Uma das questões que alguns amigos me colocam, assim que sabem que faço parte deste portal, é “Porquê?”, e a pergunta faz todo o sentido.
Porquê fazer parte de um portal ateísta? Porquê ter que dizer ao mundo “Não acredito em Deus”? Porquê arriscar o nome em praça pública com uma discussão que ainda é tabú? E porquê entrar nessa batalha do activismo, porquê perder tempo e esforço nessa cruzada contra a religião?
Porque sim. Porque é necessário.
Até hoje em dia, os ateus sempre passaram por minoria pelo simples facto de que, normalmente, não se expôem. Não se mostram. Não se assumem. E é natural: para alguém que não acredita em Deus, ir para a rua dizê-lo em alta voz faz aparentemente tanto sentido como andar no passeio com cartazes a dizer “Eu não acredito no Abominável Homem das Neves” ou “Os rios correm para o mar”. Para um ateu, não acreditar em Deus é tão óbvio como não conseguir respirar debaixo de água. E é por isso que todos nós, os hereges deste mundo, temos andado desligados e isolados, ocupados com as nossas vidas e sem perder grande tempo a explicar aos outros que coisas como deuses, unicórnios e gnomos pura e simplesmente não existem. Mas também é por isso que passamos por uma minoria e que temos pouca expressão social.
Lá diz o povo que unido jamais será vencido e o certo é que o ateísmo tem vindo a sofrer algumas derrotas por não estar unido o suficiente, enquanto que os crentes (deístas, teístas e até politeístas) vão continuando a espalhar os seus credos e mitologias pelo nosso planeta. Se há coisa que todas as religiões têm em comum é o apelo à união e nisso eles sabem o que estão a fazer.
E não nos podemos dar ao luxo de continuar a perder terreno, não só por uma questão de bom-senso mas sobretudo por uma questão de evolução.
Em pleno século XXI, vivemos num planeta onde pessoas matam pessoas por acreditarem em diferentes amigos imaginários; onde bilhões de euros são afogados e desviados por cultos, crenças e credos; onde se subjugam, torturam e culpabilizam seres humanos em nome da fé; onde se negam evidências científicas básicas, como a teoria da evolução; onde se impede o estudo e o combate a doenças com a desculpa de dogmas; onde humanos escravizam humanos em nome de entidades mitológicas. Se você acha isto normal, talvez seja altura de recorrer a ajuda profissional.
A maioria das pessoas dirá “Pois, a culpa é da religião”, mas a dita cuja nunca morre solteira.
Grande parte da culpa é também dos ateus.
Pode custar a admitir, mas perante o presente cenário mundial, um ateu calado é um ateu permissivo, que fecha os olhos à realidade e tenta sacudir a água do capote. Um ateu que não se manifesta, que não tenta contribuir para a mudança da maré e para a progressão da humanidade é um cúmplice no crime. É como tentar manter-se de costas para a vala comum da humanidade, na esperança que ela desapareça.
Por isso, se ser ateu é ser alguém clarificado, então tem que ser também alguém com voz. Se ser ateu é ser alguém com um superior nível de consciência (não me batam mas é verdade, reclamem com o Dawkins se quiserem), então é também ser alguém que contribui para a mudança.
E para mudarmos as coisas, não podemos continuar calados. Certo?
Certo.
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Carlos Moura
Tenho de elogiar a sua modéstia quando fala em nível superior de consciência. É óbvio que um ateu é naturalmente mais inteligente do que um crente. Enquanto um crente vê as telenovelas da SIC e da TVI, um ateu observa a radiação cosmológica de fundo. isto diz tudo.
Qual será a causa desta superioridade intelectual? Provavelmente o decaimento radioactivo do carbono beneficiou mais os ateus do que os crentes. Nem quero supor que existe uma tripla correlação não casual entre calvície –> ateísmo –> superior inteligência. Todos os esforços que eu tenho feito, como crente, para conservar este cabelo semi-grisalho teriam sido debalde. Seria uma grande desilusão.
Falô, Sansão!!!!
Pode crer meu “Parente”, você é o cara!!!
Caro António Parente:
É espantosa a coincidência, tenho que lhe contar.
Ainda ontem à noite, estava eu entretido a observar as radiaçõezitas cosmológicas na minha varanda, quando um vizinho meu me disse mais ou menos a mesma coisa. Este meu vizinho, que é seguidor de Baal, o antigo deus Fenício, aproveitou um intervalo entre um sacrifício de cordeiros para fazer uma visita ao Portal Ateu e ficou bastante aborrecido com este meu artigo.
Eu compreendo. Mesmo quando eu lhe tentei explicar que termos como “clarificado” ou “consciência” não eram sinónimos de “superioridade intelectual” ele manteve a sua indignação. Olhou para mim com tom grave e disse: “-Anda para aí muito selvagem, é certo, mas não é razão para te armares ao pingarelho”. E ofereceu-me o livro Zend-Avesta, escrito por Zoroastro, que relata a luta entre o bom Ormuz contra o malvado Arimã, que será somente derrotado no dia do juízo final onde todos seremos julgados pelos nossos actos e artigos publicados.
Ora, este grandioso livro, que nos orienta para a verdade dos deuses Baal, Astartéia e Dagon foi escrito alguns milhares de anos antes de Cristo, o que só garante ainda mais a sua veracidade, além de ter instruções precisas para técnicas de limpeza da alma que envolvem sodomia, bestialidade, prostituição cerimonial, além de sacrifícios de crianças; uma das quais eu estou a fazer neste preciso momento para garantir a minha purificação.
Hoje à noite, se ele não estiver ocupado a autoflagelar-se, tenho que pedir desculpas a este meu vizinho. Afinal de contas, estamos os dois no mesmo nível de consciência, e a arrogância dos meus escritos foi deselegante e desnecessária.
Tenho que lhe pedir desculpa e convidá-lo para um serão familiar, onde poderemos contar anedotas sobre os outros infelizes que acreditam em enviados celestiais que caminham sobre o mar e transformam água em bebidas alcóolicas e isso.
Estimado Carlos Moura
Penso que deveria ter informado a ASAE de que esse seu vizinho estava a sacrificar animais em casa sem condições para tal. É um crime económico e como tal deveria ser punido.
Lamento o aborrecimento do seu vizinho. Eu, um católico fundamentalista, li prazenteiramente o que escreveu. Não considero que tenha feito qualquer confusão entre “consciência” e “superioridade intelectual”. Fui eu que fiz essa inferência. Considero-a legítima. Para se atingir um nível superior de consciência é preciso uma elevada meditação e concentração. Isso só se atinge de forma inteligente. Repare que não confundo inteligência com curriculo académico. São coisas diferentes. Tenho conhecido doutorados pouco inteligentes e analfabetos muito inteligentes.
Em relação ao que conta é muito curioso: está de acordo com a teoria de uma autora cujo nome me escapa mas que poderá pesquisar na wikipedia que diz ser o fenómeno religioso uma constante na história da humanidade e que Deus se revelará de diversas formas. Kirshna, Buda, Jesus Cristo, Maomé, seriam manifestações diversas do mesmo ente divino. Até o ateísmo. Porque se Deus não existisse, não existiram ateus. Mas os crentes continuariam a existir. Já pensou nisso?
Agradeço imenso o seu convite mas preferia ser convidado pelo seu vizinho. Não por causa da auto-flagelação mas pelo carneiro. Com efeito, em dias de carneiro em nenhuma religião existe auto-flagelação, é dia de festa. E um bom carneiro, mesmo não cumprindo as normas da ASAE, não é de desperdiçar.
Parece-me que o seu vizinho tem uma vida mais alegre do que a sua dada a monotonia da radiação cosmológica de fundo. Não me parece que anedotas sobre infelizes sejam para rir. Pelo menos eu não rio, sou um palerma e choro. Por outro lado, parece-me que existe aí uma excitaçãozinha por causa da auto-flagelação. Eu nunca experimentei mas até podia ser interessante ver o seu vizinho a ensinar-lhe a arte. Quem sabe se o Carlos não ia gostar?
Caro António
É com um sorriso de orelha a orelha que encontro esta sua resposta e aproveito só para deixar um par de observações que me parecem importantes neste nosso inesperado mas divertido diálogo.
Não vou informar a ASAE porque não quero atentar contra a liberdade de expressão religiosa do meu vizinho, além de que ele tem uma banca em alumínio muito jeitosa que mandou fazer por encomenda para o efeito.
Quanto à questão de inteligência versus currículo académico, subscrevo inteiramente.
Quanto à questão da manifestação do mesmo ente divino, não vejo razões para ter que ser um só ser, solitário e macambúzio… A acreditar, preferiria ir pela versão de vários deuses com grau de parentesco – porque assim responderia à questão “Quem criou deus?” com “Este outro deus” e por aí fora.
Essa do “se Deus não existisse, não existiram ateus. Mas os crentes continuariam a existir” parece-me tão verdadeira como afirmar que se as fadas não existissem, não existiriam pessoas que não acreditam nelas.
Quanto ao convite, no anterior comentário expressei-me mal – queria dizer que ia convidar o meu vizinho para o tal serão e não o António; mas posso sempre dar uma palavrinha sobre a questão de vir lá provar o cordeiro, que é de facto uma excelente aposta gastronómica.
O meu vizinho tem, de facto, uma vida mais alegre que a minha, embora não se deva menosprezar o potencial entretenimento da radiação cosmológica e fenómenos afins.
Quanto às anedotas, é um problema – não existem piadas sobre coisas boas, têm sempre que envolver infelizes, idiotas ou azarados.
A questão da auto-flagelação, também já ouvi rumores sobre os eventuais prazeres que daí advêem. Vou comprar uma corda de sizel, tiras de cabedal e betadine. E uma câmera de vídeo. E depois digo qualquer coisa.
Caro Carlos Moura
Bom, vejo que está mais perto da religião do que eu pensava. Parafraseando um grande Amstrong: “Aquilo que escreveu pode ser um pequeno passo para um agnóstico mais é um grande passo para o Carlos Moura”.
Vamos aos factos:
1) Santíssima Trindade – tem aí um bom começo para se aproximar da religiosidade, em termos familiares.
2) Convite – há por aí uma vaga hipótese de celebrar a Páscoa juntos
3) Alegria – reconhecer que a fé dá alegria e que esperar eternamente por uma aurora boreal que nunca virá é despedício é uma maneira de nos dizer, a mim e ao meu vizinho, “venham-me buscar e façam de mim o que quiserem”; não o faremos monge, apenas o iniciaremos nas artes da devoção.
4) Anedotas – na página da rádio renascença procure a rubrica “figo seco”: encontrará anedotas que não envolvem infelizes, idiotas ou azarados. Um exemplo:
O casal está a ver uma casa e o senhorio pergunta-lhes:
- Filhos?
- Dois.
- Animais?
- Não, não, são bem comportados.
Puro humor cristão católico, sem ser ofensivo para ninguém. O ateísmo terá de percorrer um longo caminho até atingir este grau de sofisticação.
5) Auto-flagelação – Comece por coisas mais simples: vc e um chicote. Os dois solitariamente num quarto. Esqueça o betadine, o seu vizinho de certeza não usa, é coisa de “mariquinhas” (palavra sem conotação homofóbicas). Nunca viu o Stalone ou o Chuck Norris pararem um combate, completamente ensaguentados, para porem betadine. Ficariam completamente desacreditados. Mais tarde pode acrescentar um espelho (lembra-se do Stalone a coser um ferimento de bala num braço com agulha e linha?). Sei que vcs, ateus, têm uma tendência inata para a ciência mas treine antes sózinho. Depois, mais tarde, vem a câmara de vídeo. Um passo de cada vez.
Um abraço
Caro António:
Ah, ah, ah, ah.
Boa tentativa.
Só uma coisa: a fé dá alegria da mesma forma e num processo semelhante ao vinho tinto.
Mas isso, assim como a questão do Chuck Norris, já são assuntos merecedores de artigo próprio nos próximos tempos.
Eu sei que isto já não deve ser novidade para si, mas gostaria de lhe sugerir dois livros:
- “Decompondo o arco-íris” de Richard Dawkings, para perceber que a tal alegria e a beleza das coisas existem mesmo quando se percebe a realidade;
- “Quando é que Jesus traz as costoletas?”, de George Carlin, para humor como deve ser.
Até à próxima
Caro Carlos Moura
Bom, parece que decidiu ir-se embora. Tínhamos muito para conversar.
Em relação aos gurus ateus – Cris Atchim, Dani Dá ao Neto, Rick Daqui e Sem Érres – já li todos os livros. Serão bons temas para futuros artigos no meu blogue, quando eu tiver tempo.
Penso que não vai haver próxima. Foi só um pequeno teste de mercado para ver como se portava a concorrência…
Um grande abraço,
Caro Carlos,
É a primeira vez que entro no portal ateu. Considero-me deísta ou panteísta ou da religião natural, mas considero-me tão laico como os ateus. Aliás, no geral, revejo-me no ateísmo. Creio que embora ideologicamente possamos diferir a praxis é a mesma. Acredito que as religiões são criações humanas e não revelações divinas, acredito que temos de tomar o nosso destino – o da humanidade – nas nossas próprias mãos, acredito na ciência e no laicismo. Contudo, acredito que existe um ser que eu obviamente não sei nem nunca saberei definir, chamemos-lhe deus ou qualq
Sou médico com algum conhecimento de biologia molecular, por consequência de meu interesse na área. Estou de posse de dois trabalhos, Deus um delírio e o Tratado de Ateologia, bem como da Bíblia Sagrada e inúmeros livros espiritualistas. Ainda não vou começar uma discussão em defesa deste ou daquele ponto de vista mas digo de antemão que em meu primeiro livro, ainda em processo de elaboração, tento cruzar as inúmeras informações contidas nas obras sobre o não crer em Deus, que estranhamente neste site e nos livros, frequentemente aparece com grafia maiúscula. Por quê? Acho, de antemão, que se confunde, ao menos na obra do renomado biólogo Dawkins, o crer em Deus e o enfoque macabro das religiões. É notadamente óbvio o prejuízo socio-econômico e cultural das religiões, sobretudo das com cofres cheios em detrimento da fé. Outra coisa é o fato de que o próprio Einstein admitiu nossa limitação sensória para entender o universo. Espero ter meu trabalho publicado para colaborar com a solução do impasse entre crentes e ateus. Que Deus me ajude. Me aguardem.
«A maioria das pessoas dirá “Pois, a culpa é da religião”, mas a dita cuja nunca morre solteira.
Grande parte da culpa é também dos ateus.»
Efectivamente as religiões já deram o que tinham para dar, pelo menos nos moldes conservadores, há dois mil anos não existia internet, o alcance e intervenção das religiões era a oralidade cara a cara, via-se a convicção do mestre, hoje entende-se ou não o seu raciocínio, em directo, a partir do outro lado do mundo. Os Deus que as religiões nos oferecem estão velhos e cansados, mas a segurança social não lhes paga a reforma, nunca descontaram, e a crise económica atinge a todos.
Os teólogos de todos os credos deveriam ouvir o poeta popular, António Aleixo, que a propósito comentava:
Há luta por mil doutrinas.
Se querem que o mundo ande,
Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande.
Acredito em Deus, mas é com os homens com quem vivo, e mais com os que não ficam calados, que é possível o entendimento, independentemente da opção religiosa, a indiferença mata. Bem hajam a todos os ateus, que ousam questionar, a viabilidade dos nossos descontos, para nossa segurança mental, servirem para a reforma dos ditos deuses.
Cumprimentos
Cirilo
O antonio Parente du um banho no Carlos Moura, estava pensando em ser ateu, mas depois dessa….
Carlos Moura….coloca o rabinho entre as pernas, pede pra cagar e sai…ahahahaha.
Ser ateu não é desacreditar em deidades, mas, saber da sua inexistência.
Acreditar – desacreditar é uma coisa; saber-ignorar é outra
Caro Reinaldo,
Como SABE que Deus não existe?
Alfredo Dinis
é o seguinte, tenho 16 sou ateu desde meus 13
esse post parece ser algo onde quem sabe discute, eu num diria que sei algo sobre deus ou o diabo, ainda mais que eles existem ou não existem, mas a minha crença é essa, eu não acredito em deus!
como disseram anteriormente, essa discussão é um tabu, mais os dois lados não devem se calar, pelo contrario, a única solução seria um debate racional como esse, tenho muito interesse no ateísmo, por que após digamos “me converter” a ele, percebi que é nesse mundo onde quero dirigir meu foco, e peço desculpa ao carlos moura, mas eu sou um cúmplice dessa mentira cristã, não posso me pronunciar em nenhum lugar por que sou silenciado, e tido como anti-cristo, pessoas iimbecís julgam o que é diferente como pior, por isso, para viver no meu mundo adolescente, onde todos são cristãos, ou satanístas (acredite existem muitos se dizem satanistas, modinha adolescente) tenho q me silenciar se quiser ter uma vida social,
antes que pensem que aderi ao ateísmo por modinha, isso não aconteceu, não conheço pessoalmente se quer um ateu,
Caro Rafael,
Estou de acordo em que deverá haver uma diálogo entre crentes e não crentes com uma base racional. Eu sou crente e tenho procurado manter esse diálogo aqui e noutros lugares da blogosfera. O que tenho notado é que muitas das críticas que os não crentes fazem à religião, eu subscrevo-as, mas isso não me impede de continuar a acreditar em Deus. Mas há muitas afirmações feitas pelos não crentes que não têm qualquer fundamento racional. Por exemplo: a fé em Deus baseia-se numa lavagem ao cérebro feita às crianças; baseia-se também numa atitude acrítica: não se pode discutir nada, uma vez que tudo é dogma; a ciência dispensa Deus, uma vez que prova a sua não existência; por exemplo, a teoria do BigBang explica a origem do universo, e a teoria da evolução das espécies explica a origem da vida, logo Deus não criou nem o universo nem a vida, etc. Eu penso que a ciência só pode favorecer a religião desde que esta esteja aberta à auto-crítica e à mudança em tudo o que não seja absolutamente fundamental. É isso o que acontece no cristianismo, mas muitos não crentes negam que assim seja. Eu falo por experiência própria. Sou crente e até sou professor de filosofia da ciência, o que me permite conhecer razoavelmente bem as teorias científicas em diversas áreas do saber. A ciência nunca me incomodou como crente, muito pelo contrário, permite-me compreender melhor aquilo em que acredito pela fé religiosa.
Saudações,
Alfredo Dinis
Alfredo,
De fato você esta bem posicionado, tendo conhecimento científico e religioso, e vivendo de certa forma nessa linha tênue que tanto nos leva a discussões, mas a discussão que quis abrir aqui, foi por que, os crentes (sejam eles quais forem, católicos, protestantes, espíritas, qualquer um), discriminam tanto os ateus, eu me sinto até perseguido, só quem sabe de minha crença são amigos próximos, mas sempre escapa alguma coisa para alguém de fora do circulo de amizades, e quando escapa, recebo olhares de todos, não digo que estou certo, até por que como já dizia um ditado muito popular, “uma andorinha só não faz revoada”, então me calo perante a essa discussão iniciada sempre pelos próprios cristãos, que as vezes acho que tem duvida se acreditam ou não, mas a todos os efeitos são católicos praticantes. A pergunta que lancei não é religiosa, é ética, eles estão mais próximos do “céu” do que eu apenas por dizerem “acreditar” em algo que nem se quer seguem? por que que eu saiba, deus prega o bem, e que bem é esse que mata milhões que são julgados pelos homens, impuros(inquisição)?, onde ele esteve durante a idade media, onde a lei que regia era a de morte e tortura? será que ele estava tentando purificar o mundo dos pecadores abrindo mão de umas milhares de almas inocentes, mortas apenas pelos prazeres sádicos e libidinosos de seus sacerdotes? e se caso for isso, ele realmente purificou o mundo? agora só vemos novas formas de se causar dor…
Caro rafael Vitor
Ser-se cristão é isso mesmo : fazer-se uma coisa e apregoar-se o contrário, o que consola a alma..
Veja como agora na viagem, “pastoral” dizem eles, do sr. Ratzinger a Luanda, em África (!), se celebraram orações (incluindo o Pai Nosso) em latim, se cantam cânticos litúrgicos de origem europeia e se modera, com alegria contida, em ritmos menos exuberantes, as danças locais.
Pelo que não se admire que seja “silenciado” e “receba olhares de todos”, em particular dos tais que apregoam o amor e a tolerância cristãs.
Cordialmente
Caro Rafael,
Lamento que o seu ateísmo não possa ser anunciado livremente aos seus familiares e amigos, e espero que o possa fazer enchendo-se de coragem.
A prática cristã é fundamentalmente a do amor, do bem, que é o mesmo. Não adianta ir à missa, a peregrinações, rezar, etc., se tudo isto não levar o crente a praticar o bem. Neste aspecto, os não crentes poderão ter uma vida mais humana e eticamente superior à dos não crentes.
Onde estava Deus no tempo da Inquisição? A sofrer com os que sofriam. Respeitando a inteligência e a liberdade dos seres humanos, Deus não poderia estar a intervir constantemente neste mundo, uam vez que as pessoas deveriam saber o que devem fazer e o que devem evitar. Para alguns não crentes, esta ‘ausência de Deus’ nos momentos de injustiça e sofrimento é uma prova da sua não existência. Eu prefiro um Deus que respeite a minha liberdade, correndo o risco de ser insultado e de ver-me insultar e agredir as outras pessoas, a um Deus que ande por aí como um super polícia. Os problemas que nós causamos devem ser resolvidos por nós. Sobre a Inquisição, a Igreja Católica já reconheceu que foi um erro tremendo, e o Papa João Paulo II pediu publicamente desculpas, em 2004. Não há muitas instituições que reconheçam publicamente os seus erros. A Igreja Católica é constituída por homens e mulheres falíveis.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Caro Alfredo Dinis
Já tive oportunidade de debater consigo, em “Debate em Braga: o rescaldo”, algumas questões doutrinárias. Fiquei esclarecido e não questiono, porque respeito, aquilo em que (doutrinariamente) acredita.
Sucede que, passando ao nível dos factos, a história da Igreja Católica, a que existe, sedeada em Roma, é toda ela, ao longo dos séculos, baseada em guerras, mortes e perseguições. Não foi só a Inquisição. Nos exércitos católicos que se confrontaram em Aljubarrota, para não ir mais longe, antes de se matarem uns aos outros, se uns clamavam “Por Santiago !” os outros clamavam “Por S. Jorge !”, contrariando a Lei de Deus do “Não matarás”.
Dir-me -á, porventura, que “isso foi antes, uma fase negra da história da igreja, mas que está ultrapassado e já não se repete”.
Gostava de poder acreditar que assim fôsse.
Mas quando vejo agora as declarações do sr. Ratzinger vetando o uso dos preservativos num continente onde a morte pela sida se propaga descontroladamente não posso deixar juntar o meu protesto ao clamor universal, que inclui a própria ONU, contra tais declarações.
E porquê tal clamor de indignação ? Porque vetar o uso dos preservativos corresponde a uma forma de “assassínio por antecipação” de muitos milhares, senão mesmo milhões, de pessoas, mortes essas que poderiam ser evitadas se houvesse mais abertura e compreensão pelos problemas sociais e humanos, e na forma de os ultrapassar. Independentemente de outras medidas como educação e prevenção, que só surtirão efeitos a médio / longo prazo, a distribuição de preservativos é urgente para salvar vidas humanas.
Alguma coisa deve estar errada numa doutrina que postula, se é que postula mesmo, a posição da Igreja Católica. (ou será antes a perspectiva pessoal do sr. Ratzinger ?) nesse assunto.
Concordo completamente consigo quando diz que “Os problemas que nós causamos devem ser resolvidos por nós”. Sucede que há problemas sociais, e alguns gravissimos, em que as posições da Igreja constituem problema, e não solução, para a sua resolução. E não há sinais de mudança dessas atitudes e mentalidades.
Pessoalmente acredito na sua boa fé e nas suas boas intenções. Mas sentir-me-ia mais tranquilo e mais seguro, como cidadão, se visse o meu caro Alfredo Dinis, bem como os outros católicos a discutirem, calma e desapaixonadamente, aquilo que é hoje a política do Vaticano, reformulando aquilo que está desajustado do mundo real. E reformulando eventualmente aqueles aspectos doutrinais que possam originar tais atitudes desconformes com os padrões da sociedade civil.
Na verdade não me parece que o exemplo histórico que tanto o atrai, passado há 2.000 anos atrás, esteja a ser seguido pela actual cúpula vaticanica, o que coloca a questão : “Será de facto esta a Igreja de Cristo ? Não estará o seu chefe a trair os princípios morais e éticos cristãos ?”.
Cordialmente
«Respeitando a inteligência e a liberdade dos seres humanos, Deus não poderia estar a intervir constantemente neste mundo, uam vez que as pessoas deveriam saber o que devem fazer e o que devem evitar.» (Alfredo Dinis)
O Alfredo acredita que Deus intervém pontualmente, mas não constantemente? Ou que não intervém, de modo algum?
A Igreja católica aceita, celebra e exulta a a existência de intervenção divina – os “milagres”. Intervir pontualmente não será também, pegando no seu raciocínio, desrespeito do Criador pela “inteligência e a liberdade dos seres humanos”? “Algumas vezes” será assim tão diferente de “muitas vezes”?! Será mais importante curar uma queimadura na córnea de uma senhora ou quebrar os grilhões de todos os condenados à fogueira da Inquisição, por exemplo?
“pessoas deveriam saber o que devem fazer e o que devem evitar”
Pois. Mas se o sabem, não o fazem. As pessoas desrespeitam a liberdade de outras pessoas. Com o seu livre arbítrio, impedem o livre-arbítrio dos outros. E o que Eu faço? Assisto a isto impávido e sereno, intervindo apenas, aparentemente, por caprichos pontuais e insondáveis e em benefício de alguns eleitos.
Cordiais cumprimentos
Caro Deus
Então você já não sabe o que fez ?
Salvo erro, fruto da minha ignorância, a única vez em que indubitavelmente teria intervido, segundo as sagradas escrituras (àparte aquela conversa particular no cimo do monte para entregar as tábuas ao fim de 40 dias e de que não houve testemunhas nem havia DHL na altura), teria sido no Mar Vermelho onde após Moisés com o seu grupo passarem, os perseguidores egipcios morreram afogados.
Ora li há dias uma notícia que isso, a intervenção divina a abrir o mar para deixar passar Moisés no`êxodo, é agora contestado por um grupo de cientistas que terão relacionado a existência de um lago, na época coberto com uma camada de gelo à superficie, gelo que se teria quebrado com o peso do “pesado” exército egipcio.
Terá sido assim ?
Cordialmente
Caro Victor
SE Eu existir, não intervenho.
As Sagradas Escrituras só são sagradas de nome. Eu não as pedi nem as inspirei. Até porque Eu não existo. Ou se Existo, não Intervenho.
“existência de um lago, na época coberto com uma camada de gelo à superficie, gelo que se teria quebrado com o peso do “pesado” exército egipcio.”
Procurar provas que refutem ou comprovem as lendas orais dos povos nómadas do deserto, compiladas, editadas e perpetuadas pelos autores do bárbaro Velho Testamento, pode ser um exercício interessante. Mas nada mais. A cena do gelo é intrigante. O clima da altura seria assim tão mais frio nestas latitudes!? A minha memória está muito enferrujada. É da idade…
“Terá sido assim ?”
Não existem provas que o o Êxodo tenha ocorrido. Isso são histórias contadas à volta da fogueira nos acampamentos dos pastores há mais de dois mil anos atrás. Na altura não havia cinema, televisão ou livros de bolso. A apetência humana por histórias com sexo e violência era satisfeita dessa maneira.
Cordiais cumprimentos divinos
Caro Deus
A sua memória está boa, esteja tranquilo.
A descoberta que refiro é precisamente por isso algo de novo, resultado de se terem estudado alterações climáticas que se sucederam há centenas e milhares de anos. Não me surpreende que tal tivesse acontecido pois já tivémos a Idade do Gelo que cobria o que é hoje a Europa.
Tal interpretação não refuta o (hipotéctico) êxodo, mas refutaria o invocado milagre divino, o que já é alguma coisa no sentido de se desmontar algo em que algumas religiões se alicerçam, tipo estórias para maravilhar e impressionar incautos.
De resto colocou muito bem, e reforço, a questão da intervenção divina ser pontual, constante, aleatória, arbitrária ou … nula.
Cordialmente
Caro Carlos Moura (post)
A questão que levanta é muito interessante e pertinente.
Por afinidade com o que se passa nas outras religiões (outras, sim, porque ser-se ateu também é ser-se, à sua maneira, religioso) haverá também no ateismo vários tipos de crentes, desde o “não praticante” até ao “militante”, e quiçá o “fundamentalista”.
Nesses termos, o “ateu calado” será o não praticante, o “ateu normal” será o que se manifesta uma vez por outra, o “ateu militante” o que se manifesta em todas as causas, e o “ateu fundamentalista” – que espero que nunca haja nenhum nem faria sentido existir mas nunca se sabe, como se vê em religiões que se dizem pacifistas – seria, se calhar, o que poria bombas.
As questões que colocaria são :
- que causas existem para um ateu se manifestar ?
- até que ponto haveria semelhança de perspectivas sobre uma dada causa ?
- como organizar a conduta na defesa das causas ?
Dou-lhe dois exemplos :
Revolta-me que a Igreja Católica se aproveite da figura e simbolismo que é D. Nuno Álvares Pereira para resolver aquilo que entendo serem meras tricas internas, canonizando-o sob pretexto de um milagre algo ridiculo, o que faz desmerecer a pessoa invocada ( ver # 9 de “Como o óleo de fritar peixe …”, # 36 de “Debate em Braga …” e outros).
Aparentemente a minha indignação não teve eco, pelo que deduzo que o assunto não terá motivos suficientes para ser uma causa mobilizadora. E agora, que faço ?.Baixo os braços e calo a voz ?
E sobre a questão “dos preservativos” que recolhe, aparentemente, um consenso geral entre os ateus, que fazer ? Uma manifestação à porta do representante da Santa Sé ? Quem organiza ? O Portal ?
Cordialmente
Religiões, é puro comércio, um dia que os padres e os pastores, tiverem vergonha na cara e disserem que o diabo,está
morto,saberão que ninguém mais vai freguentar seus templos, não os fazem para não perderem dinheiro, estão tão com
prometidos financeiramente que não vão cometer um ato deste, no fundo milhões de pessoas gostam de se sentirem en
ganados, iludidos a final de conta são mais de 5.000 de mentiras e enganação.
Em vez de combaterem Deus e a religião, deixem Deus e a religião em paz, e combatam o mal que existe no mundo, e talvez depois de terem feito isso, talvez descubram Deus nos vossos corações, e não numa suposta teoria qualquer……..
http://www.youtube.com/watch?v=P1dLWpqusVg&feature=related
A única solução para isto…..
http://www.youtube.com/watch?v=fPixROZr7Fw&feature=related
«Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço
todas estas coisas» Isaías, 45:7
Caro “Ó ateus acordem !”, segundo os seus vídeos, o seu líder será a solução para os males do mundo… mas olhe que ele não deve estar muito preocupado porque se estivesse já poderia ter começado a esvaziar os cofres do Vaticano para garantir a ajuda humanitária a quem precisa.
«Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço
todas estas coisas» Isaías, 45:7
Por acaso saberá vossemecê o que é a “luz”, ou as “trevas”, ou “o mal” ou a “paz”, dita neste contexto e neste sentido!?
Não creio! a menos que goste de se insultar a si mesmo!
“Por acaso saberá vossemecê o que é a “luz”, ou as “trevas”, ou “o mal” ou a “paz”, dita neste contexto e neste sentido!?”
Se fizesse o favor de nos iluminar com a sua interpretação, ficaria muito agradecido.