeiro gostaria de saber se você já pesquisou seriamente e dum ponto de vista agnóstico, todas essas crenças, para poder dizer que são TODAS merecedoras de igual consideração. Depois essa do ” Todas as religiões são diferentes, e não podem estar todas certas ( e até aqui o raciocínio é correcto), Logo estão todas erradas, ( é aqui que a asneira é cometida) não pega.
    Aliás se você segue essa postura acho que não devia ter convicções nenhumas,devia ser ateu em tudo, porque poucos são os assuntos que são unânimes. Por exemplo os cientistas hoje em dia oferecem mais de 40 teorias sobre a origem do Universo, e todos acreditam na sua e até escrevem livros sobre a sua, lá pelas 40 teorias não poderem ser todas certas, não quer dizer que sejam todas erradas. E aqui eu não estou a comparar o método científico e o religioso, não é esse o ponto…

    E mesmo dando de barato, que as religiões estão todas erradas, a possiblidade da existência de deus não muda nada.
    A possibilidade da existência de deus, não deve ser confundida com tentativas de descrição do mesmo, e com outros ritos. É isso que o ateu deveria ser capaz de ver.

    “Fé é querer ter certeza de algo cuja certeza não se justifica, e muitas vezes fica-se pelo querer. ”

    Claro que com essa definição de fé só você só poderia acabar em ateu… as pessoas religiosas acreditam genuinamente num deus, não tem nada a haver com querer acreditar em deus. Se elas quisessem simplesmente acreditar em deus, mas não acreditassem, seriam ateias como você…. Existem muitos ateus assim, “não acredito mas gostava de acreditar”.
    Eu acredito em deus simplesmente porque acho mais lógico… não é porque quero acreditar.

    “Uma consequência menos engraçada é ser um ateísmo incómodo. Não me calo, porque me parece que só pode ter fé quem achar que a fé que tem é melhor que a fé dos outros. Se não pensasse assim não tinha fé nenhuma. Era ateu. E preocupa-me que tanta gente ande convencida que a sua certeza injustificada, precisamente por ser injustificada, é melhor e mais desejável que as certezas injustificadas dos outros. Isto volta e meia dá asneira.”

    E acho muito bem que não se cale, é por isso que temos uma socidade democrática. Repare que ser ateu, é uma posição igual a ser católico ou muçulmano, você também toma essa posição por achar que é mais razoável e consequentemente melhor que as outras posições. O problema não é cada um achar que a sua posição é a melhor, o problema é não respeitar as posições dos outros…. isso sim dá asneira da grossa.

    Abraço, João Ribeiro

  6. Ludwig , está é uma boa definição do que é a fé porque você não busca definições “clássicas” como de antigos filósofos. Você foi muito bem pela lógica crua de como é a coisa. Isso é muito bom.

    Apesar de ser ateu, eu sempre me lembro de uma frase do Eric Hoffer que diz:

    “The opposite of the religious fanatic is not the fanatical atheist
    but the gentle cynic who cares not whether there is a god or not.”

    Eu sempre penso que, da mesma maneira que as religiões debatem entre si, ser ateu é simplesmente ter uma postura neutra, e por isso degladiar contra qualquer uma delas é nada mais que se juntar a esse mesmo grupo. Eu não concordo com nenhuma, mas também não falo mal. Eu apenas uso meu conhecimento para castrar qualquer tentativa de “evangelização” e para esclarecer dúvidas.

    Em todo caso, seu argumento é excelente!

  7. Caro Luiz Guilherme Amaral, receio não concordar completamente consigo. Ser ateu não é ser neutro. Se admitirmos que um ateu é alguém que não acredita nas heranças religiosas que se recusa a presta vassalagem a um ente divino, pois no seu raciocínio ele não existe. Este tipo de comportamento é o mesmo que criar um clube de futebol, para quem não gosta de futebol. A neutralidade que procura dá pelo nome de agnosticismo. Confesso que admito a existência de Deus, Efectivamente é matematicamente possível a sua existência. È improvável, concordo, mas colocar à partida de parte a sua existência é tão enganoso como colocar à partida de parte a sua não existência. Ou seja, a diferença entre um ateu e um religioso, é como a diferença entre a Coca-Cola e a Pepsi. Agora, se reler com atenção a citação de Eric Hoffer, a neutralidade que o autor da frase se refere é apenas desfrutada por um agnóstico.
    Cumprimentos

  8. Edgar tudo bem? Eu estou aqui para compreender melhor os ateus e agnósticos, eu gostaria de saber porque é que considera um criador para o Universo improvável.

  9. João Ribeiro,

    «Eu acredito em deus simplesmente porque acho mais lógico… não é porque quero acreditar.»

    Se é esse o caso, então não terá qualquer problema em deixar de acreditar se lhe parecer que o peso das evidências pende para o outro lado. Por exemplo, neste momento acredito que são 15:34 porque é o que tenho no meu relógio. Se várias pessoas me disserem que são 15:40 eu mudo de crença (e acerto o relógio) sem problema nenhum. Se depois descubro que me pregaram uma partida volto à crença original.

    Isto não me parece ser a atitude de quem tem fé. Se alguém me disser que acredita em deus porque é para ai que pende o peso das evidências mas se encontrar evidências ao contrário deixa de acreditar sem problemas, eu direi que essa pessoa não tem fé. Quem tem fé não se limita a acreditar, mas dá também valor à crença. Quer acreditar.

    Quanto à neutralidade do agnosticismo, não me parece correcto. A questão não é se uma coisa é possível. É possível que esteja um tijolo prestes a caír na minha cabeça. A questão é se, dadas as evidências, se justifica assumir que isso é suficientemente provável para considerar a hipótese. Neste momento não há nada que me sugira a necessidade de ir comprar um capacete. Mas se eu fosse mesmo neutro quanto a isto, se considerasse haver 50% de chances de cair e 50% de não me cair um tijolo na cabeça, ia já a correr comprar um capacete.

    Não há evidências que me permitam distinguir as hipóteses de haver zero deuses, um deus, 2, 3, 4, … até infinitos. Tal como o tijolo, não adopto uma posição neutra em relação a cada uma delas. Simplesmente digo não há nada disso e permaneço disposto a mudar de ideias se, e só se, as evidências o justificarem. Tal como o tijolo.

  10. CONTRA O AGNOSTICISMO

    Direi que sou não só um Ateu, como também um Aagnóstico. Não; não é erro de dactilografia: Aagnóstico. Não sei se existe ou se alguma vez existirá esta palavra, mas reflecte bem a minha posição quanto ao agnosticismo: refuto-o. Refuto-o da mesma maneira que refuto o Teísmo e explicarei seguidamente porquê.

    Para qualquer interrogação acerca de um facto do Mundo, apenas três respostas podem ser assumidas: SIM, NÃO, TALVEZ. Desta forma, se eu perguntar: “existe alguma janela naquela casa?”, a resposta apenas se pode confinar às duas primeiras premissas: SIM ou NÃO. Obviamente, o adepto do TALVEZ dirá “como podes dizer sim ou não se apenas estás a ver a casa de uma perspectiva? Ela pode ter uma janela algures. A tua posição perspéctica não te permite saber com certeza se a casa tem janelas ou não”. Terei de anuir. No entanto, esta posição revela uma deficiência: ela não se envolve na busca da verdade. Apenas constata passivamente uma preposição – que até é verdadeira. Ora, a busca pela verdade não pode ser passiva, tem de ser dinâmica; e assim, se eu realmente estiver interessado em eliminar as dúvidas do meu amigo, adepto do TALVEZ, terei de levá-lo comigo, percorrendo cada ângulo da casa e assegurar-me que, analisadas matematicamente todas as perspectivas, só um SIM ou um NÃO podem fazer parte da resposta.
    Passando para o campo teológico, imaginemos que Deus é a nossa janela; quem crê existir algures uma janela é um Crente; quem não vê qualquer janela é um Ateu e quem pretende ficar na dúvida acerca da existência de janelas, é um Agnóstico.

    Obviamente, o Crente vê janelas mesmo onde elas não existem – e desta posição é impossível demovê-los. Agora, o Agnóstico recusa passivamente a envolver-se na busca: ou prefere ficar a debater filosoficamente entre o Ateu e Crente acerca do conceito de janela, colocando-se confortavelmente como intermediário, ou prefere dar uma de conciliador e dizer que tanto o Crente como o Ateu têm razão (um vê com os olhos do corpo, outro vê com os olhos da alma), etc.

    A postura do Agnóstico é tipicamente pós-moderna; e por isso mesmo, talvez seja a mais perniciosa das três. Enunciarei alguns dos motivos que me levam a acreditar nessa hipotése:

    Em primeiro lugar, o Agnóstico não opera em qualquer referência de realidade (para ele, os critérios que permitem aferir um mundo espiritual são os mesmos pelos quais se pode aferir um mundo natural, e se alguma vez quiser ser científico onde nenhuma experimentação pode ser realizada, apenas está a contribuir para degradar o próprio propósito da ciência).

    Em segundo lugar, o Agnóstico é condescendente com posições antagónicas mesmo contra aquilo que a evidência lhe demonstra; ou seja, querendo colocar as duas opções em aberto, o Agnóstico apenas reforça a atenção sobre a posição que de outra forma seria excluída; e isto porquê? Pelo mesmo motivo que quem ganhou mais dinheiro na corrida ao ouro na Califórnia não foi quem o queria encontrar mas quem vendeu picaretas aos milhares de curiosos que procuravam esse ouro: a curiosidade pela obtenção do intangível e inatingível El Dorado tem sido sempre, ao longo da História, muito mais aliciante para a maioria das pessoas do que a evidência do concreto.

    Em terceiro lugar, o Agnóstico não acredita no progresso do conhecimento, já que para ele, o que existe são diferentes versões de progresso, todas elas igualmente válidas de acordo com as ideias de quem as defende; ora, isto é um absurdo se considerarmos que não há várias versões acerca da esfericidade do planeta Terra, acerca da Lei da Gravidade ou acerca do cálculo matemático: 1 + 1 será sempre 2, quer seja na Europa ou na mais remota aldeia de indíos na Amazónia (mesmo que os índios não utilizem ou desconheçam as nossas regras matemáticas, isso não quer dizer que elas estejam erradas). Em qualquer banco de escola, uma criança sabe hoje muito mais acerca da realidade do que alguma vez imaginou saber Aristóteles. Não se deverá chamar a isto, progresso?

    Em quarto lugar, o Agnóstico tende a inclinar-se para uma postura de indeferença cívica; considerando igualmente válidas as várias posições em conflito, ele tenderá a não tomar posição por qualquer uma delas. Assim, não é difícil de perceber como este excesso de tolerância, pode originar o fim da tolerância – como já Karl Popper o anunciava e o movimento Nazi o demonstrou na prática.

    Por tudo isto e muito mais, o Agnosticismo constitui a brecha aparentemente insignificante por onde um ténue fio de água pode destruir uma barragem, inundar uma aldeia e acabar com os seus habitantes. Não quer isto dizer que os Agnósticos promovem esta situação gravosa de modo consciente; contudo, é através da sua serena passividade e condescendência, que a construção de um mundo prevendo um rumo para todos, pode dar origem a um mundo sem rumo, ou a um rumo que conduza ao fim desse mundo.

    Do lado Agnóstico acredito que a acusação de dogmatismo possa recair sobre o Ateu, essa criatura cheia de certezas. Só que o busílis da questão não está no objecto da certeza, mas no tempo da certeza. O Ateu diz que não acredita em Deus, da mesma maneira que qualquer pessoa de bom senso não pode acreditar em vida extraterrestre: não porque qualquer um deles não possa UM DIA vir a confirmar-se existir, mas porque HOJE se sabe que eles não existem. O Ateu trabalha com a realidade do “hoje”; o Agnóstico trabalha com o “talvez de sabe-se lá quando”.

    O Ateu vive de provas concretas e trabalha sobre elas. Tanto o Agnóstico como o Crente, deixam a fantasia povoar o seu discurso: o primeiro utiliza-a em regime de part-time; o segundo utiliza-a em regime de exclusividade. Enquanto a fantasia não for separada da realidade, a História humana continuará ainda e sempre, a ser uma História de e para crianças.

  11. “O Ateu diz que não acredita em Deus, da mesma maneira que qualquer pessoa de bom senso não pode acreditar em vida extraterrestre: não porque qualquer um deles não possa UM DIA vir a confirmar-se existir, mas porque HOJE se sabe que eles não existem”

    O texto até estava mais ou menos bom… mas esta frase não é muito razoável…

  12. João: se a frase não está razoável, era bom que explicasses porquê.

  13. “a mesma maneira que qualquer pessoa de bom senso não pode acreditar em vida extraterrestre….”

    O Dawkins não tem bom senso? Sabes o significado da palavra acreditar? Quando se tem evidências não é preciso acreditar….

  14. Não sei porque é que o Dawkins foi para aqui chamado, mas enfim… Quanto a extraterrestres, não sei se sofreste ou conheces alguém que tenha passado por alguma experiência de “alien abduction”, mas até ver, “green men from Mars” não existem. Será que a cómica fraude de Roswell contribuiu para informar o teu significado das palavras “evidência” e “acreditar”? Quem estiver interesado em perceber o fenómeno PSICOLÓGICO que tem alimentado o imaginário de contactos com extraterrestres, aconselho o livro “The Demon Haunted World” de Carl Sagan.

  15. O Dawkins acredita na existência de extra-terrestres ( diz que é muito provável que existam) e como é um ateu muito aclamado pelo seu bom senso, achei que devia mencioná-lo.

    Peço desculpa se não fui claro. Nada a haver com Roswell e afins. O meu ponto é que a crença em extra terrestres é perfeitamente racional, dadas as dimensões do nosso Universo. É uma possibilidade que tem de ser levada a sério.

    “não porque qualquer um deles não possa UM DIA vir a confirmar-se existir, mas porque HOJE se sabe que eles não existem”

    O ponto é que o acreditar vem antes do confirmar. Depois da confirmação é estabelecido um facto, e não há nada mais a acreditar.

  16. Dawkins não acredita na existência de Aliens: Dawkins acredita na (ténue) probabilidade da sua existência – o que é algo bem diferente: acreditar num determinado grau em que algo pode ser possível, não significa dizer que esse algo É já possível. Se entrarmos no campo da matemática, existem infinitas probabilidades para equacionar todas as coisas possíveis e imagináveis (até mesmo Deus). Mas enquanto essas probabilidades não se confirmam, não podemos dizer que elas legitimam como válido, o simples campo hipotético. Daí a minha frase “não porque qualquer um deles não possa UM DIA vir a confirmar-se existir, mas porque HOJE se sabe que eles não existem”: “UM DIA” é uma medida (indefinida) de probabilidade, “HOJE” é a confirmação de uma realidade.
    Como equacionar uma probabilidade é por si um acto racional, logicamente, equacionar uma probabilidade de existir vida extraterrestre, é também um acto racional. Mas eu não questiono isso! O que questiono é quereres fazer dessa mera probabilidade, um argumento legitimador de verdade. Ora, tanto em relação a Deus como em relação a extraterrestres, a quantificação que tem marcado as suas ocorrências existenciais no Universo, resume-se apenas a um número: zero.
    “Ah! Mas esse valor, UM DIA pode alterar-se!” dirás tu. Sim…voltamos ao mesmo: UM DIA. Até lá, devo dizer que não acredito nem em Deus nem em extraterrestres.

    Em relação à tua frase: “o acreditar vem antes do confirmar. Depois da confirmação é estabelecido um facto, e não há nada mais a acreditar”. Acho que há aqui um equívoco: Se tu acreditas em algo, acreditas numa probabilidade desse “algo” poder ou não corresponder à tua crença. Se essa probabilidade tiver uma (ou várias) correspondência(s) efectiva(s) na REALIDADE, aí sim, é que tens motivos para acreditar que esse facto ocorreu (não sei porque dizes que aí “não há nada mais a acreditar”). O problema é que estás a utilizar a palavra “acreditar” com o sentido de “fé”; penso que não deves dar ao conceito de “acreditar” uma conotação tão nebulosa ou…teológica. Utilizar “acreditar” como um desejo ou uma aspiração pode até ser bonito, mas não resolve a questão. “Acreditar” é um conceito alicerçado numa referência; ou seja, tu acreditas em referência a “algo”; e esse “algo” não se esgota sempre que o atinges: ele é recorrente (pelo menos até ao ponto em que não for refutado por “outro algo”). Para a pergunta “acreditas?”, a resposta só pode ser SIM ou NÃO: se entrarmos no TALVEZ, apenas estarás a adiar uma aferição do mundo que o teu interlocutor te pede HOJE. “Acreditas nas alterações climáticas? Talvez…”, “Acreditas que todos os arsenais nucleares combinados tem capacidade de devastar o planeta? Talvez…”, “Acreditas que a gripe das aves podem provocar uma pandemia? Talvez…”. Peço imensa desculpa, mas a isto eu chamo irresponsabilidade agnóstica pós-moderna.

  17. Caro Lucas Samuel se considera: “Se entrarmos no campo da matemática, existem infinitas probabilidades para equacionar todas as coisas possíveis e imagináveis (até mesmo Deus). Mas enquanto essas probabilidades não se confirmam, não podemos dizer que elas legitimam como válido, o simples campo hipotético.”
    À luz das suas afirmações, tudo o que não é certo é necessariamente questionável.
    Bom, a teoria da evolução como o próprio nome indica, é uma “teoria”, efectivamente com fortes evidências e uma enorme probabilidade, mas o facto de não ser 100 por cento certa, pois existem buracos de informação e nem tudo está justificado, não quer dizer que esteja errada. Pode colocar em causa a probabilidade de algo, porém, não pode por em causa a sua validade. Mas apelo ao seu bom senso em relação aos extraterrestres. Se acredita a 100 por cento na teoria da evolução não admite que essas regras funcionaram noutro lugar em todo o universo?

  18. Caro Edgar: a “teoria” da evolução, sendo corroborada por milhões de fósseis expostos em inúmeros museus de paleontologia pelo mundo e pelos milhares de cientistas que a estudaram (excepto os oportunistas do Discovery Institute que esses não contam), é a única resposta válida para o aparecimento de formas complexas de vida na Terra. Diz-me que não é uma resposta 100% atestada e não é por isso que não deixa de ser válida. Mas alguém negou esse facto? Se entrarmos por um caminho em que “certeza absoluta =100%”, então, temos de assumir que a única resposta correcta para a procura gnosiológica só pode ser o niilismo. É óbvio que nunca me poderá dizer que comprou um casaco 100% azul, que a sua dor de dentes não lhe deu um nível de sofrimento de 100%, que o seu bife não vem 100% grelhado como queria, etc. E depois?
    Se para tudo na vida, tivesse de me guiar por uma certeza de 100%, então, não me preocupava com Deus: eu próprio seria qualquer coisa parecida com aquilo que alguns chamam Deus. Aconselhava a que não se prdesse nas percentagens. A consciencialização dos nossos limites não pode inibir a certeza acerca das nossas referências de conhecimento (falíveis, provisórias e ciscunstanciais, mas nem por isso desprezáveis ou negligenciáveis para o nosso progresso).
    Em relação aos extraterrestres, claro que tenho de admitir a probabilidade da sua existência, assim como de Deus; mas mais uma vez me repito: “acreditar num determinado grau em que algo pode ser possível, não significa dizer que esse algo É já possível”. Mas agora que me chamou a atenção para o facto, terei de corrigir uma afirmação errónea que é própria do excesso de visão antropocêntrica: disse eu que “tanto em relação a Deus como em relação a extraterrestres, a quantificação que tem marcado as suas ocorrências existenciais no Universo, resume-se apenas a um número: zero”. Ora, pelo menos em relação a vida no Universo, a sua probabilidade é bem mais crível do que a de Deus, porque a sua ocorrência no Universo não é ZERO, mas pelo menos UM; ou seja, NÓS, criaturas terrestres!
    Eu compreendo que a maior parte das pessoas deseje sentir-se acompanhada no Universo: seja essa companhia a de uns irmãozinhos celestiais chamados extraterrestres ou de um papá cósmico chamado Deus.

  19. Lucas Samuel eu compreendo porque és ateu…. é porque não queres prestar contas a um ser moralmente superior…

    Como é óbvio estou a gozar… mas é para veres o conteúdo do que andas a dizer… zero.

  20. Meu caro João Ribeiro,
    Eu gostava de saber que “ser moralmente superior” é esse de que estás a falar. Caso contrário, ficarei seriamente preocupado se não estarás afectado com alucinações…

    Ah! Já agora: esse “ser moralmente superior” é algum contabilista ou inspector do Ministério das Finanças? É que para “prestar contas”, não estou a ver assim mais ninguém com o perfil…

  21. Aha… és brasileiro ?

  22. Caro Samuel, não me vai levar a mal, mas enquanto lia o seu Post, perdi-me umas poucas de vezes. Mas creio que percebi o seu raciocínio pois todas as teorias que estavam implícitas são-me mais ou menos familiares, alias, convém admitir todas as hipóteses para que possamos criar um juízo de valor. Pelo menos é a minha opinião. Eu não quero, nem deixo de querer que Deus ou extraterrestres existam, alias que sejam a mesma pessoa, salvo os crentes da Cientologia. É me indiferente, mas felizmente há estes fóruns para podermos chegar a uma conclusão que apesar de não ser verdadeira (100%) seja verosímil.
    Peço-lhe que faça um pequeno exercício. Acredito que se sinta parte do universo, a existência de um Deus ou de vida num espaço sideral parece-lhe impossível, improvável ou inacreditável? Eu não posso argumentar com factos ou evidências, porque não existem. Mas posso argumentar com algum empirismo que está na génese das teorias científicas, parece-me bastante verosímil.

  23. Caro Edgar,
    Em relação à sua pergunta: “a existência de um Deus ou de vida num espaço sideral parece-lhe impossível, improvável ou inacreditável?” A resposta é simples: a existência de um Deus ou de vida num espaço sideral parece-me…procurável. E com isto quero simplesmente dizer o seguinte: procuremo-los! Esta postura curiosa do ser humano é, a meu ver, muito mais importante do que tudo o resto. Carl Sagan é bem o exemplo deste paradigma quando dinamizou o programa SETI. E mais não digo por agora, para você não se perder…

  24. Ser ateu é colaborar na criação divina pelo lado de dentro, é estar em De Eus sem realmente O ver, é criar palavras e conceitos que só fazem sentido com a existência de Deus. É ampliar a palavra e corrigir a posição daqueles que realmente vêem e estão no verdadeiro caminho da luz. Agradeço a Deus pela existência dos que se auto denominam de ateus, bem hajam. E, se falo nos ateus é para lhes agradecer o contributo que prestam para Glória do nome de Deus que significa de eus, ou seja de todos os eus onde o elemento constituinte mais importante é a partícula individualizada de cada um dos EU enquanto parte constituinte do todo. Dai que a força motriz de todo o universo é tão e só a PALAVRA. No inicio era o verbo e o verbo fez-se homem. Os ateus colaboram na criação do universo porque ao defenderem a não existência Deus acabam por confirma-Lo quando pronunciam o Seu Nome. Deus é superior ao homem porque se a palavra alimenta o espírito então Deus é a origem de todas as palavras e dos ateus também.

  25. Caro Cirilo, admiro a sua consideração por Deus. Mesmo que eu duvide da existência de Deus, a sua atitude positiva faz corar de inveja estes pseudo iluminados ateus, porém gostaria que tivesse em atenção um erro citado pelos profetas. No meu entender, escritores de contos de fadas. No princípio não era a PALAVRA, porque o verbo surge à posteriori do elemento responsável pela criação, a acção. Mesmo admitindo a existência de Deus, esse ente seria formado de acção, provavelmente esse próprio Deus pode ser irracional. Efectivamente, no meu entender, a noção de palavra é um conceito oco quando conjugado com Deus.
    Só uma pequena achega, se Deus abençoa os ateus e os religiosos, onde é que ficam os agnósticos?
    Cumprimentos.

  26. Caro Edgar, durante muitos anos, comparei os profetas a crianças com muita imaginação, do mesmo modo que a teimosia da minha avó, em não tirar o luto, argumentando que era o vestido de noiva de Deus. Recordo-me, eu, ainda era uma criança com 8 anos. Já estávamos a viver no Pinhal Novo, há um ano; os meus pais a minha avó materna e os meus dois irmãos. Depois de um remoto confronto geracional sobre a duração do uso do luto, entre a minha mãe (provavelmente sentiu que ai, a tradição do uso do luto não era tão conservadora, como no Algarve) e a minha avó «burro velho já não aprende», foi para o quarto, e, confessou-me, «Zeca, a tua mãe já não quer entender que com este vestido é só Deus fazer-me um sinal e eu estou pronta». Um grande enigma para mim, porque nunca vi a minha avó entrar numa igreja, mas a sua fé em Deus era absoluta, fé ou teimosia «a mania é pior do que a doença» dizia. E, por tudo e por nada repetia «graças a Deus», «se Deus quiser» bem como outras frases e expressões semelhantes. Aposto que quem estivesse próximo da minha avó também sentia a alegria da presença de Deus. Digo enigma porque em 1967, tinha 6 anos, obrigaram-me, pela segunda vez, a entrar numa igreja, a primeira tinha sido quando fui baptizado, esse era um procedimento semanalmente obrigatório para todos os utentes da colónia de férias dos filhos dos ferroviários, em Mangualde, no distrito de Viseu, região Centro. Pelo contrário, no Algarve, sobre as ruínas da antiga cidade cónia da Balsa, no sitio do Arroio, na freguesia da Luz de Tavira, distrito de Faro, a religiosidade não impunha a obrigação social de frequentar a igreja. De modo que, ninguém obrigava a minha avó, a substituir-se aos samarras e impor a presença divina, de Deus. A fé não se explica, ou se tem ou não se tem, tal como a liberdade. Como considero a liberdade um valor acima de qualquer dádiva divina, durante muitos anos fui agnóstico até encontrar o caminho que satisfaz plenamente a minha necessidade de explicação da existência dessa palavra, do povo que a criou e a espalhou pelo mundo. Muito resumidamente; primeiro os cónios receberam o conhecimento e o espalharam, depois os lusitanos receberam a luz e redescobriram o mundo civilizado por obra e graça de Deus. Os agnósticos estão a caminho do conhecimento de Deus. Repare que os que procuram Deus pelo conhecimento são uma gota de água no oceano mas com o número suficiente de ingredientes para tornar a vida marítima possível. Os agnósticos não sendo pastores não precisam de ovelhas apenas descobrem o caminho para as pastagens.
    Mas, voltemos ao erro dos escritores de contos de fadas,
    «Mesmo admitindo a existência de Deus, esse ente seria formado de acção, provavelmente esse próprio Deus pode ser irracional.»
    A palavra «Deus» é uma unidade linguística com um significado e um valor fonético associado. Este valor fonético não é mais do que o som, vibração do ar, energia acústica diriam outros ou seja; um ente formado de acção e irracional como previsto para quem assim o deseja qualificar.

  27. Amigo Cirilo, em primeiro lugar, peço que não entenda a minha atitude irreverente com a postura agressivo dos ateus para discutir religião ou a existência de Deus. As experiências religiosas que enumerou no seu post fazem-me entender que relatam práticas sociais fundamentadas me hábitos religiosos e como tal tenho dificuldade em encaixá-las a fé.
    Quanto aos contos de fadas, efectivamente os documentos escritos pelos profetas são fruto de uma grande imaginação, mas o facto de imaginarem não implica necessariamente que seja mentira, mas infelizmente as instituições religiosas não o conseguem admitir. Talvez se o fizessem e se sustentassem somente em princípios de bondade e amor ao próximo, o mundo seria um lugar melhor. Nem que fosse só pelo facto de os ateístas perderem dois terços dos argumentos para implicarem com os religiosos.
    Mas deixo-lhe um repto, se tem uma atitude perante a vida e se rege por princípios nobres, acha que precisa da aprovação ou encaminhamento de Deus para alguma coisa?

  28. Amigo Edgar, para além de discordarmos no conhecimento de Deus vejo que também não temos o mesmo conceito de fé. Se um adulto pratica um acto e responsabiliza uma entidade que julga superior a si próprio, chamo a isso fé.

    As crianças confiam na presença dos pais para os defenderem e ajudarem em qualquer dificuldade. Muitos adultos continuam a agir do mesmo modo, precisam de sentir a presença divina. Até mesmo, Cristo terá dito aos crentes para serem como crianças se quisessem entrar no reino de Deus.

    Não me revejo no sentido habitual do termo «religioso» uma vez que espero pela doutrina de que nos fala o grande poeta popular, António Aleixo, em “este livro que vos deixo…”,
    «Há luta por mil doutrinas.
    Se querem que o mundo ande,
    Façam das mil pequeninas
    Uma só doutrina grande.»

    Para mim, a questão não é se acredito ou se tenho fé em Deus, porque eliminei todas as dúvidas, estou no caminho do entendimento de Deus. Os meus inimigos são: a ignorância, o excesso de orgulho e a inveja. E, os meus aliados: a minha humildade e a sabedoria de Deus.

    Todos os meus actos são para glória do nome de Deus. Evidentemente que, como não sou perfeito, quando erro, peço desculpa e procuro reparar, na medida do possível, os estragos que causei. Na verdade, quase todos os meus erros não são erros, mas enganos na medida em que se não os cometesse não teria oportunidade de corrigir-me no futuro.

    Não é necessário ser-se altruísta para colaborar na grande obra de Deus. Não sei se tem conhecimento do inquérito aos «tão ilustres» salvadores de multidões de judeus durante a II guerra mundial, «todos os que colocaram as suas próprias vidas em perigo» escondendo judeus e ajudando-os na fuga. Colocaram-lhes uma questão parecido com; sabia que o seu nome vai ficar na história? Responderam que não faziam a menor ideia sobre o assunto.

    Estes heróis anónimos, fizeram apenas aquilo que lhes ditou a consciência. Contribuíram para a grande obra de Deus. Se queremos um mundo melhor, então, por amor de Deus, façamos algo pelos outros. Para mim, basta-me o sorriso de uma criança.

  29. Não me respondeu à questão Cirilo. Francamente eu entendo que a fé funciona como o álcool. Há pessoas que só se divertem depois de beberem bastante e por outro lado há pessoas que precisam de Deus para agirem de forma correcta.
    Aqueles que dizem que tinham uma vida miserável mas que agora encontraram Deus e finalmente são felizes, deviam reconhecer que a força da recuperação estava dentro deles e não num pretexto que dá pelo nome de Deus. Admito, custa-me a crer que foi literalmente por Obra e Graça do Espírito Santo que recuperaram.
    Para concluir, eu tento ser uma boa pessoa todos os dias, mas não é por Deus, é por mim. E se efectivamente um dia tiver de prestar contas com Ele, seja qual for o meu castigo, é precisamente isso que vou dizer.

  30. Amigo Edgar, todos os dias como pão porque tenho fome, mas a chuva que é o alimento do trigo, atrapalha-me o resto do dia. Não procuro ser bom ou mau mas, com o meu pequeno contributo, continuar a maravilhosa obra de Deus. Precisei de Deus para nascer, foi Deus que me deu a vida, «ou se quiser, o Espirito Santo»; dos meus pais e avós para me alimentarem física e espiritualmente, presentemente maravilho-me todos os dias com a obra de Deus, amanhã seja o que Deus quiser. Tenho origens humildes, não disfarço as minhas atitudes com princípios nobres que não os tenho. Apenas, procuro que a rudeza dos meus modos não ofenda a sensibilidade dos que, graças a Deus, tiveram berço. Procuro estar sempre em paz com Deus, com os homens é mais difícil.
    Quanto ás dividas, dizia-me a minha avó:
    - Zeca, as dividas pagam-se na terra, porque se Deus não nos der tempo no céu, temos que pagar o dobro no inferno.
    Para uma criança esta explicação é aceitável, para um adulto já não. É que tudo regressa ao principio, é Deus quem dá e Deus quem tira. Foi Deus quem me deu a vida, não para eu fazer a minha obra mas para fazer a obra d´Ele. Agradeço a Deus este corpo para cuidar, alimentar, rir e chorar, trabalhar e divertir-me. Não estou preocupado com a salvação ou contas pelos meus pecados, todos os momentos da minha vida são vividos em comunhão com Deus. Não tenho culpa, porque foi assim que Deus me fez, nem que eu morra continuarei a pensar e fazer sempre assim. Se algum desgraçado ofender o nome de Deus na minha presença, só o fará uma vez.
    Mais objectivamente, cada homem descobre o seu próprio caminho usando a liberdade que Deus lhe dá ou aceita a luz do seu guia.

  31. Ludi:

    Gostava de esclarecer alguns equívocos.
    Primeiro, ter uma religião não é o mesmo que ter fé. Eu acredito em Deus, e não tenho nenhuma religião, nunca precisei.

    Porque aquilo que sempre me pareceu horroroso em qualquer religião, e em qualquer ideologia (e aqui incluem-se de igual modo coisas como o Catolicismo, Budismo, Protestantismo, Comunismo, Capitalismo e tudo o mais) é que, a partir do momento em que aceitamos como «melhor» uma religião, uma ideologia ou um sistema de valores, as pessoas deixam de questionar e passam a aceitar os princípios como dogmas. Perde-se o sentido crítico e perde-se todo o sentido do que vale a pena acreditar.

    Mas a fé não é nada disso. É apenas sentirmos que vale a pena (para nós, não necessariamente no sentido de querermos impor aos outros) acreditarmos em algo que achamos ser um princípio criador acima de tudo o que é explicável. E isso também não é ter «certeza». No fundo, para além da certeza cartesiana («penso, logo existo», ou, em termos mais modernizados, à moda desse grande pomposo que é o sr. prof. dr. Damásio, «sinto logo existo») nenhuma mais certeza temos. Logo, quem tem fé em Deus não tem certeza. Não é uma questão de ter certeza. Pode sentir que tem a certeza, o que é diferente, em momentos, e noutros deixar de ter. Como o amor, é essa a beleza da fé. Como está escrito no Evangelho Cristão (eu não sou cristão, mas encontro aí excelentes ensinamentos, como nos textos budistas, e em muitas coisas mais) para aqueles que acreditam haverá momentos para duvidar, e para aqueles que duvidam haverá momentos para acreditar.
    Não se trata, nem nunca se tratou, de uma procura estéril da «verdade» ou da «certeza», aliás nesse certo sentido nada há de mais estéril do que a própria ciência. A Ciência vale apenas em função daquilo que consegue prever.
    Outro erro é tentar fazer da ciência um Deus. A atitude obsessivamente racional de querer acreditar que tudo é explicável cientificamente (quando nem do ponto de vista das vivências humanas vale a pena tomar a atitude racionalista em relação a tudo) TAMBÉM é uma Religião.
    E se há uma coisa de que tenho a certeza, ao fim de quase 40 anos de vida, é que o segredo da procura do conhecimento e da compreensão do universo e do ser humano está num justo equilíbrio entre pontos de vista necessariamente opostos. Não faz qualquer sentido, portanto, entrar com essa afirmação de que a fé «não prova» ou não nos faz ter «certezas», quando é evidente que não é nada disso que está em causa. A atitude de alguém que é ateu é uma religião de igual significado das religiões de quem acredita em Deus ou em deuses. A atitude de um fanático convencido de que uma sociedade se pode regular apenas pelas leis do mercado, que se «auto-regulam», é de igual sentido à atitude de um comunista fanático que acredita que é possível construir uma sociedade sem bens privados e com partilha de tudo por todos.
    E, igualmente, a atitude daqueles fanáticos religiosos que nos tentam convencer à força das «provas» da existência de Deus é exactamente igual à atitude dos fanáticos do Deus da Ciência, que nos tentam convencer que não vale a pena ou não tem qualquer sentido acreditar em Deus, quando não existe «prova».
    A verdade é que a ausência da prova não constitui a prova da ausência, e a gente também acredita que ama alguém sem ter provas de tal coisa. Mesmo que fosse possível provar, não é necessário.
    E portanto, esta discussão sobre se faz ou não sentido acreditar na existência de Deus com base em argumentos racionais é eternamente supérflua. Nunca será só a Ciência a construir uma sociedade justa, e também sabemos que nunca foi a religião. Apenas o livre e sublime auto-arbítrio da consciência de cada um. Qualquer religião ou anti-religião só nos poderá levar pelos caminhos da tirania e da desgraça, e é por isso que sempre recusei todas, sem nunca rejeitar nenhuma.

  32. A questão não é ser ateu … a questão é ser crente, procurar verdadeiros motivos para acreditar,ai que vem a questão oque é verdadeiro ou falso? eu não sei, mas eu acho que crentes fervorosos preferem igonorar a realidade em questão ao seu redor muitas vezes são preconceituosos ( se não na maioria dos veses), se ser crente é isso eu prefiro ser ateu … como dizia Nietsztche ” se sua fé é grande pode até se dar o luxo de ser cetico” eu tenho minhas crenças pessoais mas prefiro deixar ocultas e agir como um cético e desafiar paradigmas estupidos que vem nos prejudicando desde os inicio dos tempos. a metafisica talvez seja a mais certa das religiões

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