Mulher Egipcia e “honra”

Por Filomena de Mello • 25 Jan, 2008 • Categoria: Discriminação Religiosa, Opinião

Apesar de afirmações em contrário por parte de Cristãos e Muçulmanos, continua a ser para muitas mulheres Egípcias, uma “obrigação” religiosa a “purificação” através da circuncisão, tida como ajuda para manter a sua virtude e honra.

Estatísticas oficiais Egípcias mostram que 97% das mulheres entre os 15 e os 49 anos de idade, tanto cristãs como muçulmanas, sofreram o que é referido pelas Nações Unidas como “mutilação genital feminina”, ou FGM no original.

Depois da morte de uma menina de 12 anos, o Ministro da Saúde, Hatem al-Gabali, decretou a proibição de qualquer médico ou membro da Ordem praticar tal procedimento. Este decreto será tornado Lei e dará lugar a um debate intenso no parlamento Egípcio.

A circuncisão feminina é muita vez causa de morte quer por hemorragia quer por complicações durante o parto. Pode ainda ser causa de infecções, problemas no sistema urinário e trauma mental.

Os traumas psicológicos, esses, então, dificilmente serão contabilizáveis, porque de difícil diagnóstico, dado que muitas vezes as mulheres nem se apercebem dessa sua mutilação paralela, espartilhadas que estão pela sua envolvente social.

É esta mesma vertente social, que irá sem dúvida, lamentavelmente, ainda por muito tempo, dificultar a implementação da respectiva Lei.

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